{"id":35002,"date":"2019-08-19T00:00:00","date_gmt":"2019-08-19T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/rezemos-pelas-vocacoes-2\/"},"modified":"2019-08-19T00:00:00","modified_gmt":"2019-08-19T03:00:00","slug":"rezemos-pelas-vocacoes-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/rezemos-pelas-vocacoes-2\/","title":{"rendered":"Rezemos pelas voca\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><strong>Cardeal Orani Jo\u00e3o Cardeal Tempesta<br \/>\n<\/strong><strong>Arcebispo Metropolitano de S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Rio de Janeiro (RJ)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Com a conclus\u00e3o do Ano Nacional do Laicato no ano passado, quando tivemos a oportunidade de refletir sobre a voca\u00e7\u00e3o batismal e, a partir desta, sobre a vida e a miss\u00e3o dos crist\u00e3os leigos e leigas na Igreja e no mundo, julguei oportuno proclamar este ano tem\u00e1tico, em nossa Arquidiocese de S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Rio de Janeiro, como Ano Vocacional Sacerdotal. Este novo ano teve in\u00edcio no s\u00e1bado que antecedeu o primeiro Domingo do Advento, por ocasi\u00e3o da Festa da Unidade Arquidiocesana 2018, e se concluir\u00e1 na mesma Festa, em 2019. Esta ocasi\u00e3o, mais que um incentivo vocacional e de ora\u00e7\u00e3o pelas voca\u00e7\u00f5es, \u00e9 a continua\u00e7\u00e3o da resposta ao apelo de Jesus: \u201cPedi ao Senhor da Messe para que envie oper\u00e1rios\u201d (Mt 9,38)!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O Ano Vocacional Sacerdotal \u00e9 a ocasi\u00e3o para refletirmos sobre a din\u00e2mica do discernimento vocacional, promovendo a consci\u00eancia e a viv\u00eancia de que todos os membros da Igreja. Somos vocacionados \u00e0 vida nova em Cristo (cf. Cl 3,3-4) pelo batismo e, ao mesmo tempo, promotores vocacionais para a vida crist\u00e3 e sacerdotal (cf. Jo 13,34). O Papa Francisco, na carta que nos foi dirigida por ocasi\u00e3o da abertura desse Ano Vocacional Sacerdotal, afirmou: \u201cAo inaugurar o Ano Vocacional da Arquidiocese de S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Rio de Janeiro, no dia 1\u00ba de dezembro, quero me unir ao clamor de cada um de voc\u00eas ao Senhor da Messe para que envie sempre oper\u00e1rios para a miss\u00e3o nessa terra aben\u00e7oada pelo Cristo Redentor. Ali\u00e1s, a sua est\u00e1tua no alto do Corcovado, com seus bra\u00e7os abertos como que num grande abra\u00e7o acolhedor, nos lembra que j\u00e1 a nossa vida \u00e9 fruto de uma chamada de Deus: nos chamou \u00e0 vida porque nos ama e tudo predisp\u00f4s para que cada um de n\u00f3s fosse \u00fanico\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em Cristo e pelo batismo, todos n\u00f3s crist\u00e3os somos chamados a uma mesma voca\u00e7\u00e3o: a santidade, atrav\u00e9s da plena comunh\u00e3o de amor em Cristo. Todavia, no cuidado pela sua Igreja, que \u00e9 seu Corpo M\u00edstico, Cristo Bom Pastor, dirige um particular chamado a alguns de seus membros para uma uni\u00e3o mais \u00edntima com Ele. Como recordou o Papa Bento XVI, \u201cem Cristo, Cabe\u00e7a da Igreja, seu Corpo, todos os crist\u00e3os formam \u2018uma ra\u00e7a eleita, um sacerd\u00f3cio real, uma na\u00e7\u00e3o santa, o povo de sua particular propriedade, a fim de que proclameis as excel\u00eancias daquele que nos chamou das trevas para a sua luz maravilhosa\u2019 (1Pd 2,9). No quadro deste chamamento universal, Cristo, Sumo Sacerdote, na sua solicitude pela Igreja, chama, portanto, em cada gera\u00e7\u00e3o, diversas pessoas para cuidar do seu povo. Em particular, chama ao minist\u00e9rio sacerdotal homens que exer\u00e7am uma fun\u00e7\u00e3o paterna, cuja fonte reside na mesma paternidade de Deus (cf.\u00a0Ef 3,14)\u201d.<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Assim, atrav\u00e9s da nossa unidade na ora\u00e7\u00e3o e no trabalho pelas voca\u00e7\u00f5es sacerdotais, esperamos que cada fiel se torne um animador vocacional, destemido e capaz de propor escolhas radicais; que nossas comunidades compreendam a import\u00e2ncia e centralidade da Eucaristia na sua vida e a necessidade de Ministros que celebrem o Santo Sacrif\u00edcio; que as fam\u00edlias permitam o amadurecimento dos sinais de voca\u00e7\u00e3o em seus filhos, motivando-os a fazer um discernimento vocacional e apoiando\/respeitando as suas decis\u00f5es; que os bispos, padres e di\u00e1conos se mantenham firmes como os primeiros respons\u00e1veis pela anima\u00e7\u00e3o vocacional e deem testemunho da alegria de servir a Deus nos irm\u00e3os e irm\u00e3s. A nossa proposta \u00e9 que pe\u00e7amos ao Senhor da Messe oper\u00e1rios para a vinha do Senhor, de tal forma que de cada comunidade nas\u00e7a uma nova voca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Sabemos que as sementes da voca\u00e7\u00e3o est\u00e3o por toda parte. \u00c0s vezes eu me pergunto porque algumas comunidades est\u00e3o est\u00e9reis de voca\u00e7\u00f5es h\u00e1 tantos anos e, ao lado, temos comunidades fecundas em santas e perseverantes voca\u00e7\u00f5es, muitas vezes numerosas. Pe\u00e7amos ao Senhor da Messe que envie oper\u00e1rios para a vinha do Senhor, mas trabalhemos tamb\u00e9m para receb\u00ea-los, a fim de que todas as nossas comunidades possam ver florescer esse chamado divino. \u00c9 o que pedimos: de cada comunidade, uma nova voca\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Sobre o tema:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Para ajudar em nossa reflex\u00e3o e ora\u00e7\u00e3o, a Coordena\u00e7\u00e3o de Pastoral Arquidiocesana escolheu um tema como norte espiritual: \u201cA alegria de servir no sacerd\u00f3cio ministerial\u201d. Aqui se concentra, de um lado, a reflex\u00e3o constante do Papa Francisco, que faz quest\u00e3o de sublinhar o tema da \u201calegria\u201d em todos os documentos, e tamb\u00e9m em suas homilias e mensagens. O Santo Padre tem se preocupado em anunciar uma vida crist\u00e3 onde o querigma nos leva a ser testemunhas alegres de Jesus Cristo, Nosso Senhor. De fato, existem muitos motivos de tristeza e de des\u00e2nimo em nosso tempo, por\u00e9m, o crist\u00e3o, por acreditar naquele que venceu a morte e est\u00e1 Ressuscitado e Vivo entre n\u00f3s, se transforma, para o mundo, em uma testemunha alegre da Esperan\u00e7a que n\u00e3o decepciona e que supera toda tristeza: Jesus Cristo (cf. Rm 5,5).