{"id":35617,"date":"2019-10-17T00:00:00","date_gmt":"2019-10-17T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/auxiliar-de-manaus-diz-que-o-sinodo-incomodara-os-que-nao-foram-tocados-pelo-evangelho\/"},"modified":"2020-10-23T14:47:47","modified_gmt":"2020-10-23T17:47:47","slug":"auxiliar-de-manaus-diz-que-o-sinodo-incomodara-os-que-nao-foram-tocados-pelo-evangelho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/auxiliar-de-manaus-diz-que-o-sinodo-incomodara-os-que-nao-foram-tocados-pelo-evangelho\/","title":{"rendered":"Auxiliar de Manaus diz que o S\u00ednodo incomodar\u00e1 os que n\u00e3o foram tocados pelo Evangelho"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Em entrevista ao jornalista Silvonei Jos\u00e9, o bispo auxiliar de Manaus dom Jos\u00e9 Albuquerque disse que est\u00e1 muito contente em poder participar do S\u00ednodo para a regi\u00e3o Pan-Amaz\u00f4nica, de modo especial porque ele representa a Amaz\u00f4nia. &#8220;<em>N\u00f3s acreditamos que estamos aqui em nome das comunidades crist\u00e3s, n\u00f3s estamos aqui sendo fieis ao Evangelho de Jesus Cristo e, com certeza, n\u00f3s iremos incomodar todos aqueles nos quais o Evangelho muitas vezes n\u00e3o penetrou em suas mentalidades e no seu jeito de ser&#8221;, <\/em>disse o bispo. A entrevista, realizada nesta quinta-feira, dia 17, foi publicada na p\u00e1gina do Facebook da Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).<\/p>\n<p>Leia a entrevista na \u00edntegra:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Estamos quase terminando o ciclo de trabalho com os c\u00edrculos menores, os senhores est\u00e3o concluindo as propostas que depois ser\u00e3o apresentadas no relat\u00f3rio para toda a Assembleia. Que fotografia poderemos falar desses trabalhos?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>\u00c9 um trabalho espetacular! \u00c9 importante a gente sempre lembrar que estamos aqui dando continuidade a todo um trabalho de escuta. S\u00e3o quase dois anos de intensos trabalhos e neste dia aqui da Assembleia Sinodal, n\u00f3s temos a preocupa\u00e7\u00e3o de sermos fieis \u00e0quilo que n\u00f3s debatemos, estudamos, refletimos, ent\u00e3o sem d\u00favida \u00e9 um trabalho muito bonito, muito bem organizado, est\u00e1 sendo muito bem assessorado e a gente percebe uma participa\u00e7\u00e3o muito intensa. N\u00f3s n\u00e3o estamos nem falando e nem agindo em nosso nome, mas estamos aqui trazendo presente a vida din\u00e2mica de todas essas comunidades que est\u00e3o nesta vasta Amaz\u00f4nia que para n\u00f3s tem sempre esse aspecto muito bonito, somos Pan-Amaz\u00f4nia ent\u00e3o o nosso cora\u00e7\u00e3o tem que ser sempre alargado, tem que ser visto sempre a partir desta regi\u00e3o que \u00e9 t\u00e3o diversa, t\u00e3o rica e t\u00e3o complexa, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil a gente tratar de uma regi\u00e3o t\u00e3o pitoresca do nosso planeta.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Que ar voc\u00ea respira l\u00e1 dentro?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>Um ar muito fraterno. Eu enfatizo esse clima muito fraterno de grande respeito, de uma preocupa\u00e7\u00e3o grande de podermos nos conhecer mais, ent\u00e3o \u00e9 bonito a gente v\u00ea essa aproxima\u00e7\u00e3o que estamos tendo, de n\u00f3s bispos brasileiros, os outros irm\u00e3os bispos brasileiros, dos irm\u00e3os bispos dos pa\u00edses que formam a Amaz\u00f4nia, ent\u00e3o \u00e9 um clima de muito respeito, de muito aprendizado e isso \u00e9 uma experi\u00eancia in\u00e9dita. N\u00f3s estamos vivendo realmente uma comunh\u00e3o eclesial, \u00e9 claro que o Papa tem muito a ver com esse clima de cordialidade, de preocupa\u00e7\u00e3o, de sempre entender aquilo que est\u00e1 sendo apresentado, ent\u00e3o \u00e9 um tempo muito bonito, de grande comunh\u00e3o que nos integra e estar aqui no Vaticano para n\u00f3s nos liga a toda uma hist\u00f3ria da Igreja que quis ser e quer ser uma presen\u00e7a prof\u00e9tica na Amaz\u00f4nia. Que isso seja um sinal para o mundo inteiro!