{"id":34510,"date":"2019-06-17T00:00:00","date_gmt":"2019-06-17T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/santissima-trindade-5\/"},"modified":"2019-06-17T00:00:00","modified_gmt":"2019-06-17T03:00:00","slug":"santissima-trindade-5","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/santissima-trindade-5\/","title":{"rendered":"Sant\u00edssima Trindade"},"content":{"rendered":"<p><strong>Cardeal Orani Jo\u00e3o Tempesta<br \/>\nArcebispo Metropolitano de S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Rio de Janeiro (RJ)<\/strong><\/p>\n<p>Deus, na plenitude dos tempos, revelou-se aos homens na pessoa de seu Filho Jesus, elevando assim a compreens\u00e3o humana do pr\u00f3prio Deus e dos seus des\u00edgnios para com a humanidade. E, o des\u00edgnio de Deus \u00e9 que o homem sacie sua sede na Fonte que jorra \u00e1gua viva, onde toda limita\u00e7\u00e3o \u00e9 dissipada pelo infinito amor do Pai que, presenteia a humanidade com a doa\u00e7\u00e3o de seu Filho na a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito. Deus chama o homem para viver a sua vida. No evento Pascal, Deus se revela Trindade. O Mist\u00e9rio Pascal \u00e9 a revela\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica concreta de Deus \u2013 Amor &#8211; Trindade. Porque Deus \u00e9 Trindade, cria e destina o homem a participar da comunh\u00e3o divina.<\/p>\n<p>O Novo Testamento aceita sem discuss\u00e3o a revela\u00e7\u00e3o do monote\u00edsmo. \u201cO Senhor nosso Deus \u00e9 um s\u00f3 (cf. Mc 12,29), \u2018O Deus \u00fanico e verdadeiro\u2019 (cf. Jo 17,3). Deus \u00e9 um s\u00f3 (cf. Gl 3,20); h\u00e1 um s\u00f3 Deus (cf. Ef 4,6; 1Tm 2,5) (LADARIA, 1998).<\/p>\n<p>\u00c9 a partir de Jesus Cristo que se tem a revela\u00e7\u00e3o do mist\u00e9rio trinit\u00e1rio mais explicitado. Jesus Cristo \u00e9, com efeito, o revelador do mist\u00e9rio da Sant\u00edssima Trindade em Deus. Ele \u00e9 o verdadeiro autor de uma teologia trinit\u00e1ria. Jamais devemos esquecer que o principal fundamento da teologia \u00e9 a Palavra de Deus e, que esta alcan\u00e7a seu acabamento no Senhor Jesus como Mediador e plenitude de toda a Revela\u00e7\u00e3o (cf. Hb 1,1-4). (LADARIA, 1998).<\/p>\n<p>Deus, Pai, \u00e9 a fonte, a origem sem princ\u00edpio. \u00c9 aquele que assegura a unidade da Trindade sendo a \u00fanica fonte da divindade. Seu ser est\u00e1 empenhado e se esgota na gera\u00e7\u00e3o do Filho, uma vez que Deus faz habitar nele toda a plenitude de sua divindade. Tamb\u00e9m Cristo s\u00f3 existe nessa gera\u00e7\u00e3o. A paternidade de um \u00e9 absoluta, e a filia\u00e7\u00e3o do outro, \u00e9 total (DURRWELL, 1990).<\/p>\n<p>Deus gera pelo Esp\u00edrito, que \u00e9 amor. Ele \u00e9 Pai pelo amor que tem ao Filho. Sua paternidade \u00e9 mist\u00e9rio insond\u00e1vel: Ele, em seu infinito amor, gera o Filho por toda a eternidade e, a rela\u00e7\u00e3o de amor do Pai para com o Filho, e, do Filho para com o Pai, expira o Esp\u00edrito Santo que, \u00e9 igual ao Pai e ao Filho em divindade. Eles s\u00e3o de uma \u00fanica subst\u00e2ncia ou ess\u00eancia, n\u00e3o h\u00e1 contradi\u00e7\u00e3o entre Eles, o que um \u00e9, os outros tamb\u00e9m s\u00e3o, \u00e9 uma profunda rela\u00e7\u00e3o de amor e unidade (DURRWELL, 1990).