{"id":33289,"date":"2019-02-04T00:00:00","date_gmt":"2019-02-04T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/a-caridade-nunca-acabara\/"},"modified":"2019-02-04T00:00:00","modified_gmt":"2019-02-04T02:00:00","slug":"a-caridade-nunca-acabara","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/a-caridade-nunca-acabara\/","title":{"rendered":"A caridade nunca acabar\u00e1"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><strong>Cardeal Orani Jo\u00e3o Tempesta<br \/>\n<\/strong><strong>Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ)<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A liturgia deste 4\u00ba Domingo do tempo comum nos ilumina e nos conduz para vivermos ainda mais nossa vida crist\u00e3. A segunda leitura (cf. 1Cor 12,31-13,13) nos fala sobre a caridade. O Esp\u00edrito Santo, fala-nos hoje, por interm\u00e9dio do Ap\u00f3stolo, de umas rela\u00e7\u00f5es entre os homens completamente desconhecidas do mundo pag\u00e3o, pois t\u00eam um fundamento totalmente novo: o amor a Cristo. \u201cTodas as vezes que fizestes a um destes meus pequeninos, foi a mim que o fizeste\u201d (Mt 25,40).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">S\u00e3o Paulo aponta as qualidades que adornam a caridade e diz em primeiro lugar que a caridade \u00e9 paciente. Para o bem, deve-se antes de mais nada saber suportar o mal. A paci\u00eancia denota uma grande fortaleza. \u00c9 necess\u00e1ria para nos fazer aceitar com serenidade os poss\u00edveis defeitos, as suscetibilidades ou o mau-humor das pessoas com quem convivemos. \u00c9 uma virtude que nos levar\u00e1 a esperar o momento adequado para corrigir; a dar uma resposta af\u00e1vel, que muitas vezes ser\u00e1 o \u00fanico meio de conseguir que as nossas palavras calem fundo no cora\u00e7\u00e3o da pessoa a quem nos dirigimos. \u00c9 uma grande virtude para a conviv\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A caridade \u00e9 benigna, isto \u00e9, est\u00e1 disposta de antem\u00e3o a acolher a todos com benevol\u00eancia. A benignidade s\u00f3 se enra\u00edza num cora\u00e7\u00e3o grande e generoso; o melhor de n\u00f3s mesmos deve ser para os outros. A caridade n\u00e3o \u00e9 invejosa. Da inveja nascem in\u00fameros pecados contra a caridade: a murmura\u00e7\u00e3o, a detra\u00e7\u00e3o, a satisfa\u00e7\u00e3o perante a adversidade do pr\u00f3ximo e a tristeza perante a sua prosperidade. A inveja \u00e9 freq\u00fcentemente a causa de que se abale a confian\u00e7a entre amigos e a fraternidade entre irm\u00e3os. \u00c9 como um c\u00e2ncer que corr\u00f3i a conviv\u00eancia e a paz. S\u00e3o Tom\u00e1s de Aquino chama-a \u201cm\u00e3e do \u00f3dio\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A caridade n\u00e3o \u00e9 soberba, sem humildade, n\u00e3o pode haver nenhuma outra virtude, e particularmente n\u00e3o pode haver amor. Em muitas faltas de caridade houve previamente outras de vaidade e orgulho, de ego\u00edsmo, de vontade de aparecer. O horizonte do orgulhoso \u00e9 terrivelmente limitado: esgota-se em si mesmo. O orgulhoso n\u00e3o consegue olhar para al\u00e9m da sua pessoa, das suas qualidades, das suas virtudes, do seu talento. \u00c9 um horizonte sem Deus. E neste panorama t\u00e3o mesquinho, nunca aparecem os outros, n\u00e3o h\u00e1 lugar para eles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A caridade n\u00e3o \u00e9 interesseira. N\u00e3o pode nada para a pr\u00f3pria pessoa; d\u00e1 sem