{"id":33938,"date":"2019-04-27T00:00:00","date_gmt":"2019-04-27T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/meu-senhor-e-meu-deus\/"},"modified":"2019-04-27T00:00:00","modified_gmt":"2019-04-27T03:00:00","slug":"meu-senhor-e-meu-deus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/meu-senhor-e-meu-deus\/","title":{"rendered":"Meu Senhor e meu Deus"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><strong>Cardeal Orani Jo\u00e3o Tempesta<br \/>\n<\/strong><strong>Arcebispo Metropolitano de S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Rio de Janeiro<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O Domingo que conclui a Oitava da P\u00e1scoa \u00e9 atualmente o domingo da miseric\u00f3rdia, antigamente chamado domingo in albis, pois aqueles que tinham recebido o batismo na celebra\u00e7\u00e3o da P\u00e1scoa, participavam das comunidades vestidos de branco e no domingo ap\u00f3s a P\u00e1scoa, vinham depositar suas vestes diante do altar. J\u00e1 S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II institui o Domingo da Miseric\u00f3rdia, que, segundo a inspira\u00e7\u00e3o de Santa Faustina, a experi\u00eancia da P\u00e1scoa, uma vez que Jesus morreu na cruz, foi sepultado, ressuscitou e est\u00e1 vivo no meio de n\u00f3s, \u00e9 uma manifesta\u00e7\u00e3o clara da Miseric\u00f3rdia de Deus. H\u00e1 tempos que a Igreja, atrav\u00e9s de v\u00e1rios momentos, vem falando dessa miseric\u00f3rdia de Deus, mas nos \u00faltimos tempos vem falando de forma mais constante e direta sobre o tema, seja atrav\u00e9s de documentos papais, enc\u00edclicas, o lema escolhido pelo papa Francisco para seu minist\u00e9rio pontif\u00edcio, o ano da miseric\u00f3rdia, manifestando a necessidade que a Igreja tem, inspirada por Deus, de falar da miseric\u00f3rdia de Deus. Colocamos hoje nas m\u00e3os do Senhor tantas pessoas que passam por tribula\u00e7\u00f5es, dificuldades, sofrimentos, que deixaram de acreditar, est\u00e3o desalentadas e n\u00e3o se abrem mais para a experi\u00eancia da miseric\u00f3rdia do Senhor. Cabe a n\u00f3s, enquanto crist\u00e3os, celebrando a P\u00e1scoa da Ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor e vivendo o tempo Pascal, ser transfigurados por esta realidade carregada de sentido que \u00e9 a Miseric\u00f3rdia de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A liturgia deste segundo domingo da P\u00e1scoa nos apresenta a import\u00e2ncia de celebrar o primeiro dia da semana, o domingo. O Evangelho nos apresenta esse processo de encontro com o Senhor, justamente no primeiro dia da semana. A vis\u00e3o do Apocalipse tamb\u00e9m proclama o primeiro dia da semana, esse ritmo semanal de celebra\u00e7\u00e3o da P\u00e1scoa e de encontro com o Senhor. Os disc\u00edpulos passam ent\u00e3o a reunir-se no primeiro dia da semana e nessa celebra\u00e7\u00e3o se encontram com o Senhor. Tal costume vai marcar a import\u00e2ncia da celebra\u00e7\u00e3o dominical vivida na tradi\u00e7\u00e3o da Igreja desde a \u00e9poca dos ap\u00f3stolos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A primeira Leitura (At 5, 12-16), demonstra como a Ressurrei\u00e7\u00e3o e a uni\u00e3o a Jesus produzem frutos em meio ao povo: sinais e maravilhas s\u00e3o operadas por meio dos ap\u00f3stolos. A abund\u00e2ncia da gra\u00e7a e Deus marca a narrativa: muitos sinais e maravilhas, o n\u00famero de fi\u00e9is que crescia, multid\u00f5es que vinham a Jerusal\u00e9m e que eram curados. S\u00f3 uma narrativa quase \u00e9pica pode nos aproximar da abund\u00e2ncia da gra\u00e7a e das maravilhas de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O Salmo responsorial (Sl 117 (118), 2-4.22-24.25-27) apresenta insistentemente a proclama\u00e7\u00e3o da eternidade da miseric\u00f3rdia e exalta, assim como na primeira leitura, as maravilhas realizadas por Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u2005Como nos recorda o Papa Francisco, na bula de proclama\u00e7\u00e3o do ano da miseric\u00f3rdia: \u2018Eterna \u00e9 a sua miseric\u00f3rdia\u2019: tal \u00e9 o refr\u00e3o que aparece no salmo, ao mesmo tempo que se narra a hist\u00f3ria da revela\u00e7\u00e3o de Deus. Em virtude da miseric\u00f3rdia, todos os acontecimentos do Antigo