{"id":33946,"date":"2019-04-17T00:00:00","date_gmt":"2019-04-17T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/o-encontro-doloroso-da-virgem-com-seu-filho-a-caminho-do-calvario\/"},"modified":"2019-04-17T00:00:00","modified_gmt":"2019-04-17T03:00:00","slug":"o-encontro-doloroso-da-virgem-com-seu-filho-a-caminho-do-calvario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/o-encontro-doloroso-da-virgem-com-seu-filho-a-caminho-do-calvario\/","title":{"rendered":"O encontro Doloroso da Virgem com seu filho a caminho do Calv\u00e1rio"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><strong>Cardeal Orani Jo\u00e3o, Cardeal Tempesta<br \/>\n<\/strong><strong>Arcebispo Metropolitano de S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Rio de Janeiro (RJ)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A chamada \u201cProciss\u00e3o do encontro\u201d de Nossa Senhora com o Senhor Morto, constitui uma rica tradi\u00e7\u00e3o da Semana Santa em nossa Igreja. Nesta quarta-feira da Semana Santa encontramos essa piedade popular em grande parte de nossas par\u00f3quias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Esta tradi\u00e7\u00e3o est\u00e1 ligada a Irmandade dos Passos, uma devo\u00e7\u00e3o herdada da piedade popular Portuguesa, da Igreja da Gra\u00e7a de Lisboa, por\u00e9m \u00e9 uma tradi\u00e7\u00e3o que remota a idade m\u00e9dia. \u00a0Cada local celebra conforme costume de cada comunidade, geralmente se celebra na quarta-feira santa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Esta prociss\u00e3o \u00e9 uma express\u00e3o de devo\u00e7\u00e3o popular, fazendo memoria da dor e do desespero da M\u00e3e que procura seu Filho at\u00e9 que a encontra na terceira via da esta\u00e7\u00e3o cruel e dolorosa, podemos dizer a mais desumana da hist\u00f3ria. Ela alcan\u00e7a o rosto do seu filho, humilhado e ferido pelo peso do sofrimento humano. Ele carregou as nossas Dores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Maria \u00e9 a M\u00e3e que acompanha, que sofre no silencio, contemplando a dor de seu dileto filho, esta dor da M\u00e3e torna-se uma linguagem extremamente fascinante de uma f\u00e9 intensa e robusta, \u00e9 uma refer\u00eancia aos mais sublimes amores, que jamais se poder\u00e1 comparar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Maria, por sua parte, desta Igreja viva \u00e9 a imagem perfeita e primeiro fruto, ela \u00e9 a M\u00e3e compassiva e amorosa, esteve sempre junto do seu filho desde Bel\u00e9m at\u00e9 o calv\u00e1rio. Foi uma companheira sem igual, jamais deixou o filho sozinho, com seu cora\u00e7\u00e3o materno, seguiu os passos de seu filho comungando junto do seu sofrimento, abandono e desola\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">E Maria guardava tudo em seu Cora\u00e7\u00e3o, os segredos mais profundos de seu cora\u00e7\u00e3o fiel compassivo \u00e9 a mais perfeita express\u00e3o, o \u00edcone da ternura feminina, e do mais atroz abra\u00e7o materno de dor. Ela \u00e9 destemida, a intr\u00e9pida Virgem, nunca e jamais foi aterrorizada pelas amea\u00e7as nem oprimida pela persegui\u00e7\u00e3o, pois se manteve firme e fiel na f\u00e9, e na miss\u00e3o de seu Filho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A &#8220;loucura&#8221; da cruz (cf 1Co 1-2) foi o que resolveu positivamente o destino da humanidade, porque sancionou a derrota definitiva do pecado, e elevou a exalta\u00e7\u00e3o do Amor, &#8220;Na \u00e1rvore da cruz maria estabeleceu a ponte da salva\u00e7\u00e3o do homem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O amor perpassado pela espada cruel de dor, da cruz que trespassara seu cora\u00e7\u00e3o, foi a forma mais pura, gran\u00edtica, e tamb\u00e9m dram\u00e1tica e violenta, foi ao mesmo tempo, a oferta da vida; um amor ainda mais cred\u00edvel porque viveu nas condi\u00e7\u00f5es adversas de trai\u00e7\u00e3o, nega\u00e7\u00e3o, abandono, insulto desdenhoso e esc\u00e1rnio sarc\u00e1stico, e precisamente por isso capaz de ferir at\u00e9 a dureza do cora\u00e7\u00e3o tenha dito o Centuri\u00e3o: \u201cVerdadeiramente ele era Filho de Deus &#8220;(Mt 27,54).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Maria, a M\u00e3e, sob a Cruz, sente a grandeza deste Amor e embeleza-o ainda mais com o seu sofrimento pessoal. Maria ama no sinal de l\u00e1grimas; n\u00e3o \u00e9 um grito de desaprova\u00e7\u00e3o, n\u00e3o o tormento do desespero, n\u00e3o \u00e9 a rebeli\u00e3o por uma perda muito preciosa, mas a participa\u00e7\u00e3o sofrida pela obedi\u00eancia do Filho, no distanciamento exemplar e singular de toda pretens\u00e3o de possess\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Maria ama em liberdade, ama em gratuidade, ama sem pretender dobrar a vontade de Deus \u00e0s suas expectativas, ama renunciar \u00e0s suas afei\u00e7\u00f5es humanas, deixar espa\u00e7o para o drama do Sim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Maria n\u00e3o \u00e9 obrigada a sofrer, pois Jesus n\u00e3o \u00e9 obrigado a morrer na cruz; sob a cruz Maria