<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>O S\u00ednodo foi precedido por tantas pol\u00eamicas, tantas acusa\u00e7\u00f5es. Por que tanta coisa, por que tanta d\u00favida, tantas pol\u00eamicas? E depois porque levam um encontro como esse com tanta import\u00e2ncia e urg\u00eancia para um lado negativo?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>N\u00f3s temos como ponto de partida sempre a pessoa de Jesus Cristo, o seu projeto, a sua pr\u00e1tica, ent\u00e3o assim como Jesus Cristo enfrentou situa\u00e7\u00f5es delicadas, dif\u00edceis no seu tempo, a Igreja tamb\u00e9m \u00e9 claro sendo fiel a este caminho est\u00e1 tocando quest\u00f5es que de algum modo pode ser mal entendida, mal interpretada, mas n\u00f3s queremos aqui sempre reafirmar a miss\u00e3o da Igreja que \u00e9 a de estar atenta ao clamor do povo de Deus, de modo especial dos mais fragilizados e o Papa Francisco tem nos ajudado muito a perceber que precisamos ter um olhar atento, de compaix\u00e3o para com os nossos irm\u00e3os ind\u00edgenas, para os nossos irm\u00e3os que est\u00e3o nos lugares mais distantes, das comunidades ribeirinhas, ent\u00e3o n\u00f3s queremos de algum modo ser de fato uma presen\u00e7a, mas tamb\u00e9m aprender com eles, porque como n\u00f3s escutamos desde todo o processo sinodal ningu\u00e9m cuida melhor da cria\u00e7\u00e3o que Deus nos deu do que os irm\u00e3os ind\u00edgenas, do que os nossos irm\u00e3os que est\u00e3o nas comunidades mais distantes, ent\u00e3o n\u00f3s estamos diante de tudo aqui para aprender.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>Primeiro para aproveitar dessa riqueza que \u00e9 milenar, ent\u00e3o n\u00f3s estamos tamb\u00e9m num processo de escuta e de aprendizagem, ent\u00e3o aqueles que de algum modo n\u00e3o entendem o processo sinodal precisam se rever, at\u00e9 mesmo porque pode ser uma quest\u00e3o de f\u00e9. N\u00f3s acreditamos que estamos aqui em nome das comunidades crist\u00e3s, n\u00f3s estamos aqui sendo fieis ao Evangelho de Jesus Cristo e com certeza n\u00f3s iremos incomodar todos aqueles nos quais o Evangelho muitas vezes n\u00e3o penetrou em sua mentalidades e no seu jeito de ser.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Fala-se que Manaus \u00e9 a maior aldeia ind\u00edgena do mundo. Parece que tem mais de trinta mil ind\u00edgenas vivendo dentro de Manaus. Que realidade \u00e9 essa?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>Manaus \u00e9 uma cidade fant\u00e1stica! \u00c9 a maior cidade do Norte do pa\u00eds, \u00e9 uma das mais ricas, mas infelizmente tamb\u00e9m \u00e9 uma das mais desiguais. A desigualdade que temos em Manaus, nos seus quase dois milh\u00f5es e meio de habitantes, isso tem que nos levar a refletir como que a Igreja est\u00e1 presente l\u00e1 sendo tamb\u00e9m solid\u00e1ria com as diversas etnias daqueles que est\u00e3o nas cidades, e tamb\u00e9m Manaus \u00e9 uma cidade de migrantes, sempre foi assim. Ela nasceu do \u00eaxodo de nordestinos e ultimamente do \u00eaxito de haitianos e venezuelanos, ent\u00e3o \u00e9 uma cidade de algum modo aberta, acolhedora, solid\u00e1ria.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>Temos que constatar que a Igreja sempre se esfor\u00e7ou por meio das suas par\u00f3quias, dos seus padres, religiosos, par\u00f3quias, das pastorais, de procurar ser uma ajuda fraterna para com esses nossos irm\u00e3os, mas \u00e9 uma cidade muito complexa. \u00c9 uma cidade que de algum modo a gente precisa conhecer mais, mas ela \u00e9 apaixonante. Tudo aquilo que est\u00e1 em Manaus nos ajuda a entender que a Igreja \u00e9 sinodal, a nossa arquidiocese tamb\u00e9m tem esse caminho como proposta concreta, queremos escutar, queremos caminhar juntos com todos aqueles que querem construir um mundo melhor.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Como \u00e9 a presen\u00e7a dos ind\u00edgenas que vem de suas realidades para a cidade?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>Neste S\u00ednodo n\u00f3s temos tamb\u00e9m a participa\u00e7\u00e3o de diversos ind\u00edgenas que s\u00e3o de Manaus e que s\u00e3o tamb\u00e9m do Amazonas, aqueles que est\u00e3o nas cidades eles t\u00eam uma atua\u00e7\u00e3o muito bonita na Pastoral Indigenista, tamb\u00e9m nos diversos conselhos.