{"id":34476,"date":"2019-06-12T00:00:00","date_gmt":"2019-06-12T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/amor-de-caridade\/"},"modified":"2019-06-12T00:00:00","modified_gmt":"2019-06-12T03:00:00","slug":"amor-de-caridade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/amor-de-caridade\/","title":{"rendered":"Amor de caridade!"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><strong>Dom Alberto Taveira Corr\u00eaa<\/strong><br \/>\n<strong>Arcebispo de Bel\u00e9m do Par\u00e1<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\">Celebramos a Festa do Amor eterno de Deus, Pai e Filho e Esp\u00edrito Santo, o ser mais \u00edntimo de Deus, que \u00e9 Comunh\u00e3o, que \u00e9 amor! E professamos solenemente a nossa f\u00e9 no Deus uno e Trino. Desta f\u00e9 nasce toda a vida da Igreja e a novidade absoluta que ela pode oferecer a todos os tempos. Na f\u00e9 se estabelece o nosso conhecimento de Deus, misterioso no sentido de que quanto mais conhecemos, mais temos a conhecer. Dele nos aproximamos com a vida e com o cora\u00e7\u00e3o, sabendo que as raz\u00f5es da f\u00e9 s\u00e3o conhecidas progressivamente, como presente do pr\u00f3prio Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0Hoje somos ajudados por Bento XVI. \u201cNingu\u00e9m jamais viu a Deus tal como ele \u00e9 em si mesmo. E, contudo, Deus n\u00e3o nos \u00e9 totalmente invis\u00edvel, n\u00e3o se deixou ficar pura e simplesmente inacess\u00edvel a n\u00f3s. Deus amou-nos primeiro \u2014 diz a Carta de Jo\u00e3o (Cf. 4, 10) \u2014 e este amor de Deus apareceu no meio de n\u00f3s, fez-se vis\u00edvel quando Ele \u2018enviou o seu Filho unig\u00eanito ao mundo, para que, por Ele, n\u00f3s vivamos\u2019 (1 Jo 4, 9). Deus se fez vis\u00edvel: em Jesus, podemos ver o Pai (Cf. Jo 14, 9). Na hist\u00f3ria de amor que a B\u00edblia nos narra, ele vem ao nosso encontro, procura conquistar-nos \u2014 at\u00e9 \u00e0 \u00daltima Ceia, at\u00e9 ao Cora\u00e7\u00e3o trespassado na cruz, at\u00e9 \u00e0s apari\u00e7\u00f5es do Ressuscitado e \u00e0s grandes obras pelas quais ele, atrav\u00e9s da a\u00e7\u00e3o dos Ap\u00f3stolos, guiou o caminho da Igreja nascente. Tamb\u00e9m na sucessiva hist\u00f3ria da Igreja, o Senhor n\u00e3o esteve ausente: incessantemente vem ao nosso encontro, atrav\u00e9s de homens nos quais ele se revela; atrav\u00e9s da sua Palavra, nos Sacramentos, especialmente na Eucaristia. Na liturgia da Igreja, na sua ora\u00e7\u00e3o, na comunidade viva dos que creem, n\u00f3s experimentamos o amor de Deus, sentimos a sua presen\u00e7a e aprendemos deste modo tamb\u00e9m a reconhec\u00ea-la na nossa vida quotidiana. Ele nos amou por primeiro, e continua a ser o primeiro a amar-nos; por isso, tamb\u00e9m n\u00f3s podemos responder com o amor. Deus n\u00e3o nos ordena um sentimento que n\u00e3o possamos suscitar em n\u00f3s mesmos. Ele nos ama, faz-nos ver e experimentar o seu amor, e dando ele o primeiro passo, pode, como resposta, despontar tamb\u00e9m em n\u00f3s o amor\u201d (Cf. Enc\u00edclica \u201cDeus Caritas est\u201d, de Bento XVI, 17).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Providencialmente, nestes dias o amor humano de homem e mulher \u00e9 colocado em relevo, justamente nas v\u00e9speras da Sant\u00edssima Trindade. Entre n\u00f3s, o dia dos namorados e a festa de Santo Ant\u00f4nio, chamado \u201ccasamenteiro\u201d oferece a oportunidade para lan\u00e7ar sobre esta realidade humana t\u00e3o importante o facho de luz que vem do alto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Para surpresa de muitos, Bento XVI incluiu em sua Enc\u00edclica \u201cDeus caritas est\u201d justamente duas palavras, a primeira delas muito provocante, para ajudar-nos a entender o amor de Deus que foi derramado sobre n\u00f3s: \u201cAo amor entre homem e mulher, que n\u00e3o nasce da intelig\u00eancia e da vontade, mas de certa forma imp\u00f5e-se ao ser humano, a Gr\u00e9cia antiga deu o nome