{"id":34757,"date":"2019-07-23T00:00:00","date_gmt":"2019-07-23T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/a-casa-simbolo-eclesial\/"},"modified":"2019-07-23T00:00:00","modified_gmt":"2019-07-23T03:00:00","slug":"a-casa-simbolo-eclesial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/a-casa-simbolo-eclesial\/","title":{"rendered":"A casa, s\u00edmbolo eclesial"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><strong>Dom Adelar Baruffi<\/strong><br \/>\n<strong>Bispo Diocesano de Cruz Alta<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A casa \u00e9 um lugar seguro, de refer\u00eancia no meio do anonimato e da sensa\u00e7\u00e3o de orfandade na sociedade p\u00f3s-moderna. A tend\u00eancia atual na organiza\u00e7\u00e3o social \u00e9 uma vis\u00e3o individualista da vida, com dificuldades de estabelecer v\u00ednculos, rela\u00e7\u00f5es, at\u00e9 mesmo com as figuras mais pr\u00f3ximas na fam\u00edlia. A cultura urbana favorece o anonimato, o isolamento. Por\u00e9m, permanece no ser humano o desejo de pertencimento, do v\u00ednculo, de ra\u00edzes familiares, do acolhimento, de sentir-se amado, de ser chamado pelo nome e de ter um espa\u00e7o para compartilhar a hist\u00f3ria pessoal sem sofrer <em>bulling<\/em>. Humanamente precisamos deste espa\u00e7o que, por suas caracter\u00edsticas, torna-se um lar, lugar de vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A casa \u00e9, tamb\u00e9m, um s\u00edmbolo eclesial. Ela recorda-nos, a partir das <em>Diretrizes Gerais da A\u00e7\u00e3o Evangelizadora da Igreja no Brasil<\/em> (2019-2023), que \u00e9 um espa\u00e7o privilegiado para viver as rela\u00e7\u00f5es fraternas que a f\u00e9 crist\u00e3 prop\u00f5e. A grande inspira\u00e7\u00e3o vem da Sagrada Escritura, quando os primeiros crist\u00e3os, como Paulo, organizaram comunidades a partir das casas. Paulo fala da comunidade que se re\u00fane na casa de Priscila e \u00c1quila (1Cor 16,19), dentre tantas outras. Aquele que \u00e9 batizado estabelece um v\u00ednculo indissol\u00favel com Jesus Cristo e, nele, com os outros irm\u00e3os e irm\u00e3s. Portanto, teoricamente, o crist\u00e3o tem em sua ess\u00eancia o viver em comunh\u00e3o, basear sua vida em rela\u00e7\u00f5es que t\u00eam a marca da caridade. Um estilo de vida eclesial assim, tem como caracter\u00edstica a vida simples, onde o acento se encontra nas rela\u00e7\u00f5es fraternas e na Palavra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Este modo de viver a f\u00e9 tem ajudado os primeiros crist\u00e3os a vencerem as divis\u00f5es sociais. As comunidades das casas reuniam tanto os pobres como pessoas com maior condi\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica. Estabeleciam rela\u00e7\u00f5es que iam al\u00e9m da pr\u00f3pria fam\u00edlia. A viv\u00eancia que se estabelece \u00e9 sinal da comunh\u00e3o trinit\u00e1ria do Pai e do Filho e do Esp\u00edrito Santo. Portanto, ela supera a amizade humana e tamb\u00e9m os la\u00e7os familiares, sendo \u201cum solo sagrado\u201d, imagem de Deus comunh\u00e3o e miss\u00e3o. Afirmou Francisco: \u201cCriar \u2018um lar\u2019, em suma, \u00e9 criar uma fam\u00edlia; \u00e9 aprender a se sentir unidos aos outros mais al\u00e9m dos v\u00ednculos utilit\u00e1rios ou funcionais, unidos de tal maneira que sintamos a vida um pouco mais humana\u201d (ChV, n. 217).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A casa dos crist\u00e3os ser\u00e1 sempre aberta, voltada para fora, em miss\u00e3o. Suas portas se abrem para entrar e sair. Acolhem os que chegam, mesmo quem n\u00e3o cumpre todas as regras doutrinais. Mas tamb\u00e9m est\u00e3o abertas para ir em miss\u00e3o, anunciar Jesus Cristo e seu Evangelho, como vemos o envio de Paulo e Barnab\u00e9, pela comunidade de Antioquia (cf. At 13,1-3). Com certeza, a Igreja das casas \u00e9 mais pr\u00f3xima das pessoas, menos clerical e valoriza mais os minist\u00e9rios leigos. \u201cCasa \u00e9 aqui a imagem de maior proximidade \u00e0s pessoas, o lugar onde vivem, mesmo aquelas que s\u00f3 t\u00eam a rua como casa. Ela indica a proximidade relacional entre as pessoas que ali convivem. Indica igualmente a necessidade da Igreja se fazer cada vez mais presente nos locais onde as pessoas est\u00e3o, seja onde for\u201d (DGAE, n. 6).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Por\u00e9m, este novo estilo de viver a f\u00e9 exige uma grande mudan\u00e7a de mentalidade de todos n\u00f3s, batizados. Apostar, de verdade, na for\u00e7a evangelizadora e humanizadora dos grupos de reflex\u00e3o, onde acontece a vida, com seus gestos simples e cotidianos. Temos o grande desafio de acolher, n\u00e3o julgar, evitar fofocas e ter paci\u00eancia consigo mesmo e com os outros. Apostamos neste caminho e apoiamos sua concretiza\u00e7\u00e3o em nossa Diocese.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Adelar Baruffi Bispo Diocesano de Cruz Alta A casa \u00e9 um lugar seguro, de refer\u00eancia no meio do anonimato e da sensa\u00e7\u00e3o de orfandade na sociedade p\u00f3s-moderna. 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