{"id":35782,"date":"2019-11-04T00:00:00","date_gmt":"2019-11-04T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/o-papel-da-comissao-episcopal-pastoral-para-doutrina-da-fe-e-os-desafios-que-hoje-sao-colocado-aos-bispos-2\/"},"modified":"2021-01-08T15:44:41","modified_gmt":"2021-01-08T18:44:41","slug":"o-papel-da-comissao-episcopal-pastoral-para-doutrina-da-fe-e-os-desafios-que-hoje-sao-colocado-aos-bispos-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/o-papel-da-comissao-episcopal-pastoral-para-doutrina-da-fe-e-os-desafios-que-hoje-sao-colocado-aos-bispos-2\/","title":{"rendered":"O papel da Comiss\u00e3o Episcopal Pastoral para Doutrina da F\u00e9 e os desafios que hoje s\u00e3o colocados aos Bispos"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Dom Pedro Carlos Cipollini<br \/>\nBispo de Santo Andr\u00e9 (SP) \u2013 Presidente da CEPDF\/CNBB<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Exposi\u00e7\u00e3o na 57 Ass. Geral CNBB \u2013 07 maio de 2019<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c<em>Guardar o dep\u00f3sito da f\u00e9 \u00e9 a miss\u00e3o que o Senhor confiou \u00e0 sua Igreja e que ela cumpre em todos os tempos&#8230; Ao Conc\u00edlio, o Papa Jo\u00e3o XXIII tinha confiado como tarefa principal guardar e apresentar melhor o precioso dep\u00f3sito da doutrina crist\u00e3, para a tornar mais acess\u00edvel aos fi\u00e9is de Cristo e a todos os homens de boa vontade<\/em>\u201d.\u00a0\u00a0 (Jo\u00e3o Paulo II in Constitui\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica <em>Fidei Depositum, Introdu\u00e7\u00e3o)<\/em><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 23 de fevereiro de 1967, o papa S. Paulo VI, atrav\u00e9s de uma <strong>Instru\u00e7\u00e3o<\/strong> aprovada por ele e emanada da Congrega\u00e7\u00e3o Para a Doutrina da F\u00e9, pede que cada Confer\u00eancia Episcopal instituia uma Comiss\u00e3o Doutrinal para o \u201c<em>servi\u00e7o \u00e0 verdade em vista do direito do Povo de Deus de receber a mensagem do Evangelho na sua pureza e na sua integralidade\u201d. <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A f\u00e9 \u00e9 necess\u00e1ria \u00e0 salva\u00e7\u00e3o (cf. CIC\/1983 n. 183), Jesus \u00e9 o autor e realizador da f\u00e9 (Hb 12,1-2). A Igreja \u00e9 \u201c<em>coluna e sustent\u00e1culo da verdade<\/em>\u201d (1 Tm 3,15). A Igreja conserva a mem\u00f3ria das palavras de Cristo e \u00e9 ela que transmite de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o a confiss\u00e3o de f\u00e9 dos ap\u00f3stolos. O ministro do batismo pergunta ao catec\u00fameno: \u201cque pedes \u00e0 Igreja de Deus?\u201d. E a resposta \u00e9: \u201cA f\u00e9 \u201c. \u201cE que te d\u00e1 a f\u00e9?\u201d. \u201cA vida eterna\u201d. E sabemos que a \u201c<em>salus animarum<\/em>\u201d \u00e9 o objetivo supremo da miss\u00e3o. \u00c9 o que diz o C\u00f3digo de Direito Can\u00f4nico (c\u00e2n. 1752) mas tamb\u00e9m a <em>Gaudium et Spes<\/em> n. 40. Por isso a Igreja na sua miss\u00e3o, cresce pela transmiss\u00e3o da f\u00e9 (S. Jo\u00e3o Paulo II in RM n. 4)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A f\u00e9 \u00e9 dom de Deus, ela \u00e9 transmitida atrav\u00e9s da Igreja. N\u00f3s cremos dentro da Igreja (<em>credo ecclesiam<\/em>), a f\u00e9 \u00e9 da Igreja, \u00e9 eclesial. \u00c9 triste quando em um curso de teologia, os professores deixam de transmitir a f\u00e9 da Igreja para ensinarem \u201cteologias\u201d ou opini\u00f5es