{"id":34913,"date":"2019-08-11T00:00:00","date_gmt":"2019-08-11T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/esperamos-confiantes-no-senhor\/"},"modified":"2019-08-11T00:00:00","modified_gmt":"2019-08-11T03:00:00","slug":"esperamos-confiantes-no-senhor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/esperamos-confiantes-no-senhor\/","title":{"rendered":"Esperamos confiantes no Senhor"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><strong>Cardeal Orani Jo\u00e3o Tempesta<br \/>\n<\/strong><strong>Arcebispo do Rio de Janeiro<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c9 com muita alegria que neste domingo, 19\u00ba Domingo do tempo Comum, dia do Senhor, comemoramos o dia dos pais. Dentro deste m\u00eas vocacional, rezamos nesta semana pela voca\u00e7\u00e3o familiar, fazendo uma sauda\u00e7\u00e3o especial a todos os pais, que assumem a paternidade e est\u00e3o junto com suas esposas formando fam\u00edlias crist\u00e3s, abra\u00e7ando esta responsabilidade de passar aos filhos a f\u00e9, os valores b\u00e1sicos da vida em sociedade, ajuda-los no crescimento pessoal,\u00a0 espiritual, material, cultural, quem os preparem para viver cada vez mais sua vida de bons crist\u00e3os, bons seres humanos que possam fazer a diferen\u00e7a ali onde se encontrem. Rezamos tamb\u00e9m por todos os pais falecidos, para que estejam junto do Pai Eterno cuidado de n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Rezando pela fam\u00edlia e pela voca\u00e7\u00e3o matrimonial neste segundo domingo do m\u00eas vocacional, consideramos o aspecto natural da rela\u00e7\u00e3o e atra\u00e7\u00e3o homem e mulher em sua complementariedade, mas consideramos tamb\u00e9m o aspecto da voca\u00e7\u00e3o, chamados por Deus a ser fam\u00edlia e continuadores da obra da cria\u00e7\u00e3o, a estar com Cristo no centro da vida familiar, sendo esta realidade o que d\u00e1 sentido \u00e0 vida do marido, da esposa e dos filhos, \u00e0 semelhan\u00e7a da Sagrada Fam\u00edlia de Nazar\u00e9 que tema\u00a0 centralidade de Cristo como seu fundamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Iniciamos hoje a Semana Nacional da Fam\u00edlia que vai do dia 11 ao dia 17 e tem como tema <em>A fam\u00edlia, como vai?<\/em> Esperamos que em nossa arquidiocese, par\u00f3quias e comunidades possam refletir, aprofundar e fortalecer os la\u00e7os familiares daqueles que caminham em fam\u00edlia, na comunidade crist\u00e3, sendo ao mesmo tempo um sinal para fora das comunidades. A voca\u00e7\u00e3o familiar que celebramos neste segundo domingo de agosto deve nos levar a expressar para fora a import\u00e2ncia da fam\u00edlia bem constitu\u00edda, da fam\u00edlia que sabe aceitar-se mutuamente, que sabe levar as cruzes e resolver em conjunto os problemas, que sabe perdoar-se, conviver, crescer cada vez mais na f\u00e9. Numa realidade em que os valores fundamentais v\u00e3o sendo perdidos, sabemos que s\u00e3o necess\u00e1rios testemunhos que nos incentivem a valorizar a import\u00e2ncia da fam\u00edlia e que as pessoas possam ver que mesmo com as dificuldades que adv\u00e9m das circunst\u00e2ncias do dia a dia, a viv\u00eancia da f\u00e9 faz a diferen\u00e7a. Em meio a tantas propagandas contr\u00e1rias \u00e0 perman\u00eancia e perseveran\u00e7a da vida de fam\u00edlia, que os bons sinais sejam cada vez mais presentes e eficazes. Que esta pergunta: <em>A fam\u00edlia, como vai?