{"id":34236,"date":"2019-05-17T00:00:00","date_gmt":"2019-05-17T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cultura-da-vida-e-morte-social-construir-e-superar-3\/"},"modified":"2019-05-17T00:00:00","modified_gmt":"2019-05-17T03:00:00","slug":"cultura-da-vida-e-morte-social-construir-e-superar-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cultura-da-vida-e-morte-social-construir-e-superar-3\/","title":{"rendered":"Cultura da Vida e Morte Social: construir e superar (3)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><strong>Dom Luiz Ant\u00f4nio Lopes Ricci<\/strong><br \/>\n<strong>Bispo Auxiliar de Niter\u00f3i<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\">Estamos no Tempo Pascal e no m\u00eas de maio, m\u00eas de Maria, das M\u00e3es e de nossa Co-Padroeira, Nossa Senhora Auxiliadora. P\u00e1scoa e M\u00e3e nos remetem ao tema da vida e estamos, justamente, refletindo sobre a Cultura da Vida e supera\u00e7\u00e3o da Morte Social. Quando falamos em defesa da vida, precisamos pensar em todas as fases da exist\u00eancia temporal, da concep\u00e7\u00e3o \u00e0 morte natural. Por essa raz\u00e3o, \u00e9 importante recordar o ensinamento do Papa Francisco: \u201cA defesa do inocente nascituro deve ser clara, firme e apaixonada, porque neste caso est\u00e1 em jogo a dignidade da vida humana, sempre sagrada. Mas, igualmente sagrada \u00e9 a vida dos pobres, que j\u00e1 nasceram e se debatem na mis\u00e9ria, no abandono, na exclus\u00e3o, no tr\u00e1fico de pessoas, na eutan\u00e1sia encoberta de doentes e idosos privados de cuidados, nas novas formas de escravatura e em todas as formas de descarte\u201d (GE, n.101).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Urge aproximar a bio\u00e9tica das quest\u00f5es emergentes e persistentes, que t\u00eam como ponto de partida as necessidades elementares, prim\u00e1rias e fundamentais do ser humano concreto, em todas as fases e situa\u00e7\u00f5es. Isso implica deslocar o eixo para as quest\u00f5es vitais que podem ceifar vidas precocemente. N\u00e3o se pode deixar \u00e0 margem quest\u00f5es sociais pertinentes e emergentes. O acento da bio\u00e9tica ao campo cl\u00ednico e de fronteira n\u00e3o implica marginalizar ou negligenciar as quest\u00f5es sociais que vulnerabilizam e vitimizam um n\u00famero expressivo da popula\u00e7\u00e3o mundial. Neste ponto, \u00e9 oportuno recordar a proposta integradora de Cristo: \u201cimportava praticar estas coisas sem deixar de lado aquelas\u201d (Lc 11,42).\u00a0 Importa recordar que para n\u00f3s, crist\u00e3os, o bios tem um rosto, \u00e9 personalizado, com forte apelo fenomenol\u00f3gico: \u00e9tica do cuidado (cuida de mim!) e \u00e9tico: responsabilidade moral pela vida confiada (a vida foi confiada a mim!). \u201cA bio\u00e9tica \u00e9 a \u2018voz\u2019, por excel\u00eancia, do cuidado e solicitude de cunho humanista. Esta \u2018voz\u2019, no seu \u2018linguajar\u2019, soa diferentemente em diferentes comunidades. \u00c9 uma mesma l\u00edngua que se vai falando de modo diverso\u201d (Patr\u00e3o Neves). A bio\u00e9tica procura contribuir para a constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade mais equ\u00e2nime, e conforme \u00e0 dignidade humana. Trata-se de ser uma voz dos sem voz, uma express\u00e3o contextual e aplicada, da mesma voz chamada bio\u00e9tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c9 singular \u00e0 nossa reflex\u00e3o a aten\u00e7\u00e3o aos problemas reais e priorit\u00e1rios da popula\u00e7\u00e3o. N\u00e3o se pode esquecer que \u201ca bio\u00e9tica tem o encontro obrigat\u00f3rio com a pobreza, inequidades (desigualdades injustas) e exclus\u00e3o social. Elaborar uma bio\u00e9tica somente no n\u00edvel micro, sem levar em conta essa realidade, n\u00e3o responderia aos anseios por mais vida digna\u201d (Pessini e Barchifontaine).