pessoais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cabe aos bispos portanto, como pais da Igreja (pais na f\u00e9) preservar o dep\u00f3sito da f\u00e9, qual \u201cpatrim\u00f4nio sagrado\u201d(1Tm 6,20), isto o fazemos na colegialidade e colabora\u00e7\u00e3o, a servi\u00e7o da miss\u00e3o evangelizadora, que n\u00e3o s\u00f3 brota da f\u00e9, mas \u00e9 transmiss\u00e3o da pr\u00f3pria f\u00e9, atrav\u00e9s do an\u00fancio do Evangelho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Comiss\u00e3o de Doutrina, portanto, est\u00e1 a servi\u00e7o, age por mandato da Confer\u00eancia Episcopal e \u00e9 um \u00f3rg\u00e3o consultivo de ajuda \u00e0 Confer\u00eancia Episcopal. Portanto, ajuda aos bispos, na salvaguarda do \u201c<em>depositum fidei<\/em>\u201d, contido na Sagrada Tradi\u00e7\u00e3o e na Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o deve haver um motivo pastoral, para esconder ou minimizar a verdade doutrinal e moral que \u00e9 dom de Cristo \u00e0 Igreja. N\u00e3o se pode contrapor \u201c<em>pastoral<\/em>\u201d a \u201c<em>doutrina<\/em>\u201d. Os erros com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 f\u00e9 n\u00e3o s\u00e3o danosos somente no plano intelectual mas ferem e confundem os fi\u00e9is, na sua a\u00e7\u00e3o em favor do Evangelho. O servi\u00e7o \u00e0 verdade \u00e9 um servi\u00e7o pastoral, que n\u00e3o est\u00e1 somente interessado nas id\u00e9ias, mas numa incid\u00eancia eficaz naquilo que o povo crist\u00e3o cr\u00ea, espera, deseja e ama. A verdade plasma n\u00e3o s\u00f3 o pensamento, mas a pr\u00f3pria vida\u201d. \u00c9 neste sentido que se justifica chamar a Comiss\u00e3o Episcopal de Doutrina: \u00a0<em>Pastoral<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os prop\u00f3sitos da CEPDF entre outros s\u00e3o: Assistir a CNBB no exerc\u00edcio do Magist\u00e9rio Doutrinal; \u00a0Promover a fidelidade \u00e0 Doutrina da Igreja e a integridade na sua transmiss\u00e3o; \u00a0Emitir parecer sobre publica\u00e7\u00f5es que exigem esclarecimento a respeito da sua concord\u00e2ncia com a f\u00e9; \u00a0Avaliar, do ponto de vista doutrinal, os textos das Comiss\u00f5es e Grupos de trabalho da CNBB destinados \u00e0 publica\u00e7\u00e3o; \u00a0Promover a publica\u00e7\u00e3o de temas de interesse eclesial, etc. Enfim, cuidar da unidade, integridade na transmiss\u00e3o da f\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Permitam-me ressaltar alguns pontos positivos na nossa viv\u00eancia da f\u00e9 como Igreja no seu conjunto:<\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>A f\u00e9 entre n\u00f3s \u00e9 vivida na sua dimens\u00e3o <strong>antropol\u00f3gica<\/strong>, quando revela o ser humano como ele \u00e9 diante de Deus, da sociedade e de si mesmo. Isto lhe confere consci\u00eancia de sua dignidade fundamental e abertura \u00e0 fraternidade, o que se traduz na defesa da vida, dos direitos humanos, e especialmente na a\u00e7\u00e3o s\u00f3cio transformadora, levada avante por nossas Dioceses e no conjunto da Igreja do Brasil. \u201cO querigma possui um conte\u00fado inevitavelmente social: no pr\u00f3prio cora\u00e7\u00e3o do Evangelho, aparece a vida comunit\u00e1ria e o compromisso com os outros. O conte\u00fado do primeiro an\u00fancio tem uma repercuss\u00e3o moral imediata, cujo centro \u00e9 a caridade\u201d(Papa Francisco in EG n. 177).