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Na vida sacerdotal, devemos dar destaque ao verbo \u201cservir\u201d, pois temos consci\u00eancia de que o \u201cpoder sacerdotal\u201d se revela no servi\u00e7o aos irm\u00e3os (cf. Jo 15,12.14-15). O sacerdote \u00e9 ordenado para ser, no mundo, a presen\u00e7a de Cristo Jesus que veio para servir e dar a vida por muitos (cf. Mt 20,28). Essa consci\u00eancia o coloca dentro da \u00fanica alegria poss\u00edvel ao nosso minist\u00e9rio: a certeza de sermos agrad\u00e1veis aos olhos de Deus por amarmos o nosso pr\u00f3ximo como Ele nos amou, levando-o \u00e0 santifica\u00e7\u00e3o e \u00e0 miss\u00e3o de testemunhar o Ressuscitado. Essa alegria \u00e9 completamente distinta daquela alegria transit\u00f3ria e ego\u00edsta, t\u00edpica do clericalismo que surge quando um batizado se sente mais digno de algo e de alguma prioridade em rela\u00e7\u00e3o aos demais irm\u00e3os na f\u00e9 somente pelo fato de estar servindo atrav\u00e9s de um minist\u00e9rio ordenado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>O lema<\/strong> escolhido, \u201cEis-me aqui, Senhor\u201d (Is 6,8), nos recorda que, atrav\u00e9s da ora\u00e7\u00e3o e dos nossos gestos concretos, precisamos motivar os jovens a n\u00e3o terem medo de responder com generosidade e disponibilidade ao servi\u00e7o do Reino, doando suas vidas por causa do Evangelho. Essa resposta, que encontramos muitas vezes no chamado dos jovens a serem crismados, tamb\u00e9m se encontra de outras formas por toda a Escritura Sagrada. Profetas, reis, patriarcas, ap\u00f3stolos, disc\u00edpulos, de uma forma ou de outra, se colocaram dispon\u00edveis para servir o Senhor naquilo que Ele lhes pedia. Nesse sentido, o lema de disponibilidade na resposta generosa do \u201ceis-me aqui\u201d faz com que a alegria de servir no sacerd\u00f3cio ministerial se difunda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Voca\u00e7\u00e3o: Chamado de Deus<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O primeiro passo para que possamos suscitar voca\u00e7\u00f5es \u00e9 estabelecer um di\u00e1logo profundo e sincero com Deus, atrav\u00e9s da ora\u00e7\u00e3o. Como j\u00e1 afirmei anteriormente, o pr\u00f3prio Jesus nos diz: \u201cA messe \u00e9 grande, mas os trabalhadores s\u00e3o poucos.\u00a0Pedi, pois, ao dono da messe que envie trabalhadores para a sua colheita!\u201d (Mt 9,37-38). Faz-se necess\u00e1rio transformar este convite do Senhor em testemunho p\u00fablico de f\u00e9 e de obedi\u00eancia, promovendo celebra\u00e7\u00f5es nas par\u00f3quias, comunidades, santu\u00e1rios, casas religiosas, col\u00e9gios, enfim, em todos os locais onde atuam nossas pastorais, movimentos e servi\u00e7os. Junto com essas atividades, tamb\u00e9m o testemunho vocacional dos padres, di\u00e1conos e seminaristas ser\u00e1 um belo sinal da a\u00e7\u00e3o de Deus em nossas hist\u00f3rias. Assim, dos quatro cantos de nossa Arquidiocese, como num cen\u00e1culo, ass\u00edduos e concordes na ora\u00e7\u00e3o, \u201ccom Maria, a M\u00e3e de Jesus\u201d (At 1,14), se eleve esta s\u00faplica ao c\u00e9u, para pedir ao Pai aquilo que Cristo nos ordenou. Uma ora\u00e7\u00e3o cheia de esperan\u00e7a, na expectativa confiante da a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo. Nestes momentos fortes de ora\u00e7\u00e3o, Cristo garante que alcan\u00e7aremos aquilo que pedimos: \u201cSe dois de v\u00f3s estiverem de acordo, na terra, sobre qualquer coisa que quiserem pedir, meu Pai que est\u00e1 nos c\u00e9us o conceder\u00e1. Pois onde dois ou tr\u00eas estiverem reunidos em meu nome, eu estou a\u00ed no meio deles\u201d (Mt 18,19-20).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0Pela pr\u00e1tica da ora\u00e7\u00e3o di\u00e1ria, na descoberta da Liturgia das Horas, praticando a <em>\u201clectio divina\u201d<\/em> ou leitura orante da B\u00edblia (leitura, medita\u00e7\u00e3o, ora\u00e7\u00e3o, contempla\u00e7\u00e3o, a\u00e7\u00e3o) e com o aux\u00edlio dos Sacramentos, a comunidade de fi\u00e9is \u00e9 chamada a conhecer, amar e servir a Deus. Na verdade, nesse itiner\u00e1rio de crescimento no amor e no di\u00e1logo com o Senhor, que corresponde \u00e0 vida de santidade, Deus faz o chamado particular para cada pessoa, isto \u00e9, uma voca\u00e7\u00e3o espec\u00edfica. \u00c9 o modo pr\u00f3prio de cada um viver essa vida de amor e intimidade com Deus, que se irradia para os irm\u00e3os e pode assumir diferentes op\u00e7\u00f5es, na busca pela voca\u00e7\u00e3o que Deus escolheu para cada pessoa. O Papa S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II esclarece que \u201cDeus \u00e9 sempre livre para chamar quem quer e quando quer, segundo a extraordin\u00e1ria riqueza da sua gra\u00e7a, mediante a bondade que teve para conosco em Cristo Jesus (<em>Ef<\/em> 2,7). Mas, ordinariamente, Ele chama por meio das nossas pessoas e das nossas palavras. Por conseguinte, n\u00e3o tenhais receio de chamar. Descei para o meio dos vossos jovens. Ide pessoalmente ao encontro deles e chamai. Os cora\u00e7\u00f5es de muitos jovens, e de menos jovens tamb\u00e9m, est\u00e3o predispostos para vos ouvir. Muitos deles buscam um objetivo pelo qual possam viver; encontram-se na expectativa de descobrir uma miss\u00e3o que tenha valor, para a ela consagrar a vida. E Cristo sintonizou-os com o seu e com o vosso apelo. N\u00f3s devemos chamar. O resto f\u00e1-lo-\u00e1 o Senhor, que oferece a cada um o seu dom particular, consoante a gra\u00e7a que lhe foi concedida (cf. 1<em>Cor<\/em> 7,7;\u00a0<em>Rm<\/em> 12,6)\u201d.<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>\u00c8 Jesus quem faz o convite<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0Mesmo em uma \u00e9poca conturbada, na qual cresce o individualismo e a mentalidade egoc\u00eantrica, que leva as pessoas a acreditarem que a vida vale pelo quanto se possa desfrutar das coisas, pessoas, momentos e oportunidades, o Senhor Deus continua chamando seus filhos para uma alian\u00e7a de amor com Ele. Ainda existem muitos homens cujos cora\u00e7\u00f5es est\u00e3o sedentos por ouvir esse chamado e por viver a vida a partir dessa alian\u00e7a. Cheio de admira\u00e7\u00e3o diante da obra de Deus, agrade\u00e7o a Ele pelas voca\u00e7\u00f5es que surgem de todos os vicariatos de nossa Arquidiocese, porque s\u00e3o jovens e adultos animados e generosos que, com coragem e enfrentando muitas vezes dificuldades, d\u00e3o o seu \u201csim\u201d aberto e alegre ao Senhor que chama. No entanto, precisamos reavivar em nossos cora\u00e7\u00f5es a alegria de sermos a voz que serve \u00e0 Palavra Eterna, colaborando com Nosso Senhor nessa miss\u00e3o. S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II se dirige aos jovens falando, exatamente, desse \u201csempre querer chamar\u201d da parte de Deus e encorajando-os a nutrirem um cora\u00e7\u00e3o interessado pela voz do Senhor:\u00a0\u201cA nossa vida \u00e9 dom de Deus. Devemos fazer com ela alguma coisa de bom. H\u00e1 muitas maneiras para empregar bem a vida, aplicando-a ao servi\u00e7o de ideais humanos e crist\u00e3os. Se eu hoje vos falo de consagra\u00e7\u00e3o total a Deus no sacerd\u00f3cio, [&#8230;] \u00e9 porque Cristo chama muitos de entre v\u00f3s a esta extraordin\u00e1ria aventura. Ele tem necessidade, quer ter necessidade, das vossas pessoas, da vossa intelig\u00eancia, das vossas energias, da vossa f\u00e9, do vosso amor e da vossa santidade. Se \u00e9 para o sacerd\u00f3cio que Cristo vos chama, \u00e9 porque Ele quer exercer o seu sacerd\u00f3cio atrav\u00e9s da vossa consagra\u00e7\u00e3o e miss\u00e3o sacerdotal; quer falar aos homens de hoje com a vossa voz; quer consagrar a Eucaristia e perdoar os pecados por meio de v\u00f3s. Ele quer amar com o vosso cora\u00e7\u00e3o; quer ajudar com as vossas m\u00e3os; e quer salvar com os vossos esfor\u00e7os. Pensai bem nisto. A resposta que muitos de v\u00f3s podeis dar \u00e9 dirigida pessoalmente a Cristo, que vos chama para estas coisas grandes\u201d.