Testamento aparecem cheios dum valor salv\u00edfico profundo. A miseric\u00f3rdia torna a hist\u00f3ria de Deus com Israel uma hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o. O fato de repetir eterna \u00e9 a sua miseric\u00f3rdia, como faz o Salmo, parece querer romper o c\u00edrculo do espa\u00e7o e do tempo para inserir tudo no mist\u00e9rio eterno do amor. \u00c9 como se se quisesse dizer que o homem, n\u00e3o s\u00f3 na hist\u00f3ria, mas tamb\u00e9m pela eternidade, estar\u00e1 sempre sob o olhar misericordioso do Pai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A segunda leitura (Ap 1,9-11a.12-13.17-19) anuncia a grandeza e a Gl\u00f3ria do Ressuscitado: n\u00e3o tenhas medo! Sou aquele que vive para sempre. Na experi\u00eancia m\u00edstica de Jo\u00e3o o Senhor se apresenta como aquele que d\u00e1 seguran\u00e7a ao crist\u00e3o, n\u00e3o s\u00f3 porque Ele tem dom\u00ednio absoluto sobre tudo, mas tamb\u00e9m porque participou da condi\u00e7\u00e3o mortal do homem. Por sua morte e Ressurrei\u00e7\u00e3o venceu a morte e tem poder sobre o mist\u00e9rio que ela representa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O Evangelho (Jo 20, 19-31) apresenta a reconstru\u00e7\u00e3o do homem e do mundo: Novamente, Jesus disse: &#8216;A paz esteja convosco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Como o Pai me enviou, tamb\u00e9m eu vos envio&#8217;. E depois de ter dito isto, soprou sobre eles e disse: &#8216;Recebei o Esp\u00edrito Santo. A quem perdoardes os pecados eles lhes ser\u00e3o perdoados; a quem os n\u00e3o perdoardes, eles lhes ser\u00e3o retidos&#8217;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0Ao soprar sobre os disc\u00edpulos reunidos, faz relembrar a cria\u00e7\u00e3o do mundo, onde Deus sopra sobre o barro da terra que agora toma forma e passa a se tornar um ser vivente. O sopro de Deus traz a vida. Jesus sopra sobre os disc\u00edpulos e faz deles homens novos, dando a eles a miss\u00e3o de serem continuadores da a\u00e7\u00e3o de Cristo, perdoando os pecados, manifestando a miseric\u00f3rdia de Jesus. Jesus os confere a miss\u00e3o de se tornarem embaixadores do perd\u00e3o e da miseric\u00f3rdia. A Igreja tem por miss\u00e3o recriar o mundo atrav\u00e9s da miseric\u00f3rdia e do perd\u00e3o dos pecados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Logo ap\u00f3s, \u00e9 apresentada a figura de Tom\u00e9, que n\u00e3o se encontrava com os ap\u00f3stolos no dia do encontro com o Senhor. Ante a narrativa destes sobre o novo fato acontecido, Tom\u00e9 d\u00e1 uma resposta de incredulidade:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Mas Tom\u00e9 disse-lhes: &#8216;Se eu n\u00e3o vir a marca dos pregos em suas m\u00e3os, se eu n\u00e3o puser o dedo nas marcas dos pregos e n\u00e3o puser a m\u00e3o no seu lado, n\u00e3o acreditarei&#8217;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Tom\u00e9 demonstra a dificuldade de n\u00e3o basear sua cren\u00e7a nos testemunhos, mas sim na experi\u00eancia emp\u00edrica de ter de comprovar o que lhe fora comunicado, algo t\u00edpico de nossos tempos marcados pelo cientificismo positivista. Tom\u00e9 representa a mente fechada a novas e eficazes formas de conhecimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No fundo, destas palavras sobressai a convic\u00e7\u00e3o de que Jesus j\u00e1 \u00e9 reconhec\u00edvel n\u00e3o tanto pelo rosto quanto pelas chagas. Tom\u00e9 considera que os sinais qualificadores da identidade de Jesus s\u00e3o agora sobretudo as chagas, nas quais se revela at\u00e9 que ponto Ele nos amou. Nisto o Ap\u00f3stolo n\u00e3o se engana. Como sabemos, oito dias depois Jesus aparece no meio dos seus disc\u00edpulos, e desta vez Tom\u00e9 est\u00e1 presente. E Jesus interpela-o: &#8220;P\u00f5e teu dedo aqui e v\u00ea minhas m\u00e3os! Estende tua m\u00e3o e p\u00f5e-na no meu lado e n\u00e3o sejas incr\u00e9dulo, mas cr\u00ea!