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>Eu percebo que as Pastorais Ind\u00edgenas s\u00e3o muito atuantes e a nossa arquidiocese procura ser um apoio, uma ajuda para que o trabalho possa continuar, procurando valorizar a lideran\u00e7a local e tamb\u00e9m lutar pelos mesmos direitos, pelas mesmas conquistas que deve ser para todos, ent\u00e3o os ind\u00edgenas que est\u00e3o nas cidades s\u00e3o tamb\u00e9m os mais pobres, aqueles que vivem na periferia, os que enfrentam a realidade do desemprego, mas n\u00f3s precisamos aqui perceber de que temos esperan\u00e7a e que estamos aqui para isso, para nos animar, nos renovar nessa esperan\u00e7a e com a certeza de que a Igreja n\u00e3o quer ser omissa e nem muito menos quer se esquecer de que tem a op\u00e7\u00e3o muito clara pelos mais pobres, para que haja voca\u00e7\u00f5es aut\u00f3ctones, para que haja lideran\u00e7as nessas comunidades ind\u00edgenas para que possam tamb\u00e9m se sentir parte da grande cidade que \u00e9 Manaus.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Existe uma Pastoral Ind\u00edgena dentro da arquidiocese?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>Existe. Seja na arquidiocese, sejam em n\u00edvel regional, todas as dioceses de algum modo tem um percentual muito significativo de popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas, de modo especial aquelas que est\u00e3o nas comunidades do interior, ent\u00e3o n\u00f3s temos um pequeno grupo que juntamente com diversos organismos, dentre eles o Cimi, procura ajudar para que todos possam fazer essa op\u00e7\u00e3o, porque a defesa do direito dos ind\u00edgenas n\u00e3o pode ser apenas das lideran\u00e7as ind\u00edgenas, tem que ser de toda a sociedade, de toda a Igreja, ent\u00e3o todos n\u00f3s bispos, padres, agentes de pastoral podemos tamb\u00e9m assumir essa luta, assumir essa causa, porque afinal de contas essa \u00e9 a verdade, todos n\u00f3s somos irm\u00e3os, todos n\u00f3s temos l\u00ednguas diferentes, culturas diferentes, realidades diferentes, mas todos n\u00f3s somos irm\u00e3os e \u00e9 isso que o S\u00ednodo vem trazer para a gente.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>N\u00f3s n\u00e3o podemos dizer que o ind\u00edgena \u00e9 algu\u00e9m que vive a parte. N\u00e3o! Eles tamb\u00e9m s\u00e3o chamados a serem brasileiros e serem chamados tamb\u00e9m a serem crist\u00e3os e seguindo a l\u00f3gica do Evangelho.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>O que mais lhe chama a aten\u00e7\u00e3o de todos esses trabalhos e que coisa o senhor leva na bagagem quando volta para casa?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>O m\u00e9todo sinodal. Acredito que n\u00f3s j\u00e1 temos um caminho enquanto arquidiocese de Manaus, enquanto igreja que est\u00e1 na Amaz\u00f4nia, ent\u00e3o o S\u00ednodo vem de algum modo renovar e refor\u00e7ar de que esse \u00e9 o caminho. Precisamos sempre estarmos dialogando, escutando a realidade, as pessoas mais sofridas, porque o papel da Igreja \u00e9 esse, \u00e9 ser solid\u00e1ria nessas lutas, ent\u00e3o que isso tamb\u00e9m aconte\u00e7a em nossas dioceses, em nossas par\u00f3quias. A miss\u00e3o do bispo, a miss\u00e3o do p\u00e1roco, a miss\u00e3o do coordenador de pastoral, de comunidade \u00e9 sempre a de procurar dialogar e caminhar juntos, a gente quando est\u00e1 junto, a gente se sente mais unido e mais fortalecido, ent\u00e3o o S\u00ednodo sem d\u00favida vem trazer um sentido de perten\u00e7a a Igreja muito forte.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>Somos diferentes sim, mas n\u00f3s temos o mesmo ideal, o ideal de seguir Jesus Cristo, procurando viver a nossa miss\u00e3o hoje, enfrentando os desafios que temos, mas sempre com esse olhar de f\u00e9 e na certeza de que n\u00e3o estamos sozinhos, n\u00f3s somos guiados pelo Esp\u00edrito Santo.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. Jos\u00e9 Albuquerque acredita que aqueles que n\u00e3o entendem o processo sinodal precisam se rever. 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