<\/li>\n<\/ul>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>A f\u00e9 na sua dimens\u00e3o <strong>teol\u00f3gica<\/strong> \u00e9 vivida a partir da Revela\u00e7\u00e3o, da Celebra\u00e7\u00e3o da F\u00e9 (Liturgia), da Espiritualidade libertadora, da convic\u00e7\u00e3o do primado absoluto de Deus e seu Reino: \u201cO Reino, \u00e9 absoluto, e faz com que se torne relativo tudo o mais que n\u00e3o se identifica com ele\u201d (S. Paulo VI in EN n. 8).<\/li>\n<\/ul>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>A f\u00e9 \u00e9 vivida entre n\u00f3s na sua dimens\u00e3o <strong>cristol\u00f3gica<\/strong>, na centralidade de Jesus Cristo. Na Palavra, na Eucaristia, no amor comunit\u00e1rio e sobretudo na op\u00e7\u00e3o cristol\u00f3gica pelos pobres, vividas como seguimento de Jesus Cristo, procurando assim colaborar na implanta\u00e7\u00e3o do Reino de Deus.<\/li>\n<\/ul>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>A f\u00e9 vivida na sua dimens\u00e3o <strong>eclesial<\/strong> com a vis\u00e3o conciliar de Igreja mist\u00e9rio (sacramento) de comunh\u00e3o e participa\u00e7\u00e3o como Povo de Deus, Igreja peregrina de disc\u00edpulos-mission\u00e1rios. Uma Igreja permeada pela sinodalidade.<\/li>\n<\/ul>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Poderiamos acrescentar aqui a dimens\u00e3o ecol\u00f3gica, cosmol\u00f3gica&#8230; (cf. Cap. IV: Uma ecologia Integral in Papa Francisco, <em>Laudato S\u00ec).<\/em><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\">Temos sido como episcopado, fi\u00e9is testemunhas da f\u00e9! Muitos irm\u00e3os bispos com grandes sacrif\u00edcios, alguns at\u00e9 mesmo arriscando a vida. Temos percebido que n\u00e3o s\u00f3 a ortopraxis \u00e9 importante, mas muito mais a ortodoxia, a correta compreens\u00e3o da f\u00e9, porque dela brota a pr\u00e1tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 preciso ter presente que o enfraquecimento da f\u00e9 \u00e9 a ra\u00edz da maior parte dos sinais de alarme na Igreja atual. A crise da Igreja n\u00e3o \u00e9 somente moral e institucional, \u00e9 tamb\u00e9m Teologal. Diante disto, a rea\u00e7\u00e3o mais urgente \u00e9 recuperar a m\u00edstica crist\u00e3, cultivar a f\u00e9 teologal com base na experi\u00eancia pessoal e comunit\u00e1ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pe\u00e7o vossa licen\u00e7a para apontar agora sete tend\u00eancias que atrapalham a viv\u00eancia da f\u00e9 na sua unidade e integralidade, o que exige vigil\u00e2ncia de nossa parte como pastores:<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><em>Problema do ate\u00edsmo e secularismo<\/em>. A sociedade matou a figura paterna, a morte do pai leva \u00e0 \u201cmorte de Deus\u201d. Hoje h\u00e1 uma recusa em assumir o servi\u00e7o de ser autoridade na sua inteireza. Ser Pai \u00e9 visto como tolerar, perdoar, ter miseric\u00f3rdia e s\u00f3&#8230; Mas ser pai \u00e9 tamb\u00e9m corrigir, e n\u00e3o gostamos disso! A impunidade diante dos erros com base na m\u00e1xima: \u201co inferno existe mas est\u00e1 vazio\u201d, pode conduzir \u00e0 \u201cbanalidade do mal\u201d. Esta teoria n\u00e3o torna o cristianismo mais filantr\u00f3pico, torna-o mais sup\u00e9rfluo, isto sim. A conhecida m\u00e1xima: Se Deus n\u00e3o existe tudo \u00e9 permitido, est\u00e1 em voga, e abre caminho para teorias como a ideologia de g\u00eanero e outras. Enfim, \u201co direito de a Igreja existir no mundo moderno \u00e9 contestado mesmo por crist\u00e3os\u201d (T. Merton, A Igreja e o mundo sem Deus, Vozes, 2018, p.22).