{"id":35834,"date":"2019-11-11T00:00:00","date_gmt":"2019-11-11T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/viver-para-sempre\/"},"modified":"2019-11-11T00:00:00","modified_gmt":"2019-11-11T03:00:00","slug":"viver-para-sempre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/viver-para-sempre\/","title":{"rendered":"Viver para sempre"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><strong>Cardeal Orani Jo\u00e3o Tempesta<br \/>\n<\/strong><strong>Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\">Celebramos neste final de semana o trig\u00e9simo segundo (32\u00ba) domingo do tempo comum. A f\u00e9 na ressurrei\u00e7\u00e3o dos morros j\u00e1 estava presente no Antigo Testamento, especialmente no Livro dos Macabeus! Deus revela a verdade, aos poucos, e a todos aqueles que t\u00eam boa vontade! Lamentamos a morte porque a carne acaba apodrecendo e tudo vira p\u00f3! Mas o homem espiritual cr\u00ea e espera a vida eterna, a ressurrei\u00e7\u00e3o da carne!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Na primeira leitura deste domingo (cf. 2Mc 7,1-14) \u2013 sete irm\u00e3os Macabeus preferiram manter fidelidade \u00e0 Palavra de Deus e n\u00e3o aceitaram a proposta do rei e, por isso, n\u00e3o abandonaram sua f\u00e9. Preferiram a morte \u00e0 trai\u00e7\u00e3o! Eles esperavam de Deus a vida nova de ressuscitados! Para o rei perseguidor n\u00e3o haver\u00e1 ressurrei\u00e7\u00e3o para a vida! Haver\u00e1, apenas, trevas e o sofrimento ser\u00e1 eterno! O cap\u00edtulo 7 de Macabeus narra a opress\u00e3o durante o per\u00edodo do imp\u00e9rio greco-helenista (s\u00e9c. II a.c), no tempo da revolta dos Macabeus, e a resist\u00eancia at\u00e9 a morte de uma m\u00e3e e seus sete filhos. O imp\u00e9rio grego dominava a Judeia e impunha sua cultura em detrimento da cultura e da religi\u00e3o judaicas. Assim, obrigava os judeus a desobedecer \u00e0s prescri\u00e7\u00f5es presentes na Lei. Os judeus sabiam que, se cedessem aos gregos, perderiam aquilo que mantinha o povo unido, ou seja, sua identidade, suas tradi\u00e7\u00f5es, sua cultura, sua religi\u00e3o. Enfim, a alian\u00e7a que tinham estabelecido com o Deus de Israel. O texto escolhido para a liturgia \u00e9 importante para n\u00f3s, crist\u00e3os, porque, j\u00e1 no Antigo Testamento, aparece a f\u00e9 na ressurrei\u00e7\u00e3o. Portanto, o texto n\u00e3o objetiva apresentar a realidade cruel e a frieza dos torturadores, mas reafirmar a convic\u00e7\u00e3o de que Deus \u00e9 soberano e capaz de gerar vida, mesmo nesse contexto de morte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Na segunda leitura (cf. <strong>2Ts 2,16-3,5), o <\/strong>Ap\u00f3stolo Paulo recomenda-se \u00e0s ora\u00e7\u00f5es dos tessalonicenses a fim de cumprir com fidelidade sua miss\u00e3o de pregador, embora, perseguido pelos maus e perversos. A segunda carta aos Tessalonicenses \u00e9 chamada deuteropaulina, ou seja, \u00e9 atribu\u00edda a Paulo, mas \u00e9 prov\u00e1vel que tenha sido escrita por um disc\u00edpulo ou um l\u00edder da comunidade de Tessal\u00f4nica que conheceu Paulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Nessa carta, transparece um contexto hostil \u00e0 f\u00e9 (cf. v. 2). Nesse sentido, ela est\u00e1 em sintonia com a primeira leitura e com o evangelho, mas tamb\u00e9m apresenta a esperan\u00e7a na fidelidade de Deus, que guarda a comunidade de todo mal. O texto escolhido para a liturgia cont\u00e9m v\u00e1rios temas. Ele se inicia com um uma s\u00faplica (cf. 2,16-17), em seguida apresenta um pedido de ora\u00e7\u00e3o (cf. 3,1-2) e conclui com a confian\u00e7a na fidelidade de Deus e com uma b\u00ean\u00e7\u00e3o (cf. vv. 3-5). Apesar da diversidade tem\u00e1tica, podemos dizer que todos os temas giram em torno da ora\u00e7\u00e3o. O autor inicialmente pede que Deus possa animar a comunidade e confirm\u00e1-la em \u201ctoda boa a\u00e7\u00e3o e palavra\u201d (vv. 16-17). O autor tamb\u00e9m pede que, na comunidade, uns rezem pelos outros, para que possam continuar anunciando a palavra da salva\u00e7\u00e3o, n\u00e3o obstante a persegui\u00e7\u00e3o e as tribula\u00e7\u00f5es, uma vez que nem todos acolheram essa palavra. Ele apresenta ainda a necessidade de que a Palavra seja n\u00e3o s\u00f3 rapidamente difundida (cf. Sl 147,15), mas tamb\u00e9m acolhida, para ser glorificada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No Evangelho dominical (cf. Lc 20,27-38) Jesus responde \u00e0 pergunta provocadora dos saduceus (que n\u00e3o acreditam na ressurrei\u00e7\u00e3o dos mortos: \u201cNesta vida, homens e mulheres casam-se (\u2026) mas os que forem achados dignos de participar da vida futura, nem eles se casam e nem elas se d\u00e3o em casamento (\u2026) pois ser\u00e3o iguais aos anjos do c\u00e9u!