{"id":33461,"date":"2019-02-22T00:00:00","date_gmt":"2019-02-22T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/tres-olhares\/"},"modified":"2019-02-22T00:00:00","modified_gmt":"2019-02-22T03:00:00","slug":"tres-olhares","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/tres-olhares\/","title":{"rendered":"Tr\u00eas olhares"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><strong>Dom Alberto Taveira Corr\u00eaa<\/strong><br \/>\n<strong>Arcebispo de Bel\u00e9m do Par\u00e1<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p>No dia quatro de mar\u00e7o de mil, setecentos e dezenove, o Papa Clemente XI, pela Bula \u201cCopiosus in Misericordia\u201d, criou a Diocese de Bel\u00e9m do Gr\u00e3o-Par\u00e1, desmembrada da ent\u00e3o Diocese do Maranh\u00e3o, a pedido de Dom Jo\u00e3o V de Portugal. No dia primeiro de maio de mil, novecentos e seis, foi elevada a Arquidiocese e Sede Metropolitana, pela Bula \u201cSempiternum humani generis\u201d, do Papa S\u00e3o Pio X, passando a denominar-se Arquidiocese de Bel\u00e9m do Par\u00e1. Da data de sua cria\u00e7\u00e3o at\u00e9 hoje, teve treze Bispos e dez Arcebispos. A Arquidiocese j\u00e1 teve sete Bispos Auxiliares. At\u00e9 a presente data, s\u00e3o noventa as Par\u00f3quias em nossa Igreja Particular. S\u00e3o tr\u00eas as \u00e1reas mission\u00e1rias em implanta\u00e7\u00e3o e ainda tr\u00eas Reitorias com atividades pastorais diversificadas. Podemos afirmar com seguran\u00e7a que at\u00e9 aqui o Senhor nos ajudou (Cf. 1 Sm 7,12), dando-nos mais do que ousamos pedir (Cf. Ora\u00e7\u00e3o do dia do XXVIII Domingo do Tempo Comum). Ao celebrar a abertura de nosso jubileu de trezentos anos, tr\u00eas olhares iluminam nossa vida de Igreja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\nOlhar para o nosso passado glorioso e marcado tamb\u00e9m pelo sofrimento, aprendendo as li\u00e7\u00f5es da hist\u00f3ria. A Diocese de Bel\u00e9m, hoje Arquidiocese, foi respons\u00e1vel pelo an\u00fancio do Evangelho a toda a Amaz\u00f4nia, esta imensa e desafiadora riqueza de express\u00f5es culturais e religiosas, com as ra\u00e7as que vieram a compor a magn\u00edfica miscigena\u00e7\u00e3o que hoje se faz presente na Amaz\u00f4nia. Somos chamados a agradecer, reconhecendo os m\u00e9ritos das gera\u00e7\u00f5es que nos precederam, come\u00e7ando pelos mission\u00e1rios da primeira hora, para chegar \u00e0 profus\u00e3o de participantes na responsabilidade evangelizadora hoje existente, especialmente com a consci\u00eancia crescente da presen\u00e7a laical nas atividades pastorais da Igreja. Agradecemos pelas gera\u00e7\u00f5es de sacerdotes dedicados, cujo trabalho, em condi\u00e7\u00f5es tantas vezes limitadas, entregaram seu tempo e sua vida \u00e0 Igreja e ao Evangelho de Cristo. Junto deles, um florescente corpo diaconal, com homens chamados especialmente ao servi\u00e7o da caridade. E ainda tantos religiosos e religiosas e outras pessoas consagradas e dedicadas \u00e0 Igreja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\nOlhando para o passado, cabe-nos tamb\u00e9m reconhecer nossas falhas, j\u00e1 que os defeitos dos outros s\u00e3o tamb\u00e9m assumidos por n\u00f3s. Dever\u00edamos ampliar nossa presen\u00e7a de Igreja nos diversos ambientes, com aten\u00e7\u00e3o redobrada \u00e0s ra\u00edzes de nossos povos. Com toda certeza, muitas tradi\u00e7\u00f5es e pr\u00e1ticas ancestrais poderiam ter sido reconhecidas com mais decis\u00e3o e tocadas com a for\u00e7a do Evangelho, que n\u00e3o diminui nem atrapalha qualquer cultura, antes eleva todas elas \u00e0 sua m\u00e1xima perfei\u00e7\u00e3o. Reconhecemos com humildade que a pr\u00e1tica do servi\u00e7o e da caridade, ainda que com tantos exemplos, obras e dedica\u00e7\u00e3o cujo testemunho foi dado, ficou aqu\u00e9m do que poder\u00edamos ter feito! Pedimos perd\u00e3o ao Senhor pela viol\u00eancia, a infidelidade, a coniv\u00eancia com as for\u00e7as da opress\u00e3o e da corrup\u00e7\u00e3o, que podem ter marcado a pr\u00e1tica de vida dos crist\u00e3os. Sabemos ainda que muito sangue correu em nossa hist\u00f3ria. Pedimos perd\u00e3o e ao mesmo tempo fazemos o gesto de oferta, sabendo que o verdadeiro mart\u00edrio de tantos irm\u00e3os e irm\u00e3s se tornou semente de vida crist\u00e3 em nossa Igreja. Enfim, o zelo mission\u00e1rio, ainda que reconhecidamente presente, n\u00e3o chegou \u00e0 plena generosidade e dedica\u00e7\u00e3o que a causa do Evangelho pedia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\nOlhar para o presente, enxergando o bem que \u00e9 feito. A Igreja de Bel\u00e9m de constitui como um