{"id":33596,"date":"2019-03-13T00:00:00","date_gmt":"2019-03-13T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/por-um-mundo-mais-justo-e-fraterno\/"},"modified":"2019-03-13T00:00:00","modified_gmt":"2019-03-13T03:00:00","slug":"por-um-mundo-mais-justo-e-fraterno","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/por-um-mundo-mais-justo-e-fraterno\/","title":{"rendered":"Por um mundo mais justo e fraterno"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><strong>Dom Alberto Taveira Corr\u00eaa<\/strong><br \/>\n<strong>Arcebispo de Bel\u00e9m do Par\u00e1<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\u201cN\u00f3s somos cidad\u00e3os do c\u00e9u. De l\u00e1 aguardamos como salvador o Senhor Jesus Cristo. Ele transformar\u00e1 o nosso corpo, humilhado, tornando-o semelhante ao seu corpo glorioso, gra\u00e7as ao poder que o torna capaz tamb\u00e9m de sujeitar a si todas as coisas\u201d (Fl 3, 20-21). Assim a Igreja nos ilumina a celebra\u00e7\u00e3o do segundo Domingo da Quaresma, quando contemplamos a plena luz de Deus que se reflete sobre os disc\u00edpulos conduzidos por Jesus ao Monte da Transfigura\u00e7\u00e3o. Nosso futuro \u00e9 a vida em Deus, quando tudo e todos ser\u00e3o transformados pela for\u00e7a da Ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus. Ver a gl\u00f3ria de Deus que resplandece em Cristo ilumina tamb\u00e9m nossa presen\u00e7a e a\u00e7\u00e3o no mundo ferido e machucado pelo ego\u00edsmo, no qual nos encontramos, para acender a chama da esperan\u00e7a.<br \/>\nEm nossos dias, muitos s\u00e3o os desafios para que a proposta de comunh\u00e3o entre as pessoas e a natureza venham a ser devidamente enfrentados. No pr\u00f3ximo S\u00ednodo dos Bispos especial para a Amaz\u00f4nia, junto do Papa, o Episcopado da Regi\u00e3o Amaz\u00f4nica se desdobrar\u00e1 sobre um tema provocante, a busca de uma ecologia integral. Para esta, a chave n\u00e3o \u00e9 em primeiro lugar a natureza, mas o ser humano, como ensinou magistralmente S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II. J\u00e1 na narrativa da cria\u00e7\u00e3o do mundo, no Livro do G\u00eanesis, foi confiada aos seres humanos a responsabilidade de cuidar da terra. E o Papa Francisco, na Enc\u00edclica \u201cLaudato sii\u201d (N\u00famero 67), abre o horizonte para a nossa compreens\u00e3o da imensa responsabilidade que nos cabe.<\/p>\n<p>Diz o Papa: \u201cN\u00e3o somos Deus. A terra existe antes de n\u00f3s e nos foi dada. Isto permite responder a uma acusa\u00e7\u00e3o lan\u00e7ada contra o pensamento judaico-crist\u00e3o: foi dito que a narra\u00e7\u00e3o do G\u00eanesis, que convida a \u00abdominar\u00bb a terra (Cf. Gn 1, 28), favoreceria a explora\u00e7\u00e3o selvagem da natureza, apresentando uma imagem do ser humano como dominador e devastador. Mas esta n\u00e3o \u00e9 uma interpreta\u00e7\u00e3o correta da B\u00edblia, como a entende a Igreja. Se \u00e9 verdade que n\u00f3s, crist\u00e3os, algumas vezes interpretamos de forma incorreta as Escrituras, hoje devemos decididamente rejeitar que, do fato de ser criados \u00e0 imagem de Deus e do mandato de dominar a terra, se deduza um dom\u00ednio absoluto sobre as outras criaturas. \u00c9 importante ler os textos b\u00edblicos no seu contexto, com uma justa hermen\u00eautica, e lembrar que nos convidam a \u2018cultivar e guardar\u2019 o jardim do mundo (Cf. Gn 2, 15). Enquanto \u2018cultivar\u2019 quer dizer lavrar ou trabalhar um terreno, \u00abguardar\u00bb significa proteger, cuidar, preservar, velar. Isto implica uma rela\u00e7\u00e3o de reciprocidade respons\u00e1vel entre o ser humano e a natureza. Cada comunidade pode tomar da bondade da terra aquilo de que necessita para a sua sobreviv\u00eancia, mas tem tamb\u00e9m o dever de a proteger e garantir a continuidade da sua fertilidade para as gera\u00e7\u00f5es futuras. Em \u00faltima an\u00e1lise, \u2018ao Senhor pertence a terra\u2019 (Sl 24\/23, 1), a Ele pertence \u2018a terra e tudo o que nela existe\u2019 (Dt 10, 14). Por isso, Deus pro\u00edbe-nos toda a pretens\u00e3o de posse absoluta: \u2018Nenhuma terra ser\u00e1 vendida definitivamente, porque a terra me pertence, e v\u00f3s sois apenas estrangeiros e meus h\u00f3spedes\u2019\u201d (Lv 25, 23).