{"id":34006,"date":"2019-04-30T00:00:00","date_gmt":"2019-04-30T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/o-ressuscitado-no-cotidiano\/"},"modified":"2019-04-30T00:00:00","modified_gmt":"2019-04-30T03:00:00","slug":"o-ressuscitado-no-cotidiano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/o-ressuscitado-no-cotidiano\/","title":{"rendered":"O Ressuscitado no cotidiano"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><strong>Dom Adelar Baruffi<\/strong><br \/>\n<strong>Bispo Diocesano de Cruz Alta<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O terceiro domingo do rico tempo pascal nos sugere esta pergunta: Onde podemos nos encontrar com o Ressuscitado? Ele est\u00e1 somente na missa dominical ou \u00e9 presen\u00e7a viva e fecunda no nosso cotidiano? O texto do evangelho deste domingo (cf. Jo 21,1-19), da pesca milagrosa e do pastoreio de Pedro, faz os disc\u00edpulos superarem o medo e a falta de perspectivas diante da morte do Mestre. A tenta\u00e7\u00e3o de construir uma vida \u201csem Deus\u201d continua presente nos ap\u00f3stolos, como transparece neste di\u00e1logo dos mesmos: \u201cDisse-lhes Sim\u00e3o Pedro: \u2018Vou pescar\u2019. Responderam-lhe eles: \u2018Tamb\u00e9m n\u00f3s vamos contigo\u2019. Partiram e entraram na barca. Naquela noite, por\u00e9m, nada apanharam\u201d (Jo 21,3). Dentre as v\u00e1rias interpreta\u00e7\u00f5es, uma delas \u00e9 o des\u00e2nimo e o desejo de voltar atr\u00e1s, para o modo de vida anterior, como profissionais da pesca. Parece que haviam esquecido tudo o que tinham vivenciado com o Mestre de Nazar\u00e9 nos tr\u00eas anos que conviveram. Recorda-nos o povo guiado por Mois\u00e9s, que diante das dificuldades do deserto, murmurou e se queixou, afirmando que era melhor o passado, mesmo com o peso da escravid\u00e3o do Egito (cf. Ex 16,2-4).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Muito oportuna esta Palavra que qualifica a vida sem a presen\u00e7a do Ressuscitado como \u201cnoite\u201d, em contraposi\u00e7\u00e3o \u00e0 \u201cluz\u201d, que \u00e9 o sin\u00f4nimo da f\u00e9. A vida sem Deus \u00e9 escura e sem frutos. N\u00e3o falo dos frutos materiais, que, muitas vezes, s\u00e3o at\u00e9 mais abundantes, mas dos frutos humanos e da alegria e paz que o Ressuscitado traz. A palavra de Jesus, no outro lado do lago diz aos ap\u00f3stolos: \u201cVinde comer\u201d (Jo 21,12). N\u00e3o estamos \u00f3rf\u00e3os e entregues \u00e0 pr\u00f3pria sorte. Algu\u00e9m nos chamou \u00e0 vida, n\u00e3o obstante todos os desafios e contradi\u00e7\u00f5es familiares e sociais. Algu\u00e9m \u00e9 por n\u00f3s. E isto faz toda diferen\u00e7a. E mais, o Ressuscitado est\u00e1 no cotidiano: vai onde est\u00e3o os ap\u00f3stolos, acompanha seus des\u00e2nimos, prepara e compartilha o alimento. Esta presen\u00e7a do Ressuscitado d\u00e1 qualidade humana e evang\u00e9lica a tudo o que fazemos, promete vida plena. Uma vida sem Deus \u00e9 como uma \u00e1rvore envelhecida, que aparentemente est\u00e1 bela e frondosa, mas sua seiva vai definhando e corroendo seu interior, comprometendo seus frutos. O Ressuscitado se contrap\u00f5e \u00e0 \u201cnoite\u201d, \u00e9 \u201cluz\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cPortanto, assim como voc\u00eas receberam a Cristo Jesus, o Senhor, continuem a viver nele, enraizados e edificados nele, firmados na f\u00e9, como foram ensinados, transbordando de gratid\u00e3o\u201d (Cl\u00a0 2,6). Por tr\u00eas vezes, Jesus pede a Pedro a confirma\u00e7\u00e3o da f\u00e9 n\u00b4Ele: \u201cTu me amas?\u201d (Jo 21, 15-17). \u00c9 uma confian\u00e7a radical na sua palavra, na vida nova de batizados, enraizados nele. N\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o intelectual somente, de conhecimento de teorias, mas de amor a Jesus Cristo. Nenhum outro fundamento poder\u00e1 ser posto: \u201cPorque ningu\u00e9m pode lan\u00e7ar outro fundamento, al\u00e9m do que j\u00e1 est\u00e1 posto, o qual \u00e9 Jesus Cristo\u201d (1Cor 3,11).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A f\u00e9 em Jesus Cristo, o Crucificado-Ressuscitado, fez daqueles humildes homens da Galil\u00e9ia os grandes mission\u00e1rios que deram sua vida por Cristo. Ele desafia \u00e0 miss\u00e3o: \u201cLan\u00e7ai a rede ao lado direito da barca e achareis\u201d (Jo 21,6). De fato, os projetos pastorais s\u00e3o necess\u00e1rios, mas imprescind\u00edvel que neles e al\u00e9m dos mesmos, n\u00e3o falte o testemunho de \u201cuma vida transfigurada pela presen\u00e7a de Deus\u201d (EG n. 259). A miss\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o, mas est\u00e1 na nossa constitui\u00e7\u00e3o enquanto crist\u00e3os, est\u00e1 na ess\u00eancia da Igreja. Lancemos as redes para transmitir a f\u00e9 aos filhos, aos netos, para permear dos valores do evangelho todos os ambientes, a cultura na qual vivemos. Chegou a hora de confirmar nosso caminho de mission\u00e1rios de Jesus Cristo. Este Cristo Crucificado-Ressuscitado, que d\u00e1 sentido para nossa vida, \u00e9 o que devemos anunciar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Adelar Baruffi Bispo Diocesano de Cruz Alta O terceiro domingo do rico tempo pascal nos sugere esta pergunta: Onde podemos nos encontrar com o Ressuscitado? Ele est\u00e1 somente na missa dominical ou \u00e9 presen\u00e7a viva e fecunda no nosso cotidiano? O texto do evangelho deste domingo (cf. 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