{"id":35711,"date":"2019-10-25T00:00:00","date_gmt":"2019-10-25T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/autorreferente\/"},"modified":"2019-10-25T00:00:00","modified_gmt":"2019-10-25T03:00:00","slug":"autorreferente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/autorreferente\/","title":{"rendered":"Autorreferente"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><strong>Dom Rodolfo Lu\u00eds Weber<\/strong><br \/>\n<strong>Arcebispo de Passo Fundo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\">A liturgia cat\u00f3lica deste domingo parte do texto b\u00edblico de Lucas 18,9-14. \u00c9 uma par\u00e1bola contada por Jesus para \u201calguns que confiavam na sua pr\u00f3pria justi\u00e7a e desprezavam os outros\u201d. Dois homens v\u00e3o rezar no Templo, sendo que o primeiro reza, de p\u00e9, assim: \u201c\u00d3 Deus, eu te agrade\u00e7o porque n\u00e3o sou como os outros homens, ladr\u00f5es, desonestos, ad\u00falteros, nem como este cobrador de impostos. Eu jejuo duas vezes por semana, e dou o d\u00edzimo de toda a minha renda\u201d. O segundo, \u00e0 dist\u00e2ncia, de cabe\u00e7a baixa e batendo no peito, dizia: \u201cMeu Deus, tem piedade de mim, que sou pecador\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O primeiro personagem revela uma autossufici\u00eancia impressionante. N\u00e3o pede nada, n\u00e3o lhe falta nada, n\u00e3o tem pecado e n\u00e3o \u00e9 como os outros homens nos quais encontra in\u00fameros falhas. Agradece a Deus pela sua perfei\u00e7\u00e3o e n\u00e3o encontra qualquer sombra de erro nas suas atitudes que o possam incomodar, pois j\u00e1 \u00e9 um \u201csanto\u201d, um \u201cjusto\u201d. Sente-se seguro para emitir ju\u00edzos e condenar os outros, mesmo partindo do senso comum, do ouvir dizer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Os verbos todos s\u00e3o conjugados na primeira pessoa: \u201ceu te agrade\u00e7o &#8230; n\u00e3o sou como os outros&#8230; eu jejuo&#8230; eu pago\u201d. Sempre \u00e9 o sujeito. \u00c9 t\u00e3o perfeito que Deus, diante dele, \u00e9 reduzido a um simples complemento. Todas as outras pessoas s\u00e3o simplesmente desprezadas e condenadas, pois elas s\u00f3 existem e entram em cena para falar de si mesmo. \u00c9 autorreferente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O outro personagem vai ao Templo para confessar-se e seu comportamento e mesmo as posi\u00e7\u00f5es do corpo confirmam o seu intento. \u201cMeu Deus, tem piedade de mim que sou pecador!\u201d \u00c9 uma s\u00faplica dirigida a Deus, um di\u00e1logo que tem Deus como sujeito. As outras pessoas est\u00e3o inclu\u00eddas na sua ora\u00e7\u00e3o, pois reconhece que as machucou com as suas atitudes. Solicita piedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A conclus\u00e3o de Jesus \u00e9 que o \u201c\u00faltimo voltou para a casa justificado, o outro n\u00e3o\u201d. O primeiro personagem se rege pela \u201cpr\u00f3pria justi\u00e7a e despreza os outros\u201d. Ele \u00e9 o dono da verdade e determina o que \u00e9 justo e injusto tendo como par\u00e2metro unicamente a sua vontade, seus caprichos, seus gostos, enfim seu ego\u00edsmo. O segundo volta justificado por submeter-se ao julgamento dos outros e do bem comum.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A par\u00e1bola traz elementos importantes para a conviv\u00eancia fraterna e social. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel classificar facilmente as pessoas em boas e m\u00e1s. A condi\u00e7\u00e3o humana est\u00e1 muito mais pr\u00f3xima do segundo personagem do que do primeiro. O ser humano \u00e9 fr\u00e1gil, imperfeito e frequentemente erra por pensamentos, palavras e a\u00e7\u00f5es. \u00c9 um ser de virtudes e defeitos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Neste contexto fazer julgamentos precipitados e superficiais gera uma enormidade de injusti\u00e7as. Na atualidade a facilidade da transmiss\u00e3o das not\u00edcias exp\u00f5e as pessoas. Quantas vezes s\u00e3o iniciadas investiga\u00e7\u00f5es, mas as pessoas ou as institui\u00e7\u00f5es investigadas j\u00e1 s\u00e3o sumariamente julgadas, mesmo que sejam inocentadas depois no processo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A incapacidade de reconhecer os pr\u00f3prios erros, principalmente quando \u00e9 uma atitude consciente, gera conflitos, injusti\u00e7as e viol\u00eancia. Ambientes familiares e institucionais s\u00e3o corro\u00eddos e destru\u00eddos diante da resist\u00eancia de reconhecer e admitir a inconsist\u00eancia dos pr\u00f3prios argumentos e atitudes. O mesmo vale no debate sobre os grandes problemas da sociedade. \u00c0 semelhan\u00e7a do personagem da par\u00e1bola os argumentos, \u00e0s vezes, soam como \u201cn\u00e3o somos como os outros&#8230;\u201d e o bem comum n\u00e3o se torna o sujeito do di\u00e1logo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Rodolfo Lu\u00eds Weber Arcebispo de Passo Fundo A liturgia cat\u00f3lica deste domingo parte do texto b\u00edblico de Lucas 18,9-14. \u00c9 uma par\u00e1bola contada por Jesus para \u201calguns que confiavam na sua pr\u00f3pria justi\u00e7a e desprezavam os outros\u201d. 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