{"id":33644,"date":"2019-03-19T00:00:00","date_gmt":"2019-03-19T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/a-seducao-do-prazer\/"},"modified":"2019-03-19T00:00:00","modified_gmt":"2019-03-19T03:00:00","slug":"a-seducao-do-prazer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/a-seducao-do-prazer\/","title":{"rendered":"A sedu\u00e7\u00e3o do prazer"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><strong>Dom Edney Gouv\u00eaa Mattoso<\/strong><br \/>\n<strong>Bispo de Nova Friburgo (RJ)<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Caros amigos, continuamos nossa reflex\u00e3o sobre as tenta\u00e7\u00f5es de Jesus no deserto. Hoje falaremos sobre a tenta\u00e7\u00e3o do prazer, que se manifesta na alegria consumista e individualista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A nossa condi\u00e7\u00e3o humana, marcada pelo pecado que nos impele a vivermos em arrogante autonomia de Deus e em constante antagonismo com o pr\u00f3ximo, expondo-nos ao perigo de ceder \u00e0s inclina\u00e7\u00f5es desregradas da natureza e \u00e0s ambi\u00e7\u00f5es do mundo, na busca pela felicidade. Somos levados a centralizar todas as coisas em n\u00f3s mesmos e no direito que temos de gozar a vida, n\u00e3o importando nossa dignidade de filhos de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O Papa Francisco, na Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica Gaudete et exsultate, chama aten\u00e7\u00e3o para o perigo do consumismo hedonista para a viv\u00eancia fraterna e respeitosa entre os homens. E adverte que \u201cser\u00e1 dif\u00edcil que nos ocupemos e dediquemos energias para oferecer que est\u00e3o mal, se n\u00e3o cultivarmos uma certa austeridade, se n\u00e3o lutarmos contra esta febre que a sociedade de consumo nos imp\u00f5e para nos vender coisas, acabando por nos transformar em pobres insatisfeitos que tudo querem ter e provar\u201d (n. 108).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Lamentavelmente, este modo de viver contamina as rela\u00e7\u00f5es entre os homens e fragmenta sua pr\u00f3pria identidade, esvaziando de sentido toda a exist\u00eancia. Na \u00e2nsia de saciar os desejos terrenos, a obra perfeita da cria\u00e7\u00e3o passa a ser tratada apenas como objeto que se pode dispor como meio de se obter prazer. Perdem valor os sentimentos e o bem-estar alheio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Existe uma tremenda for\u00e7a de atra\u00e7\u00e3o do mal que faz julgar \u2018normais\u2019 e \u2018inevit\u00e1veis\u2019 muitas atitudes, com efeitos devastadores sobre as consci\u00eancias, que permanecem desorientadas e nem sequer s\u00e3o capazes de discernir (cf. Papa Jo\u00e3o Paulo II, Audi\u00eancia Geral, 25 ago. 1999).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A Igreja faz ecoar no cora\u00e7\u00e3o de seus filhos o apelo \u00e0 convers\u00e3o conduzindo-os atrav\u00e9s da ora\u00e7\u00e3o, da penit\u00eancia e de gestos de solidariedade fraterna, \u00e0 vida de f\u00e9 e \u00e0 amizade com Jesus. Por estas pr\u00e1ticas quaresmais somos libertos das ilus\u00f3rias promessas de felicidade terrena, alimentados na esperan\u00e7a e envolvidos na aut\u00eantica caridade de Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II nos ensina que o Tempo Quaresmal nos recorda a caducidade da vida terrena, evocando a necessidade de um generoso empenho asc\u00e9tico, do qual brota a decis\u00e3o corajosa de cumprir n\u00e3o a pr\u00f3pria vontade, mas a vontade do Pai, segundo o exemplo de Jesus Cristo (25 fev. 1998).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">N\u00e3o podemos desanimar diante das in\u00fameras tenta\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias do nosso tempo, impostas \u00e0 vida pessoal e socio comunit\u00e1ria. Anima-nos as palavras de S\u00e3o Le\u00e3o Magno quando diz que \u201cas obras de virtude n\u00e3o existem sem a prova das tenta\u00e7\u00f5es; n\u00e3o h\u00e1 f\u00e9 sem contrastes; n\u00e3o h\u00e1 luta sem inimigo; n\u00e3o h\u00e1 vit\u00f3ria sem combate. Esta nossa vida transcorre entre ins\u00eddias e lutas. Se n\u00e3o quisermos ser enganados, devemos vigiar; se quisermos vencer, devemos combater\u201d (Serm\u00e3o XXXIX, 3).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A luta que todos os dias travamos contra as sedu\u00e7\u00f5es do pecado, quando alimentadas pela for\u00e7a renovadora do Evangelho, nos estimula a sairmos de n\u00f3s mesmos e sermos agentes transformadores da realidade humana. Por isso, \u00e9 preciso em todo momento renovar nossa f\u00e9, reservando a Deus o primeiro lugar, diante dos apelos de uma cultura secularizada como a que vivemos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Edney Gouv\u00eaa Mattoso Bispo de Nova Friburgo (RJ) &nbsp; Caros amigos, continuamos nossa reflex\u00e3o sobre as tenta\u00e7\u00f5es de Jesus no deserto. Hoje falaremos sobre a tenta\u00e7\u00e3o do prazer, que se manifesta na alegria consumista e individualista. 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