vence a dif\u00edcil aposta da gratuidade, e o seu choro materno mistura-se com o clamor de seu Filho. O choro de toda M\u00e3e \u00e9 precioso, quando se chora por amor e n\u00e3o por ego\u00edsmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A dor de seguir junto do filho no caminho do Calv\u00e1rio \u00e9 uma dor dupla, a do Filho e a da M\u00e3e, por um s\u00f3 grande Amor incondicional. A M\u00e3e em Nazar\u00e9 abra\u00e7a o Filho na Cruz. Mulher, aqui est\u00e1 seu filho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O evangelista observa: &#8220;Jesus, pois, vendo a sua m\u00e3e &#8221; (cf Jo 19, 26). Jesus v\u00ea e sente a presen\u00e7a da M\u00e3e, ele sente a necessidade de sua afei\u00e7\u00e3o na hora terr\u00edvel do julgamento. Jesus vive o tormento de seu cora\u00e7\u00e3o, ainda mais ferido pela prostra\u00e7\u00e3o da M\u00e3e antes da perda de um filho violentamente arrancado de sua afei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Jesus v\u00ea a face da M\u00e3e escavada pela dor, v\u00ea as l\u00e1grimas que ningu\u00e9m pode secar, os olhos incr\u00e9dulos pelo inesperado abandono dos ap\u00f3stolos. Jesus tamb\u00e9m v\u00ea o ap\u00f3stolo Jo\u00e3o, ao lado da M\u00e3e, e anuncia as surpreendentes palavras de confian\u00e7a m\u00fatua; Mulher, veja seu filho, Filho Contemple sua m\u00e3e.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Para Maria, invocada como &#8220;mulher&#8221;, Jesus reconhece uma nova maternidade; a dor ao p\u00e9 da cruz e o grito de partir o cora\u00e7\u00e3o s\u00e3o as contra\u00e7\u00f5es de um novo nascimento espiritual. \u00c9 a nova Eva, M\u00e3e de uma nova gera\u00e7\u00e3o de filhos, redimida pelo sangue da cruz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A participa\u00e7\u00e3o na Paix\u00e3o do Filho merece em Maria uma nova fecundidade, pela qual ela se torna m\u00e3e de todo disc\u00edpulo de seu Filho, m\u00e3e da Igreja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Aqui est\u00e1 a sua M\u00e3e, a partir dessa hora, todo disc\u00edpulo pode acariciar a maternidade de Maria, agarrada ao peito para sugar o leite espiritual de ternura, do\u00e7ura e prote\u00e7\u00e3o; Somente depois de ter confiado a M\u00e3e ao disc\u00edpulo amado e a seu disc\u00edpulo \u00e0 amada M\u00e3e, Jesus abandona-se ao seu grande e definitivo ato de confiar ao Pai: &#8220;Pai, nas tuas m\u00e3os entrego o meu esp\u00edrito&#8221; (cf. Lc 23, 46).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Jesus morre somente depois de ter declarado Maria a M\u00e3e da nova humanidade, e depois de nos ter confiado o seu cuidado constante, podemos invoc\u00e1-la nossa fiel protetora em todos os momentos de nossa caminhada neste mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A maternidade de Maria, a virgem do calv\u00e1rio, alimenta nossa esperan\u00e7a nos momentos mais tristes e dram\u00e1ticos de nossa hist\u00f3ria. Ela ser\u00e1 mais uma vez, a verdadeira m\u00e3e, ao p\u00e9 de nossas cruzes da vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Nunca devemos esquecer de honrar Maria, oferecendo ao seu cora\u00e7\u00e3o a coroa preciosa e incompar\u00e1vel da nossa f\u00e9 e devo\u00e7\u00e3o. \u00a0Sobre tudo o nosso amor filial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Vamos invocar Maria para que ela nos acompanhe, com especial cuidado, especialmente os adolescentes e jovens, muitas vezes &#8220;v\u00edtimas&#8221; de nosso tempo dif\u00edcil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">E quando, para n\u00f3s tamb\u00e9m, os dias de nossa peregrina\u00e7\u00e3o terrena forem cumpridos, pedimos-te o Senhora das Dores, que esteja ao nosso lado, sobre tudo na hora de nossa morte, para que sejamos iluminados pela consola\u00e7\u00e3o de sua presen\u00e7a tranquilizadora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">As tristezas de Maria, s\u00e3o as nossas tristezas, ela carrega os sofrimentos das fam\u00edlias e de todos os homens e mulheres de nosso tempo. Sob a cruz ela n\u00e3o estava sozinha, naquele dia, no Calv\u00e1rio, com ela estava o grito de dor que se eleva da terra e do cora\u00e7\u00e3o de cada homem foi reunido em seu cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Maria, que sempre seguiu seu Filho, como m\u00e3e, participou do sofrimento do filho at\u00e9 o fim. Vivamos bem o Tr\u00edduo Pascal e nos alegremos com a Ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor, que nos convida a sermos seus disc\u00edpulos-mission\u00e1rios!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cardeal Orani Jo\u00e3o, Cardeal Tempesta Arcebispo Metropolitano de S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Rio de Janeiro (RJ) A chamada \u201cProciss\u00e3o do encontro\u201d de Nossa Senhora com o Senhor Morto, constitui uma rica tradi\u00e7\u00e3o da Semana Santa em nossa Igreja. Nesta quarta-feira da Semana Santa encontramos essa piedade popular em grande parte de nossas par\u00f3quias. 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