{"id":34077,"date":"2019-05-06T00:00:00","date_gmt":"2019-05-06T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/somos-mestres-da-fe-porque-somos-sedentos-de-deus-disse-pregador-em-retiro\/"},"modified":"2020-10-23T14:01:22","modified_gmt":"2020-10-23T17:01:22","slug":"somos-mestres-da-fe-porque-somos-sedentos-de-deus-disse-pregador-em-retiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/somos-mestres-da-fe-porque-somos-sedentos-de-deus-disse-pregador-em-retiro\/","title":{"rendered":"\u201cSomos mestres da f\u00e9 porque somos sedentos de Deus\u201d, disse pregador em retiro"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">A tarde de s\u00e1bado, 4, e a manh\u00e3 de domingo, 5, foram momentos de parada e ora\u00e7\u00e3o para os bispos participantes da 57\u00aa Assembleia Geral da Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que ocorre em Aparecida (SP). O pregador do retiro foi o arquivista e bibliotec\u00e1rio do Vaticano, o arcebispo dom Jos\u00e9 Tolentino Mendon\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Durante pronunciamento aos jornalistas antes do retiro, o pregador indicou os caminhos que iria seguir, ressaltando que usaria em suas reflex\u00f5es, al\u00e9m da Sagrada Escritura e da Tradi\u00e7\u00e3o da Igreja, autores brasileiros leigos, como Clarice Lispector, Manoel de Barros e Ad\u00e9lia Prado.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong><em>\u201cVamos andar \u00e0 volta da figura de S\u00e3o Pedro, nos passos das apari\u00e7\u00f5es b\u00edblicas. O pastor n\u00e3o nasce de gera\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea, mas um bispo se constr\u00f3i espiritualmente, como Pedro se construiu nos encontros com Jesus. Que a Igreja se assuma dependente da pessoa de Jesus\u201d, <\/em><\/strong>afirmou aos jornalistas<strong><em>.<\/em><\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>J\u00e1 dentro do plen\u00e1rio, dom Tolentino refor\u00e7ou que o retiro depende estritamente da a\u00e7\u00e3o de Deus.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong><em>\u201cAceito essa miss\u00e3o com sentido de humildade. Quando pregamos aos outros, na verdade pregamos a n\u00f3s mesmos. Voc\u00eas est\u00e3o fazendo essa experi\u00eancia de forte sinodalidade. Agora, abrimos nesta sinodalidade um espa\u00e7o de cen\u00e1culo. Um tempo humilde, despretensioso de disposi\u00e7\u00e3o ao Esp\u00edrito Santo. Essa hora n\u00e3o \u00e9 nossa, n\u00e3o trata apenas de nossas for\u00e7as e sabedoria, agora \u00e9 hora do Esp\u00edrito Santo\u201d<\/em><\/strong>, disse logo no in\u00edcio de sua apresenta\u00e7\u00e3o, j\u00e1 aos bispos.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify\">E a promessa aos jornalistas se cumpriu. Dom Tolentino usou de poesia para falar da sede de Deus. Clarice Lispector, na sua ida ao Jardim Bot\u00e2nico, tem muito a revelar. O poema \u201cAto gratuito\u201d revela uma escritora sedenta de liberdade, uma sede estranha e profunda.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong><em>\u201cH\u00e1 uma sede em n\u00f3s que n\u00e3o tornamos oficial, expl\u00edcita em nossa vida. Pode acontecer que seja dif\u00edcil praticar esse tempo. Talvez seja mais f\u00e1cil fugir. Contudo, a sede est\u00e1 l\u00e1 e n\u00e3o podemos fazer conta de que a sede n\u00e3o existe. N\u00f3s, bispos, a sede de Deus existe. N\u00e3o somos aqueles que temos Deus na m\u00e3o ou que administramos Deus, mas somos mestres da f\u00e9 porque somos sedentos de Deus. Ensinamos Deus porque nos sentimos tantas vezes vazios de Deus. Esta \u00e9 nossa realidade, nossa experi\u00eancia. Da aceita\u00e7\u00e3o desta realidade depende a qualifica\u00e7\u00e3o espiritual de cada um\u201d<\/em><\/strong>, refletiu.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c9 este elogio do in\u00fatil que o poeta brasileiro Manoel de Barros tamb\u00e9m faz ao citar que prefere <em>\u201cas m\u00e1quinas que servem para n\u00e3o funcionar: quando cheias de areia de formiga e musgo, elas podem um dia milagrar flores<\/em>\u201d.