{"id":33516,"date":"2019-03-04T00:00:00","date_gmt":"2019-03-04T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/dom-armando-bucciol-o-sentido-da-quarta-feira-de-cinzas\/"},"modified":"2020-03-11T16:55:31","modified_gmt":"2020-03-11T19:55:31","slug":"dom-armando-bucciol-o-sentido-da-quarta-feira-de-cinzas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/dom-armando-bucciol-o-sentido-da-quarta-feira-de-cinzas\/","title":{"rendered":"Dom Armando Bucciol retoma o sentido da Quarta-feira de Cinzas para o cristianismo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">O bispo de Livramento de Nossa Senhora (BA) e presidente da Comiss\u00e3o Episcopal Pastoral para a Liturgia da Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Armando Bucciol, preparou um texto que faz uma reflex\u00e3o sobre o sentido genu\u00edno da celebra\u00e7\u00e3o da festa que torna mais coerente a vida, a celebra\u00e7\u00e3o da P\u00e1scoa.<\/p>\n<p>leia o artigo na \u00edntegra:<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><strong>O sentido da Quarta-feira de Cinzas<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O <em>mist\u00e9rio pascal <\/em>de Cristo, isto \u00e9, o evento de sua paix\u00e3o, morte e ressurrei\u00e7\u00e3o, \u00e9 fundamento e cume da f\u00e9 que professamos. Nesse acontecimento, encontra-se, tamb\u00e9m, a identidade e a raz\u00e3o do culto que elevamos ao Senhor. Por isso, a Igreja celebra o evento pascal com grande solenidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ponto de partida daquele que chamamos de <em>Ano lit\u00fargico<\/em> \u00e9 o Domingo, o <em>Dia do Senhor<\/em>, do qual testemunham v\u00e1rias passagens do Novo Testamento, sobretudo as que falam das apari\u00e7\u00f5es do Ressuscitado no <em>primeiro dia da semana<\/em> (cf. Jo\u00e3o 20, 1.19,26 etc.). Enriquecido ao longo dos s\u00e9culos, este dia ser\u00e1 importante n\u00e3o s\u00f3 pela Igreja, mas tamb\u00e9m pela vida social. Pelo meado do II s\u00e9culo, os crist\u00e3os escolhem um domingo &#8211; a data \u00e9 motivo de animada discuss\u00e3o &#8211; para celebrar a solenidade da P\u00e1scoa. Desde o s\u00e9culo IV, j\u00e1 existe um tempo de prepara\u00e7\u00e3o, ao qual \u00e9 dado o nome de <em>Quaresma, <\/em>para indicar sua dura\u00e7\u00e3o de quarenta dias. Este n\u00famero tem muitas recorda\u00e7\u00f5es b\u00edblicas, desde a caminhada do povo de Deus, rumo \u00e0 terra prometida, at\u00e9 o jejum de Jesus, no deserto. No tempo do papa Le\u00e3o Magno (+ 461), em Roma, a Quaresma come\u00e7ava no sexto domingo antes da P\u00e1scoa e, na conta, compreendiam-se os domingos, dias, por\u00e9m, em que n\u00e3o se jejuava. No s\u00e9culo seguinte, para manter o jejum de quarenta dias, antecipou-se o in\u00edcio da Quaresma na quarta-feira anterior. Eis a origem da <strong>Quarta-feira de cinzas <\/strong>que marca o in\u00edcio do tempo de prepara\u00e7\u00e3o e intensa espiritualidade, para dar sentido n\u00e3o somente \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o da festa, mas para tornar mais coerente com a vida, a celebra\u00e7\u00e3o da P\u00e1scoa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O sentido deste dia pode ser encontrado nos textos b\u00edblicos e nas ora\u00e7\u00f5es da liturgia do dia. Na tradi\u00e7\u00e3o cultural dos povos antigos, tamb\u00e9m do povo hebraico, colocar cinzas na cabe\u00e7a, \u00e9 gesto de penit\u00eancia (cf. J\u00f3 2,12; 2Sm 13,19; Lm 3,16), como destacam as palavras que introduzem o rito de b\u00ean\u00e7\u00e3o das cinzas: \u201cRoguemos instantemente a Deus Pai que aben\u00e7oe com a riqueza de suas gra\u00e7as estas cinzas, que vamos colocar sobre as nossas cabe\u00e7as em sinal de penit\u00eancia\u201d. Na ora\u00e7\u00e3o de Coleta, pede-se que \u201ca penit\u00eancia nos fortale\u00e7a no combate contra o esp\u00edrito do mal\u201d e a ora\u00e7\u00e3o sobre as cinzas que \u201cos fi\u00e9is que v\u00e3o receber estas cinzas&#8230; possam celebrar de cora\u00e7\u00e3o purificado o mist\u00e9rio pascal do vosso Filho\u201d. Numa segunda ora\u00e7\u00e3o, reza-se: \u201cReconhecendo que somos p\u00f3 e que ao p\u00f3 voltaremos, consigamos&#8230; obter o perd\u00e3o dos pecados e viver uma vida nova \u00e0 semelhan\u00e7a do Cristo ressuscitado\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Caracterizam esta celebra\u00e7\u00e3o as palavras: penit\u00eancia, perd\u00e3o dos pecados, convers\u00e3o, cora\u00e7\u00e3o purificado, dom\u00ednio dos nossos maus desejos, vida nova, celebrar com fervor a paix\u00e3o do Filho, mist\u00e9rio pascal. O exemplo que Jesus nos deixou e seus ensinamentos, tornam-se referencial para os seus seguidores. O tempo de Quaresma, experi\u00eancia da divina miseric\u00f3rdia e do perd\u00e3o do Senhor, aponta para uma vida marcada pelas obras que mostram o batizado qual testemunha de um novo projeto de vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O Evangelho do dia (Mateus 6) recorda as tr\u00eas \u2018obras\u2019 que distinguem um fiel hebreu: a esmola, a ora\u00e7\u00e3o e o jejum. Uma insistente recomenda\u00e7\u00e3o \u2013 sempre atual \u2013 por parte de Jesus: \u201cN\u00e3o fa\u00e7am isso s\u00f3 para serem vistos\u201d; neste caso, voc\u00eas perderiam \u201csua recompensa\u201d. Tem um jeito pr\u00f3prio dos disc\u00edpulos de Jesus: agir sem exibicionismo ou vangl\u00f3ria, ligados s\u00f3 no olhar amoroso do Pai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Iluminados pela Palavra e a Liturgia, possamos iniciar e viver este \u2018tempo favor\u00e1vel\u2019 como precioso dom do Senhor para uma vida renovada e coerente. Por isso, cada um entre em si mesmo, e na sinceridade do seu cora\u00e7\u00e3o, \u201cconverta-se, e acredite no Evangelho\u201d, como pede o ministro enquanto coloca as cinzas em nossas cabe\u00e7as.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Quarta-feira de cinzas marca o in\u00edcio do tempo de intensa espiritualidade para dar sentido e tornar mais coerente a celebra\u00e7\u00e3o da P\u00e1scoa<\/p>\n","protected":false},"author":83,"featured_media":747,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[1],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/33516"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/83"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=33516"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/33516\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media\/747"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=33516"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=33516"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=33516"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}