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Portanto, o conceito mistan\u00e1sia precisa ser cravado na bio\u00e9tica como uma voz que n\u00e3o destoa, mas afina a produ\u00e7\u00e3o, em vista de torn\u00e1-la mais concreta e completa. Segundo E. Chiavacci, a \u00e9tica deve resgatar o grave tema da responsabilidade moral indireta.\u00a0 \u201cDos milh\u00f5es de crian\u00e7as mortas, da vida miser\u00e1vel e breve da maior parte da fam\u00edlia humana, n\u00f3s somos respons\u00e1veis, mesmo que em forma indireta, mas perfeitamente conscientes. O assassino direto dos pobres da terra \u00e9 o sistema econ\u00f4mico global\u201d. A reflex\u00e3o de Chiavacci permite situar a mistan\u00e1sia na categoria de \u201cmorte indireta\u201d ao considerar que seria poss\u00edvel evit\u00e1-la, n\u00e3o fosse o abandono e a neglig\u00eancia social e pessoal, visto que era previs\u00edvel e evit\u00e1vel. S\u00e3o omiss\u00f5es mistan\u00e1sicas que precedem a morte antecipada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Pessini, ao comentar o Mapa da Viol\u00eancia, assim se expressa em seu artigo \u201co absurdo desperd\u00edcio de vidas humanas no Brasil\u201d: \u201ceticamente falando, nos assusta perante esse verdadeiro \u2018holocausto silencioso\u2019 a atitude de certo conformismo e at\u00e9 indiferen\u00e7a das elites de nossa sociedade e Governo, perante essas terr\u00edveis estat\u00edsticas de milhares de mortes perfeitamente evit\u00e1veis\u201d. Dentro da categoria de mortes mistan\u00e1sicas, pode-se agrupar as mortes ocorridas por conta da viol\u00eancia, tr\u00e2nsito, corrup\u00e7\u00e3o, desigualdades, injusti\u00e7as, polui\u00e7\u00e3o, desastres preven\u00edveis, depend\u00eancia qu\u00edmica, falta de acesso \u00e0 sa\u00fade, atendimento m\u00e9dico, interna\u00e7\u00e3o etc. S\u00e3o mortes precoces e evit\u00e1veis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Sabe-se que n\u00e3o basta apenas \u2018politizar a bio\u00e9tica\u2019, o que de certo modo j\u00e1 aconteceu. Urge \u201c bioeticalizar a pol\u00edtica\u201d (Saad Hossne) como meio de transforma\u00e7\u00e3o e supera\u00e7\u00e3o das situa\u00e7\u00f5es emergentes, considerando que \u201ca sociedade justa \u00e9 obra da pol\u00edtica\u201d (Bento XVI). Por essa raz\u00e3o, a bio\u00e9tica \u00e9 \u201cmovimento cultural de sensibilidade \u00e9tica de prote\u00e7\u00e3o \u00e0 vida\u201d (L. Pessini), para que todos possam viver e morrer com dignidade. Isso implica lutar por uma realidade que favore\u00e7a o \u201cbem viver\u201d para todos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A Campanha da Fraternidade, que vivenciamos no per\u00edodo quaresmal, \u00e9 uma relevante contribui\u00e7\u00e3o da Igreja no Brasil para a implementa\u00e7\u00e3o de Pol\u00edticas P\u00fablicas, que visam defender a vida, sobretudo a mais necessitada e vulnerada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Com o meu abra\u00e7o fraterno e b\u00ean\u00e7\u00e3o,<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Luiz Ant\u00f4nio Lopes Ricci Bispo Auxiliar de Niter\u00f3i Estamos no Tempo Pascal e no m\u00eas de maio, m\u00eas de Maria, das M\u00e3es e de nossa Co-Padroeira, Nossa Senhora Auxiliadora. P\u00e1scoa e M\u00e3e nos remetem ao tema da vida e estamos, justamente, refletindo sobre a Cultura da Vida e supera\u00e7\u00e3o da Morte Social. 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