{"id":34001,"date":"2019-04-29T00:00:00","date_gmt":"2019-04-29T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/o-meu-deus-e-um-deus-ferido\/"},"modified":"2019-04-29T00:00:00","modified_gmt":"2019-04-29T03:00:00","slug":"o-meu-deus-e-um-deus-ferido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/o-meu-deus-e-um-deus-ferido\/","title":{"rendered":"O meu Deus \u00e9 um Deus ferido"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><strong><em>Jo\u00e3o Justino de Medeiros Silva<br \/>\n<\/em><em>Arcebispo de Montes Claros<\/em><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Esse \u00e9 o t\u00edtulo de um bel\u00edssimo livro de autoria do Pe. Tom\u00e1s Hal\u00edk, traduzido em Portugal, no ano de 2015, por Artur Mor\u00e3o e publicado pelas Paulinas Editora. A tradu\u00e7\u00e3o brasileira foi mais fiel ao t\u00edtulo original, traduzido por Markus Hediger e publicado pela Editora Vozes em 2016: \u201cToque as feridas: sobre sofrimento, confian\u00e7a e a arte da transforma\u00e7\u00e3o\u201d. A edi\u00e7\u00e3o portuguesa chegou em minhas m\u00e3os por primeiro. Tinha lido do mesmo autor o livro \u201cPaci\u00eancia com Deus\u201d, tamb\u00e9m numa edi\u00e7\u00e3o portuguesa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Pe. Tom\u00e1s Hal\u00edk nasceu em Praga, no ano de 1948. Licenciado em Ci\u00eancias Sociais pela Universidade Charles de Praga, estudou clandestinamente teologia e foi perseguido, durante a ocupa\u00e7\u00e3o comunista, como inimigo do regime. Ainda na clandestinidade, foi ordenado presb\u00edtero em 1978, tendo sido um dos mais pr\u00f3ximos assessores do cardeal Tom\u00e1sek, um dos \u00edcones da chamada \u201cIgreja do sil\u00eancio\u201d. Com o fim do regime comunista, foi conselheiro do presidente V\u00e1clav Havel. Mais tarde, foi secret\u00e1rio geral da Confer\u00eancia Episcopal Checa. V\u00e1rias de suas obras j\u00e1 est\u00e3o publicadas no Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O t\u00edtulo \u201cO meu Deus \u00e9 um Deus ferido\u201d chamou, imediatamente, minha aten\u00e7\u00e3o. Deparei-me com um autor de enorme envergadura espiritual, humana e crist\u00e3. A origem dessa sua obra \u00e9 a viv\u00eancia de uma forte experi\u00eancia com o sofrimento. Numa celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica, em visita \u00e0 \u00cdndia, Pe. Tom\u00e1s proclamou o trecho do evangelho de S\u00e3o Jo\u00e3o onde se narra a apari\u00e7\u00e3o de Jesus ressuscitado a Tom\u00e9. \u00c0 tarde, seu anfitri\u00e3o o levou ao lugar onde o ap\u00f3stolo Tom\u00e9, segundo a lenda, foi torturado at\u00e9 \u00e0 morte, e depois a um orfanato cat\u00f3lico, vizinho poucos metros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c9 preciso escutar seu relato: \u201cEm ber\u00e7os, que mais faziam lembrar gaiolas de aves, jaziam criancinhas abandonadas com barrigas inchadas pela fome, pequenos esqueletos, revestidos apenas de uma pele negra, muitas vezes inflamada; nos corredores, que pareciam intermin\u00e1veis, miravam-me, em toda a parte, os seus olhos febris e estendiam-me as palmas das m\u00e3os cor-de-rosa. O ar cortou-me a respira\u00e7\u00e3o, no meio do fedor e do choro senti um mal-estar ps\u00edquico, f\u00edsico e moral; vi-me sufocado e tolhido por um sentimento de impot\u00eancia e de intensa vergonha [&#8230;]. Mas justamente naquele momento irrompeu em mim, vinda das profundezas, a frase: <em>\u201cToca nas chagas!\u201d<\/em> E ainda: <em>\u201cChega c\u00e1 o teu dedo! Olha as minhas m\u00e3os e estende a tua e p\u00f5e-na no meu lado.\u201d <\/em>\u00a0De repente, abriu-se de novo a hist\u00f3ria do ap\u00f3stolo Tom\u00e9, tirado do Evangelho de Jo\u00e3o, que eu lera, na missa da manh\u00e3, junto do t\u00famulo do \u201cpadroeiro dos c\u00e9ticos\u201d. Jesus identificou-se com todos os pequeninos e com os que sofrem \u2013 assim <em>todas as feridas dolorosas, todo o sofrimento do mundo e da humanidade, s\u00e3o as \u201cchagas de Cristo\u201d<\/em>. Crer em Cristo, poder dizer \u201cmeu Senhor e meu Deus\u201d, s\u00f3 posso faz\u00ea-lo se tocar <em>nestas<\/em> feridas, de que tamb\u00e9m o nosso mundo est\u00e1, hoje, cheio.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A leitura dessa obra nos faz meditar sobre o mist\u00e9rio do sofrimento de Deus. De um Deus que se deixou ferir e se identificar com a humanidade em suas dores. A f\u00e9 crist\u00e3 \u00e9 \u00fanica a apontar para o mist\u00e9rio da cruz como mist\u00e9rio redentor. \u201cFomos curados por suas chagas\u201d (53,5). O nosso Deus \u00e9 um Deus ferido e se deixa tocar nas feridas humanas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jo\u00e3o Justino de Medeiros Silva Arcebispo de Montes Claros &nbsp; Esse \u00e9 o t\u00edtulo de um bel\u00edssimo livro de autoria do Pe. Tom\u00e1s Hal\u00edk, traduzido em Portugal, no ano de 2015, por Artur Mor\u00e3o e publicado pelas Paulinas Editora. 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