{"id":34718,"date":"2019-07-15T00:00:00","date_gmt":"2019-07-15T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/hospitalidade-e-acolhimento\/"},"modified":"2019-07-15T00:00:00","modified_gmt":"2019-07-15T03:00:00","slug":"hospitalidade-e-acolhimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/hospitalidade-e-acolhimento\/","title":{"rendered":"Hospitalidade e Acolhimento"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><strong>Dom Manoel Jo\u00e3o Francisco<\/strong><br \/>\n<strong>Bispo de Corn\u00e9lio Proc\u00f3pio (PR)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\">As leituras b\u00edblicas, que ser\u00e3o feitas nas celebra\u00e7\u00f5es do pr\u00f3ximo domingo, convidam-nos a refletir sobre a hospitalidade e o acolhimento. Sem d\u00favida, no mundo segregador e violento em que vivemos, esta reflex\u00e3o vem a prop\u00f3sito.<\/p>\n<p>S\u00e3o milhares de migrantes e refugiados que, fugindo da mis\u00e9ria, da viol\u00eancia e persegui\u00e7\u00e3o, tentam chegar \u00e0 Europa. Com as medidas restritivas impostas pelo Presidente Trump, vive-se uma verdadeira crise humanit\u00e1ria na fronteira entre os EUA e M\u00e9xico.<\/p>\n<p>Dados pesquisados pelo Alto Comissariado das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os Refugiados (ACNUR), em 2018, setenta milh\u00f5es de pessoas foram for\u00e7adas a se deslocarem de seus lares, inclusive dentro de seu pr\u00f3prio pa\u00eds. Isto equivale a dizer que, a cada minuto, trinta e uma pessoas s\u00e3o for\u00e7adas a se deslocar no mundo. Em tudo isso, o que mais estarrece \u00e9 que, desses migrantes e refugiados mais da metade (52%) s\u00e3o crian\u00e7as. Alerta ainda o ACNUR que 173.800 dessas crian\u00e7as migraram desacompanhadas, tornando-se muito mais vulner\u00e1veis \u00e0 explora\u00e7\u00e3o e ao abuso.<br \/>\nEngana-se quem pensa que todos esses migrantes e refugiados s\u00e3o provenientes de pa\u00edses que vivem em guerra, como \u00e9 o caso da S\u00edria. N\u00e3o. Eles tamb\u00e9m v\u00eam de pa\u00edses que passam por graves situa\u00e7\u00f5es sociais, pol\u00edticas e econ\u00f4micas como \u00e9 o caso da Venezuela. Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o dos Estados Americanos (OEA), at\u00e9 o final deste ano, a Venezuela contar\u00e1 com mais de cinco milh\u00f5es de seus cidad\u00e3os refugiados em outros pa\u00edses.<br \/>\nDiante de tanta hostilidade, o ant\u00eddoto s\u00f3 pode ser a hospitalidade que para o povo da B\u00edblia, entre os deveres, era um dos mais sagrados.<\/p>\n<p>Neste sentido, o Papa Francisco tem sido incans\u00e1vel. Logo nos primeiros meses de seu pontificado, diante das not\u00edcias de naufr\u00e1gios de v\u00e1rios navios e da morte de milhares de imigrantes no mar Mediterr\u00e2neo, viajou at\u00e9 Lampedusa para, como ele mesmo falou: \u201cRezar, cumprir um gesto de solidariedade, mas tamb\u00e9m, para despertar as nossas consci\u00eancias a fim de que n\u00e3o se repita o que aconteceu\u201d. Tr\u00eas anos depois, em 2016, aos milhares de refugiados na ilha de Lesbos, na Gr\u00e9cia, diz que sua visita, al\u00e9m da solidariedade, queria tamb\u00e9m chamar a aten\u00e7\u00e3o do mundo para a grave crise humanit\u00e1ria que eles, os refugiados, estavam vivendo. Aos moradores em situa\u00e7\u00e3o de rua da cidade d e Roma mandou construir banheiros, instalar lavanderias, contratar cabeleireiros, montar um centro m\u00e9dico e um ponto de distribui\u00e7\u00e3o de artigos de primeira necessidade, para que, mesmo continuando a morar na rua, tivessem o m\u00ednimo de dignidade.<\/p>\n<p>Estes gestos, sem d\u00favida, prof\u00e9ticos, ganham maior brilho se os iluminarmos com suas palavras como as que pronunciou em Assun\u00e7\u00e3o, no dia 12\/07\/2016, quando de sua visita ao Paraguai.<\/p>\n<p>\u201cA Igreja \u00e9 uma m\u00e3e de cora\u00e7\u00e3o aberto que sabe acolher, receber, especialmente a quem precisa de maior cuidado, que est\u00e1 em maior dificuldade. A Igreja \u00e9 a casa da hospitalidade. Quanto bem se pode fazer, se nos animarmos a aprender a linguagem da hospitalidade, do acolher! Quantas feridas, quanto desespero se pode curar numa casa onde algu\u00e9m se sente bem-vindo! Para isso \u00e9 necess\u00e1rio que a porta esteja aberta, tamb\u00e9m a porta do cora\u00e7\u00e3o, a fim de praticar hospitalidade com o faminto, o sedento, o forasteiro, o nu, o enfermo, o encarcerado (cf. Mt 25, 34-37), o leproso, o paral\u00edtico. Hospitalidade com aquele que n\u00e3o pensa como n\u00f3s, com a pessoa que n\u00e3o t\u00eam f\u00e9 ou a perdeu. Hospitalidade com o perseguido, o desempregado. Hospitalidade com as culturas diferentes. Hospitalidade com o pecador. (&#8230;). Como \u00e9 belo imaginar as nossas par\u00f3quias, comunidades, capelas, lugares onde est\u00e3o os crist\u00e3os como verdadeiros centros de encontro tanto entre n\u00f3s como com Deus\u201d.<\/p>\n<p>\u201cHospitalidade \u00e9 uma palavra-chave, uma palavra central na espiritualidade crist\u00e3, na experi\u00eancia do discipulado. Poder\u00edamos dizer que s\u00f3 \u00e9 crist\u00e3o aquele que aprendeu a hospedar, a alojar\u201d.<\/p>\n<p>Tenhamos o cora\u00e7\u00e3o aberto a essas palavras do Papa. Elas fazem eco \u00e0quelas do Evangelho: \u201cFui forasteiro, e me recebestes em casa&#8230;. Ent\u00e3o os justos lhe perguntar\u00e3o: &#8230; Quando foi que te vimos como forasteiro e te recebemos em casa?&#8230; Ent\u00e3o o Rei lhes responder\u00e1: Em verdade vos digo, todas as vezes que fizestes isso a um desses mais pequenos, que s\u00e3o meus irm\u00e3os, foi a mim que o fizestes!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Manoel Jo\u00e3o Francisco Bispo de Corn\u00e9lio Proc\u00f3pio (PR) As leituras b\u00edblicas, que ser\u00e3o feitas nas celebra\u00e7\u00f5es do pr\u00f3ximo domingo, convidam-nos a refletir sobre a hospitalidade e o acolhimento. Sem d\u00favida, no mundo segregador e violento em que vivemos, esta reflex\u00e3o vem a prop\u00f3sito. 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