{"id":33123,"date":"2019-01-16T00:00:00","date_gmt":"2019-01-16T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/o-ritmo-do-cotidiano\/"},"modified":"2019-01-16T00:00:00","modified_gmt":"2019-01-16T02:00:00","slug":"o-ritmo-do-cotidiano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/o-ritmo-do-cotidiano\/","title":{"rendered":"O ritmo do cotidiano"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><strong>Dom Adelar Baruffi<\/strong><br \/>\n<strong>Bispo de Cruz Alta<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O cotidiano merece ser vivido de maneira positiva. Quando j\u00e1 se passaram as festividades natalinas e, para muitas pessoas, tamb\u00e9m o tempo de descanso, voltamos \u00e0 normalidade da vida familiar e profissional. A simplicidade e a repeti\u00e7\u00e3o das atividades s\u00e3o o lugar privilegiado para criarmos processos, vivermos nosso projeto de vida, realizarmos um caminho de crescimento humano, crist\u00e3o e profissional. Normalmente a maturidade e a felicidade s\u00e3o resultados de uma fidelidade provada pelos anos, diante dos desafios e alegrias de cada dia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0 A pr\u00f3pria Sagrada Escritura, que fala muito pouco da vida de Jesus dos 12 aos 30 anos, apenas diz que viveu com Maria e Jos\u00e9, em Nazar\u00e9, onde era obediente e crescia em estatura e gra\u00e7a (cf. Lc 2,52). A an\u00e1lise das par\u00e1bolas de Jesus e o uso de compara\u00e7\u00f5es que ele fez nos dizem que ele mergulhou no cotidiano de uma vida simples, escondida, numa aldeia insignificante e que a\u00ed moldou seu jeito de ser, com os valores e atitudes b\u00e1sicas que demonstrou na sua prega\u00e7\u00e3o do Reino de Deus. Nossa viv\u00eancia da f\u00e9 tem seu primeiro lugar, o mais importante, no cotidiano. Como o profeta Isa\u00edas, dizemos: \u201cA cada manh\u00e3, o Senhor desperta o meu ouvido para que eu o escute como um disc\u00edpulo\u201d (Is 50,4). A viv\u00eancia e transmiss\u00e3o da f\u00e9, que se d\u00e1 em primeiro lugar no testemunho de vida familiar, \u00e9 feita pela perseveran\u00e7a na escuta cotidiana da Palavra. Ela \u00e9 o \u201cbom-dia de Deus\u201d, que se prolonga nos momentos de ora\u00e7\u00e3o, no obrigado pela sua presen\u00e7a permanente. Toda educa\u00e7\u00e3o \u00e9 feita pela repeti\u00e7\u00e3o, mesmo que \u00e0s vezes se torna cansativo e at\u00e9 desagrad\u00e1vel. A educa\u00e7\u00e3o da f\u00e9, inclusive, \u00e9 a repeti\u00e7\u00e3o de ritos cotidianos, que deixam marcas para toda a vida. Os momentos extraordin\u00e1rios, os grandes eventos, ter\u00e3o especial significado quando est\u00e3o ligados a um estilo de vida que os prepara e, a partir deles, voltam \u00e0 vida di\u00e1ria. Quantos de n\u00f3s lembramos com gratid\u00e3o o que aprendemos desde a inf\u00e2ncia!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Recordava-nos, recentemente, nosso Papa Francisco em sua Carta <em>Gaudete et Exultate,<\/em> que o cotidiano \u00e9 o lugar privilegiado de viver a santidade de vida. Como ele falou: uma santidade \u201cao p\u00e9 da porta\u201d (cf. n. 6s), marcada pela simplicidade e profundidade, n\u00e3o pela extraordinariedade. Que fez de extraordin\u00e1rio Santa Terezinha do Menino Jesus? Que faz de extraordin\u00e1rio um casal que constr\u00f3i sua fam\u00edlia numa conviv\u00eancia de 50 anos, com amor sempre renovado? A l\u00f3gica do consumismo nos acostuma \u00e0 constante novidade e, por isso, \u00e0 dificuldade de saborear a fundo o que \u00e9 cotidiano, o que \u00e9 simples, como o conv\u00edvio familiar. Sempre se precisa de algo novo, diferente. A educa\u00e7\u00e3o para a sobriedade favorece a espiritualidade, o desapego e traz mais paz e felicidade. Neste sentido, o cotidiano tamb\u00e9m est\u00e1 ligado ao lar, cujo sin\u00f4nimo existencial \u00e9 a intimidade familiar e pessoal. \u00c9 o lugar que permite que sejamos n\u00f3s mesmos e recolhamos tudo o que se dispersou pelas m\u00faltiplas atividades. Neste lugar sagrado somos compreendidos e acolhidos, pois ningu\u00e9m quer nos vender ou comprar mercadorias. O olhar amoroso dos pais produz nos filhos a seguran\u00e7a e a bondade, que forjam uma personalidade sadia. Aprendemos tamb\u00e9m a disciplina da \u201cl\u00edngua\u201d, do tom de voz, do respeito no falar. Certamente tamb\u00e9m faz parte do cotidiano aprender a tolerar, a compreender as fraquezas de quem convive conosco. In\u00fatil querer exigir do marido, esposa, pais ou filhos a perfei\u00e7\u00e3o. Estamos todos a caminho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Enfim, \u00e9 no ritmo da vida di\u00e1ria, com a paci\u00eancia da espera do tempo de matura\u00e7\u00e3o, que nos formamos para a maturidade humana, profissional, familiar e crist\u00e3. Como diz o ditado latino: \u201c<em>Carpe diem<\/em>\u201d (Hor\u00e1cio &#8211; 65-8 AC), aproveite o dia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Adelar Baruffi Bispo de Cruz Alta &nbsp; O cotidiano merece ser vivido de maneira positiva. Quando j\u00e1 se passaram as festividades natalinas e, para muitas pessoas, tamb\u00e9m o tempo de descanso, voltamos \u00e0 normalidade da vida familiar e profissional. 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