<\/li>\n<\/ol>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"2\">\n<li><em>Antropocentrismo exagerado que leva ao relativismo<\/em> em todos os campos, inclusive o \u00e9tico. Afirma-se que o homem n\u00e3o s\u00f3 pensa mas faz a (sua) verdade. \u00c9 a f\u00e9 dissociada da pr\u00e1tica (que o papa Francisco chama de hipocrisia). N\u00e3o h\u00e1 Deus Pai criador, o homem se faz Deus e tudo recria&#8230;. De um lado h\u00e1 os que acham suficiente acudir \u00e0s urg\u00eancias no empenho por um mundo justo e fraterno, e por outro lado a tend\u00eancia ao fundamentalismo espiritual, que deseja uma Igreja espiritualista, separando f\u00e9 e vida. A f\u00e9 \u00e9 propriedade de toda a Igreja e n\u00e3o pode ser escamoteada ao gosto de cada um.<\/li>\n<\/ol>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"3\">\n<li><em>Quase n\u00e3o se fala mais em pecado<\/em>. N\u00e3o \u00e9 objeto frequente de reflex\u00e3o, homilia, exorta\u00e7\u00e3o&#8230;etc. \u00c9 politicamente incorreto falar de pecado. Hoje o psicologismo isenta a todos de culpa. Antes tudo era pecado, hoje nada mais \u00e9 pecado. \u00c9 quase consenso que quem \u00e9 pobre, est\u00e1 redimido dos pecado e penas, s\u00f3 pelo fato de ser pobre. Torna-se necess\u00e1rio, isso sim, explicitar o pecado na linha da op\u00e7\u00e3o fundamental e formar as consci\u00eancias. N\u00e3o se fala mais tamb\u00e9m dos nov\u00edssimos: morte, ju\u00edzo, inferno, para\u00edso apesar de o CIC dedicar a eles o Art. 11 e 12 com 70 verbetes, (cf ns. 988 \u2013 1050). \u00c9 tamb\u00e9m \u201cpoliticamente incorreto falar no Maligno deixando no esquecimento o que diz a Palavra: \u201cFoi para isso que o Filho de Deus se manifestou: para destruir as obras do diabo\u201d(1Jo 3, 8). De fato, \u201cA tenta\u00e7\u00e3o hoje \u00e9 reduzir o cristianismo a uma sabedoria meramente humana, como se fosse a ci\u00eancia do bem viver. Num mundo fortemente secularizado, surgiu uma \u2018gradual seculariza\u00e7\u00e3o da salva\u00e7\u00e3o\u2019&#8230;\u201d( S. Jo\u00e3o Paulo II in RM 11).<\/li>\n<\/ol>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"4\">\n<li><em>Tenta\u00e7\u00e3o de separar a \u201clex credendi da lex orandi e da lex agendi\u201d.<\/em> H\u00e1 a tend\u00eancia a cuidar da \u00e1rvore, com os frutos sem prestar muita aten\u00e7\u00e3o \u00e0s ra\u00edzes ou seja: vida de ora\u00e7\u00e3o, espiritualidade, liturgia, que n\u00e3o podem ser vistos como realidades ultrapasadas mas partes integrantes da vida eclesial. A Igreja deve crer o que reza e praticar o que cr\u00ea. E o que se deve crer est\u00e1 expl\u00edcito. O testemunho \u00e9 o primeiro meio de evangeliza\u00e7\u00e3o (cf. S. Paulo VI in EN n. 41).<\/li>\n<\/ol>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"5\">\n<li><em>A f\u00e9 permeada apenas pelo emocional-afetivo e o folcl\u00f3rico<\/em>. O narcisismo que domina a sociedade acaba entrando na a\u00e7\u00e3o evangelizadora e a torna vzia. H\u00e1 um crescendo nesta decad\u00eancia: Cristo sim, Igreja n\u00e3o\/ Deus sim, Cristo n\u00e3o\/Deus n\u00e3o, Religi\u00f5es sim\/ Religi\u00f5es n\u00e3o folklore religioso sim&#8230; \u00c9 preciso nos perguntar at\u00e9 que ponto o desejo de satisfazer e acolher, nos leva a passar por cima de verdades irrenunci\u00e1vais, nos faz banalizar a Eucaristia em celebra\u00e7\u00f5es que fogem at\u00e9 mesmo ao decoro lit\u00fargico, etc. E aqui \u00e9 necess\u00e1rio considerar que se corre o risco muitas vezes de trocar a grande Tradi\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica, recebida pelos ap\u00f3stolos de Jesus e do Esp\u00edrito Santo, e transmitida por eles, por tradi\u00e7\u00f5es eclesiais teol\u00f3gicas, disciplinares, lit\u00fargicas ou devocionais surgidas ao longo do tempo nas Igrejas locais (cf. CIC\/1983 n. 83).