{"id":35899,"date":"2019-11-19T00:00:00","date_gmt":"2019-11-19T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/dia-da-consciencia-negra-toda-a-acao-em-beneficio-do-povo-negro-e-acao-de-libertacao-afirma-dom-zanoni\/"},"modified":"2020-03-11T17:09:22","modified_gmt":"2020-03-11T20:09:22","slug":"dia-da-consciencia-negra-toda-a-acao-em-beneficio-do-povo-negro-e-acao-de-libertacao-afirma-dom-zanoni","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/dia-da-consciencia-negra-toda-a-acao-em-beneficio-do-povo-negro-e-acao-de-libertacao-afirma-dom-zanoni\/","title":{"rendered":"Dia da Consci\u00eancia Negra: \u201cToda a a\u00e7\u00e3o em benef\u00edcio do povo negro \u00e9 a\u00e7\u00e3o de liberta\u00e7\u00e3o\u201d &#8211; dom Zanoni"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\"><em><a href=\"https:\/\/www.cnbb.org.br\/dia-da-consciencia-negra-toda-a-acao-em-beneficio-do-povo-negro-e-acao-de-libertacao-afirma-dom-zanoni\/domzanonipelourinho\/\" rel=\"attachment wp-att-229084\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-229084 alignright\" src=\"https:\/\/www.cnbb.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/DomZanoniPelourinho.jpg\" alt=\"\" width=\"392\" height=\"523\" \/><\/a>\u00c0s v\u00e9speras do Dia da Consci\u00eancia Negra, celebrado neste 20 de novembro, o bispo referencial da Pastoral Afro-Brasileira da Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Zanoni Demettino Castro, fala do trabalho da pastoral e dos desafios para a quest\u00e3o racial no Brasil e para a Igreja. O arcebispo de Feira de Santana (BA) entende que a Pastoral Afro-Brasileira tem o papel de identificar e elencar as iniciativas dos v\u00e1rios grupos, em prol da popula\u00e7\u00e3o negra, da juventude negra, de resgate e de pol\u00edticas afirmativas que existem na Igreja no Brasil.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>Dom Zanoni defende que \u00e9 miss\u00e3o de toda a Igreja o cuidado pastoral com a quest\u00e3o racial. \u201cA Pastoral n\u00e3o pode ser a\u00e7\u00e3o de um grupo reservado, de uma elite pensante, mas a\u00e7\u00e3o da Igreja toda\u201d, argumenta. Em sua avalia\u00e7\u00e3o a preocupa\u00e7\u00e3o com a Pastoral Afro-Brasileira deveria ser transversal \u00e0 a\u00e7\u00e3o de todas as pastorais, organismos e igrejas particulares uma vez que a maioria da popula\u00e7\u00e3o brasileira \u00e9 constitu\u00edda de negros segundo aponta o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edsticas (IBGE). <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>\u201cA maioria absoluta de nossa gente \u00e9 afro-brasileira. Temos presente que a maioria dos pobres \u00e9 de afrodescendente. Se vamos aos pres\u00eddios o n\u00famero de afrodescendente \u00e9 bem maior. A realidade de exterm\u00ednio da juventude negra cresce assustadoramente. Como dar uma not\u00edcia boa a essa gente? Como ser fiel ao mandato evangelizador do nosso Senhor Jesus? A Pastoral Afro-Brasileira \u00e9 miss\u00e3o nossa, n\u00e3o s\u00f3 de um grupo, mas de toda a Igreja. N\u00e3o s\u00f3 de uns bispos, mas de todos os pastores\u201d, disse.\u00a0Acompanhe, abaixo, a \u00edntegra da entrevista com dom Zanoni.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Qual o panorama da Pastoral Afro-Brasileira?