<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><sup>[3]<\/sup><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0A voca\u00e7\u00e3o sacerdotal \u00e9 o chamado feito por Deus a homens para que sigam o caminho de amor e intimidade com Ele por meio da ora\u00e7\u00e3o, obedi\u00eancia e celibato. Na Igreja do Ocidente, esses sinais s\u00e3o fortes testemunhos de entrega total \u00e0 gra\u00e7a de Deus e a buscar a Deus acima de tudo, entregando a pr\u00f3pria vida. Trata-se de uma configura\u00e7\u00e3o com Cristo Sumo e Eterno Sacerdote, Pont\u00edfice entre n\u00f3s e Deus, Cabe\u00e7a do Corpo que \u00e9 a Igreja (cf. Ef 5,23). Pela ordena\u00e7\u00e3o presbiteral, o homem \u00e9 marcado para toda a eternidade com um selo, um car\u00e1ter, que o torna ministro de Cristo e, em colabora\u00e7\u00e3o com os bispos, passa a ser um dispensador do poder da Gra\u00e7a que Ele conferiu aos seus ap\u00f3stolos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0Esse poder em plenitude \u00e9 conferido aos sucessores dos ap\u00f3stolos, que s\u00e3o os Bispos, escolhidos dentre os presb\u00edteros para receberem a ordena\u00e7\u00e3o episcopal. Essa, portanto, n\u00e3o \u00e9 apenas objeto de um discernimento vocacional pessoal propriamente dito, mas \u00e9 fruto de um discernimento feito pela Igreja, guiada e iluminada pelo Esp\u00edrito Santo, em rela\u00e7\u00e3o ao futuro presb\u00edtero, o qual, uma vez eleito e respondendo afirmativamente \u00e0s perguntas da Igreja, ser\u00e1 ordenado padre. Os presb\u00edteros s\u00e3o colaboradores dos Bispos e a estes prestam obedi\u00eancia e solicitude filial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0\u00c9 oportuno recordar que, apesar do chamado \u00e0 vida sacerdotal ser o mesmo, h\u00e1 diferentes modos de viver a voca\u00e7\u00e3o sacerdotal.<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\"><sup>[4]<\/sup><\/a> Alguns, antes do sacerd\u00f3cio, s\u00e3o chamados a se consagrarem a Deus como religiosos, professando os conselhos evang\u00e9licos de pobreza (dispondo a Deus seus bens externos), castidade (dispondo a Deus o seu corpo) e obedi\u00eancia (dispondo a Deus a sua alma, sua vontade). Isso ocorre gra\u00e7as a um especial dom (carisma) conferido por Deus \u00e0 pessoa, que a leva a viver uma vida de consagra\u00e7\u00e3o unida a uma \u201cfam\u00edlia religiosa\u201d com espiritualidade pr\u00f3pria, atrav\u00e9s do ato p\u00fablico de profiss\u00e3o solene de votos. Por meio desse ato, esses vocacionados tornam-se vinculados a um instituto de vida consagrada ou a uma sociedade de vida apost\u00f3lica e s\u00e3o chamados de religiosos. Podem atuar diretamente na miss\u00e3o da Igreja pelo mundo, em institutos de vida ativa, ou indiretamente, por meio de uma vida reclusa de ora\u00e7\u00e3o, como contemplativos em mosteiros. E h\u00e1 tamb\u00e9m, ainda hoje, quem seja chamado \u00e0 vida erem\u00edtica sob o acompanhamento do bispo, a qual exige uma entrega mais radical a Deus e traz consigo uma forte exig\u00eancia de ora\u00e7\u00e3o pessoal, sil\u00eancio contemplativo, solid\u00e3o e penit\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>O chamado de Deus: exemplo de Abra\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0Para falar um pouco mais sobre a voca\u00e7\u00e3o ao sacerd\u00f3cio, vejamos a hist\u00f3ria do chamado de Abra\u00e3o, nosso pai na f\u00e9. O primeiro \u201cacontecimento vocacional\u201d em sua vida foi aquele direto e imperativo chamado que Deus lhe fez para partir deixando tudo para atr\u00e1s, quando ele ainda vivia em obedi\u00eancia ao seu pai Tar\u00e9 e se chamava Abr\u00e3o: \u201cE o Senhor disse a Abr\u00e3o: \u2018Parte para longe de tua p\u00e1tria, de teus parentes e da casa de teu pai, e dirige-te ao pa\u00eds que eu te indicar. Pois farei de ti uma grande na\u00e7\u00e3o, hei de aben\u00e7oar-te e engrandecer teu nome: sejas tu uma b\u00ean\u00e7\u00e3o!\u2019\u201d (Gn 12,1-2). O Senhor Deus disse o que Abr\u00e3o deveria fazer, e o que Ele, Deus, queria fazer na vida de Abr\u00e3o. Por\u00e9m, a fala foi sem maiores detalhes, sem particularidades e sem pedantismos. O que significa dizer que, por hora, bastava para Abr\u00e3o saber apenas aquilo para tomar a sua decis\u00e3o. No cumprimento da ordem divina, uma parte da a\u00e7\u00e3o caberia a Abr\u00e3o, em todo o seu \u00f4nus (deixar todas as suas refer\u00eancias e seguran\u00e7as pessoais) e a outra parte caberia a Deus, enquanto promessa (fazer dele pai de uma na\u00e7\u00e3o). Entretanto, tudo o que seria realizado, desde a hora em que Deus falou at\u00e9 o cumprimento definitivo e total da promessa, aconteceria sob a reg\u00eancia da gra\u00e7a de Deus e sua b\u00ean\u00e7\u00e3o, ou seja, seria o agir de Deus e tamb\u00e9m o agir de Deus em Abr\u00e3o. Como dir\u00e1 o salmista: o falar de Deus \u00e9 bendito e puro (cf. Sl 18,8; 17,3), e bendito se torna todo aquele que O escuta e coloca em pr\u00e1tica a sua Palavra, como dir\u00e1 o Senhor Jesus aos seus interlocutores (cf. Lc 11,28).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0Sabemos que a voca\u00e7\u00e3o \u00e9 um chamado que Deus faz a seus filhos e filhas, um convite a configurar-se com Cristo Jesus, tornando-se n\u2019Ele dom para todos os irm\u00e3os e irm\u00e3s. S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II nos dir\u00e1: \u201cNa origem de todo caminho vocacional est\u00e1 o Emanuel, o Deus-conosco. Ele nos revela que n\u00e3o estamos construindo sozinhos a nossa vida, porque Deus caminha conosco em meio \u00e0s nossas sucessivas vicissitudes e, se n\u00f3s o quisermos, tece com cada um uma maravilhosa hist\u00f3ria de amor, \u00fanica e irrepet\u00edvel e, ao mesmo tempo, em harmonia com a humanidade e com o cosmo inteiro. Descobrir a presen\u00e7a de Deus na pr\u00f3pria hist\u00f3ria, n\u00e3o mais sentir-se \u00f3rf\u00e3o, mas estar certo de ter um Pai ao qual pode entregar-se completamente: essa \u00e9 a grande virada que transforma o horizonte simplesmente humano e leva o homem a entender &#8211; como afirma a\u00a0<em>Gaudium et spes<\/em>\u00a0&#8211; que ele n\u00e3o pode \u2018encontrar-se plenamente, a n\u00e3o ser no dom sincero de si\u2019 (n. 24). Nessas palavras do Conc\u00edlio Vaticano II, encerra-se o segredo da exist\u00eancia crist\u00e3 e de toda aut\u00eantica realiza\u00e7\u00e3o humana\u201d.<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\"><sup>[5]<\/sup><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\">A din\u00e2mica de seguir o chamado vocacional que Deus faz n\u00e3o parte de uma vontade meramente humana, da pura racionalidade ou da tentativa de superar a in\u00e9rcia e dar uma oportunidade a si mesmo, como se fosse uma resposta para a afirma\u00e7\u00e3o: \u201ceu preciso fazer algo da minha vida, vamos ver o que pode ser&#8230;\u201d.\u00a0 No testemunho de Abr\u00e3o fica claro que Deus se dirige a cada um pelo nome, e tem uma proposta e um itiner\u00e1rio j\u00e1 definidos. Em outras palavras, n\u00e3o \u00e9 apenas um chamado ao qual cada um corresponde do jeito que lhe pare\u00e7a melhor e mais vi\u00e1vel, dentro de suas pr\u00f3prias possibilidades. Quem seria capaz de afirmar qual seria o melhor caminho a seguir? O pr\u00f3prio Abr\u00e3o? Certamente n\u00e3o. Dentre todas as possibilidades imagin\u00e1veis e n\u00e3o imagin\u00e1veis ao homem, Aquele que lhe deu a vida e continua querendo a sua felicidade \u00e9 o \u00fanico capaz de apontar qual o caminho a seguir: \u201cQuem sabe o que conv\u00e9m ao homem na sua vida, nestes poucos dias de sua exist\u00eancia v\u00e3, por mais que os prolongue como uma sombra?\u201d (Ecl 6,12).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Escutar a voz de Deus<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0Outro aspecto do chamado consiste na escuta: Abr\u00e3o ouve a Deus, que lhe fala. Diante disso, podemos nos perguntar: \u201cEu escuto a Deus?\u201d; \u201cEle j\u00e1 me falou?