{"id":34009,"date":"2019-04-30T00:00:00","date_gmt":"2019-04-30T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/dia-do-trabalho\/"},"modified":"2019-04-30T00:00:00","modified_gmt":"2019-04-30T03:00:00","slug":"dia-do-trabalho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/dia-do-trabalho\/","title":{"rendered":"Dia do Trabalho"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><strong><em>Dom Alo\u00edsio Alberto Dilli<br \/>\n<\/em><em>Bispo de Santa Cruz do Sul<\/em><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\">Caros diocesanos. Em 1\u00ba de maio celebramos o Dia do Trabalho, ou seja, do Trabalhador. Os estudos de antropologia nos evidenciam que a pessoa humana \u00e9 um ser em realiza\u00e7\u00e3o, um ser em devir, que se projeta sempre para frente. Est\u00e1 constantemente por fazer-se, pois nunca se considera pronto. Esta mesma realidade ele percebe na sua rela\u00e7\u00e3o com o mundo que o cerca: este est\u00e1 por ser transformado e adaptado para o bem da pessoa humana (cf. Gn 1, 26 e 28). E ent\u00e3o come\u00e7amos a falar sobre o trabalho, com o qual a mulher e o homem cultivam e guardam a terra, cuidando-a e transformando-a em nossa casa comum (Papa Francisco), pela atividade consciente, atrav\u00e9s da ci\u00eancia e a t\u00e9cnica, fazendo produzir os campos, transformando a mat\u00e9ria de forma artesanal ou em escala industrial e prestando in\u00fameros servi\u00e7os uns aos outros. O trabalho, portanto, constitui uma dimens\u00e3o fundamental da exist\u00eancia humana sobre a terra (cf. Laborem Exercens \u2013 LE 4). A realidade da vida nos mostra que \u00e9 imposs\u00edvel separar a pessoa humana do trabalho, pois ele faz parte de sua identidade (cf. CF 1991 \u2013 Texto-base, n. 14); pelo trabalho deve acontecer e realizar-se o pr\u00f3prio ser da pessoa humana. Nessa rela\u00e7\u00e3o pessoa humana e trabalho emerge tamb\u00e9m o sentido da participa\u00e7\u00e3o na obra do Criador e da solidariedade (servi\u00e7o) em rela\u00e7\u00e3o aos outros seres humanos, primeiramente, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 fam\u00edlia e depois se estende \u00e0 comunidade mais ampla (cf. LE 6 \u2013 10). Portanto, o trabalho realiza a dignidade da pessoa humana; al\u00e9m de transformar a si mesma, por ele a pessoa humana cria as condi\u00e7\u00f5es imediatas da sua exist\u00eancia e estabelece as rela\u00e7\u00f5es que constituem a sociedade. Neste contexto, S\u00e3o Francisco de Assis escreve na sua Regra Bulada: \u201c<em>Aqueles irm\u00e3os aos quais o Senhor deu a gra\u00e7a de trabalhar trabalhem fiel e devotamente\u201d <\/em>\u00a0(Rb 5). Em nosso tempo, poder trabalhar \u00e9 tamb\u00e9m uma gra\u00e7a; o n\u00e3o ter emprego (trabalho) \u00e9 uma verdadeira desgra\u00e7a, assim como a pregui\u00e7a, definida como a irresponsabilidade e n\u00e3o servir e explorar os outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Vimos anteriormente que o trabalho tem um car\u00e1ter positivo e de realiza\u00e7\u00e3o da pessoa humana, mesmo que cause fadiga e sofrimento (cf. Gn 3, 17-19). Contudo, o ego\u00edsmo humano, muitas vezes, inverte os valores, fazendo surgir conflitos entre o mundo do capital (capitalismo) e o mundo do trabalho. Quando o trabalho \u00e9 considerado mera mercadoria ou somente \u00e9 visto como instrumento de produ\u00e7\u00e3o e de lucro surgem confrontos, com todas as suas consequ\u00eancias. Neste contexto, o trabalhador \u00e9 visto, n\u00e3o pelo que \u00e9, como sujeito e autor com sua dignidade, mas pelo que produz, como instrumento de lucro (cf. LE 7 e CF 1991, n. 27). A Doutrina Social da Igreja reivindica a prioridade do trabalho em confronto com o capital, destacando justa estrutura social de organiza\u00e7\u00e3o do trabalho e da distribui\u00e7\u00e3o de bens. O Papa Francisco tamb\u00e9m toma posi\u00e7\u00e3o neste contexto, afirmando: \u201c<em>O crescimento equitativo exige algo mais do que o crescimento econ\u00f4mico, embora o pressuponha; requer decis\u00f5es, programas mecanismos e processos especificamente orientados para uma melhor distribui\u00e7\u00e3o das entradas, para a cria\u00e7\u00e3o de oportunidades de trabalho, para uma promo\u00e7\u00e3o integral dos pobres que supere o mero assistencialismo&#8230; a economia n\u00e3o pode mais recorrer a rem\u00e9dios que s\u00e3o um novo veneno, como quando se pretende aumentar a rentabilidade reduzindo o mercado de trabalho e criando assim novos exclu\u00eddos\u201d <\/em>\u00a0(EG 204). Que o Senhor Jesus, filho do carpinteiro de Nazar\u00e9, aben\u00e7oe os trabalhadores\/as em seu dia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Alo\u00edsio Alberto Dilli Bispo de Santa Cruz do Sul &nbsp; Caros diocesanos. Em 1\u00ba de maio celebramos o Dia do Trabalho, ou seja, do Trabalhador. Os estudos de antropologia nos evidenciam que a pessoa humana \u00e9 um ser em realiza\u00e7\u00e3o, um ser em devir, que se projeta sempre para frente. 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