<\/em> N\u00e3o nos fa\u00e7a olhar somente para as realidades familiares, mas tamb\u00e9m para cada um de n\u00f3s, para que encontremos caminho eficazes de repropor a import\u00e2ncia da voca\u00e7\u00e3o familiar em nossos dias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A Palavra de Deus que nos \u00e9 dirigida neste final de semana, 19\u00ba Domingo do Tempo comum, vem dando sequ\u00eancia ao que temos ouvido nos domingos anteriores: de um lado nos lembra a import\u00e2ncia da vigil\u00e2ncia e da f\u00e9: o verdadeiro disc\u00edpulo n\u00e3o vive de bra\u00e7os cruzados, numa exist\u00eancia de comodismo, mas est\u00e1 sempre atento e dispon\u00edvel para acolher o Senhor, para escutar os seus apelos e para construir o Reino aqui e agora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O Evangelho (Lc 12, 32-48) vem nos apresentar o qu\u00e3o importante \u00e9 a atitude e vigil\u00e2ncia para a vida de todo crist\u00e3o, mas tamb\u00e9m de todos os seres humanos. Apresenta uma catequese sobre a vigil\u00e2ncia. Prop\u00f5e aos disc\u00edpulos de todas as \u00e9pocas uma atitude de espera serena e atenta do Senhor, que vem ao nosso encontro para nos libertar e para nos inserir numa din\u00e2mica de comunh\u00e3o com Deus. O verdadeiro disc\u00edpulo \u00e9 aquele que est\u00e1 sempre preparado para acolher os dons de Deus, para responder aos seus apelos e para se empenhar na constru\u00e7\u00e3o do Reino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0Ele tem seu in\u00edcio lembrado a necessidade e a conveni\u00eancia de uma vida livre de apegos a bens temporais: \u201c<em>&#8216;N\u00e3o tenhais medo, pequenino rebanho, pois foi do agrado do Pai dar a v\u00f3s o Reino. Vendei vossos bens e dai esmola. Fazei bolsas que n\u00e3o se estraguem, um tesouro no c\u00e9u que n\u00e3o se acabe; ali o ladr\u00e3o n\u00e3o chega nem a tra\u00e7a corr\u00f3i. Porque onde est\u00e1 o vosso tesouro, a\u00ed estar\u00e1 tamb\u00e9m o vosso cora\u00e7\u00e3o\u201d (Lc 12, 32-34). <\/em>O pano de fundo desta quest\u00e3o \u00e9 a pergunta sobre quem \u00e9 o nosso Deus: o dinheiro ou o Pai que est\u00e1 nos c\u00e9us? Logo ap\u00f3s, apresenta ent\u00e3o a realidade da vigil\u00e2ncia: \u201c<em>Que vossos rins estejam cingidos e as l\u00e2mpadas acesas. Sede como homens que est\u00e3o esperando seu senhor voltar de uma festa de casamento, para lhe abrirem, imediatamente, a porta, logo que ele chegar e bater. Felizes os empregados que o senhor encontrar acordados quando chegar\u201d (Lc 12, 35-37).<\/em> A palavra de Deus vem ent\u00e3o nos falar dessa vigil\u00e2ncia em acolher o Senhor que chega, que vem ao nosso encontro, de forma inesperada. Usando a imagem de servos que esperam o senhor voltar de uma festa, assim o crist\u00e3o deve estar sempre atento aos sinais do Senhor que vem a n\u00f3s e que passa. Estar preparados porque n\u00e3o sabemos nem o dia nem a hora! <em>V\u00f3s tamb\u00e9m ficai preparados! Porque o Filho do Homem vai chegar na hora em que menos o esperardes&#8217; (Lc 12, 40). <\/em>Seguidamente temos a indaga\u00e7\u00e3o de Pedro sobre os destinat\u00e1rios da par\u00e1bola, ao que segue a resposta do Senhor com a seguinte conclus\u00e3o: \u201c<em>A quem muito foi dado, muito ser\u00e1 pedido; a quem muito foi confiado, muito mais ser\u00e1 exigido\u201d(Lc 12,48)!