\u201d. O chamado \u00e9 reconhecido por aquele que faz uma verdadeira experi\u00eancia com Deus. Ainda que n\u00e3o tenha clareza de como se dar\u00e1 o caminho, permanece na escuta para perceber os passos que dever\u00e3o ser dados. Note-se que, no primeiro momento, Deus ainda n\u00e3o revela a Abr\u00e3o todo o projeto que tem para ele, nem as prova\u00e7\u00f5es e desdobramentos daquele primeiro chamado. \u201cFoi pela f\u00e9 que Abra\u00e3o, obedecendo ao chamado de Deus, partiu rumo ao pa\u00eds que lhe caberia em heran\u00e7a. Ele partiu de seu pa\u00eds sem saber para onde ia\u201d (Hb 11,8). Na antiga tradi\u00e7\u00e3o b\u00edblica, escutar n\u00e3o se limita ao simples ato f\u00edsico de ouvir o som da voz de algu\u00e9m que fala conosco. Trata-se de um acolhimento interior da Palavra daquele que fala, um acatamento com o cora\u00e7\u00e3o, tornando agora sua aquela palavra ouvida. No caso de Abr\u00e3o, seu ato de escuta \u00e9 um ato de obedi\u00eancia a Deus, o que significaria tomar uma decis\u00e3o sobre a sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria de vida! Mas por que partir? Como seria? Abr\u00e3o nem sequer pensava ou planejava tal coisa para si. Contudo, tomando agora essa decis\u00e3o, a sua vida e o seu futuro ficariam completamente comprometidos e entregues nas m\u00e3os de Deus. O pr\u00f3prio Deus seria de agora em diante sua \u00fanica garantia. N\u00e3o haveria outra seguran\u00e7a sobre a qual se apoiar a n\u00e3o ser o fato de que Deus, que \u00e9 fiel, assim o quis e Abr\u00e3o confiou nele e partiu (cf. Dt 7,9; 1Ts 5,24).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ensina-nos o Papa Francisco: \u201cNa raiz de cada voca\u00e7\u00e3o crist\u00e3, h\u00e1 este movimento fundamental da experi\u00eancia de f\u00e9: crer significa deixar-se a si mesmo, sair da comodidade e rigidez do pr\u00f3prio eu para centrar a nossa vida em Jesus Cristo; abandonar como Abra\u00e3o a pr\u00f3pria terra pondo-se confiadamente a caminho, sabendo que Deus indicar\u00e1 a estrada para a nova terra. Esta \u2018sa\u00edda\u2019 n\u00e3o deve ser entendida como um desprezo da pr\u00f3pria vida, do pr\u00f3prio sentir, da pr\u00f3pria humanidade; pelo contr\u00e1rio, quem se p\u00f5e a caminho no seguimento de Cristo encontra a vida em abund\u00e2ncia, colocando tudo de si \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o de Deus e do seu Reino. Como diz Jesus, \u2018todo aquele que tiver deixado casas, irm\u00e3os, irm\u00e3s, pai, m\u00e3e, filhos ou campos por causa do meu nome, receber\u00e1 cem vezes mais e ter\u00e1 por heran\u00e7a a vida eterna\u2019 (<em>Mt<\/em>\u00a019, 29). Tudo isto tem a sua raiz mais profunda no amor. De fato, a voca\u00e7\u00e3o crist\u00e3 \u00e9, antes de mais nada, uma chamada de amor que atrai e reenvia para al\u00e9m de si mesmo, descentraliza a pessoa, provoca um \u2018<em>\u00eaxodo permanente do eu fechado em si mesmo para a sua liberta\u00e7\u00e3o no dom de si e, precisamente dessa forma, para o reencontro de si mesmo, mais ainda para a descoberta de Deus\u2019 <\/em>(Bento XVI, Carta enc.\u00a0<em>Deus caritas est<\/em>, 6)\u201d.<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\"><sup>[6]<\/sup><\/a> Longe de ser um ato irracional, o ato de f\u00e9 se fundamenta no fato de que, se Deus existe e me chama a algo, segui-Lo \u00e9 o mais apropriado a fazer, pois Ele n\u00e3o pode se enganar e nem enganar algu\u00e9m. P\u00f4r-se \u00e0 escuta, por meio de uma dedica\u00e7\u00e3o generosa \u00e0 ora\u00e7\u00e3o mental e \u00e0 leitura das Sagradas Escrituras, \u00e9 pressuposto indispens\u00e1vel para o discernimento e uma resposta positiva que coloque a pessoa em movimento. Os sinais que o Senhor nos d\u00e1 variam para cada pessoa e o importante \u00e9 o discernimento e a abertura para acolher o chamado. Aqui se percebe, tamb\u00e9m, a import\u00e2ncia do Diretor Espiritual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O discernimento vocacional, em um primeiro momento, \u00e9 a busca por saber qual \u00e9 o modo particular de estado de vida que Deus escolheu para uma pessoa desde toda a eternidade e que, portanto, ser\u00e1 o seu caminho de plenitude. O discernimento exige um processo de autoconhecimento \u2013 momentos de sil\u00eancio, de reflex\u00e3o e de ora\u00e7\u00e3o \u2013 preferencialmente acompanhado por um bom diretor espiritual que ajudar\u00e1 o vocacionado a amadurecer no di\u00e1logo com o Senhor.<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\"><sup>[7]<\/sup><\/a> Em outras palavras, trata-se de um processo que ajude o jovem a colocar as perguntas essenciais \u00e0 sua vida crist\u00e3 e a buscar respostas que iluminem o seu modo de viver para se tornar mais semelhante ao modo de vida de Jesus. Isso o levar\u00e1 diretamente ao encontro de sua identidade como crist\u00e3o, como batizado. Logo, a reflex\u00e3o e o discernimento acerca da pr\u00f3pria voca\u00e7\u00e3o crist\u00e3 s\u00e3o v\u00e1lidos para todos aqueles que, sinceramente, se perguntam diante de Deus sobre sua voca\u00e7\u00e3o. A partir desse passo, e com o cont\u00ednuo crescimento na pr\u00e1tica crist\u00e3 de amor ao pr\u00f3ximo e de obedi\u00eancia ao Pai, a exemplo de Jesus, \u00e9 que o Senhor Deus vai revelar o chamado espec\u00edfico \u00e0 voca\u00e7\u00e3o sacerdotal que Ele tenha reservado para alguns rapazes. Tudo come\u00e7a e se desenvolve a partir do compromisso verdadeiro e sincero de nossa voca\u00e7\u00e3o batismal com a vida nova em Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O processo de discernimento vocacional para o sacerd\u00f3cio ministerial pode durar alguns anos e deve ser vivido com dilig\u00eancia.<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\"><sup>[8]<\/sup><\/a> O fato de ser Deus a origem do chamado e, portanto, Aquele a quem tamb\u00e9m compete a iniciativa de indicar o caminho, n\u00e3o exclui a necessidade de a pessoa ser respons\u00e1vel e interessada em buscar ouvi-Lo. \u201cDe manh\u00e3 lan\u00e7a a tua semente e at\u00e9 a tarde n\u00e3o descanse a tua m\u00e3o, pois n\u00e3o sabes se isto ou aquilo dar\u00e1 resultado, ou se ambos ser\u00e3o igualmente bons\u201d (Ecl. 11,6). Para auxiliar nesse tempo de discernimento \u00e9 necess\u00e1rio buscar a ajuda de grupos vocacionais e pessoas experimentadas em suas voca\u00e7\u00f5es, como testemunho de vida ministerial. Atrav\u00e9s desses e de outros diversos meios e sinais, o vocacionado vai adquirindo uma certeza moral de qual \u00e9 a dire\u00e7\u00e3o a seguir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A hist\u00f3ria de Abra\u00e3o ilustra como, ap\u00f3s a escuta de Deus, Ele comunica o caminho da voca\u00e7\u00e3o por diversos meios e sinais, que v\u00e3o dando ao vocacionado uma certeza moral de qual \u00e9 a dire\u00e7\u00e3o a seguir. Resta, agora, a busca pela concretiza\u00e7\u00e3o desse caminho. N\u00e3o ignoremos, queridos irm\u00e3os, que para um homem tomar uma decis\u00e3o, como a tomada por Abr\u00e3o, ele precisa ter ao cora\u00e7\u00e3o algumas importantes virtudes: humildade, simplicidade, mansid\u00e3o e docilidade de esp\u00edrito, paci\u00eancia e coragem. Aproveito esse tema para dirigir uma palavra mais direta e formativa aos jovens que sentem no cora\u00e7\u00e3o um chamado ao servi\u00e7o do Senhor, recordando o livro do Eclesi\u00e1stico: \u201cMeu filho, se entrares para o servi\u00e7o de Deus, permanece firme na justi\u00e7a e no temor, e prepara a tua alma para a prova\u00e7\u00e3o; humilha teu cora\u00e7\u00e3o, espera