<\/li>\n<\/ol>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"6\">\n<li><em>Teologia tentada a limitar-se a ser Ci\u00eancia da Religi\u00e3o<\/em>. A Teologia \u00e9 a f\u00e9 iluminada pela raz\u00e3o, \u00e9 di\u00e1logo da f\u00e9 que busca compreens\u00e3o. \u00c9 ci\u00eancia, mas, sup\u00f5e a f\u00e9. J\u00e1 a Ci\u00eancia da Religi\u00e3o estuda a religi\u00e3o como busca de sentido, mas sem a exig\u00eancia da f\u00e9. Basta a raz\u00e3o. Cai-se na religi\u00e3o natural (de\u00edsmo) como se fosse teologia. \u00c9 a f\u00e9 fechada no subjetivismo, a doutrina sem mist\u00e9rio, o gnosticismo uma das piores ideologias (cf. Francisco in Gaudete et exultate n. 40).<\/li>\n<\/ol>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"7\">\n<li><em>Confian\u00e7a excessiva na a\u00e7\u00e3o humana<\/em> sem levar em conta como se deve o primado da gra\u00e7a de Deus. Pelagianismo denunciado pelo papa Francisco na <em>Gaudete et exultate (cf. n. 47-48)<\/em>, que leva a atribuir tudo ao esfor\u00e7o pessoal e \u00e0 vontade pr\u00f3pria. A consequ\u00eancia \u00e9 o \u201cmundanismo\u201d(cf. EG 93). A op\u00e7\u00e3o pelos pobres \u00e9 \u201c<em>cristol\u00f3gica<\/em>\u201d (cf. Bento XVI in. Discurso inaugural V Confer\u00eancia Geral do CELAM em Aparecida). Brota da f\u00e9 em Jesus Cristo, miseric\u00f3rdia e compaix\u00e3o e n\u00e3o somente de uma indigna\u00e7\u00e3o \u00e9tica, diante da mis\u00e9ria, como se fosse uma ideologia, fruto da vontade ou esfor\u00e7o humanos.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enfim, permitam-me fazer uma observa\u00e7\u00e3o. Devemos nos perguntar se a evas\u00e3o de fi\u00e9is que v\u00e3o para outras denomina\u00e7\u00f5es, al\u00e9m de todos os motivos j\u00e1 elencados e sabidos, n\u00e3o \u00e9 provocada, tamb\u00e9m pela inseguran\u00e7a doutrinal, que leva cada um a crer no que conv\u00e9m, fazendo como que um \u201c<em>self servisse\u201d<\/em> dos conte\u00fados da F\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sabemos que n\u00e3o se deve entender a f\u00e9 como seguran\u00e7a. A \u00e2ncora \u00e9 s\u00edmbolo da esperan\u00e7a. A f\u00e9 \u00e9 simbolizada pela cruz, s\u00edmbolo paradoxal como \u00e9 paradoxal a pr\u00f3pria f\u00e9. Mas a f\u00e9 deve ser a luz que possibilita caminhar nas trevas. A f\u00e9 nos faz caminhar atrav\u00e9s da escurid\u00e3o luminosa do mist\u00e9rio pascal, cuja luz brota do c\u00edrio imagem de Jesus, o crucificado que \u00e9 o ressuscitado, luz que nada nem ningu\u00e9m pode apagar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Recordo por \u00faltimo que o papa Francisco nos fez um alerta na sua fala aos bispos no Rio. Fala que reproduziu em uma entrevista (jornal La Naci\u00f3n em 07\/12\/2014). Diz ele que o clericalismo sufoca a maturidade dos leigos na f\u00e9. Quase sempre n\u00e3o se leva em conta o \u201c<em>sensus fidei<\/em>\u201d (cf. LG 12). Todos os fi\u00e9is participam da compreens\u00e3o e da transmiss\u00e3o da verdade revelada (cf. Jo 16,13). Diz o papa: \u201cO clericalismo reprimiu a matura\u00e7\u00e3o laical na Am\u00e9rica Latina\u201d. Isto dificulta a transmiss\u00e3o da f\u00e9, a missionariedade de toda a Igreja. Caracteriza-se a\u00ed a crise