<\/em> Ante a realidade de um mundo onde se busca unicamente ter para si e n\u00e3o se preocupar com o outro, somos chamados a viver conscientes de que estamos com os p\u00e9s neste mundo, mas temos contas a prestar diante de Deus. Por isso somos chamados a ser vigilantes e a n\u00e3o deixar para amanh\u00e3 a nossa vida de convers\u00e3o, de entrega a Deus e de fazer o bem ao outro. Quando menos esperarmos, nossa hora chegar\u00e1. Vigiamos n\u00e3o por medo, mas porque temos consci\u00eancia da miss\u00e3o que o Senhor nos confiou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A primeira leitura deste domingo (Sb 18, 6-9) fala-nos da noite da liberta\u00e7\u00e3o: <em>A noite da liberta\u00e7\u00e3o fora predita a\u00a0 nossos pais;\u00a0 Ela foi esperada por teu povo,\u00a0como salva\u00e7\u00e3o para os justos e<br \/>\ncomo perdi\u00e7\u00e3o para os inimigos. Com efeito, aquilo com que puniste nossos advers\u00e1rios, serviu tamb\u00e9m para glorificar-nos,<br \/>\nchamando-nos a ti. Os piedosos filhos dos bons\u00a0ofereceram sacrif\u00edcios secretamente e, de comum acordo, fizeram este pacto divino: que os santos participariam solidariamente.\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O \u201cs\u00e1bio\u201d que nos fala na leitura assegura que s\u00f3 a fidelidade aos caminhos de Deus gera vida e liberta\u00e7\u00e3o; e que ceder aos impulsos do ego\u00edsmo e da injusti\u00e7a gera sofrimento e morte. Hoje, como ontem, num mundo de trevas em rela\u00e7\u00e3o aos valores, nem sempre parece fazer sentido trilhar o caminho do bem, da verdade, do amor, do dom da vida. Na realidade, onde \u00e9 que est\u00e1 o caminho da verdadeira felicidade? Ceder ao mais f\u00e1cil, \u00e0 moda, ao \u201cpoliticamente correto\u201d, ou na fidelidade aos valores do Evangelho, ao chamado de Jesus? Como \u00e9 que eu me situo face \u00e0s press\u00f5es que, todos os dias, a opini\u00e3o p\u00fablica ou a moda me imp\u00f5em? Devemos preparar-nos para que, quando o Senhor passar, possamos estar dispon\u00edveis \u00e0s maravilhas de Gra\u00e7a e Miseric\u00f3rdia que Ele tem a nos oferecer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Essa realidade aparece com muita clareza quando lidamos com a quest\u00e3o da f\u00e9, que vai nos ser apresentada na segunda leitura, esta cl\u00e1ssica passagem da carta aos Hebreus (Hb 11, 1-2.8-19): apresenta o que \u00e9 a f\u00e9 assim como apresenta belos exemplos desta realidade, onde cada vers\u00edculo mereceria uma reflex\u00e3o da nossa parte: <em>A f\u00e9 \u00e9 um modo de j\u00e1 possuir o que ainda se espera,<br \/>\na convic\u00e7\u00e3o acerca de realidades que n\u00e3o se veem. Foi a f\u00e9 que valeu aos antepassados um bom testemunho. Foi pela f\u00e9 que Abra\u00e3o obedeceu \u00e0 ordem de partir para uma terra que devia receber como heran\u00e7a, e partiu, sem saber para onde ia. Foi pela f\u00e9 que ele residiu como estrangeiro na terra prometida, morando em tendas com Isaac e Jac\u00f3, os coerdeiros da mesma promessa. Pois esperava a cidade alicer\u00e7ada que tem Deus mesmo por arquiteto e construtor. Foi