calcular o que pode receber de volta. Sabe que ama a Jesus nos outros e isso lhe basta. N\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o \u00e9 interesseira, mas sem sequer anda \u00e0 busca do que lhe \u00e9 devido: busca Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A caridade n\u00e3o guarda rancor, n\u00e3o conserva listas de agravos pessoais; tudo desculpa. N\u00e3o somente nos leva a pedir ajuda ao Senhor para desculpar a palha que possa haver no olho alheio, mas nos faz sentir o peso da trave no nosso as nossas muitas infidelidades. Das tr\u00eas virtudes crist\u00e3s: f\u00e9, esperan\u00e7a e caridade, a f\u00e9 e a esperan\u00e7a n\u00e3o subsistem no C\u00e9u: a f\u00e9 \u00e9 substitu\u00edda pela vis\u00e3o beat\u00edfica; a esperan\u00e7a, pela posse de Deus. A caridade, no entanto, perdura eternamente; \u00e9, j\u00e1 aqui na terra, um come\u00e7o do C\u00e9u e a vida eterna consistir\u00e1 num ato ininterrupto de caridade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Quando crescemos na caridade, todas as virtudes se enriquecem e se tornam mais fortes. E nenhuma delas \u00e9 verdadeira virtude se n\u00e3o estiver impregnada de caridade. Tens tanto de virtude quanto de amor, e n\u00e3o mais. Tudo isso \u00e9 dom de Deus. Cabe a n\u00f3s acolh\u00ea-lo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O Evangelho deste domingo (cf. Lc 4,21-30), evoca a prega\u00e7\u00e3o de Jesus na cidade em que fora criado, Nazar\u00e9. J\u00e1 que, diferentemente de Marcos e Mateus, Lucas antes n\u00e3o menciona a prega\u00e7\u00e3o de Cafarnaum e nas cidades da Galil\u00e9ia, este trecho chegou a ser chamado de \u201cprega\u00e7\u00e3o inaugural\u201d. Jesus sabe que desejam credenciais: desejam que ele comprove sua miss\u00e3o por sinais em sua pr\u00f3pria cidade, como um m\u00e9dico se pede cure a si mesmo para provar sua capacidade. J\u00e1 que na vizinha Cafarnaum fez tantas coisas, que as fa\u00e7a tamb\u00e9m em Nazar\u00e9. Jesus cita o prov\u00e9rbio que um profeta s\u00f3 mal recebido em sua p\u00e1tria. Ele cita dois exemplos: Elias e Eliseu. Ambos, apesar das necessidades de Israel, fizeram seus milagres para pessoas estranhas. Assim, Jesus comprova que ele \u00e9 um profeta da categoria de Elias, o profeta do tempo do fim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Contudo, com essa liturgia de hoje que possamos aprender a acolher Jesus em nosso cora\u00e7\u00e3o e em nossa vida. E viver a virtude caridade e do amor. Assim, que a Bem-aventurada Virgem Maria nos ilumine.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Pe\u00e7o as ora\u00e7\u00f5es de todos pelo Encontro Anual dos Bispos, no Centro de Estudos do Sumar\u00e9, que ter\u00e1 in\u00edcio no dia 04 de fevereiro e se estender\u00e1 at\u00e9 o dia 08 de fevereiro quando os bispos, de todos os cantos e recantos do Brasil, ter\u00e3o possibilidade de conviv\u00eancia episcopal, de ora\u00e7\u00e3o, de descanso e de congra\u00e7amento. Que nossos bispos sejam bem acolhidos e que rezemos pelas suas miss\u00f5es e por todos eles! Sejam bem-vindos ao Rio de Janeiro, queridos irm\u00e3os bispos!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cardeal Orani Jo\u00e3o Tempesta Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ) &nbsp; A liturgia deste 4\u00ba Domingo do tempo comum nos ilumina e nos conduz para vivermos ainda mais nossa vida crist\u00e3. 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