{"id":34347,"date":"2019-05-29T00:00:00","date_gmt":"2019-05-29T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/pastoral-carceraria-nacional-e-do-amazonas-lancam-apelo-depois-da-tragedia-dos-presidios\/"},"modified":"2019-05-29T00:00:00","modified_gmt":"2019-05-29T03:00:00","slug":"pastoral-carceraria-nacional-e-do-amazonas-lancam-apelo-depois-da-tragedia-dos-presidios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/pastoral-carceraria-nacional-e-do-amazonas-lancam-apelo-depois-da-tragedia-dos-presidios\/","title":{"rendered":"Nota da Pastoral Carcer\u00e1ria sobre a trag\u00e9dia dos pres\u00eddios"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Segundo informa\u00e7\u00e3o fornecida \u00e0 imprensa nacional pela Secretaria de Administra\u00e7\u00e3o Penitenci\u00e1ria (Seap) de Manaus (AM) quarenta presos foram encontrados mortos nas seguintes unidades prisionais: Instituto Penal Ant\u00f4nio Trindade (Ipat) \u2013 25 mortos; Unidade Prisional do Puraquequara (UPP) \u2013 6 mortos;Centro de Deten\u00e7\u00e3o Porvis\u00f3ria Masculino(CDPM 1) \u2013 5 mortos; e no Compaj \u2013 4 mortos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Nota da Pastoral Carcer\u00e1ria<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Na noite desta ter\u00e7a-feira, 28 de maio, a Pastoral Carcer\u00e1ria Nacional em conjunto com a Pastoral Carcer\u00e1ria do Amazonas publicou uma Nota na ual fala da trag\u00e9dia de Manaus e pede provid\u00eancias das autoridades: &#8220;<em>\u00c9 na dor do luto e na esperan\u00e7a da luta por uma vida libertada do sistema prisional que a Pastoral Carcer\u00e1ria Nacional vem se posicionar frente a mais um massacre fruto do aprisionamento em massa, do descaso com vidas tidas como descart\u00e1veis, da gan\u00e2ncia de empresas privadas e do genoc\u00eddio protagonizado pelo Estado brasileiro<\/em>&#8220;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A Nota traz uma atualiza\u00e7\u00e3o do n\u00famero de mortes, agora 55, e prossegue:&#8221;<em>Essas mortes n\u00e3o acontecem por conta da t\u00e3o alardeada briga de fac\u00e7\u00f5es, narrativa trai\u00e7oeira que despejasobre parcelas da popula\u00e7\u00e3o prisional a responsabilidade por epis\u00f3dios que s\u00e3o as consequ\u00eanciasinevit\u00e1veis de um sistema prisional cuja fun\u00e7\u00e3o principal \u00e9 a produ\u00e7\u00e3o de dor, sofrimento e mortes; e simpela manuten\u00e7\u00e3o da l\u00f3gica de encarceramento em massa e banaliza\u00e7\u00e3o das vidas, de aprisionar e exterminaruma popula\u00e7\u00e3o indesej\u00e1vel, em sua maioria pobre e negra, o que reafirma a responsabilidade inequ\u00edvoca doEstado pela barb\u00e1ri<\/em>e&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Mem\u00f3ria: mortes em 2017<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A Pastoral Carcer\u00e1ria Nacional lembra outra Nota que emitiram em 2017, quando Manaus viveu situa\u00e7\u00e3o semelhante: &#8220;<em>Em nota feita em 2017, quando ao menos 56 presos foram mortos no Compaj, junto a outros 75 em outros pres\u00eddios do Amazonas, Roraima e Rio Grande do Norte , a Pastoral Carcer\u00e1ria j\u00e1 afirmava:&#8217;Se a op\u00e7\u00e3o que alert\u00e1vamos h\u00e1 tempos era pelo desencarceramento ou barb\u00e1rie, o Estado de forma clara e reiterada optou pela barb\u00e1rie&#8217;. Esta se materializa tanto nas viola\u00e7\u00f5es cotidianas e nas mortes naturalizadas pelas estat\u00edsticas, como nos massacres em massa do passado e do presente. Como pontuado na \u00e9poca, &#8216;j\u00e1 n\u00e3o se trata mais de uma crise, mas de um projeto&#8217;<\/em>.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">&#8220;<em>O que acontece em Manaus agora, assim como os massacres de 2017, o Massacre do Carandiru em 1992 e tantos outros, n\u00e3o s\u00e3o uma exce\u00e7\u00e3o do sistema prisional, e sim parte do seu funcionamento. N\u00e3o se trata, portanto, de uma aus\u00eancia do Estado, mas de sua presen\u00e7a, por meio de um gigantesco sistema de encarceramento e controle, que coloca o Brasil na posi\u00e7\u00e3o de 3\u00ba pa\u00eds que mais encarcera no mundo<\/em>&#8220;, afirma a Nota.