{"id":33738,"date":"2019-04-01T00:00:00","date_gmt":"2019-04-01T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/a-sabedoria-das-perguntas\/"},"modified":"2019-04-01T00:00:00","modified_gmt":"2019-04-01T03:00:00","slug":"a-sabedoria-das-perguntas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/a-sabedoria-das-perguntas\/","title":{"rendered":"A sabedoria das perguntas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><strong><em>Dom Jo\u00e3o Justino de Medeiros Silva<br \/>\n<\/em><em>Arcebispo de Montes Claros<\/em><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A comunica\u00e7\u00e3o humana tem um recurso fundamental: o ato de perguntar. \u00c9 maravilhoso observar as crian\u00e7as no momento em que elas come\u00e7am a elaborar suas perguntas. Parecem encontrar na express\u00e3o \u201cpor que?\u201d uma esp\u00e9cie de passagem para novas descobertas. Sabe-se que pouco a pouco elas v\u00e3o diminuir a frequ\u00eancia das perguntas. A partir de ent\u00e3o, \u00e9 prov\u00e1vel que esteja internalizado em suas estruturas de linguagem e pensamento, para toda a vida, o recurso de perguntar e, tamb\u00e9m, de se perguntar, o que cessar\u00e1 s\u00f3 depois do \u00faltimo suspiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0A curiosidade e a contempla\u00e7\u00e3o s\u00e3o fundamentos da intelig\u00eancia. O desejo de entender isto ou aquilo desencadeia muitas interroga\u00e7\u00f5es. \u00c9 na procura por respostas que vai se construindo o conhecimento humano, que jamais deveria ser tolhida ou interrompida. \u00c9 triste ver adultos cerceando o interesse das crian\u00e7as em compreender algo novo que est\u00e3o a perceber. Bendita seja a curiosidade das crian\u00e7as que as projeta para fora de si e as coloca diante de novos horizontes. Para quem educa, sobretudo as crian\u00e7as, talvez nada seja mais importante do que as despertar para que elaborem suas indaga\u00e7\u00f5es. Isso n\u00e3o significa que todas as respostas ser\u00e3o encontradas f\u00e1cil e imediatamente. No entanto, tal realidade, n\u00e3o deve servir de desest\u00edmulo para o h\u00e1bito de perguntar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Quem conhece os evangelhos h\u00e1 de se lembrar das muitas perguntas formuladas por Jesus em di\u00e1logos de grande densidade humana e espiritual. Talvez a mais pungente de todas as perguntas feitas por Jesus seja: \u201cO que queres?\u201d Com essa pergunta, Jesus chamava o interlocutor \u00e0 experi\u00eancia de si mesmo e ao compromisso de assumir seu desejo, sua busca, sua procura. De outra parte, Jesus n\u00e3o fugiu das perguntas que lhe apresentavam. Elas se tornavam oportunidade de ensinamento e de interpela\u00e7\u00f5es. Isso ilustra como a f\u00e9 apela \u00e0 raz\u00e3o e, tamb\u00e9m, como a raz\u00e3o pode ser iluminada pela f\u00e9. Ter f\u00e9, mais do que possuir respostas, \u00e9 n\u00e3o ter receio de perguntar, mesmo quando o mist\u00e9rio pede sil\u00eancio e espera.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Fugir das perguntas \u00e9 perder a chance de refletir e de ponderar, de encontrar a resposta, ainda que provis\u00f3ria. Impedir algu\u00e9m de apresentar suas quest\u00f5es \u00e9 reduzi-lo \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de n\u00e3o-pessoa, ou seja, retirar dele o potencial de di\u00e1logo. Quando algu\u00e9m diz que \u201c\u00e9 melhor n\u00e3o perguntar\u201d, pode estar buscando o conforto de n\u00e3o ter de exercitar-se na conversa\u00e7\u00e3o que descortina novos olhares e novas percep\u00e7\u00f5es. Os regimes autorit\u00e1rios, por exemplo, tendem a evitar qualquer forma de questionamento. Isso nos faz chegar \u00e0 pol\u00edtica compreendida como espa\u00e7o fecundo para a arte do di\u00e1logo. Aqueles que governam precisam n\u00e3o apenas saber como lidar com as perguntas, mas, inclusive, precisam gostar de ser instigados \u00e0 busca de respostas em favor do bem comum. E n\u00e3o podem se esquecer de que a sabedoria das perguntas cont\u00e9m a for\u00e7a prof\u00e9tica da den\u00fancia. No \u00e2mbito da pol\u00edtica, quando se fala da \u201cpergunta que n\u00e3o quer calar\u201d emerge um forte indicativo de algo n\u00e3o respondido que est\u00e1 a corroer a confian\u00e7a. E n\u00e3o se governa sem confian\u00e7a, muito menos com respostas falsas ou com subterf\u00fagios. As perguntas clamam pela sabedoria da escuta e pela verdade das respostas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Jo\u00e3o Justino de Medeiros Silva Arcebispo de Montes Claros &nbsp; A comunica\u00e7\u00e3o humana tem um recurso fundamental: o ato de perguntar. \u00c9 maravilhoso observar as crian\u00e7as no momento em que elas come\u00e7am a elaborar suas perguntas. Parecem encontrar na express\u00e3o \u201cpor que?\u201d uma esp\u00e9cie de passagem para novas descobertas. 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