de \u201c\u00e9ros\u201d. Das tr\u00eas palavras gregas relacionadas com o amor \u2014 \u00e9ros, \u201cphilia\u201d (amor de amizade) e \u201cagape\u201d \u2014 os escritos neo-testament\u00e1rios privilegiam a \u00faltima. Quanto ao amor de amizade, este \u00e9 retomado com um significado mais profundo no Evangelho de S\u00e3o Jo\u00e3o para exprimir a rela\u00e7\u00e3o entre Jesus e os seus disc\u00edpulos. Uma nova vis\u00e3o do amor se exprime atrav\u00e9s da palavra<em> \u201c<\/em>agape\u201d, novidade do cristianismo, algo de essencial e pr\u00f3prio relativamente \u00e0 compreens\u00e3o do amor (Cf. Deus Caritas est, 3). Vale a pena recolher, para iluminar o amor humano, os ensinamentos de Bento XVI.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Deus tem pela humanidade um amor apaixonado, que a Enc\u00edclica chama de \u201co \u00e9ros de Deus pelo homem\u201d (Cf. Deus Caritas est, 10-11). \u00a0E este amor, que \u00e9 desejo de realiza\u00e7\u00e3o e felicidade, \u00e9 ao mesmo tempo totalmente amor \u201cagape\u201d, totalmente gratuito, tamb\u00e9m porque \u00e9 amor que perdoa. Sobretudo o profeta Os\u00e9ias mostra a dimens\u00e3o da agape no amor de Deus pelo homem, que supera largamente o aspecto da gratuidade. Israel cometeu \u201cadult\u00e9rio\u201d, rompeu a Alian\u00e7a, e Deus deveria julg\u00e1-lo e repudi\u00e1-lo, mas sua rea\u00e7\u00e3o \u00e9 diferente: \u201cComo te abandonarei, \u00f3 Efraim? Como poderia entregar-te, \u00f3 Israel? O meu cora\u00e7\u00e3o d\u00e1 voltas dentro de mim, comove-se a minha compaix\u00e3o. N\u00e3o desafogarei o furor da minha c\u00f3lera, n\u00e3o destruirei Efraim; porque sou Deus e n\u00e3o um homem, sou Santo no meio de ti\u201d (Os 11, 8-9). O amor apaixonado de Deus pelo seu povo \u2014 pelo homem \u2014 \u00e9 ao mesmo tempo um amor que perdoa. E \u00e9 t\u00e3o grande, que chega a virar Deus contra si pr\u00f3prio, o seu amor contra a sua justi\u00e7a. Nisto, o crist\u00e3o v\u00ea j\u00e1 esbo\u00e7ar-se veladamente o mist\u00e9rio da Cruz: Deus ama tanto o homem que, tendo-se feito ele pr\u00f3prio homem, segue-o at\u00e9 \u00e0 morte e, deste modo, reconcilia justi\u00e7a e amor. O amor que Deus tem \u00e9, ao mesmo tempo, um amante com toda a paix\u00e3o de um verdadeiro amor. Deste modo, o \u201c\u00e9ros\u201d \u00e9 enobrecido ao m\u00e1ximo e purificado, para se fundir com o amor \u201cagape\u201d, doa\u00e7\u00e3o de vida!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Recordando a cria\u00e7\u00e3o do homem e da mulher, Ad\u00e3o anda \u00e0 procura e \u201cdeixa o pai e a m\u00e3e\u201d para encontrar Eva, a mulher, com a qual se torna uma s\u00f3 carne. No plano de Deus, o \u201c\u00e9ros\u201d impele o homem ao matrim\u00f4nio, a uma liga\u00e7\u00e3o \u00fanica e para sempre Deste modo, e somente assim, \u00e9 que se realiza a sua finalidade \u00edntima. \u00c0 f\u00e9 no Deus \u00fanico corresponde o matrim\u00f4nio de um homem com uma mulher, baseado num amor exclusivo e definitivo, sinal do relacionamento de Deus com o seu povo. E, vice-versa, o modo de Deus amar torna-se a medida do amor humano. Com ousadia, propomos a quem vive o matrim\u00f4nio ou a ele se volta como voca\u00e7\u00e3o pessoal, que abra seu cora\u00e7\u00e3o a esta provocante proposta, para n\u00e3o permanecer nas ideias correntes, que reduzem apenas a uma certa \u201cqu\u00edmica\u201d a vida humana. O projeto \u00e9 preencher com o amor de caridade o cora\u00e7\u00e3o e a vida de nossas fam\u00edlias presentes ou futuras! Provoca\u00e7\u00e3o positiva!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Alberto Taveira Corr\u00eaa Arcebispo de Bel\u00e9m do Par\u00e1 Celebramos a Festa do Amor eterno de Deus, Pai e Filho e Esp\u00edrito Santo, o ser mais \u00edntimo de Deus, que \u00e9 Comunh\u00e3o, que \u00e9 amor! E professamos solenemente a nossa f\u00e9 no Deus uno e Trino. 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