<\/p>\n<p><strong>Unidades prisionais privatizadas<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A Nota da Pastoral Carcer\u00e1ria denuncia: &#8220;<em>As mortes destes \u00faltimos dias ocorrem em diferentes unidades prisionais privatizadas, todas administradas pela mesma empresa, a Umanizzare. Em relat\u00f3rio divulgado em 2017 o Minist\u00e9rio P\u00fablico do Amazonas revelou que a empresa recebe do Estado R$ 4,7 mil por preso, valor muito acima da m\u00e9dia nacional. E ainda, mesmo com a grande quantidade de mortos nas unidades da Umanizzare em 2017, o Governo do Amazonas, em 2018, prorrogou os contratos com a empresa . Apenas para o Compaj, unidade com maior n\u00famero de mortos, o Estado paga um valor mensal superior a 5 milh\u00f5es de reais<\/em>&#8220;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">&#8220;<em>Em 2014<\/em>&#8220;, lembra a Pastoral Carcer\u00e1ria, &#8220;<em>a empresa utilizou parte do dinheiro recebido para realizar doa\u00e7\u00f5es significativas para campanhas de candidatos ao Governo do Estado e \u00e0 Assembleia Legislativa . Que interesses t\u00eam a Umanizzare em certos mandatos e projetos pautados? Preocupada com o avan\u00e7o da privatiza\u00e7\u00e3o dos pres\u00eddios, a Frente Estadual pelo Desencarceramento de S\u00e3o Paulo pontuou, sobre a rela\u00e7\u00e3o imbricada entre o interesse das empresas em pris\u00f5es e a aprova\u00e7\u00e3o de projetos punitivistas: &#8216;aliados (&#8230;) operam uma l\u00f3gica perversa em que, quanto mais presos houver, mais dinheiro essas empresas recebem, afinal, transforma-se a gest\u00e3o prisional em fonte de lucro e os presos em mercadoria&#8217;. Mesmo com grandes volumes de verbas, as unidades privadas se encontram em condi\u00e7\u00f5es absolutamente degradantes, e em regra s\u00e3o as fam\u00edlias que fornecem itens b\u00e1sicos para garantir a sobreviv\u00eancia das pessoas encarceradas, evidenciando como n\u00e3o h\u00e1 pres\u00eddio &#8211; seja p\u00fablico ou privado, com maior ou menor gasto &#8211; capaz de garantir a vida e a integridade dos seus custodiados<\/em>&#8220;.<\/p>\n<p><strong>Palavra da empresa Umanizzare<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A Nota da Pastoral Carcer\u00e1ria registra ainda que a empresa respons\u00e1vel pelos pres\u00eddios, a Umanizzare, em nota, afirmou que \u201ct<em>rabalha em conjunto com a Secretaria de Estado de Administra\u00e7\u00e3o Penitenci\u00e1ria \u2013 SEAP no apoio necess\u00e1rio \u00e0 retomada da normalidade dentro das unidades<\/em>\u201d. Mas, a Pastoral lembra, no entanto, que &#8220;<em>o Mecanismo Nacional de Preven\u00e7\u00e3o e Combate \u00e0 Tortura realizou uma visita ao Compaj em fevereiro de 2018 e constatou, na normalidade do funcionamento da unidade, que havia racionamento de \u00e1gua, aus\u00eancia de oferta de trabalho, insufici\u00eancia de colch\u00f5es, falta de medica\u00e7\u00e3o, m\u00e1 qualidade dos kits de higiene e irregularidade na entrega, falta de hor\u00e1rio e espa\u00e7o adequados para a realiza\u00e7\u00e3o de visitas \u00edntimas e religiosas com a privacidade e tempo necess\u00e1rios , cen\u00e1rio semelhante ao que se observa no cotidiano em cada pres\u00eddio pelo pa\u00eds, na escurid\u00e3o das celas fora do espet\u00e1culo dos massacres<\/em>&#8220;.<\/p>\n<p><strong>Apelo da Pastoral<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A Nota finaliza: &#8220;<em>Em solidariedade \u00e0s fam\u00edlias de tantas v\u00edtimas do sistema prisional &#8211; as 55 que agora se foram e as mais de 700 mil que lutam cotidianamente para sobreviver em um sistema de produ\u00e7\u00e3o de morte &#8211; a Pastoral Carcer\u00e1ria Nacional, guiada pela miss\u00e3o de Jesus de Nazar\u00e9 de libertar as pessoas privadas de liberdade (cf. Lc 4,18), reafirma seu compromisso com a vida e refor\u00e7a a import\u00e2ncia de uma como\u00e7\u00e3o social ampla frente a mais um caso de genoc\u00eddio promovido pelo Estado brasileiro. Negligenciar essa luta necess\u00e1ria e urgente por um mundo sem pris\u00f5es \u00e9 compactuar com a barb\u00e1rie<\/em>&#8220;.<\/p>\n<p style=\"text-align: right\">(Foto: EBC)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Um massacre fruto do aprisionamento em massa, do descaso com vidas tidas como descart\u00e1veis&#8221;<\/p>\n","protected":false},"author":83,"featured_media":1540,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[841],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/34347"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/83"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=34347"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/34347\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media\/1540"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=34347"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=34347"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=34347"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}