generativa, a dificuldade de transmitir a f\u00e9 \u00e0s novas gera\u00e7\u00f5es, algo que representa um grande desafio na atualidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enfim, somos chamados a empreender uma nova evangeliza\u00e7\u00e3o, com novos m\u00e9todos e nova linguagem, por\u00e9m sem mudar o conte\u00fado do dep\u00f3sito da f\u00e9. Toda nossa vida crist\u00e3 \u00e9 confiada \u201c\u00e0 regra de doutrina\u201d (Rm 6,17), da\u00ed a import\u00e2ncia da CEPDF no conjunto da miss\u00e3o e dos trabalhos da Confer\u00eancia Episcopal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Comiss\u00e3o de Doutrina deve agir com uma atitude positiva exercendo sua influ\u00eancia ao expor corretamente a s\u00e3 doutrina mostrando a todos a beleza e a alegria de crer. Para isso torna-se necess\u00e1rio que os bispos enviem sugest\u00f5es \u00e0 CEDF e digam o que esperam dela na pr\u00e1tica, a partir dos objetivos propostos que aprovamos nesta 57\u00aa Assembleia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seria muito bom que a Confer\u00eancia desse um parecer sobre a sugest\u00e3o do Cardeal Franjo Seper que, quando Prefeito da Congrega\u00e7\u00e3o Para a Doutrina da F\u00e9, e que em 1968 enviou aos presidentes das Confer\u00eancias episcopais suget\u00f5es para melhorar a atua\u00e7\u00e3o da CEPDF de cada Confer\u00eancia. Ele sugeria que: \u201cSeria muito \u00fatil que a Comiss\u00e3o de Doutrina preparasse para os Bispos, notas reservadas sobre quest\u00f5es de maior import\u00e2ncia sobre opini\u00f5es correntes\u201d(CDF <em>\u2013 Instruzione circa le comissioni<\/em> <em>dottrinali presso le conferenze episcopali<\/em>, Lib. Ed. Vaticana, 2017, p.16).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Confiemos na a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito, enviado sobre os ap\u00f3stolos em Pentecostes. Ele nos escolheu e ungiu, para sermos cooperadores da verdade (cf. 3 Jo 8). Ele jamais nos faltar\u00e1! Que Deus ilumine sempre o trabalho desta Comiss\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Pedro Carlos Cipollini Bispo de Santo Andr\u00e9 (SP) \u2013 Presidente da CEPDF\/CNBB Exposi\u00e7\u00e3o na 57 Ass. Geral CNBB \u2013 07 maio de 2019\u00a0 \u201cGuardar o dep\u00f3sito da f\u00e9 \u00e9 a miss\u00e3o que o Senhor confiou \u00e0 sua Igreja e que ela cumpre em todos os tempos&#8230; Ao Conc\u00edlio, o Papa Jo\u00e3o XXIII tinha confiado &hellip;<\/p>\n<p class=\"read-more\"> <a class=\"\" href=\"https:\/\/www.cnbb.org.br\/o-papel-da-comissao-episcopal-pastoral-para-doutrina-da-fe-e-os-desafios-que-hoje-sao-colocado-aos-bispos-2\/\"> <span class=\"screen-reader-text\">O papel da Comiss\u00e3o Episcopal Pastoral para Doutrina da F\u00e9 e os desafios que hoje s\u00e3o colocados aos Bispos<\/span> Leia mais &raquo;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":83,"featured_media":6531,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[748,749],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/35782"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/83"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=35782"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/35782\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media\/6531"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=35782"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=35782"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=35782"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}