{"id":34199,"date":"2019-05-13T00:00:00","date_gmt":"2019-05-13T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/porque-nao-se-entendem\/"},"modified":"2019-05-13T00:00:00","modified_gmt":"2019-05-13T03:00:00","slug":"porque-nao-se-entendem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/porque-nao-se-entendem\/","title":{"rendered":"Porque n\u00e3o se entendem?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><strong>Dom Pedro Carlos Cipollini<br \/>\nBispo de Santo Andr\u00e9\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Esta pergunta ouvimos frequentemente ao constatar a dificuldade crescente que as pessoas t\u00eam para conviverem pacificamente. Viver na sociedade sempre foi dif\u00edcil, um desafio, por\u00e9m, hoje, a impress\u00e3o que se tem \u00e9 que a conviv\u00eancia pac\u00edfica est\u00e1 se tornando imposs\u00edvel. S\u00e3o significativos os dados que indicam a infelicidade causada pela incapacidade de conviver que as pessoas provam, com consequente corol\u00e1rio de desentendimentos, brigas, vingan\u00e7as, crimes, mortes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A \u00e9poca moderna que tanto progresso trouxe \u00e0 humanidade come\u00e7ou sob o signo da valoriza\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo. Penso, logo existo! Ouse pensar, portanto, fa\u00e7a a cr\u00edtica e coloque-se no centro do Universo. O antropocentrismo trouxe muitos benef\u00edcios, por\u00e9m, quando o homem se coloca no centro, como se fosse Deus, sente a vertigem do poder, da autossufici\u00eancia. Instala-se o individualismo, marca da cultura do consumo que \u00e9 a cultura da globaliza\u00e7\u00e3o. Essa cultura funda-se no ter e n\u00e3o no ser, portanto, relacionar-se n\u00e3o tem valor, o que vale \u00e9 possuir, ent\u00e3o, \u00e9 a guerra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A dificuldade para se entender com os outros \u00e9 consequ\u00eancia desse estado de coisas. O outro \u00e9 sempre amea\u00e7a, compete comigo, \u00e9 algu\u00e9m a ser vencido. J\u00e1 dizia Sartre, corifeu do existencialismo ateu: \u201co inferno s\u00e3o os outros\u201d. Cresce especialmente entre os jovens a ideia de que \u201cser feliz \u00e9 amar a si mesmo o suficiente para n\u00e3o precisar de ningu\u00e9m\u201d. Nossa cultura favorece a prolifera\u00e7\u00e3o de narcisistas que no dizer de Theodore Rubin, \u201cs\u00e3o pessoas que se tornam o pr\u00f3prio mundo e acabam crendo que s\u00e3o o mundo inteiro\u201d. Assim, o conceito de liberdade, palavra chave para se entender a cultura moderna, se torna sin\u00f4nimo de falta de limites.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">N\u00e3o \u00e9 de se estranhar que os desencontros se agudizem, desde a dificuldade de conviver com o vizinho at\u00e9 a dificuldade de se entender, existente entre as na\u00e7\u00f5es. Tome-se como exemplo o desentendimento entre pa\u00edses ricos e pobres numa quest\u00e3o t\u00e3o urgente como a quest\u00e3o clim\u00e1tica. Quest\u00e3o abordada pelo papa Francisco na sua Enc\u00edclica\u00a0<em>Laudato Si\u2019.<\/em>\u00a0Por que n\u00e3o se entendem?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Porque falta di\u00e1logo. Isso dificulta o entendimento entre as pessoas, grupos, na\u00e7\u00f5es. Di\u00e1logo que \u00e9 caracter\u00edstica pr\u00f3pria do ser humano, animal racional. Di\u00e1logo que \u00e9 escuta, respeito, considera\u00e7\u00e3o, acolhida. Quantos conflitos n\u00e3o foram desarmados e resolvidos com o convite: \u201cvamos conversar?\u201d. O ser humano n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 indiv\u00edduo, o ser humano \u00e9 tamb\u00e9m pessoa, e pessoa \u00e9 \u201cum n\u00f3 de relacionamentos\u201d como ensina o pensamento personalista de Emanuel Mounier.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O exemplo consumado de di\u00e1logo nos \u00e9 dado pelo pr\u00f3prio Deus. Na B\u00edblia, temos os relatos da busca que Ele faz do homem, que por sua vez tamb\u00e9m o busca. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o relato de uma busca, mas de um encontro maravilhoso entre o c\u00e9u e a terra: em Jesus Cristo, Deus vem ao encontro do ser humano, n\u00e3o para conden\u00e1-lo, mas para salv\u00e1-lo num sublime di\u00e1logo de amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Sem di\u00e1logo ningu\u00e9m se entende, sem di\u00e1logo n\u00e3o h\u00e1 solu\u00e7\u00e3o para nenhum problema humano. Sem saber dialogar uns com os outros, n\u00e3o se \u00e9 capaz de dialogar com o grande Outro: Deus. E nessa incapacidade de dialogar, surge a viol\u00eancia como op\u00e7\u00e3o, uma op\u00e7\u00e3o que n\u00e3o \u00e9 solu\u00e7\u00e3o para nada, ao contr\u00e1rio do di\u00e1logo. \u00c9 destrui\u00e7\u00e3o da qual pedimos: Deus nos livre!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Pedro Carlos Cipollini Bispo de Santo Andr\u00e9\u00a0 &nbsp; Esta pergunta ouvimos frequentemente ao constatar a dificuldade crescente que as pessoas t\u00eam para conviverem pacificamente. Viver na sociedade sempre foi dif\u00edcil, um desafio, por\u00e9m, hoje, a impress\u00e3o que se tem \u00e9 que a conviv\u00eancia pac\u00edfica est\u00e1 se tornando imposs\u00edvel. 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