<\/p>\n<p>A gera\u00e7\u00e3o do Filho, que \u00e9 a origem da cria\u00e7\u00e3o, \u00e9 tamb\u00e9m seu futuro: \u201ctudo foi criado na dire\u00e7\u00e3o dele\u201d (cf. Cl 1,16). A atividade do Pai tem por termo sempre o Filho; portanto, Deus cria o mundo encaminhando-o na dire\u00e7\u00e3o de Cristo. O mundo nasce num movimento que o leva na dire\u00e7\u00e3o do Filho em seu eterno nascimento. Em seu eterno nascimento, Cristo \u00e9 o alfa e o \u00f4mega da cria\u00e7\u00e3o (cf. Ap 21,6); o alfa do qual surgem as criaturas, e o \u00f4mega que as chama e plenifica. \u00c9 assim que, em sua vida terrestre, o pr\u00f3prio Jesus partia de seu eterno nascimento filial e ia \u00e0 dire\u00e7\u00e3o dele (LADARIA, 1998).<\/p>\n<p>Jesus \u00e9 o Filho que sai do Pai (cf. Jo 13,3). Sua vinda a este mundo \u00e9 um prolongamento de sua eterna sa\u00edda. Em sua glorifica\u00e7\u00e3o junto do Pai (cf. Jo 17,5), ele est\u00e1 assentado \u00e0 direita do Pai (cf. Mt 26,64), plenamente assumido na condi\u00e7\u00e3o divina como Verbo eterno: \u201c<em>Verbo de Deus<\/em>\u201d \u00e9 seu nome (cf. Ap 19,13). Em seu mist\u00e9rio de morte e gl\u00f3ria, ele revela sua identidade de Filho eterno que nasce de Deus no Esp\u00edrito Santo. O Pai gera o Filho no Esp\u00edrito que \u00e9 amor. Ele o gera amando-o. E, \u00e9 no mesmo amor que o Filho desempenha sua miss\u00e3o: mediador da gra\u00e7a filial (LADARIA, 1998).<\/p>\n<p>Mediador da gra\u00e7a filial, Jesus \u00e9 a porta pela qual Deus convida os homens a entrar, a fim de tomarem parte no banquete trinit\u00e1rio. E, o t\u00edtulo de Filho (de Deus), mais do que qualquer outro, indica a identidade \u00faltima de Jesus, j\u00e1 que ele sup\u00f5e em evid\u00eancia a unicidade de sua rela\u00e7\u00e3o com o Pai. Existe uma \u00edntima conex\u00e3o entre a rela\u00e7\u00e3o de Jesus com Deus (Pai), e sua condi\u00e7\u00e3o de salvador dos homens e mediador da gra\u00e7a filial. A atividade do Filho \u00e9 a que o Pai lhe confia para exercer; a reconcilia\u00e7\u00e3o \u00e9, em primeiro lugar, obra do Pai. Sendo Deus o Pai essencial, seu papel, na reden\u00e7\u00e3o como em todas as suas obras no mundo, \u00e9 o de gerar o Filho (LADARIA, 1998).<\/p>\n<p>O mist\u00e9rio da salva\u00e7\u00e3o se recobre com o da encarna\u00e7\u00e3o. Mediante sua vida e sua morte, Jesus se deixa gerar pelo Pai. Com efeito, como o papel de Deus \u00e9 o de ser Pai, o de Jesus \u00e9 o de ser Filho. O drama da salva\u00e7\u00e3o se joga na rela\u00e7\u00e3o m\u00fatua entre o Pai e o homem Jesus, Filho de Deus. Sendo paterna e filial, a obra da reden\u00e7\u00e3o \u00e9 cheia do Esp\u00edrito Santo (LADARIA, 1998).<\/p>\n<p>O mist\u00e9rio do Pai, do Filho e do Esp\u00edrito Santo se interioriza no mundo, para lev\u00e1-lo \u00e0 sua eterna realiza\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, sua salva\u00e7\u00e3o. Em seu amor aos homens, Deus entrega seu Filho, gerando-o neste mundo. Deus n\u00e3o podia agir de outro modo. Seu ser se identifica com sua paternidade, e toda sua atividade se empenha na gera\u00e7\u00e3o do Filho (LADARIA, 1998).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cardeal Orani Jo\u00e3o Tempesta Arcebispo Metropolitano de S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Rio de Janeiro (RJ) Deus, na plenitude dos tempos, revelou-se aos homens na pessoa de seu Filho Jesus, elevando assim a compreens\u00e3o humana do pr\u00f3prio Deus e dos seus des\u00edgnios para com a humanidade. 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