\u201d (cf. Lc 20,34-36). Os saduceus apresentam o caso de uma mulher que teve sete maridos, sem deixar descend\u00eancia. A pergunta que fazem \u00e9: \u201cNa ressurrei\u00e7\u00e3o, ela ser\u00e1 esposa de quem?\u201d (cf. Lc 20,33). Essa quest\u00e3o tinha como finalidade deslegitimar a cren\u00e7a na ressurrei\u00e7\u00e3o dos mortos, visto que, para eles, a Lei do Levirato acenava a impossibilidade da ressurrei\u00e7\u00e3o dos mortos, sendo a vida continuada nos descendentes. Outra poss\u00edvel interpreta\u00e7\u00e3o baseia-se na cren\u00e7a de que a vida futura seria semelhante \u00e0 vida terrena, contendo, por\u00e9m, somente aspectos positivos. Jesus responde a essa quest\u00e3o em duas etapas. Primeiramente, afirma que o Reino de Deus, ou o mundo futuro, n\u00e3o segue os moldes de nossa sociedade. Aqueles que ressuscitar\u00e3o ser\u00e3o como anjos, ou seja, ter\u00e3o seus olhos fixos no Deus da vida, pois poder\u00e3o contemplar Aquele que d\u00e1 a vida e tamb\u00e9m viver em comunh\u00e3o com os irm\u00e3os e irm\u00e3s, como filhos e filhas amados pelo \u00fanico Pai. Em segundo lugar, confirma a f\u00e9 na ressurrei\u00e7\u00e3o, baseando-se em \u00caxodo 3,6: um texto do Pentateuco que cont\u00e9m a revela\u00e7\u00e3o de Deus a Mois\u00e9s e a confirma\u00e7\u00e3o de que ele \u00e9 o Deus da vida. Assim, al\u00e9m de provar a ressurrei\u00e7\u00e3o e refutar a cren\u00e7a dos saduceus, Jesus afirma que a preocupa\u00e7\u00e3o dos saduceus n\u00e3o deve ser promover a morte, por meio de a\u00e7\u00f5es injustas e de um culto desvinculado da vida, mas o verdadeiro culto a Deus \u00e9 promover a vida ao redor, pois Deus n\u00e3o \u00e9 o Deus dos mortos, mas da vida, e vida em plenitude.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Podemos colocar como o cerne do ensinamento de Jesus \u00e9 a sua palavra para este domingo: \u201cQue os mortos ressuscitam, Mois\u00e9s tamb\u00e9m o indicou na sar\u00e7a, quando chama o Senhor de \u2018o Deus de Abra\u00e3o, o Deus de Isaac e o Deus de Jac\u00f3\u2019, Deus n\u00e3o \u00e9 Deus dos mortos, mas dos vivos, pois todos vivem para ele\u201d (cf. Lc 20,37-38) Deus, o Criador, est\u00e1 para al\u00e9m do tempo. Se Ele ressuscita cada ser humano, \u00e9 por um ato infinito e eterno de amor criador. Ele d\u00e1 um nome \u00fanico, pessoal a cada homem. Ele nunca poder\u00e1 retomar nem suprimir este ato. Cada ser humano que vem ao mundo \u00e9 verdadeiramente destinado a viver para sempre. Cada ser humano ser\u00e1 para sempre &#8220;ele&#8221; e n\u00e3o um outro. Cada ser humano viver\u00e1 para sempre, enraizado no amor eterno de Deus. Pela sua ressurrei\u00e7\u00e3o, Jesus abriu-nos o caminho da nossa pr\u00f3pria vida em plenitude em Deus.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cardeal Orani Jo\u00e3o Tempesta Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ) Celebramos neste final de semana o trig\u00e9simo segundo (32\u00ba) domingo do tempo comum. A f\u00e9 na ressurrei\u00e7\u00e3o dos morros j\u00e1 estava presente no Antigo Testamento, especialmente no Livro dos Macabeus! Deus revela a verdade, aos poucos, e a todos aqueles que t\u00eam boa vontade! Lamentamos &hellip;<\/p>\n<p class=\"read-more\"> <a class=\"\" href=\"https:\/\/www.cnbb.org.br\/viver-para-sempre\/\"> <span class=\"screen-reader-text\">Viver para sempre<\/span> Leia mais &raquo;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":31,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[758],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/35834"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/31"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=35834"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/35834\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=35834"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=35834"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=35834"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}