{"id":35745,"date":"2019-11-02T00:00:00","date_gmt":"2019-11-02T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/finados-4\/"},"modified":"2019-11-02T00:00:00","modified_gmt":"2019-11-02T03:00:00","slug":"finados-4","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/finados-4\/","title":{"rendered":"Finados"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><strong>Cardeal Orani Jo\u00e3o Tempesta<br \/>\n<\/strong><strong>Arcebispo da Arquidiocese de S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Rio de Janeiro<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>Em Cristo brilhou para n\u00f3s a esperan\u00e7a da feliz ressurrei\u00e7\u00e3o. E, aos que a certeza da morte entristece, a promessa da imortalidade consola. Senhor, para os que creem em v\u00f3s, a vida n\u00e3o \u00e9 tirada, mas transformada. E, desfeito o nosso corpo mortal, nos \u00e9 dado, nos c\u00e9us, um corpo imperec\u00edvel.<\/em> (Do Pref\u00e1cio dos fi\u00e9is defuntos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O Dia dos Finados tem por objetivo principal relembrar a mem\u00f3ria dos falecidos, dos entes queridos que j\u00e1 se foram, e, consequentemente rezar por eles, por aqueles que padecem no purgat\u00f3rio. No dia 1\u00ba (no Brasil passa para o domingo seguinte) rezamos pedindo a intercess\u00e3o da Igreja Triunfante na solenidade de Todos os Santos.\u00a0 No dia 2 de novembro rezamos por aqueles que est\u00e3o no caminho de alcan\u00e7ar a gl\u00f3ria eterna, mas passam pelo estado de purifica\u00e7\u00e3o. Em nossa arquidiocese, al\u00e9m das celebra\u00e7\u00f5es nas igrejas, teremos missas e evangeliza\u00e7\u00e3o em todos os cemit\u00e9rios da cidade. \u00c9 a igreja em sa\u00edda presente onde est\u00e3o as pessoas anunciando, que em meio \u00e0s dores e saudades temos esperan\u00e7a e confian\u00e7a na vida que n\u00e3o termina com a morte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Desde a \u00e9poca do cristianismo primitivo os crist\u00e3os rezavam por seus mortos, em especial pelos m\u00e1rtires, no local onde estes eram frequentemente enterrados: nas catacumbas subterr\u00e2neas da cidade de Roma. A ora\u00e7\u00e3o pelos que j\u00e1 morreram \u00e9 uma pr\u00e1tica de v\u00e1rias religi\u00f5es e que o cristianismo manteve. Documentos e monumentos dos primeiros s\u00e9culos da nossa era j\u00e1 testemunham a pr\u00e1tica entre os crist\u00e3os. H\u00e1 t\u00famulos crist\u00e3os dos s\u00e9culos II e III que trazem ora\u00e7\u00f5es pelos falecidos ou inscri\u00e7\u00f5es como: \u201c<em>Que cada amigo que veja isso reze por mim<\/em>.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0O costume de rezar pelos mortos foi sendo introduzido paulatinamente na liturgia da Igreja Cat\u00f3lica. O principal respons\u00e1vel pela institui\u00e7\u00e3o de uma data espec\u00edfica dedicada \u00e0 alma dos mortos foi o monge beneditino Odilo da Abadia Beneditina de Cluny, na Fran\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Odilo (962-1049) tornou-se abade de Cluny, na Borgonha, Fran\u00e7a, que era uma das principais abadias constru\u00eddas no mundo medieval e respons\u00e1vel por importantes reformas no clero no per\u00edodo da Baixa Idade M\u00e9dia. Em 02 de novembro de 998, Odilo instituiu aos membros de sua abadia e a todos aqueles que seguiam a Ordem Beneditina a obrigatoriedade de se rezar pelos mortos. A partir do s\u00e9culo XII, essa data popularizou-se em todo o mundo crist\u00e3o medieval como o Dia de Finados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Apesar do processo de seculariza\u00e7\u00e3o e laiciza\u00e7\u00e3o que o mundo ocidental tem passado desde a entrada da modernidade, o dia 02 de novembro ainda \u00e9 identificado como sendo um dia espec\u00edfico para se meditar e rezar pelos mortos. Milh\u00f5es de pessoas cumprem o ritual de ir at\u00e9 os cemit\u00e9rios levar flores para depositar nos t\u00famulos em mem\u00f3ria dos que se foram; outras levam tamb\u00e9m velas e, principalmente, fazem ora\u00e7\u00f5es, c\u00e2nticos etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Al\u00e9m do car\u00e1ter afetivo que esta mem\u00f3ria tem, a celebra\u00e7\u00e3o \u00e9 uma importante ocasi\u00e3o de olharmos para a realidade da morte, inevit\u00e1vel, mas um olhar para ela a partir da perspectiva da f\u00e9. O Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica, ao tratar da realidade da morte e do morrer em Cristo (n. 1006), aponta que a morte \u00e9 o termo da vida terrestre, que esta \u00e9 consequ\u00eancia do pecado e que a realidade da morte foi transformada por Cristo Jesus:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201c<em>\u00c9 em face da morte que o enigma da condi\u00e7\u00e3o humana atinge seu ponto mais alto\u201d. Num certo sentido, a morte do corpo \u00e9 natural: mas sabemos pela f\u00e9 que a morte \u00e9, de fato, sal\u00e1rio do pecado (Rm 6, 23). E para aqueles que morrem na gra\u00e7a de Cristo, \u00e9 uma participa\u00e7\u00e3o na morte do Senhor, a fim de poder participar na sua ressurrei\u00e7\u00e3o\u201d<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A morte \u00e9 o fim da peregrina\u00e7\u00e3o terrena do homem, do tempo de gra\u00e7a e miseric\u00f3rdia que Deus lhe oferece para realizar a sua vida terrena segundo o plano divino e para decidir o seu destino \u00faltimo. Quando acabar a nossa vida sobre a terra, que \u00e9 s\u00f3 uma, n\u00e3o voltaremos a outras vidas terrenas: o<em>s homens morrem uma s\u00f3 vez<\/em> (Heb 9, 27).