<\/p>\n<p>S\u00f3 olhando para Deus, escutando e acolhendo sua Palavra, vivendo seus mandamentos, \u00e9 que a humanidade conseguir\u00e1 construir um mundo digno, justo e fraterno. E n\u00e3o basta cuidar da natureza, das \u00e1rvores, da \u00e1gua, do ar ou dos animais. H\u00e1 que se dar aten\u00e7\u00e3o \u00e0s pessoas, sua dignidade, sua vida e sua salva\u00e7\u00e3o! Quando a Igreja celebra a Quaresma, quer que a ecologia integral comece na alma, no interior humano, na convers\u00e3o. E espera que os frutos venham \u00e0 tona, com o cuidado a ser tomado a respeito da vida social e a aten\u00e7\u00e3o ao bem comum. Este \u00e9 o sentido da Campanha da Fraternidade!<\/p>\n<p>\u201cCada Campanha da Fraternidade \u00e9 uma proposta de convers\u00e3o quaresmal, a deste ano tem como objetivo estimular a participa\u00e7\u00e3o em Pol\u00edticas P\u00fablicas, \u00e0 luz da Palavra de Deus e da Doutrina Social da Igreja, para fortalecer a cidadania e o bem comum, sinais da fraternidade. Pol\u00edticas P\u00fablicas s\u00e3o a\u00e7\u00f5es e programas desenvolvidos pelo Estado para garantir e colocar em pr\u00e1tica direitos previstos na Constitui\u00e7\u00e3o Federal e em outas leis. \u00c9 preciso ter clareza quanto \u00e0 diferen\u00e7a que h\u00e1 entre \u2018pol\u00edtica\u2019 e \u2018Pol\u00edticas P\u00fablicas\u2019. A pol\u00edtica \u00e9 o espa\u00e7o de poder e opini\u00f5es em que diferentes necessidades se enfrentam ou se unem, com vis\u00f5es e concep\u00e7\u00f5es distintas, em busca do interesse comum. J\u00e1 as Pol\u00edticas P\u00fablicas englobam os mais diferentes ramos do pensamento, como as ci\u00eancias sociais, as ci\u00eancias pol\u00edticas, as ci\u00eancias econ\u00f4micas e as ci\u00eancias da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica. As Pol\u00edticas P\u00fablicas representam, pois, solu\u00e7\u00f5es espec\u00edficas para o atendimento das necessidades e a solu\u00e7\u00e3o dos problemas da sociedade. Dizem respeito \u00e0s a\u00e7\u00f5es do Estado que buscam garantir a seguran\u00e7a e a ordem sociais e regular a rela\u00e7\u00e3o entre as institui\u00e7\u00f5es e os diversos atores, sejam individuais ou coletivos (consumidores, empres\u00e1rios, trabalhadores, corpora\u00e7\u00f5es, centrais sindicais, m\u00eddia, entidades do terceiro setor etc.), envolvidos na solu\u00e7\u00e3o de um determinado problema. H\u00e1 Pol\u00edticas P\u00fablicas de Estado e de governo. As pol\u00edticas de Estado encontram-se amparadas pela Constitui\u00e7\u00e3o (\u2018Todo poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente\u2019 \u2013 Art. 1\u00ba, par\u00e1grafo \u00fanico), e devem ser realizadas independentemente do governo que estiver no poder. J\u00e1 as pol\u00edticas de governo s\u00e3o especificas a cada per\u00edodo do governante, uma vez que no regime democr\u00e1tico h\u00e1 altern\u00e2ncia no exerc\u00edcio dos poderes executivo e legislativo. Um dos atores principais na formula\u00e7\u00e3o da proposta de implementa\u00e7\u00e3o de Pol\u00edticas P\u00fablicas \u00e9 a denominada Sociedade Civil, especialmente por meio do Terceiro Setor. Abre-se aqui, portanto, um imenso campo de participa\u00e7\u00e3o para os cidad\u00e3os, chamados a dar sua contribui\u00e7\u00e3o quando se trata da escolha das Pol\u00edticas P\u00fablicas a serem implementadas. Crit\u00e9rios fundamentais devem ser observados na escolha dessas Pol\u00edticas, sobretudo a garantia dos direitos fundamentais do ser humano, isto \u00e9, a ordem justa da sociedade e a justi\u00e7a social, que nos obrigam a ter uma preocupa\u00e7\u00e3o especial com os mais pobres e desprotegidos (Dom Murilo Krieger, Arcebispo Primaz do Brasil e Vicente-Presidente da CNBB).<\/p>\n<p>Queremos contribuir com nossa palavra, nosso testemunho e nossa participa\u00e7\u00e3o, para a transforma\u00e7\u00e3o de nosso mundo para melhor. O jardim ou para\u00edso das primeiras p\u00e1ginas da B\u00edblia provoquem nossa responsabilidade! Transformados pela gra\u00e7a da convers\u00e3o quaresmal, saiamos juntos dos muitos desertos constru\u00eddos pelo ego\u00edsmo humano, para que o novo C\u00e9u e a nova Terra sejam a luz a iluminar nossos passos. Muitos sejam os montes da Transfigura\u00e7\u00e3o, com os quais a presen\u00e7a de Jesus em nosso meio nos antecipe a novidade plena, que s\u00f3 pode vir de sua gra\u00e7a!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Alberto Taveira Corr\u00eaa Arcebispo de Bel\u00e9m do Par\u00e1 \u201cN\u00f3s somos cidad\u00e3os do c\u00e9u. De l\u00e1 aguardamos como salvador o Senhor Jesus Cristo. Ele transformar\u00e1 o nosso corpo, humilhado, tornando-o semelhante ao seu corpo glorioso, gra\u00e7as ao poder que o torna capaz tamb\u00e9m de sujeitar a si todas as coisas\u201d (Fl 3, 20-21). 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