{"id":35820,"date":"2019-11-07T00:00:00","date_gmt":"2019-11-07T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/228605-2\/"},"modified":"2019-11-07T00:00:00","modified_gmt":"2019-11-07T03:00:00","slug":"228605-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/228605-2\/","title":{"rendered":"Fugir da morte"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><strong>Dom Leomar Ant\u00f4nio Brustolin<\/strong><br \/>\n<strong>Bispo de Porto Alegre<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">M\u00e1rio Quintana, ao sugerir a inscri\u00e7\u00e3o para um port\u00e3o de cemit\u00e9rio, escreveu &#8220;Na mesma pedra se encontram, conforme o povo traduz, quando se nasce &#8211; uma estrela, quando se morre &#8211; uma cruz. Mas quantos que aqui repousam h\u00e3o de emendar-nos assim: Ponham-me a cruz no princ\u00edpio&#8230; E a luz da estrela no fim!&#8221;. O poeta traduz, em versos, a necessidade de integrar vida e morte, vendo at\u00e9 luz no fim e sombras na vida. Essa sabedoria integradora, entretanto, continua desafiando muitas pessoas de nosso tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O pesquisador franc\u00eas Philippe Ari\u00e8s, sustenta que num mundo sujeito \u00e0 mudan\u00e7a, a atitude tradicional perante a morte aparece t\u00e3o apagada dos nossos costumes que se tem dificuldade em imagin\u00e1-la e compreend\u00ea-la. A postura antiga em que a morte era ao mesmo tempo pr\u00f3xima e familiar op\u00f5e-se demasiado \u00e0 atual, onde causa tanto medo que j\u00e1 n\u00e3o se ousa pronunciar o seu nome. Nesse sentido, a contemporaneidade refere-se \u00e0 morte como algo que n\u00e3o deve fazer parte da vida, pois \u00e9 sinal de fracasso perante a onipot\u00eancia humana, devendo ser mascarada, silenciada e disfar\u00e7ada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Se, por um lado, nos tempos antigos, o contato com a morte estava mais evidente, principalmente pelas limita\u00e7\u00f5es da ci\u00eancia e da tecnologia, por outro lado, a fragilidade perante a morte torna o ser humano atual mais vulner\u00e1vel ao processo que causa em sua vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A morte apresenta o medo de deixar o que se tem. \u00c9 ficar sem nada, \u00e9 n\u00e3o levar nada. Por isso, outro grande causador do medo da morte \u00e9 o apego, caracterizado como, talvez, o maior problema do ser humano e o maior respons\u00e1vel pelo pavor da morte que atormenta as pessoas. Sendo sentimento de posse, de ser dono de, a morte \u00e9 oposi\u00e7\u00e3o ao apego. Sobre isso, Jesus ensina com uma par\u00e1bola significativa: &#8220;A terra de um homem rico deu uma grande colheita. E o homem pensou: &#8216;o que vou fazer? N\u00e3o tenho onde guardar minha colheita&#8217;. Ent\u00e3o resolveu: &#8216;J\u00e1 sei o que vou fazer! Vou derrubar meus celeiros e construir maiores e neles vou guardar todo o meu trigo, junto com os meus bens. Ent\u00e3o poderei dizer a mim mesmo: meu caro, voc\u00ea possui um bom estoque, uma reserva para muitos anos; descanse, coma e beba, alegre-se!\u2019 Mas Deus lhe disse: &#8216;Louco! Nesta mesma noite voc\u00ea vai ter que devolver a sua vida. E as coisas que voc\u00ea preparou, para quem v\u00e3o ficar?\u2019\u201d (Lc 12, 16-20).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Portanto, saber viver, como o poeta escreveu, sup\u00f5e ver a luz da estrela no fim, quando a verdade se manifestar\u00e1 na ess\u00eancia e n\u00e3o apenas no tempo da apar\u00eancia. Na vida h\u00e1 cruz e luz, na morte, h\u00e1 medos e verdade. Cada h\u00e1 de aprender a viver integrando o seu morrer.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Leomar Ant\u00f4nio Brustolin Bispo de Porto Alegre &nbsp; M\u00e1rio Quintana, ao sugerir a inscri\u00e7\u00e3o para um port\u00e3o de cemit\u00e9rio, escreveu &#8220;Na mesma pedra se encontram, conforme o povo traduz, quando se nasce &#8211; uma estrela, quando se morre &#8211; uma cruz. 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