<br \/>\n<\/strong><br \/>\nO Panorama da Pastoral Afro-Brasileira \u00e9 a miss\u00e3o da Igreja toda. \u00c9 evangelizar e dar uma not\u00edcia boa ao povo brasileiro. A maioria absoluta de nossa gente \u00e9 afro-brasileira. Uma riqueza de cultura, tradi\u00e7\u00e3o, m\u00fasica. O modo de viver, compreender o mundo, ter a sua fam\u00edlia. Esse povo que foi trazido escravizado da \u00c1frica e obrigado a trabalhar no plantio da cana de a\u00e7\u00facar, no cuidado das fazendas e na planta\u00e7\u00e3o do caf\u00e9. Uma caminhada, uma hist\u00f3ria de dor e sofrimento. \u00c9 essa gente que passou por 300 anos pelo processo de escravid\u00e3o e at\u00e9 hoje esse crime n\u00e3o foi suficientemente reparado. Como anunciar, ser fiel ao mandato de Jesus, \u00e0 essa gente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Temos presente que a maioria dos pobres \u00e9 afrodescendente. Se vamos aos pres\u00eddios o n\u00famero de afrodescendente \u00e9 bem maior. A realidade de exterm\u00ednio da juventude afro cresce assustadoramente. O assassinato da juventude negra. Como dar uma not\u00edcia boa a essa gente? Como ser fiel ao mandato evangelizador do nosso Senhor Jesus? A Pastoral n\u00e3o pode ser a\u00e7\u00e3o de um grupo reservado, de uma elite pensante, mas a\u00e7\u00e3o da Igreja toda. Uma pastoral transversal que envolve a Pastoral da Crian\u00e7a, a Pastoral do Menor, a Pastoral da Juventude, Fam\u00edlia e Pastoral Vocacional. A Igreja toda, como tem proposto o Papa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A Igreja toda \u00e9 chamada a evangelizar, como nos tem proposto o Papa. \u00c9 preciso escutar, ter presente a realidade concreta das pessoas. Se esse povo n\u00e3o \u00e9 assumido, como dizia S\u00e3o Greg\u00f3rio Nazianzo, n\u00e3o ser\u00e1 redimido. Ent\u00e3o, essa \u00e9 a realidade. Temos esse desafio grande para ser enfrentado.<\/p>\n<figure id=\"attachment_229137\" aria-describedby=\"caption-attachment-229137\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/www.cnbb.org.br\/dia-da-consciencia-negra-toda-a-acao-em-beneficio-do-povo-negro-e-acao-de-libertacao-afirma-dom-zanoni\/domzanoniirmandadepelourinhoba-2\/\" rel=\"attachment wp-att-229137\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-229137 size-medium\" src=\"https:\/\/www.cnbb.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/DomZanoniirmandadePelourinhoBA-1-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-229137\" class=\"wp-caption-text\">Dom Zanoni com irmandade cat\u00f3lica no Pelourinho (BA). Foto: arquivo pessoal.<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Quais projetos e linhas de a\u00e7\u00e3o da Pastoral Afro-Brasileira?<br \/>\n<\/strong><br \/>\nA Pastoral Afro-Brasileira tem tentado ter presente em cada regional um bispo referencial. Em nosso trabalho com a Pastoral Afro-Brasileira procurarmos perceber aquilo que j\u00e1 existe. H\u00e1 uma riqueza de trabalho, de iniciativas. Nossa miss\u00e3o \u00e9 articular, organizar e incentivar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Esse ano n\u00f3s temos acompanhado os Congressos das Comunidades Negras e Cat\u00f3licas, pensando a pastoral, tendo presente o desafio que a Igreja enfrenta neste momento. Acompanhado tamb\u00e9m a irmandades que \u00e9 a maneira mais tradicional e antiga da catolicidade do povo brasileiro. E perceber tamb\u00e9m como estar presente e mais pr\u00f3ximo das comunidades quilombolas. Esta \u00e9 uma insist\u00eancia nossa, que o S\u00ednodo tivesse presente esta realidade t\u00e3o desafiadora. Esta \u00e9 a miss\u00e3o nossa, n\u00e3o s\u00f3 de um grupo, mas de toda a Igreja. N\u00e3o s\u00f3 de uns bispos, mas de todos os pastores. E aquilo que dom Helder no seu bel\u00edssimo poema \u201cMariama\u201d, dizia que toda a Igreja e a CNBB assumisse de cheio a causa do povo negro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c9 importante na nossa reflex\u00e3o pastoral, como nos