imenso caleidosc\u00f3pio de cores e vivacidade, nas Pastorais existentes, Obras Sociais, Congrega\u00e7\u00f5es Religiosas, Movimentos Eclesiais, Escolas Cat\u00f3licas, Comunidades de Vida e Alian\u00e7a, Organiza\u00e7\u00f5es diversificadas de atividades apost\u00f3licas. Um dos sinais significativos da atualidade da Arquidiocese \u00e9 a Pastoral Vocacional e nossos Semin\u00e1rios. Temos o Semin\u00e1rio Maior S\u00e3o Pio X, o Semin\u00e1rio Maior Monsenhor Edmundo Igreja, o Semin\u00e1rio Maior Mission\u00e1rio Redemptoris Mater, o Semin\u00e1rio Proped\u00eautico Dom Tadeu Prost e o Centro Vocacional S\u00e3o Jo\u00e3o Maria Vianney, al\u00e9m de um grande trabalho com o \u201cServi\u00e7o de Anima\u00e7\u00e3o Vocacional\u201d. Est\u00e3o ligadas \u00e0 Arquidiocese, com seus respectivos Centros de forma\u00e7\u00e3o e Formadores as Comunidades \u201cObra de Maria\u201d, \u201cSementes do Verbo\u201d, \u201cDoce M\u00e3e de Deus\u201d e \u201cMensageiros da Boa Nova\u201d, para formar sacerdotes mission\u00e1rios. Nossa Faculdade Cat\u00f3lica de Bel\u00e9m, atualmente com os cursos de Filosofia e Teologia, prepara-se para ampliar seus horizontes e hoje j\u00e1 conta com cerca de trezentos alunos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\nO terceiro olhar \u00e9 para o futuro. O ano jubilar que abrimos nestes dias ter\u00e1 como eixo a Miss\u00e3o. Sete Visitas Pastorais Mission\u00e1rias, realizadas de mar\u00e7o a agosto, envolver\u00e3o os Bispos, Sacerdotes, Di\u00e1conos, Vida Religiosa, Comunidades de Vida e Alian\u00e7a e, mais ainda, os leigos e leigas de nossas Par\u00f3quias. Neste tempo, nosso horizonte deve se ampliar. A pergunta a ser feita \u00e9 a respeito das \u00e1reas n\u00e3o atingidas pela nossa a\u00e7\u00e3o pastoral. Cada Par\u00f3quia dever\u00e1 tornar-se mais apost\u00f3lica, mission\u00e1rias e evangelizadora ap\u00f3s as Visitas Pastorais Mission\u00e1rias!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\nA esta altura, queremos enxergar o futuro com a proposta de S\u00e3o Paulo VI, na Evangelii Nuntiandi (Cf. Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica Evangelii Nuntiandi, 21-22): A Boa Nova h\u00e1 de ser proclamada pelo testemunho. Suponhamos um crist\u00e3o ou punhado de crist\u00e3os que, no seio da comunidade humana em que vivem, manifestam a sua capacidade de compreens\u00e3o e de acolhimento, a sua comunh\u00e3o de vida e de destino com os demais, a sua solidariedade nos esfor\u00e7os de todos para tudo aquilo que \u00e9 nobre e bom. Assim, eles irradiam, de um modo absolutamente simples e espont\u00e2neo, a sua f\u00e9 em valores que est\u00e3o para al\u00e9m dos valores correntes, e a sua esperan\u00e7a em qualquer coisa que se n\u00e3o v\u00ea e que n\u00e3o se seria capaz sequer de imaginar. Eles fazem aflorar no cora\u00e7\u00e3o daqueles que os veem viver, perguntas indeclin\u00e1veis: Por que \u00e9 que eles s\u00e3o assim? Por que \u00e9 que eles vivem daquela maneira? O que \u00e9, ou quem \u00e9, que os inspira? Por que \u00e9 que eles est\u00e3o conosco? Semelhante testemunho constitui j\u00e1 proclama\u00e7\u00e3o silenciosa, mas muito valiosa e eficaz da Boa Nova. Nisso h\u00e1 j\u00e1 um gesto inicial de evangeliza\u00e7\u00e3o. Todos os crist\u00e3os s\u00e3o chamados a dar este testemunho e podem ser, sob este aspecto, verdadeiros evangelizadores. Entretanto isto permanecer\u00e1 sempre insuficiente, pois ainda o mais belo testemunho vir\u00e1 a demonstrar-se impotente com o andar do tempo, se ele n\u00e3o vier a ser esclarecido, justificado, aquilo que S\u00e3o Pedro chamava dar &#8220;a raz\u00e3o da pr\u00f3pria esperan\u00e7a&#8221;, explicitado por um an\u00fancio claro e inelut\u00e1vel do Senhor Jesus. Por conseguinte, a Boa Nova proclamada pelo testemunho da vida dever\u00e1, mais tarde ou mais cedo, ser proclamada pela palavra da vida. N\u00e3o haver\u00e1 nunca evangeliza\u00e7\u00e3o verdadeira se o nome, a doutrina, a vida, as promessas, o reino, o mist\u00e9rio de Jesus de Nazar\u00e9, Filho de Deus, n\u00e3o forem anunciados\u201d. Este \u00e9 o nosso compromisso! Seja este o nosso presente e nosso futuro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Alberto Taveira Corr\u00eaa Arcebispo de Bel\u00e9m do Par\u00e1 No dia quatro de mar\u00e7o de mil, setecentos e dezenove, o Papa Clemente XI, pela Bula \u201cCopiosus in Misericordia\u201d, criou a Diocese de Bel\u00e9m do Gr\u00e3o-Par\u00e1, desmembrada da ent\u00e3o Diocese do Maranh\u00e3o, a pedido de Dom Jo\u00e3o V de Portugal. 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