com paci\u00eancia, d\u00e1 ouvidos e acolhe as palavras de sabedoria; n\u00e3o te perturbes no tempo da infelicidade, sofre as demoras de Deus; dedica-te a Deus, espera com paci\u00eancia, afim de que no derradeiro momento tua vida se enrique\u00e7a (&#8230;). Aceita tudo o que acontecer. Na dor, permanece firme; na humilha\u00e7\u00e3o, tem paci\u00eancia. P\u00f5e tua confian\u00e7a em Deus e ele te salvar\u00e1; (&#8230;) orienta bem o teu caminho e espera nele (&#8230;) esperai em sua miseric\u00f3rdia, n\u00e3o vos afasteis dele, para que n\u00e3o caiais; (&#8230;) esperai nele; sua miseric\u00f3rdia ser\u00e1 fonte de alegria (&#8230;) amai-o, e vossos cora\u00e7\u00f5es se encher\u00e3o de luz\u201d (Eclo 2,1-10). Eis aqui a estrada que prepara a alma com as mesmas virtudes que estavam presentes em Abr\u00e3o para poder escutar e responder \u00e0 voz do Senhor. Sem essas virtudes ao cora\u00e7\u00e3o, a nossa tend\u00eancia \u00e9 resistir arduamente na hora de se deixar conduzir por Deus. N\u00e3o se improvisam virtudes, elas precis\u00e3o ser cultivadas com os bons atos humanos vividos na f\u00e9 sob a a\u00e7\u00e3o da gra\u00e7a de Deus. Deus, que resiste aos orgulhosos e que detesta os soberbos (cf. Tg 4,6 e Sl 118,21), ama os homens de cora\u00e7\u00e3o humilde e cuida de seus passos (cf. Sl 146,6; 118,105). Como foi acenado, no primeiro momento, Deus n\u00e3o revelou a Abr\u00e3o todo o projeto que tinha para ele, nem as prova\u00e7\u00f5es e desdobramentos que viriam daquele primeiro chamado. Por isso, como recordar\u00e1 a Carta aos Hebreus, dentre todas as virtudes humanas presentes em Abr\u00e3o, sobressaiu-se e brilhou como estrela polar aquela virtude teologal fundamental ao cora\u00e7\u00e3o do homem que ama a Deus: a f\u00e9. \u201cFoi pela f\u00e9 que Abra\u00e3o, obedecendo ao chamado de Deus, partiu rumo ao pa\u00eds que lhe caberia em heran\u00e7a. Ele partiu de seu pa\u00eds sem saber para onde ia\u201d (Hb 11,8).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Um chamado \u00e0 paterna fecundidade!<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0Quero come\u00e7ar esse tema observando um importante fato: mesmo Abra\u00e3o n\u00e3o sabendo os detalhes do trajeto, o local onde iria terminar sua jornada e os incidentes que estariam presentes no caminho, Deus j\u00e1 lhe havia dado um direcionamento fundamental em sua promessa \u2013 ser pai de uma grande na\u00e7\u00e3o: uma voca\u00e7\u00e3o \u00e0 fecundidade. Esse chamado \u00e0 fecundidade \u00e9 um aspecto comum que Deus renova em toda voca\u00e7\u00e3o espec\u00edfica. Sua universalidade se verifica no pr\u00f3prio relato do G\u00eanesis sobre a cria\u00e7\u00e3o do homem e da mulher: \u201cDeus os aben\u00e7oou dizendo: \u2018Sede fecundos e multiplicai-vos&#8230;\u2019\u201d (Gn 1,28). O vers\u00edculo b\u00edblico trata de um chamado \u00e0 vida matrimonial; entretanto, uma vez que tamb\u00e9m fala da miss\u00e3o de gerar vida e uma posteridade santa, \u00e9 poss\u00edvel aplic\u00e1-lo \u00e0s voca\u00e7\u00f5es sacerdotais, pois recorda ao sacerdote celibat\u00e1rio que o seu amor deve manifestar a sua paternidade no sentido espiritual, conduzindo os homens no caminho da santidade. A fecundidade espiritual gera a vida sobrenatural por meio dos sacramentos e dos cuidados com as realidades espirituais. Isso porque, com efeito, \u201co disc\u00edpulo n\u00e3o recebe o dom do amor de Deus para sua consola\u00e7\u00e3o privada; n\u00e3o \u00e9 chamado a ocupar-se de si mesmo nem a cuidar dos interesses de uma empresa; simplesmente \u00e9 tocado e transformado pela alegria de se sentir amado por Deus e n\u00e3o pode guardar esta experi\u00eancia apenas para si mesmo: \u2018a alegria do Evangelho, que enche a vida da comunidade dos disc\u00edpulos, \u00e9 uma alegria mission\u00e1ria\u2019 (Francisco, Exort. ap.\u00a0<em>Evangelii gaudium<\/em>, 21)\u201d.<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\"><sup>[9]<\/sup><\/a> Por isso, uma voca\u00e7\u00e3o n\u00e3o se torna est\u00e9ril e ego\u00edsta quando vivida em perfeita unidade com o Senhor e a servi\u00e7o dos irm\u00e3os e irm\u00e3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Aberto \u00e0 fecundidade do Esp\u00edrito Santo, o sacerdote celibat\u00e1rio doa-se a ponto de perder a vida pelos seus \u201cfilhos na f\u00e9\u201d, vivendo Cristo (cf. Fl 1,21), n\u00e3o reservando nada de si mesmo para si, renunciando \u00e0s prerrogativas de sua pr\u00f3pria vontade para fazer sua toda aquela Vontade do Pai em Cristo. Desse modo, o sacerdote passa a ser um dom de amor fecundo, como nos ensina S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, na <em>Pastores Dabo Vobis<\/em>: \u201cNo celibato, a castidade mant\u00e9m o seu significado origin\u00e1rio, o de uma sexualidade humana vivida como aut\u00eantica manifesta\u00e7\u00e3o e precioso servi\u00e7o ao amor de comunh\u00e3o e de entrega interpessoal. Este mesmo significado subsiste plenamente na virgindade, que realiza, mesmo na ren\u00fancia ao matrim\u00f4nio, o \u2018significado nupcial\u2019 do corpo mediante uma comunh\u00e3o e uma entrega pessoal a Jesus Cristo e \u00e0 Igreja, que prefiguram e antecipam a comunh\u00e3o e entrega perfeita e definitiva na vida eterna\u201d.<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\"><sup>[10]<\/sup><\/a> Portanto, a fecundidade paternal deve ser vivida a exemplo do pr\u00f3prio Cristo que em nada resistiu a Vontade do Pai, fazendo-se p\u00e3o de Vida Eterna para saciar a fome de vida presente no cora\u00e7\u00e3o dos homens, transmitindo-lhes, atrav\u00e9s do dom da pr\u00f3pria vida, Vida em abund\u00e2ncia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em Abr\u00e3o, encontramos uma atitude com que muitas vezes nos deparamos ao longo do caminho vocacional e \u00e0 qual precisamos estar atentos. Trata-se da tenta\u00e7\u00e3o de querer adaptar as circunst\u00e2ncias do dia a dia conforme nossa pr\u00f3pria iniciativa, e basear-se em racioc\u00ednios pr\u00f3prios para cumprir a promessa de Deus. Vejamos a situa\u00e7\u00e3o do grande Patriarca, que, mesmo tendo recebido o chamado para partir e a promessa de fecundidade, ainda n\u00e3o tinha filhos, sendo sua esposa, Sarai, est\u00e9ril. Diante da impossibilidade de acontecer uma gravidez e, ao mesmo tempo, preocupados em realizar a promessa da numerosa descend\u00eancia feita por Deus, Sarai prop\u00f5e que Abr\u00e3o gere um filho com a escrava Agar, para que, por meio desta, tivessem uma descend\u00eancia \u2013 e ele consente. Mas n\u00e3o era esse tipo de confian\u00e7a que Deus esperava dele; os planos de Deus eram outros: \u201cN\u00e3o ser\u00e1 este o teu herdeiro, mas sim um que h\u00e1 de sair de tuas entranhas\u201d (Gn 15,4). E n\u00e3o somente promete uma posteridade com sua verdadeira esposa, mas uma posteridade extremamente numerosa: \u201c\u2018Olha para o c\u00e9u e conta as estrelas, se puderes\u2019. E acrescentou: \u2018Assim ser\u00e1 a tua posteridade\u2019\u201d (Gn 15,5. E, mais uma vez, Abr\u00e3o confia porque tem f\u00e9, tem a certeza das coisas que ainda n\u00e3o v\u00ea (cf. Hb 11,1): \u201cCreu Abr\u00e3o no Senhor, e lhe foi imputado como justi\u00e7a\u201d(Gn 15,6).