{"id":352116,"date":"2021-07-14T11:13:05","date_gmt":"2021-07-14T14:13:05","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=352116"},"modified":"2021-07-14T11:14:40","modified_gmt":"2021-07-14T14:14:40","slug":"formar-para-a-comunhao-7","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/formar-para-a-comunhao-7\/","title":{"rendered":"Formar para a Comunh\u00e3o (7)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Dom Antonio de Assis Ribeiro<\/strong><br \/>\n<strong>Bispo Auxiliar de Bel\u00e9m do Par\u00e1 (PA)<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pr\u00e1tica de atitudes que contribuem para a promo\u00e7\u00e3o da comunh\u00e3o eclesial s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel atrav\u00e9s de um s\u00e9rio investimento formativo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para que a nossa f\u00e9 possa ser testemunhada necessita que seja amadurecida atrav\u00e9s de um processo de forma\u00e7\u00e3o. Todo conte\u00fado que n\u00e3o \u00e9 assimilado tamb\u00e9m n\u00e3o poder\u00e1 ser traduzido em comportamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso n\u00e3o podemos descartar a necessidade da forma\u00e7\u00e3o da f\u00e9. A f\u00e9 precisa ser educada. Isso significa conceb\u00ea-la como uma realidade portadora de um potencial que deve ser processado pela raz\u00e3o para ser aplicado concretamente. Caso contr\u00e1rio, ca\u00edmos no fideismo vazio ou no espiritualismo est\u00e9ril. Isso acontece quando a f\u00e9 n\u00e3o desenvolve a sua dimens\u00e3o moral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesta reflex\u00e3o consideremos alguns investimentos formativos importantes para a pr\u00e1tica de atitudes de comunh\u00e3o. Recordemos o que nos diz o Documento de Aparecida sobre a import\u00e2ncia da forma\u00e7\u00e3o do disc\u00edpulo de Jesus: \u201cO caminho de forma\u00e7\u00e3o do seguidor de Jesus lan\u00e7a suas ra\u00edzes na natureza din\u00e2mica da pessoa e no convite pessoal de Jesus Cristo, que chama os seus pelo nome e estes o seguem porque lhe conhecem a voz. O Senhor despertava as aspira\u00e7\u00f5es profundas de seus disc\u00edpulos e os atra\u00eda a si, maravilhados. O seguimento \u00e9 fruto de uma fascina\u00e7\u00e3o que responde ao desejo de realiza\u00e7\u00e3o humana, ao desejo de vida plena. O disc\u00edpulo \u00e9 algu\u00e9m apaixonado por Cristo, a quem reconhece como o mestre que o conduz e acompanha\u201d (Doc. AP, 212).<\/p>\n<p><strong>Fortalecer a rela\u00e7\u00e3o entre F\u00e9 e Vida<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O processo de forma\u00e7\u00e3o da f\u00e9, que pode acontecer de diversas formas como atrav\u00e9s da catequese, deve considerar deste os primeiros passos da evangeliza\u00e7\u00e3o, a inseparabilidade entre f\u00e9 e vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso significa que a evangeliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o deve ser concebida como uma esp\u00e9cie de transmiss\u00e3o de doutrina que simplesmente compromete a mem\u00f3ria do fiel, mas n\u00e3o desperta para a mudan\u00e7a de atitudes de vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">F\u00e9 e vida caminham juntas, s\u00e3o interdependentes. A f\u00e9 compromete ou gera impacto na din\u00e2mica da vida, bem como a vida \u00e9 promovida pelos conte\u00fados da f\u00e9.<\/p>\n<p><strong>Promover o amor a Deus e ao pr\u00f3ximo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assimilada a inseparabilidade entre f\u00e9 e vida, o fiel, paulatinamente, ser\u00e1 chamado \u00e0 pr\u00e1tica do Amor a Deus e ao pr\u00f3ximo. Essa exig\u00eancia, deste o in\u00edcio foi muito refletida nas comunidades primitivas, por isso, S\u00e3o Jo\u00e3o com muita firmeza afirmou para as suas comunidades: \u201cAmados, amemo-nos uns aos outros, pois o amor vem de Deus. E todo aquele que ama, nasceu de Deus e conhece a Deus. Quem n\u00e3o ama n\u00e3o conhece a Deus, porque Deus \u00e9 amor\u201d (1Jo 4,7-8); \u201cQuanto a n\u00f3s, amemos, porque ele nos amou primeiro. Se algu\u00e9m diz: \u00abEu amo a Deus\u00bb, e no entanto odeia o seu irm\u00e3o, esse tal \u00e9 mentiroso; pois quem n\u00e3o ama o seu irm\u00e3o, a quem v\u00ea, n\u00e3o poder\u00e1 amar a Deus, a quem n\u00e3o v\u00ea\u201d. (1Jo 4,19-20).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A comunh\u00e3o eclesial deve ser vis\u00edvel, vivida por cada fiel, \u00e9 a tradu\u00e7\u00e3o do amor em dupla rela\u00e7\u00e3o, para com Deus e com o pr\u00f3ximo. O amor ao pr\u00f3ximo visibiliza o nosso amor a Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quanto menos consci\u00eancia da necessidade do amor fraterno, menos sinais de comunh\u00e3o haver\u00e1 numa comunidade. \u00c9 nesse contexto de pr\u00e1tica do Amor que deve-se apresentar o ideal da santidade crist\u00e3.