{"id":35283,"date":"2019-09-17T00:00:00","date_gmt":"2019-09-17T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/o-valor-proprio-de-cada-arvore\/"},"modified":"2019-09-17T00:00:00","modified_gmt":"2019-09-17T03:00:00","slug":"o-valor-proprio-de-cada-arvore","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/o-valor-proprio-de-cada-arvore\/","title":{"rendered":"O valor pr\u00f3prio de cada \u00e1rvore"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><strong><em>Dom Jo\u00e3o Justino de Medeiros Silva<br \/>\n<\/em><em>Arcebispo de Montes Claros<\/em><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em 21 de setembro celebra-se o dia da \u00e1rvore. Em seguida, no dia 23 de setembro, no hemisf\u00e9rio sul, inicia-se a primavera. Essas duas refer\u00eancias do calend\u00e1rio s\u00e3o oportunas para tratar da quest\u00e3o ecol\u00f3gica. Em meio a terras ressequidas pelo sol escaldante e pela aus\u00eancia de chuvas, as terras norte-mineiras s\u00e3o um exemplo do sofrimento da casa comum. Nesse per\u00edodo de seca, as frequentes queimadas deixam um rastro de morte. O fogo consome a vegeta\u00e7\u00e3o, afugenta e mata animais, empobrece o solo. Assistimos inertes essa destrui\u00e7\u00e3o, resultado de interven\u00e7\u00f5es inadequadas na natureza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Papa Francisco, com sua sensibilidade \u00e0s quest\u00f5es humanas e sociais, abriu um novo cap\u00edtulo para a a\u00e7\u00e3o da Igreja na defesa da vida, o cap\u00edtulo ecol\u00f3gico, ao publicar, em 2015, a Carta Enc\u00edclica <em>Laudato si\u2019, Sobre o Cuidado da Casa Comum<\/em>. O Papa denuncia que \u201centre os pobres mais abandonados e maltratados, conta-se a nossa terra oprimida e devastada, que est\u00e1 gemendo como que em dores de parto\u201d (LS 2). O sofrimento da terra, nossa casa comum, \u00e9 tamb\u00e9m nosso sofrimento, pois \u201cn\u00f3s mesmos somos terra (cf. Gn 2,7). O nosso corpo \u00e9 constitu\u00eddo pelos elementos do planeta; o seu ar nos permite respirar, e a sua \u00e1gua nos vivifica e nos restaura\u201d (LS 2).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A enc\u00edclica acentua \u201co valor pr\u00f3prio de cada criatura\u201d quando postula que \u201cao mesmo tempo que podemos fazer um uso respons\u00e1vel das coisas, somos chamados a reconhecer que os outros seres vivos t\u00eam um valor pr\u00f3prio diante de Deus\u201d (LS 69). Como consequ\u00eancia dessa percep\u00e7\u00e3o, emerge a fundamental import\u00e2ncia da biodiversidade, que representa a diversidade da vida em todas as suas formas. Ela \u00e9 concebida, geralmente, em termos de n\u00famero de esp\u00e9cies, que estaria na casa dos milh\u00f5es. H\u00e1 muitas estimativas da quantidade de esp\u00e9cies da biosfera. De modo geral, afirma-se que n\u00f3s conhecemos apenas um d\u00e9cimo delas, ou menos ainda. A t\u00edtulo de curiosidade, sabe-se que cerca de dez mil tipos de formigas s\u00e3o conhecidos e catalogados, mas esse n\u00famero poder\u00e1 dobrar quando as regi\u00f5es tropicais forem investigadas de forma mais sistem\u00e1tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">N\u00f3s, humanos, n\u00e3o somos apenas benefici\u00e1rios, mas, sobretudo, guardi\u00e3es das outras criaturas, conforme j\u00e1 ensinava Papa Francisco na Exorta\u00e7\u00e3o <em>Evangelii Gaudium<\/em>: \u201cpela nossa realidade corp\u00f3rea, Deus uniu-nos t\u00e3o estreitamente ao mundo que nos rodeia, que a desertifica\u00e7\u00e3o do solo \u00e9 como uma doen\u00e7a para cada um, e podemos lamentar a extin\u00e7\u00e3o de uma esp\u00e9cie como se fosse uma mutila\u00e7\u00e3o\u201d (EG 215). Esta compreens\u00e3o contraria e supera a abordagem simplista de \u201cque as outras criaturas est\u00e3o totalmente subordinadas ao bem do ser humano, como se n\u00e3o tivessem um valor em si mesmas e fosse poss\u00edvel dispor delas \u00e0 nossa vontade\u201d (LS 69).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c9 urgente o compromisso de todos em favor de uma educa\u00e7\u00e3o que desperte e fundamente o cuidado com a casa comum. Como \u00e9, tamb\u00e9m, urgente, uma economia que valorize cada criatura. Somente uma nova compreens\u00e3o ecol\u00f3gica fundamentar\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o diferenciada do ser humano com as outras criaturas. E cada esp\u00e9cie \u2013 pequi, buriti, murici do cerrado, araticum, mangaba, entre outros tantos \u2013 poder\u00e1 sobreviver e oferecer \u00e0 humanidade seu valor pr\u00f3prio, nada dispens\u00e1vel para o Criador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Jo\u00e3o Justino de Medeiros Silva Arcebispo de Montes Claros &nbsp; Em 21 de setembro celebra-se o dia da \u00e1rvore. Em seguida, no dia 23 de setembro, no hemisf\u00e9rio sul, inicia-se a primavera. Essas duas refer\u00eancias do calend\u00e1rio s\u00e3o oportunas para tratar da quest\u00e3o ecol\u00f3gica. 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