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Na comemora\u00e7\u00e3o dos Fi\u00e9is Defuntos fazemos mem\u00f3ria da esperan\u00e7a da vida que nasce da morte, a partir do mist\u00e9rio pascal de Cristo Jesus. Em Cristo Jesus abre-se uma nova perspectiva, onde a morte j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais o fim fat\u00eddico e desesperador, mas a passagem para uma realidade nova de plenitude de vida em Deus. Nascemos para viver eternamente, e uma vez que os nossos olhos se fecham aqui neste mundo, n\u00f3s o abriremos para contemplar a Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A morte n\u00e3o \u00e9 um salto no vazio, mas para os bra\u00e7os de Deus: \u00e9 o encontro pessoal com Ele, para habitar com Ele no amor e na alegria da Sua amizade. O crist\u00e3o aut\u00eantico n\u00e3o teme, por isso, a morte; pelo contr\u00e1rio: considerando que, enquanto vivemos na Terra \u201cvivemos longe do Senhor\u201d, repete S\u00e3o Paulo: \u201cdesejamos sair deste corpo para habitar com o Senhor\u201d. (2Cor 5, 6.8). N\u00e3o se trata de exaltar a morte, mas consider\u00e1-la como realmente \u00e9 no projeto de Deus: o nascimento para a vida eterna.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Celebrando a comemora\u00e7\u00e3o dos fi\u00e9is defuntos em um cemit\u00e9rio das periferias de Roma, o Papa Francisco assim comentava sobre a realidade celebrada: <em>O sentimento da tristeza, o cemit\u00e9rio \u00e9 triste, recorda os nossos entes queridos que morreram e nos recorda o futuro: a morte. Mas nesta tristeza trazemos flores como um sinal de esperan\u00e7a, tamb\u00e9m possa dizer de festa mais adiante. Esta tristeza se mistura com a esperan\u00e7a. \u00c9 o que todos n\u00f3s sentimos hoje nesta celebra\u00e7\u00e3o. A recorda\u00e7\u00e3o de nossos entes queridos e a esperan\u00e7a. Mas tamb\u00e9m sentimos que essa esperan\u00e7a se ajuda porque tamb\u00e9m n\u00f3s devemos fazer este caminho, todos n\u00f3s, antes ou depois, mas todos. Com dor, mais dor ou menos dor, mas com a flor da esperan\u00e7a. Com aquele fio forte ancorado ao lado de l\u00e1. Esta \u00e2ncora, a esperan\u00e7a da ressurrei\u00e7\u00e3o n\u00e3o decepciona\u201d.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Rezemos por nossos irm\u00e3os falecidos, ao mesmo tempo que aproveitemos o hoje da nossa exist\u00eancia como momento mais que oportuno para buscar o c\u00e9u, para buscar as coisas do alto e deixar que a a\u00e7\u00e3o de Deus em n\u00f3s nos conduza \u00e0 Eterna Bem-aventuran\u00e7a. Santa Maria, M\u00e3e de Deus, rogai por n\u00f3s pecadores, agora e na hora de nossa morte.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><em>Senhor Jesus Cristo, nosso Redentor,<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><em>que voluntariamente Vos oferecestes \u00e0 morte,<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><em>para que todos os homens sejam salvos e passem da morte \u00e0 vida,<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><em>olhai com bondade para os vossos servos<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><em>que choram na sua dor e invocam a vossa clem\u00eancia<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><em>pelos seus queridos defuntos.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><em>Senhor, infinitamente santo e misericordioso,<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><em>perdoai os seus pecados,<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><em>V\u00f3s que, morrendo na cruz, abristes aos fi\u00e9is as portas da vida,<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><em>e n\u00e3o permitais que estes nossos irm\u00e3os se separem de V\u00f3s,<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><em>mas, para gl\u00f3ria do vosso nome,<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><em>acolhei-os na vossa morada de luz, de felicidade e de paz.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><em>V\u00f3s que sois Deus com o Pai na unidade do Esp\u00edrito Santo.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cardeal Orani Jo\u00e3o Tempesta Arcebispo da Arquidiocese de S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Rio de Janeiro Em Cristo brilhou para n\u00f3s a esperan\u00e7a da feliz ressurrei\u00e7\u00e3o. E, aos que a certeza da morte entristece, a promessa da imortalidade consola. Senhor, para os que creem em v\u00f3s, a vida n\u00e3o \u00e9 tirada, mas transformada. E, desfeito o nosso &hellip;<\/p>\n<p class=\"read-more\"> <a class=\"\" href=\"https:\/\/www.cnbb.org.br\/finados-4\/\"> <span class=\"screen-reader-text\">Finados<\/span> Leia mais &raquo;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":31,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[758],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/35745"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/31"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=35745"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/35745\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=35745"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=35745"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=35745"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}