<\/p>\n<p><strong>A dimens\u00e3o moral da catequese<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao final da par\u00e1bola do semeador, Jesus afirma que as sementes que produziram frutos foram aquelas que compreenderam a palavra acolhida (cf. Mt 9). Isso quer dizer que a catequese tem uma dimens\u00e3o moral, ou seja, deve facilitar o processo de compreens\u00e3o de suas exig\u00eancias, estimular compromissos, incentivar o exerc\u00edcio de virtudes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando a dimens\u00e3o moral da catequese \u00e9 negligenciada tudo se reduz a ideias as serem decoradas. A catequese ao apresentar aos catequizandos os mist\u00e9rios da f\u00e9, deve tamb\u00e9m oportunizar o crescimento no amor aos outros. Por isso, n\u00e3o basta apresentar a pessoa de Jesus, \u00e9 preciso que sejam estimulados a am\u00e1-lo, admir\u00e1-lo, segui-lo, imit\u00e1-lo! N\u00e3o basta que conhe\u00e7am a Igreja, \u00e9 necess\u00e1rio que a amem, estejam comprometidos com ela e tenham por ela um profundo sentido de perten\u00e7a, convictos de que a Igreja s\u00e3o pessoas, \u00e9 uma comunidade, uma fam\u00edlia reunida pela f\u00e9 em Jesus Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em geral quem, amadureceu o seu sentido de perten\u00e7a \u00e0 Igreja vai am\u00e1-la promovendo tudo o que estiver ao seu alcance para que ela se torne mais forte, cres\u00e7a, seja din\u00e2mica e significativa.<\/p>\n<p><strong>Promover estruturas de comunh\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A estrutura organizacional da Igreja, com a diversidade de seus organismos internos, est\u00e1 a servi\u00e7o da promo\u00e7\u00e3o da comunh\u00e3o e isso deve sempre ser recordado e aprofundado. Estamos nos referindo ao servi\u00e7o da autoridade do papa, do bispo, do p\u00e1roco, do coordenador de comunidade em n\u00edvel local, bem como, de qualquer outro coordenador de pastoral, grupo, movimento, associa\u00e7\u00e3o, servi\u00e7os. Todos devem contribuir com a comunh\u00e3o da Igreja e, por isso, sem exce\u00e7\u00e3o, no seu n\u00edvel de atua\u00e7\u00e3o espec\u00edfica, devem capacitar seus liderados para a comunh\u00e3o fraterna na Igreja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Especial aten\u00e7\u00e3o devemos dar \u00e0s inst\u00e2ncias de reflex\u00e3o, discernimento e decis\u00e3o, como s\u00e3o os conselhos. Os conselhos, respeitados seus \u00e2mbitos de atua\u00e7\u00e3o, s\u00e3o instrumentos de promo\u00e7\u00e3o do senso da colegialidade eclesial em vista do fortalecimento da Igreja e sua solidez na comunh\u00e3o. Mas \u00e9 bom recordar que n\u00e3o existe comunh\u00e3o sem vida fraterna.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muitas vezes as rupturas nas comunidades ou conflitos que enfraquecem a unidade fraterna s\u00e3o consequ\u00eancias da m\u00e1 gest\u00e3o dos conflitos ou desafios. O envolvimento dos outros, como discernimento comunit\u00e1rio, \u00e9 muito importante como fizeram os primeiros ap\u00f3stolos no incidente de Antioquia (cf. At 15).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A promo\u00e7\u00e3o da cultura da avalia\u00e7\u00e3o deve ser um compromisso desses instrumentos porque, quando atuam corretamente, fortalecem a fraternidade e alimentam a harmonia da Igreja. O bom costume da avalia\u00e7\u00e3o constante promove o senso de corresponsabilidade na Igreja que por sua vez contribui para a comunh\u00e3o da mesma.<\/p>\n<p><strong>Fortalecer a Vida Espiritual<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro compromisso que contribui decisivamente para a promo\u00e7\u00e3o da comunh\u00e3o eclesial em nossas comunidades \u00e9 o fortalecimento da vida espiritual das comunidades. A qualidade das nossas atitudes depende do teor da nossa vida espiritual. Recordemos as palavras de Jesus quando disse: <em>&#8220;O homem bom tira coisas boas do bom tesouro do seu cora\u00e7\u00e3o, e o homem mau tira coisas m\u00e1s do seu mau tesouro, porque a boca fala daquilo de que o cora\u00e7\u00e3o est\u00e1 cheio&#8221; (Lc 6,45); &#8220;\u00e9 do cora\u00e7\u00e3o que prov\u00eam os maus pensamentos, os homic\u00eddios, os adult\u00e9rios, as impurezas, os furtos, os falsos testemunhos, as cal\u00fanias&#8221; (Mt 15,19).<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O fortalecimento da vida espiritual de uma comunidade passa por experi\u00eancias bem concretas como, por exemplo, a ora\u00e7\u00e3o pessoal, a pr\u00e1tica da leitura orante da Palavra de Deus, a participa\u00e7\u00e3o em retiros espirituais, a frequente e consciente participa\u00e7\u00e3o aos sacramentos, etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>PARA REFLEX\u00c3O PESSOAL:<\/strong><\/p>\n<ol>\n<li style=\"text-align: justify;\">Quais s\u00e3o as consequ\u00eancias da f\u00e9 sem rela\u00e7\u00e3o com a vida?<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Porque as estruturas da organiza\u00e7\u00e3o pastoral da Igreja s\u00e3o importantes para a promo\u00e7\u00e3o da comunh\u00e3o?<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Quais atividades podem nos ajudar no fortalecimento da vida espiritual?<\/li>\n<\/ol>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Antonio de Assis Ribeiro Bispo Auxiliar de Bel\u00e9m do Par\u00e1 (PA) &nbsp; A pr\u00e1tica de atitudes que contribuem para a promo\u00e7\u00e3o da comunh\u00e3o eclesial s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel atrav\u00e9s de um s\u00e9rio investimento formativo. 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