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0A tentativa de Sarai e Abr\u00e3o de anteciparem o cumprimento da promessa da descend\u00eancia, e a atitude de Deus em manter o seu des\u00edgnio por um caminho que aparentemente n\u00e3o seria poss\u00edvel para o casal, deve nos fazer lembrar que \u201cn\u00e3o vos compete conhecer os tempos e os momentos que o Pai fixou com sua pr\u00f3pria autoridade\u201d (At 1,7). \u201cComo s\u00e3o impenetr\u00e1veis os seus ju\u00edzos e incompreens\u00edveis os seus caminhos! Quem pode conhecer a mente do Senhor, ou ser seu conselheiro?\u201d (Rm 11,33-34). \u00c9 grande demais o mist\u00e9rio da vontade de Deus para que possa ser por n\u00f3s previsto e calculado. E sua onipot\u00eancia \u00e9 a garantia de que Ele pode realizar o que promete. Se Ele chama algu\u00e9m para uma determinada voca\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m quer instru\u00ed-lo e prepar\u00e1-lo, porque Ele n\u00e3o chama sem que haja um projeto previsto. Por isso, \u00e9 indispens\u00e1vel \u00e0queles que querem seguir a pr\u00f3pria voca\u00e7\u00e3o ter uma f\u00e9 s\u00f3lida e um cora\u00e7\u00e3o virtuoso que se deixe guiar pelos sinais e ensinamentos confiados pelo Senhor \u00e0 sua Igreja, como portadora da Sua voz em favor dos batizados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ao nos chamar, Deus nos enriquece com diversos \u201ctalentos\u201d para que os multipliquemos, e possamos entreg\u00e1-los pelo bem dos filhos e filhas espirituais que Ele nos confia (cf. Mt 25,14-30; Lc 19,12-27). Contudo, a multiplica\u00e7\u00e3o dos \u201ctalentos pessoais\u201d n\u00e3o pode ser dissociada da gera\u00e7\u00e3o de vida, na comunh\u00e3o com Deus, sob a \u00f3tica do amor a Ele e ao pr\u00f3ximo, pois os frutos do trabalho s\u00f3 fazem sentido se proporcionam um verdadeiro compromisso de vida interior. Assim nos ensina S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II: \u201cO Esp\u00edrito Santo e a Igreja, sua m\u00edstica Esposa, repetem tamb\u00e9m aos homens e \u00e0s mulheres do nosso tempo o seu \u2018Vem!\u2019. Vem ao encontro do Verbo Encarnado, que quer tornar-te part\u00edcipe de sua pr\u00f3pria vida! Vem acolher o chamado de Deus, vencendo titubeios e adiamentos! Vem e descobre a hist\u00f3ria de amor que Deus teceu com a humanidade: Ele quer realiz\u00e1-la tamb\u00e9m contigo. Vem, e saboreia a alegria do perd\u00e3o acolhido e dado. O muro de separa\u00e7\u00e3o que existia entre Deus e o homem, e entre os mesmos seres humanos, foi demolido. As culpas foram perdoadas, o banquete da vida est\u00e1 preparado para todos. Felizes aqueles que, atra\u00eddos pela for\u00e7a da Palavra, e plasmados pelos Sacramentos, pronunciam o seu \u2018Estou aqui!\u2019. Eles se encaminham pela estrada da total e radical perten\u00e7a a Deus, fortes da esperan\u00e7a que n\u00e3o decepciona, \u2018porque o amor de Deus foi derramado em nossos cora\u00e7\u00f5es por meio do Esp\u00edrito Santo que nos foi dado\u2019 (<em>Rm<\/em>\u00a05,5).\u201d<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\"><sup>[11]<\/sup><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Deus comunica a sua vontade<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0Muitas vezes Deus se utiliza de intermedi\u00e1rios para comunicar sua vontade a uma pessoa. Santa Teresa de Jesus, grande carmelita m\u00edstica e doutora da Igreja, afirma que os convites e vozes do Senhor para aqueles que, vivendo em meio ao mundo, decidem se aproximar dele por meio de uma vida de ora\u00e7\u00e3o s\u00e9ria, n\u00e3o s\u00e3o fen\u00f4menos m\u00edsticos extraordin\u00e1rios, mas \u201cs\u00e3o palavras que se ouvem de gente boa, ou serm\u00f5es, ou leituras de bons livros e outras coisas que nos s\u00e3o ditas em determinadas ocasi\u00f5es, das quais Deus se serve para nos chamar. Ou ainda doen\u00e7as, sofrimentos, e tamb\u00e9m certas verdades que ele nos ensina nos momentos passados em ora\u00e7\u00e3o\u201d.<a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\"><sup>[12]<\/sup><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Aquele que se p\u00f5e \u00e0 escuta de Deus, buscando descobrir Sua vontade, tem de considerar que Sua voz pode vir abafada por ru\u00eddos vindos do mundo, que inculcam valores e desejos muitas vezes opostos \u00e0 vontade divina, como tamb\u00e9m podem vir de ru\u00eddos do pr\u00f3prio interior da pessoa; seus gostos, inclina\u00e7\u00f5es, desejos, concupisc\u00eancia, que se op\u00f5em a inspira\u00e7\u00e3o divina, quase sempre gratificando em satisfa\u00e7\u00f5es e conforto os pr\u00f3prios interesses pessoais.<a href=\"#_ftn13\" name=\"_ftnref13\"><sup>[13]<\/sup><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0Recuperando o exemplo de Abr\u00e3o, Deus mais uma vez lhe falou, aos 99 anos, ou seja, treze anos ap\u00f3s o nascimento de seu filho com a escrava Agar. Depois desse longo percurso, Deus n\u00e3o s\u00f3 reafirma a voca\u00e7\u00e3o \u00e0 fecundidade, mas promete que o casal gerar\u00e1 uma linhagem de reis. O Senhor muda o nome de Abr\u00e3o para Abra\u00e3o: o nome que significa \u201cpai de muitos\u201d agora \u00e9 trocado por um que significa \u201cpai de uma multid\u00e3o\u201d. A mudan\u00e7a do nome implica em uma mudan\u00e7a decisiva na vida de Abra\u00e3o. Deus confirma que Ele mesmo realizar\u00e1 em sua vida a promessa que fez.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A concretiza\u00e7\u00e3o do chamado a Abra\u00e3o ocorre quando ele se torna pai de Isaac: \u201cO Senhor visitou Sara, como havia dito, e cumpriu o que prometera. No tempo marcado por Deus, concebeu ela e deu a Abra\u00e3o um filho, embora estivesse ele j\u00e1 muito velho\u201d (Gn 21,1-2). Em seu tempo de vida, ele ter\u00e1 Isaac como \u00fanico filho com Sara, e, por meio desse filho, a promessa de Deus se realizar\u00e1, resultando em uma linhagem de reis, at\u00e9 o nascimento daquele que \u00e9 o Rei dos Reis, Cristo Jesus. Observando-se, por\u00e9m, a trajet\u00f3ria de Abra\u00e3o, pode-se dizer que a concretiza\u00e7\u00e3o de uma posteridade numerosa como as estrelas n\u00e3o foi vista por ele e por sua esposa. \u201cTodas essas pessoas morreram com f\u00e9, sem terem recebido os bens prometidos. Mas os viram de longe e os saudaram. E confessaram que eram estrangeiros e andarilhos por este mundo\u201d (Hb 11,13).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Crer e p\u00f4r-se a caminho!<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0Desde o primeiro chamado, quando Abra\u00e3o estava em Haran, seguindo pelo caminho at\u00e9 o nascimento de Isaac, o patriarca foi recolhendo frutos de sua jornada. Ainda que n\u00e3o tenha visto o povo hebreu povoar o territ\u00f3rio, nem o surgimento da realeza de Israel, e muito menos o reinado de Cristo, Abra\u00e3o foi construindo altares para Deus, fazendo sacrif\u00edcios em oferta; intercedeu em favor de seu povo; ajudou sua parentela. Esses sinais confirmam o caminho seguido e revelam que, se por um lado h\u00e1 diferen\u00e7a entre voca\u00e7\u00e3o e miss\u00e3o, na verdade a rela\u00e7\u00e3o entre elas \u00e9 intr\u00ednseca. A voca\u00e7\u00e3o \u00e9 o modo que Deus escolheu para a pessoa se unir a ele e ser plena, e a miss\u00e3o \u00e9 a atualiza\u00e7\u00e3o da voca\u00e7\u00e3o em cada momento da vida, ou seja, \u00e9 a express\u00e3o do chamado no tempo presente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0A voca\u00e7\u00e3o\/miss\u00e3o se inicia quando a pessoa decide p\u00f4r-se a caminho, na escuta de Deus, e s\u00f3 estar\u00e1 plenamente realizada na eternidade, quando todos os frutos, todas as estrelas, toda a posteridade, estiverem completos. De fato, cada voca\u00e7\u00e3o possui uma perspectiva escatol\u00f3gica: na medida em que vamos seguindo o caminho de nossa voca\u00e7\u00e3o, realizando a obra que o Pai nos confiou, na esperan\u00e7a dos bens futuros, vamos cooperando com a nossa salva\u00e7\u00e3o (cf. Fl 2,12).