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong><em>\u201cA maior riqueza de um homem \u00e9 sua incompletude. Somos uma m\u00e1quina que temos que funcionar, mas tem uma beleza e um sentido espiritual quando n\u00e3o funcionamos, quando aceitamos nossa inutilidade, quando rezamos n\u00e3o por esta inten\u00e7\u00e3o ou aquela, mas um rezar simplesmente. Na nossa vida episcopal essa \u00e9 uma falta grande, porque tudo tem que funcionar. \u00c9 importante perceber que o abandono, o imprest\u00e1vel, o que n\u00e3o funciona, tamb\u00e9m ativa o milagre\u201d<\/em><\/strong>, rezou.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify\">Para finalizar a introdu\u00e7\u00e3o do seu retiro, o arquivista do Vaticano utilizou do Casamento, de Ad\u00e9lia Prado, quando ela poetizou, ap\u00f3s ajudar seu marido a limpar peixes: <em>\u201cO sil\u00eancio de quando nos vimos a primeira vez atravessa a cozinha como um rio profundo. Por fim, os peixes na travessa, vamos dormir. Coisas prateadas espocam: somos noivo e noiva&#8221;<\/em>.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong><em>\u201cEsse momento despretensioso que aqui estamos n\u00e3o \u00e9 mais um momento qualquer, mas somos noivo e noiva, Cristo e sua Igreja. \u00e9 momento de circular amor. O primado de Pedro outra coisa n\u00e3o \u00e9 do que o primado do amor. E o primado que o bispo testemunha na sua Igreja outra coisa n\u00e3o \u00e9 do que o primado do amor de Cristo. Somos noivo e noiva\u201d<\/em><\/strong>, afirmou.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify\">Assim dom Tolentino conduziu seu retiro, passando pela figura de Pedro, a partir do cap\u00edtulo 21 de S\u00e3o Jo\u00e3o.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong><em>\u201cUm bispo tem que se preocupar com tantas coisas e acabamos deixando em segundo plano amar a Jesus. Pedro coloca a t\u00fanica. A t\u00fanica \u00e9 uma veste sacerdotal. Do encontro com Cristo, Pedro se reencontra, se restitui. Muitas vezes precisamos aceitar nossa nudez para reencontrarmos Cristo. intelectualizamos demais a f\u00e9. A f\u00e9 n\u00e3o tem somente uma credibilidade racional, tem tamb\u00e9m uma credibilidade existencial, antropol\u00f3gica, emocional, afetiva\u201d<\/em><\/strong>, continuou.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>J\u00e1 pelo domingo de manh\u00e3, dom Tolentino usou do Evangelho de S\u00e3o Lucas, a passagem do Pai Misericordioso, para refletir com os bispos.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong><em>\u201cMiseric\u00f3rdia n\u00e3o \u00e9 dar ao outro o que merece, mas oferecer ao outros precisamente o que o outro n\u00e3o merece. \u00c9 ir mais longe, confirmar o irm\u00e3o. Precisamos de um sim que seja uma confirma\u00e7\u00e3o. Como dizia Agostinho: \u2018quero que tu sejas\u2019. Legitimar o outro pelo meu olhar, pelo meu amor. O pai se antecipa o discurso que o filho tinha preparado. A miseric\u00f3rdia \u00e9 um excesso de amor. Deus n\u00e3o vai te perdoar porque voc\u00ea se arrependeu, mas voc\u00ea vai se arrepender porque Deus te perdoou\u201d<\/em><\/strong>, refletiu.<\/p>\n<\/blockquote>\n<h5><em>Por padre Andrey Nicioli<\/em><\/h5>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Al\u00e9m das Sagradas Escrituras, pregador citou autores brasileiros laicos como Clarice Lispector, Manoel de Barros e Ad\u00e9lia Prado<\/p>\n","protected":false},"author":83,"featured_media":1248,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[745],"tags":[1239],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/34077"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/83"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=34077"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/34077\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media\/1248"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=34077"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=34077"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=34077"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}