{"id":33460,"date":"2019-02-22T00:00:00","date_gmt":"2019-02-22T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/amai-os-vossos-inimigos\/"},"modified":"2019-02-22T00:00:00","modified_gmt":"2019-02-22T03:00:00","slug":"amai-os-vossos-inimigos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/amai-os-vossos-inimigos\/","title":{"rendered":"\u201cAmai os vossos inimigos&#8230;\u201d"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><strong>Dom Rodolfo Lu\u00eds Weber<\/strong><br \/>\n<strong>Arcebispo de Passo Fundo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\">Mesmo na vida mais rotineira n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel prever a maioria dos fatos que v\u00e3o acontecer. Na conviv\u00eancia as rela\u00e7\u00f5es entre as pessoas, sejam elas familiares, de amizade, de trabalho, de conviv\u00eancia social, est\u00e3o sujeitas a terem interfer\u00eancias que abalam a confian\u00e7a, a serenidade, a comunh\u00e3o. S\u00e3o as ofensas, mesmo pequenas, que minam a vida amorosa e fraterna e desencadeiam um processo destrutivo. Entre as terapias mais urgentes e mais aconselhadas est\u00e1 o perd\u00e3o. Jesus estende este alcance at\u00e9 os inimigos. \u201cA v\u00f3s, por\u00e9m, que me ouvis, eu digo: amai os vossos inimigos e fazei o bem aos vos odeiam. Aben\u00e7oai os que vos amaldi\u00e7oam e orai pelos que vos caluniam&#8230;\u201d (Lucas 6,27-38). Amar os inimigos \u00e9 equivalente a perdoar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Entre os ensinamentos do Evangelho \u201camar os inimigos\u201d \u00e9, certamente, um dos mais inquietantes, mesmo para o disc\u00edpulo mais pr\u00f3ximo e fiel. A pergunta que surge imediatamente relaciona-se com uma comum e habitual dificuldade: n\u00e3o \u00e9 instintivo amar os inimigos. \u00c9 preciso reconhecer que perdoar tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 natural e instintivo. Se algu\u00e9m me ofendeu ou fez algo que me machucou, nasce mim a antipatia, a ruptura, o afastamento. Tudo isto acontece sem que seja necess\u00e1rio fazer esfor\u00e7o algum, porque vem ao natural e espontaneamente sentimentos de hostilidade. Existem raz\u00f5es psicol\u00f3gicas e sociais para n\u00e3o perdoar. Se perdoo o que v\u00e3o de dizer de mim? Que papel estou fazendo? \u201cN\u00e3o levo desaforo para casa\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Na perspectiva humana talvez o n\u00edvel mais aceit\u00e1vel ou de bom senso seria: \u201cO que v\u00f3s desejais que os outros vos fa\u00e7am, fazei-o v\u00f3s tamb\u00e9m a eles\u201d (Lc 6,31). O que \u00e9 proposto por Jesus requer que se v\u00e1 al\u00e9m do sentir comum, psicol\u00f3gico e social. S\u00e3o ensinamentos pr\u00e1ticos e morais com exig\u00eancias radicais: amar inimigos, bendizer quem amaldi\u00e7oa, rezar pelos caluniadores. \u00c9 uma proposta exigente demais para simples mortais. Se fosse simplesmente lei seria imposs\u00edvel de realiz\u00e1-la, mas no caso se trata de Evangelho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">N\u00e3o s\u00e3o condi\u00e7\u00f5es para aproximar-se de Deus, s\u00e3o, por\u00e9m, as consequ\u00eancias do fato de Deus ter se aproximado das criaturas humanas. A proposta \u00e9 o retrato da vida de Cristo que tratou os que o consideravam inimigo com amor. Perdoa na cruz os que o matavam. Diante disso, o disc\u00edpulo se destaca por assumir a mesma meta do Mestre, vivendo as suas qualidades e atitudes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A raz\u00e3o para aceitar o ensinamento, tamb\u00e9m \u00e9 dada. \u201cSede misericordiosos, como tamb\u00e9m vosso Pai \u00e9 misericordioso\u201d (Lc 6,36). Se n\u00e3o existem raz\u00f5es humanas que se sustentem, no \u00e2mbito da f\u00e9 existem. Certamente tal amor e amabilidade com os inimigos n\u00e3o s\u00e3o argumento para tornar-se indiferente diante da verdade e do bem ou uma aprova\u00e7\u00e3o da maldade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Efetivamente o perd\u00e3o e a miseric\u00f3rdia n\u00e3o s\u00e3o instintivos. Quando conseguimos perdoar, amar os inimigos sempre permanece um ru\u00eddo, alguma recorda\u00e7\u00e3o negativa. Repete-se \u201cn\u00e3o consigo, \u00e9 mais forte do que eu\u201d. Existem mecanismos que tornam dif\u00edcil o perd\u00e3o: a agressividade parece que foi frustrada, n\u00e3o houve a \u201cgratifica\u00e7\u00e3o\u201d da vingan\u00e7a. Enfim, perdoando, isto \u00e9, amando os inimigos, parece que se perdeu algo de si. Parece uma viol\u00eancia consigo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Por\u00e9m, temos que admitir que amar os inimigos, os que nos confrontam, desacatam e desafiam \u00e9 o caminho da cura e da mudan\u00e7a de uma cultura de viol\u00eancia. Rompe com o seu ciclo gerando novas rela\u00e7\u00f5es. Martin Luther King, escreveu no livro \u201cA for\u00e7a de amar\u201d: \u201cPerdoar n\u00e3o significa ignorar aquilo que aconteceu ou colocar uma etiqueta falsa sobre um ato de maldade: por\u00e9m significa que o ato maldoso cessa de ser uma barreira que impede as rela\u00e7\u00f5es. O perd\u00e3o \u00e9 um catalizador que cria as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para poder repartir e come\u00e7ar de novo &#8230;\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Rodolfo Lu\u00eds Weber Arcebispo de Passo Fundo Mesmo na vida mais rotineira n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel prever a maioria dos fatos que v\u00e3o acontecer. 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