<a href=\"#_ftn14\" name=\"_ftnref14\"><sup>[14]<\/sup><\/a> \u201cAssim, \u2018enquanto habitamos no corpo, vivemos no ex\u00edlio longe do Senhor\u2019 (2Cor 5,6) e, apesar de possuirmos as prim\u00edcias do Esp\u00edrito, gememos dentro de n\u00f3s (cf. Rm 8,23) e suspiramos por estar com Cristo (cf. Fl 1,23)\u201d.<a href=\"#_ftn15\" name=\"_ftnref15\"><sup>[15]<\/sup><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0Abra\u00e3o, ao p\u00f4r-se a caminho e crer naquilo que Deus lhe dizia, respondia positivamente ao chamado: seria contradit\u00f3rio partir em um sentido e dar respostas opostas nas etapas sucessivas desse caminho, como se n\u00e3o houvesse um destino claro que o levasse de Haran at\u00e9 Cana\u00e3, ou da infertilidade \u00e0 fertilidade. Cada passo reflete a orienta\u00e7\u00e3o seguida no decorrer da resposta a ser dada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0Verifica-se na vida de Abra\u00e3o que, ap\u00f3s a alian\u00e7a e o cumprimento do in\u00edcio da promessa de posteridade, Deus o p\u00f5e \u00e0 prova em seu amor e em sua confian\u00e7a pedindo a vida de seu filho Isaac. Deus n\u00e3o quer perder o cora\u00e7\u00e3o de Abra\u00e3o, pois Ele \u00e9 zeloso por aqueles que ama. O pedido de Deus tem um valor formativo e medicinal: formativo porque recorda ao homem sobre a sua condi\u00e7\u00e3o de criatura que deve render culto ao seu Criador e viver em justi\u00e7a, seguindo o Seu falar, pois Aquele que escolheu, tamb\u00e9m chamou e guiou os passos, e fez uma alian\u00e7a de ser o Deus de muitas gera\u00e7\u00f5es. Ao mesmo tempo \u00e9 medicinal porque Deus sabe que, com grande facilidade, o homem termina por amar mais a si mesmo e aquilo que recebeu do que o pr\u00f3prio Deus, pois, como os nossos primeiros pais, o homem procura ser senhor de sua pr\u00f3pria verdade e de sua pr\u00f3pria vida (cf. Gn 3,1-6). \u201cToma teu filho, teu \u00fanico filho, que tanto amas, Isaac, e vai \u00e0 regi\u00e3o de Moriah e l\u00e1 oferec\u00ea-lo-\u00e1s em holocausto sobre um dos montes que te indicarei\u201d (Gn 22,2). Eis o grande momento de Abra\u00e3o renovar o seu amor. Deus, que pedagogicamente pede, n\u00e3o tem medo de faz\u00ea-lo sofrer a ang\u00fastia da perda, porque Ele \u00e9 o Senhor do encontro e da vida. No ato de obedi\u00eancia a Deus de Abra\u00e3o, se revelar\u00e1 a vida em abund\u00e2ncia, a vida do Eterno. S\u00f3 Deus pode dar e manter a vida e ningu\u00e9m mais. Se de tudo o que de gra\u00e7a recebeu retiver para si alguma coisa, isso n\u00e3o permanecer\u00e1 em vida, pois o homem, por si mesmo, n\u00e3o consegue manter nada em vida. Tudo morrer\u00e1 e se perder\u00e1, e levar\u00e1 consigo tamb\u00e9m o cora\u00e7\u00e3o do homem que o ret\u00e9m. Por\u00e9m, tudo aquilo que o homem perder pela Palavra de Deus viver\u00e1 eternamente. Deus sabe o que pede a Abra\u00e3o e ele precisa dar esse passo. Deus n\u00e3o duvida de sua obedi\u00eancia porque recebe cada ato do homem, mas Abra\u00e3o precisa crescer e tornar-se forte em seus atos at\u00e9 que seu cora\u00e7\u00e3o n\u00e3o mais oponha resist\u00eancia a Deus. Por isso, por amor a Abra\u00e3o, Deus, em sua infinita bondade e paternidade, o colocar\u00e1 \u00e0 prova quantas vezes for necess\u00e1rio, para que cres\u00e7a no amor e na confian\u00e7a e n\u00e3o se esque\u00e7a de que, no in\u00edcio de tudo, ele entregou a vida em Suas m\u00e3os. O amor de Abra\u00e3o por Deus se revelar\u00e1 em sua livre escolha por obedecer mais uma vez a Sua voz, entregando a Ele aquilo que mais amava: seu filho Isaac. O amor de Abra\u00e3o ganhou forma est\u00e9tica e plasmou-se como exuberante virtude divina em sua hist\u00f3ria e em sua alma, atrav\u00e9s da obedi\u00eancia a Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0O sacrif\u00edcio de Isaac, ainda que n\u00e3o consumado, \u00e9 prefigura\u00e7\u00e3o do sacrif\u00edcio redentor de Cristo, que ser\u00e1 levado a cabo no Monte Calv\u00e1rio como salva\u00e7\u00e3o para o mundo. Encontramos aqui o sentido da ren\u00fancia na viv\u00eancia da voca\u00e7\u00e3o. \u201cJesus disse a seus disc\u00edpulos: \u2018Se algu\u00e9m quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me, pois, quem quiser salvar a sua vida vai perd\u00ea-la; mas quem perder a vida por amor de mim vai encontr\u00e1-la de novo\u2019\u201d (Mt 16,24-25). Na voca\u00e7\u00e3o sacerdotal, o sacrif\u00edcio \u00e9 uma realidade que se tornar\u00e1 prof\u00edcua quando vivida em comunh\u00e3o com Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>A voca\u00e7\u00e3o s\u00f3 frutifica em Deus<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Os frutos de uma voca\u00e7\u00e3o dependem da correspond\u00eancia aos planos de Deus; afinal, tudo ser\u00e1 ensinado por Cristo, aprendido em Cristo e praticado em comunh\u00e3o com Cristo. Desse modo, fora daquilo que Ele ensinou, n\u00e3o h\u00e1 nada que seja agrad\u00e1vel aos Seus olhos, porque tudo que recebeu do Pai Ele nos transmitiu. Fora d\u2019Ele restar\u00e1 somente aquilo que \u00e9 do homem e que necessariamente ser\u00e1 pecado. N\u00e3o h\u00e1 um modo de viver a voca\u00e7\u00e3o e o exerc\u00edcio mission\u00e1rio da pr\u00f3pria voca\u00e7\u00e3o como algo auto referencial. Isso \u00e9 completamente desagrad\u00e1vel aos olhos de Deus. Ainda que o indiv\u00edduo quisesse acreditar que possui a autonomia de determinar seu caminho, tudo aquilo que for alheio \u00e0 vontade do Senhor e ao modo como Jesus nos ensinou a viver n\u00e3o alcan\u00e7ar\u00e1 a plenitude de que seria capaz e estar\u00e1 condenado \u00e0 ruina ao longo do tempo. Mesmo totalmente sob a vontade do Pai, n\u00e3o ser\u00e1 uma tarefa f\u00e1cil, mas se torna poss\u00edvel porque \u00e9 Palavra e mandamento divino, e s\u00f3 se realizar\u00e1 no cora\u00e7\u00e3o daqueles que confiam em Deus e encontram a sua for\u00e7a no Senhor. A for\u00e7a de Deus se manifesta em nossa fraqueza humana somente quando trilhamos o caminho da humildade e do abandono a Ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Guiados pelo Esp\u00edrito Santo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0A for\u00e7a do Esp\u00edrito Santo e a gra\u00e7a que s\u00e3o conferidas ao sacerdote com o sacramento da Ordem, colocam-no num estado de vida diferente dos demais homens. Na viv\u00eancia da vida sacerdotal, ser\u00e3o de grande valia todo progresso nas dimens\u00f5es humana, espiritual, intelectual e pastoral, adquirido com os anos de forma\u00e7\u00e3o. O mundo oferece muitas prova\u00e7\u00f5es e ocasi\u00f5es de afastamento do caminho pensado por Deus, mas, fortalecido por todos os dons recebidos, perseverante na ora\u00e7\u00e3o e na dire\u00e7\u00e3o espiritual e fiel \u00e0 miss\u00e3o que lhe foi confiada, tudo ser\u00e1 superado pelo sacerdote. Certamente, poder\u00e1 acontecer uma situa\u00e7\u00e3o na qual algu\u00e9m sofra a queda n\u00e3o somente com rela\u00e7\u00e3o ao pecado, mas ao esfriamento do amor que um dia o impeliu a seguir Cristo. O que fazer? S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II nos ensina: \u201cA ora\u00e7\u00e3o ajuda-nos a crer, a esperar e a amar, mesmo quando a isso se op\u00f5e a nossa fraqueza humana. A ora\u00e7\u00e3o permite-nos, ainda, redescobrir continuamente as dimens\u00f5es daquele Reino, cuja vinda suplicamos todos os dias, ao repetir as palavras que Cristo nos ensinou. Damo-nos ent\u00e3o conta\u00a0do nosso lugar na realiza\u00e7\u00e3o desta peti\u00e7\u00e3o: \u2018<em>Venha a n\u00f3s o vosso Reino<\/em>\u2019. Vemos assim quanto somos necess\u00e1rios para que ela se torne realidade. Talvez, ao rezar, descobrimos mais facilmente aqueles \u2018campos que j\u00e1 branquejam para a ceifa\u2019 (Jo 4,35) e compreendamos melhor o significado das palavras que Cristo pronunciou ao entrev\u00ea-los: \u2018Rogai, pois, ao Senhor da messe que envie trabalhadores para a sua messe\u2019 (Mt 9,38).