pela f\u00e9 tamb\u00e9m que Sara, embora est\u00e9ril e j\u00e1 de idade avan\u00e7ada, se tornou capaz de ter filhos, porque considerou fidedigno o autor da promessa. \u00c9 por isso tamb\u00e9m que de um s\u00f3 homem, j\u00e1 marcado pela morte, nasceu a multid\u00e3o &#8216;compar\u00e1vel \u00e0s estrelas do c\u00e9u e inumer\u00e1vel como a areia das praias do mar&#8217;. Todos estes morreram na f\u00e9. N\u00e3o receberam a realiza\u00e7\u00e3o da promessa, mas a puderam ver e saudar de longe e se declararam estrangeiros e migrantes nesta terra. Os que falam assim demonstram que est\u00e3o buscando uma p\u00e1tria, e se se lembrassem daquela que deixaram, at\u00e9 teriam tempo de voltar para l\u00e1. Mas agora, eles desejam uma p\u00e1tria melhor, isto \u00e9, a p\u00e1tria celeste. Por isto, Deus n\u00e3o se envergonha deles, ao ser chamado o seu Deus. Pois preparou mesmo uma cidade para eles.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O autor convida os fi\u00e9is a confiar na posse dos bens futuros, anunciados por Deus, mas invis\u00edveis agora. A nossa caminhada nesta terra est\u00e1 marcada pela finitude, pelas nossas limita\u00e7\u00f5es, pelo nosso pecado; mas isso n\u00e3o pode fazer-nos desanimar e desistir: viver de f\u00e9 \u00e9 apontar para a vida plena que Deus nos prometeu e caminhar ao seu encontro. \u00c9 esta esperan\u00e7a que nos anima e que marca a nossa caminhada, sobretudo nos momentos mais dif\u00edceis, em que tudo parece desmoronar-se e as coisas deixam de fazer sentido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Portanto, irm\u00e3os, estar vigilantes para quando o Senhor passar, assim como o povo de Deus estava vigilante quando o Senhor passou e tirou do Egito. Ao mesmo tempo, \u00e9 pela f\u00e9 que deixamos essa realidade se fazer presente em nosso meio. Mesmo a promessa feita a nosso pai na f\u00e9 Abra\u00e3o n\u00e3o se realizou de maneira imediata, s\u00f3 no seu devido tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Que escutemos com aten\u00e7\u00e3o a palavra de Deus dirigida neste domingo, ao iniciarmos a semana nacional da fam\u00edlia, ao rezarmos pelos pais, enquanto pedimos o dom da vigil\u00e2ncia e o dom da f\u00e9. N\u00e3o deixemos para amanh\u00e3 a convers\u00e3o. Vivamos o hoje, o agora da Gra\u00e7a de Deus, do Cristo que passa, pois o ontem j\u00e1 se foi e n\u00e3o sabemos se o amanh\u00e3 chegar\u00e1. Procuremos fazer o bem e ajudar a quem precisa hoje. O salmo responsorial vem nos lembrar exatamente desta realidade: <em>No Senhor n\u00f3s esperamos confiantes, porque ele \u00e9 nosso aux\u00edlio e prote\u00e7\u00e3o! Sobre n\u00f3s venha, Senhor, a vossa gra\u00e7a, da mesma forma que em v\u00f3s n\u00f3s esperamos!<\/em> Que saibamos fazer a nossa parte enquanto fam\u00edlias crist\u00e3s, trilhando os caminhos do Senhor e, vivendo a f\u00e9, esperar aquilo que ainda n\u00e3o vemos.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong><em><\/p>\n<p><\/em><\/strong><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cardeal Orani Jo\u00e3o Tempesta Arcebispo do Rio de Janeiro &nbsp; \u00c9 com muita alegria que neste domingo, 19\u00ba Domingo do tempo Comum, dia do Senhor, comemoramos o dia dos pais. 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