&#8221;. Tom\u00e9 se espanta tanto pela constata\u00e7\u00e3o de que o Senhor est\u00e1 vivo como pela forma com que sua debilidade e falta de f\u00e9 \u00e9 tratada: O Ressuscitado quer mergulhar as chagas da falta de f\u00e9 de Tom\u00e9 em suas chagas, em suas gloriosas chagas Tom\u00e9 reage com a profiss\u00e3o de f\u00e9 mais maravilhosa de todo o Novo Testamento: Meu Senhor e meu Deus! (Jo 20, 28). A este prop\u00f3sito, Santo Agostinho comenta: Tom\u00e9 via e tocava o homem, mas confessava a sua f\u00e9 em Deus, que n\u00e3o via nem tocava. Mas o que via e tocava levava-o a crer naquilo de que at\u00e9 \u00e0quele momento tinha duvidado&#8221;. O evangelista prossegue com uma \u00faltima palavra de Jesus a Tom\u00e9: &#8220;Porque me viste, acreditaste. Felizes os que, sem terem visto, crer\u00e3o&#8221;. Esta frase tamb\u00e9m se pode conjugar no presente; &#8220;Bem-aventurados os que creem sem terem visto&#8221;. \u00a0Que ver os sinais nos fa\u00e7a renovar a f\u00e9 e a esperan\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O caso do Ap\u00f3stolo Tom\u00e9 \u00e9 importante para n\u00f3s pelo menos por tr\u00eas motivos: primeiro, porque nos conforta nas nossas inseguran\u00e7as; segundo porque nos demonstra que qualquer d\u00favida pode levar a um \u00eaxito luminoso al\u00e9m de qualquer incerteza; e por fim, porque as palavras dirigidas a ele por Jesus nos recordam o verdadeiro sentido da f\u00e9 madura e nos encorajam a prosseguir, apesar das dificuldades, pelo nosso caminho de ades\u00e3o a Ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Precisamos sempre contemplar o mist\u00e9rio da miseric\u00f3rdia. \u00c9 fonte de alegria, serenidade e paz. \u00c9 condi\u00e7\u00e3o da nossa salva\u00e7\u00e3o. Miseric\u00f3rdia: \u00e9 a palavra que revela o mist\u00e9rio da Sant\u00edssima Trindade. Miseric\u00f3rdia: \u00e9 o ato \u00faltimo e supremo pelo qual Deus vem ao nosso encontro. Miseric\u00f3rdia: \u00e9 a lei fundamental que mora no cora\u00e7\u00e3o de cada pessoa, quando v\u00ea com olhos sinceros o irm\u00e3o que encontra no caminho da vida. Miseric\u00f3rdia: \u00e9 o caminho que une Deus e o homem, porque nos abre o cora\u00e7\u00e3o \u00e0 esperan\u00e7a de sermos amados para sempre, apesar da limita\u00e7\u00e3o do nosso pecado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Neste Domingo da Miseric\u00f3rdia, entremos nas chagas do Ressuscitado, e acolhamos a miseric\u00f3rdia em nossas vidas. Ele nunca se cansa de escancarar a porta do seu cora\u00e7\u00e3o, para repetir que nos ama e deseja partilhar conosco a sua vida. A Igreja sente, fortemente, a urg\u00eancia de anunciar a miseric\u00f3rdia de Deus. A sua vida \u00e9 aut\u00eantica e cred\u00edvel, quando faz da miseric\u00f3rdia seu convicto an\u00fancio. Sabe que a sua miss\u00e3o primeira, sobretudo numa \u00e9poca como a nossa cheia de grandes esperan\u00e7as e fortes contradi\u00e7\u00f5es, \u00e9 a de introduzir a todos no grande mist\u00e9rio da miseric\u00f3rdia de Deus, contemplando o rosto de Cristo. A Igreja \u00e9 chamada, em primeiro lugar, a ser verdadeira testemunha da miseric\u00f3rdia, professando-a e vivendo-a como o centro da Revela\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Jesus Misericordioso, eu confio em v\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cardeal Orani Jo\u00e3o Tempesta Arcebispo Metropolitano de S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Rio de Janeiro O Domingo que conclui a Oitava da P\u00e1scoa \u00e9 atualmente o domingo da miseric\u00f3rdia, antigamente chamado domingo in albis, pois aqueles que tinham recebido o batismo na celebra\u00e7\u00e3o da P\u00e1scoa, participavam das comunidades vestidos de branco e no domingo ap\u00f3s a P\u00e1scoa, &hellip;<\/p>\n<p class=\"read-more\"> <a class=\"\" href=\"https:\/\/www.cnbb.org.br\/meu-senhor-e-meu-deus\/\"> <span class=\"screen-reader-text\">Meu Senhor e meu Deus<\/span> Leia mais &raquo;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":31,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[758],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/33938"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/31"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=33938"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/33938\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=33938"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=33938"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=33938"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}