\u201d<a href=\"#_ftn16\" name=\"_ftnref16\"><sup>[16]<\/sup><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ao meditamos sobre as voca\u00e7\u00f5es, n\u00e3o podemos esquecer da Virgem Maria. Ela que \u00e9 \u201cmembro supereminente e absolutamente singular da Igreja\u201d, \u00e9 tamb\u00e9m seu \u201cprot\u00f3tipo e modelo acabado\u201d.<a href=\"#_ftn17\" name=\"_ftnref17\"><sup>[17]<\/sup><\/a> De fato, na perspectiva do caminho vocacional, Maria escuta o an\u00fancio do Anjo Gabriel e d\u00e1 o seu \u201csim\u201d para o projeto de Deus, ainda que n\u00e3o vislumbrasse como ele se realizaria. Em nenhum momento procura interferir nos planos de Deus para seu Filho ou para si mesma, mas se coloca totalmente dispon\u00edvel, guardando e meditando todas as promessas em seu cora\u00e7\u00e3o (cf. Lc 2,19). Em tudo aprendeu e cresceu iluminada e guiada pelo Esp\u00edrito Santo, atrav\u00e9s da obedi\u00eancia a Deus pela escuta atenta e o sil\u00eancio interior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Bento XVI, Mensagem pelo 43\u00ba Dia Mundial de Ora\u00e7\u00e3o pelas Voca\u00e7\u00f5es, 07\/05\/2006.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Jo\u00e3o Paulo II, 16\u00aa Mensagem para o Dia Mundial das Voca\u00e7\u00f5es (06\/01\/1979)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Jo\u00e3o Paulo II, 38\u00aa Mensagem para o Dia Mundial de Ora\u00e7\u00e3o pelas Voca\u00e7\u00f5es, 06\/05\/2001.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> O sacerdote \u201c\u00e9 tomado dentre os homens e designado para servir a Deus em favor deles\u201d. Os prop\u00f3sitos e promessas manifestados no rito de ordena\u00e7\u00e3o incluem (1) desempenhar sempre a miss\u00e3o de sacerdote no grau de Presb\u00edtero, como fiel colaborador dos Bispos, apascentando o rebanho do Senhor, sob a dire\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo; (2) desempenhar com dignidade e sabedoria o minist\u00e9rio da palavra, proclamando o Evangelho e ensinando a f\u00e9 cat\u00f3lica; (3) celebrar com devo\u00e7\u00e3o e fidelidade os mist\u00e9rios de Cristo (sacramentos), sobretudo a Eucaristia, a Reconcilia\u00e7\u00e3o, segundo a tradi\u00e7\u00e3o da Igreja, para louvor de Deus e santifica\u00e7\u00e3o do povo crist\u00e3o; (4) ser ass\u00edduo ao dever da ora\u00e7\u00e3o (Liturgia das Horas, em especial, conforme promessa feita na ordena\u00e7\u00e3o diaconal), implorando a miseric\u00f3rdia de Deus em favor do povo a ele confiado; (5) unir-se cada vez mais ao Cristo e com ele ser consagrado a Deus para salva\u00e7\u00e3o da humanidade; (6) prometer respeito e obedi\u00eancia ao Bispo e seus sucessores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> Jo\u00e3o Paulo II, 38\u00aa Mensagem para o Dia Mundial de Ora\u00e7\u00e3o pelas Voca\u00e7\u00f5es, (06\/05\/2001)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> FRANCISCO, 52\u00aa Mensagem para o Dia Mundial das Voca\u00e7\u00f5es, (26\/04\/2015)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> Cf. CONGREGA\u00c7\u00c3O PARA O CLERO, O dom da Voca\u00e7\u00e3o Presbiteral, 43.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a> Cf. CONGREGA\u00c7\u00c3O PARA O CLERO, O dom da Voca\u00e7\u00e3o Presbiteral, 28.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a> FRANCISCO, 54\u00aa Mensagem para o Dia Mundial das Voca\u00e7\u00f5es, 07\/05\/2017.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[10]<\/a>JO\u00c3O PAULO II, Pastores <em>Dabo Vobis<\/em>, 29.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[11]<\/a> Jo\u00e3o Paulo II, 35\u00aa Mensagem para o Dia Mundial de Ora\u00e7\u00e3o pelas Voca\u00e7\u00f5es, (03.05.1998)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\">[12]<\/a> Santa Teresa de Jesus. <em>Castelo Interior ou Moradas<\/em>. S\u00e3o Paulo: Paulus, 1981, p. 42.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"#_ftnref13\" name=\"_ftn13\">[13]<\/a> Um exemplo forte para isso est\u00e1 na dimens\u00e3o psicoafetiva. Apesar da sua import\u00e2ncia, essa dimens\u00e3o, n\u00e3o deve assumir papel norteador para a tomada das decis\u00f5es finais de discernimento. A dimens\u00e3o psicoafetiva se ilumina, enriquece e robustece atrav\u00e9s da vida sacramental, da ora\u00e7\u00e3o e da viv\u00eancia comunit\u00e1ria que dar\u00e3o a forma para os frutos do Esp\u00edrito Santo, como paz, paci\u00eancia, alegria, castidade, mansid\u00e3o, fidelidade etc. Por isso, insistimos no fato de que o itiner\u00e1rio formativo e seu discernimento s\u00e3o um percurso, progressivo, gradual, integral e comunit\u00e1rio que envolve harmonicamente todas as dimens\u00f5es da forma\u00e7\u00e3o sacerdotal. (Cf. JO\u00c3O PAULO II, <em>Pastores Dabo Vobis<\/em>, 43-56; Cf. CONGREGA\u00c7\u00c3O PARA O CLERO, O dom da Voca\u00e7\u00e3o Presbiteral, 3.)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"#_ftnref14\" name=\"_ftn14\">[14]<\/a> Cf. Lumen Gentium, n. 48. In: <em>Documentos do Conc\u00edlio Ecum\u00eanico Vaticano II<\/em>. S\u00e3o Paulo: Paulus, 1997, p. 172.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"#_ftnref15\" name=\"_ftn15\">[15]<\/a> Cf. LG 48<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"#_ftnref16\" name=\"_ftn16\">[16]<\/a> Jo\u00e3o Paulo II, Carta aos sacerdotes por ocasi\u00e3o da Quinta-feira Santa, 1979.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"#_ftnref17\" name=\"_ftn17\">[17]<\/a> Lumen Gentium, n. 53. In: <em>Documentos do Conc\u00edlio Ecum\u00eanico Vaticano II<\/em>. S\u00e3o Paulo: Paulus, 1997, p. 180.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cardeal Orani Jo\u00e3o Cardeal Tempesta Arcebispo Metropolitano de S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Rio de Janeiro (RJ) Com a conclus\u00e3o do Ano Nacional do Laicato no ano passado, quando tivemos a oportunidade de refletir sobre a voca\u00e7\u00e3o batismal e, a partir desta, sobre a vida e a miss\u00e3o dos crist\u00e3os leigos e leigas na Igreja e no &hellip;<\/p>\n<p class=\"read-more\"> <a class=\"\" href=\"https:\/\/www.cnbb.org.br\/rezemos-pelas-vocacoes-2\/\"> <span class=\"screen-reader-text\">Rezemos pelas voca\u00e7\u00f5es<\/span> Leia mais &raquo;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":31,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[758],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/35002"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/31"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=35002"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/35002\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=35002"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=35002"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=35002"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}