ensina a Confer\u00eancia Episcopal de Aparecida, que o povo negro \u00e9 chamado e j\u00e1 \u00e9 protagonista da gesta\u00e7\u00e3o de uma nova cultura e realidade. Tendo presente a riqueza de sua tradi\u00e7\u00e3o, literatura e sua filosofia. O modo de viver, a culin\u00e1ria, a tradi\u00e7\u00e3o oral e escrita, o modo de ensinar da agricultura, a m\u00fasica e a compreens\u00e3o de mundo. Isto marca profundamente. Por isso, que o negro n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 sujeito, como ensina a Igreja, mas protagonista da gesta\u00e7\u00e3o de um novo tempo, uma nova \u00e9poca, como nos pede a Igreja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A Pastoral Afro-Brasileira tem uma miss\u00e3o de assessoramento e acompanhamento. N\u00e3o de fazer no lugar dos pastores, bispos e padres e dos agentes de pastoral. Mas est\u00e1 respaldando as milhares de iniciativas que existem no Brasil. Atrav\u00e9s do Congresso Nacional das Comunidades Negras de reflex\u00e3o, de aprofundamento; Por meio das romarias, como a Romaria Nacional de Aparecida (SP), do encontro das irmandades e das comunidades negras e da romaria das comunidades quilombolas. \u00c9 nosso papel tentar identificar e elencar as iniciativas dos v\u00e1rios grupos, em prol da popula\u00e7\u00e3o negra, da juventude negra, de resgate e de pol\u00edticas afirmativas. Toda a a\u00e7\u00e3o em benef\u00edcio do povo negro \u00e9 a\u00e7\u00e3o de liberta\u00e7\u00e3o. Est\u00e1 integralmente na a\u00e7\u00e3o pastoral da Igreja.<\/p>\n<p><strong>Sobre a luta racial, quais os desafios brasileiros?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Vivemos um momento dif\u00edcil no Brasil, de perdas de direito, de amea\u00e7as \u00e0 vida de lideran\u00e7as. A nossa Constitui\u00e7\u00e3o Cidad\u00e3 est\u00e1 sendo desprezada e jogada ao lixo. Cabe a n\u00f3s, Pastores da Igreja, que assumimos a a\u00e7\u00e3o evangelizadora da Igreja nos empenhar seriamente para que a causa do negro, a defesa dos seus direitos, o resgate da sua dignidade esteja na pauta. Na luta constante em defesa de pol\u00edticas p\u00fablicas, como aconteceu com a Igreja assumindo a Campanha da Fraternidade. Ent\u00e3o \u00e9 fundamental. A realidade das pessoas n\u00e3o \u00e9 algo indiferente \u00e0 a\u00e7\u00e3o Evangelizadora. A liberta\u00e7\u00e3o integral da pessoa humana como nos ensina o magist\u00e9rio da Igreja. O rosto concreto dos afrodescendentes, dos quilombolas, dos ribeirinhos \u00e9 o rosto do pr\u00f3prio Cristo. Por isto que a miss\u00e3o da Igreja, a miss\u00e3o de Jesus, a miss\u00e3o de anunciar a boa nova aos pobres.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O bispo referencial da Pastoral Afro-Brasileira defende que a causa dos negros seja assumida por toda a Igreja. &#8220;Cabe a n\u00f3s, pastores da Igreja, nos empenhar seriamente para que a defesa dos seus direitos e o resgate da sua dignidade esteja na pauta&#8221;<\/p>\n","protected":false},"author":83,"featured_media":35901,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[1],"tags":[1541],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/35899"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/83"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=35899"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/35899\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media\/35901"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=35899"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=35899"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=35899"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}