{"id":35935,"date":"2019-11-22T00:00:00","date_gmt":"2019-11-22T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/presuncao-e-agua-benta\/"},"modified":"2019-11-22T00:00:00","modified_gmt":"2019-11-22T03:00:00","slug":"presuncao-e-agua-benta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/presuncao-e-agua-benta\/","title":{"rendered":"Presun\u00e7\u00e3o e \u00e1gua benta"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><strong>Dom Walmor Oliveira de Azevedo<\/strong><br \/>\n<strong>Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte<\/strong><br \/>\n<strong>Presidente da Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB)<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Os ditados populares s\u00e3o sabedorias inscritas na vida do povo, fonte incontest\u00e1vel de refer\u00eancias e t\u00eam a for\u00e7a pedag\u00f3gica necess\u00e1ria para importantes corre\u00e7\u00f5es.\u00a0 Por isso mesmo, \u00e9 oportuno lembrar, aqui, um ditado popular recitado, em muitas oportunidades, por velha amiga com longa experi\u00eancia de vida, o que lhe confere autoridade: \u201cpresun\u00e7\u00e3o e \u00e1gua benta, cada um pode ter o quanto quiser\u201d. Lembrando que a escolha equivocada \u00e9 um risco. Certamente, al\u00e9m de afronta \u00e0 civilidade, agir com presun\u00e7\u00e3o pode trazer preju\u00edzos a diferentes processos, com perdas sociais e institucionais. \u00c9 preciso, pois, buscar o rem\u00e9dio para esse mal e a receita vem dos evangelhos, nos muitos ensinamentos de Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Se a presun\u00e7\u00e3o n\u00e3o for tratada, ela se agrava e torna-se soberba, a grande respons\u00e1vel pelas indiferen\u00e7as, que enjaulam o ser humano na incompet\u00eancia para se relacionar. Distancia-o da sensibilidade indispens\u00e1vel para o exerc\u00edcio da solidariedade. Deve-se buscar a humildade, virtude que \u00e9 o grande ant\u00eddoto para curar presun\u00e7\u00f5es. Por ser virtude, requer din\u00e2micas existenciais e espirituais para desenvolv\u00ea-la. A refer\u00eancia a <em>h\u00famus<\/em>, na etimologia do voc\u00e1bulo humildade, remete ao sentido de \u201cp\u00e9s no ch\u00e3o\u201d, \u00e0 vida em par\u00e2metros de simplicidade.\u00a0\u00a0 Para se orientar a partir desses par\u00e2metros, torna-se oportuno cada pessoa reconhecer a sua condi\u00e7\u00e3o fr\u00e1gil e mortal que \u00e9 pr\u00f3pria de todo ser humano. Assim se encontram raz\u00f5es para atitudes e h\u00e1bitos simples, reconhecendo-se humilde servidor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Desconsiderar a humildade, nas din\u00e2micas espirituais e existenciais di\u00e1rias, \u00e9 um risco. Pode provocar o desvirtuamento de identidades, da personalidade e, consequentemente, desfigurar o car\u00e1ter, sustent\u00e1culo para o exerc\u00edcio da cidadania e da viv\u00eancia aut\u00eantica da f\u00e9 crist\u00e3. H\u00e1 de se ter presente que a presun\u00e7\u00e3o tem for\u00e7a de pervers\u00e3o. Enfraquece o relacionamento humano, indispens\u00e1vel para o desenvolvimento das iniciativas necess\u00e1rias ao bem de todos. Esse mal distancia e alimenta perigosa pretens\u00e3o: se achar melhor, muitas vezes, a partir da desvaloriza\u00e7\u00e3o do outro. Na esfera religiosa, h\u00e1 de se calcular o preju\u00edzo terr\u00edvel da presun\u00e7\u00e3o, causa de pr\u00e1ticas tortas, que se dizem ligadas \u00e0 f\u00e9 crist\u00e3. Presun\u00e7\u00e3o \u00e9 o habitat do orgulho e da gan\u00e2ncia. Manifesta-se em disputas por privil\u00e9gios, na busca ego\u00edsta completamente oposta \u00e0 verdade do Evangelho, que tem por princ\u00edpio fundamental a igualdade, o sentido de pertencimento e a solidariedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A presun\u00e7\u00e3o propicia a manipula\u00e7\u00e3o das raz\u00f5es e sentimentos religiosos, desfigurando a autenticidade evang\u00e9lica. \u00c9 um mal que induz as pessoas a buscarem somente arrebanhar mais, conquistar mais seguidores, arrecadar mais. Os resultados s\u00e3o nefastos pelo desvirtuamento da genuinidade do cristianismo, com a consequente perda de seu valor prof\u00e9tico e profundamente transformador de mentes e de din\u00e2micas culturais. No horizonte da religiosidade, a presun\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m imp\u00f5e atrasos, gera entendimentos r\u00edgidos, retr\u00f3grados, que buscam alimentar certo dom\u00ednio das apar\u00eancias, servindo apenas para camuflar interesses contr\u00e1rios \u00e0 f\u00e9 crist\u00e3 e ao nobre sentido da religiosidade. Esses entendimentos equivocados d\u00e3o origem \u00e0s idolatrias que alimentam perspectivas patol\u00f3gicas. E n\u00e3o se pode considerar normal, especialmente no contexto religioso, a idolatria a pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No mundo pol\u00edtico n\u00e3o \u00e9 diferente. A presun\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m alimenta a inconsci\u00eancia a respeito dos pr\u00f3prios limites, o que leva \u00e0 lament\u00e1vel perda do sentido de realidade. Gera, assim, incapacidade para solucionar, com a necess\u00e1ria urg\u00eancia, os graves problemas da atualidade.\u00a0 A representatividade no mundo da pol\u00edtica, contaminada pelo veneno da presun\u00e7\u00e3o, limita-se a agir em favor de oligarquias e na busca por privil\u00e9gios. A presun\u00e7\u00e3o cega a indispens\u00e1vel e saud\u00e1vel capacidade para a autocr\u00edtica. Em vez desse necess\u00e1rio exerc\u00edcio, grupos e segmentos se pautam por pretens\u00f5es inconsistentes, completamente desconectadas da realidade. Contexto que favorece a proje\u00e7\u00e3o de \u00eddolos pol\u00edticos revestidos de fei\u00e7\u00f5es religiosas. Indiv\u00edduos que fazem da pol\u00edtica o que ela n\u00e3o deveria ser, com atrasos na promo\u00e7\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o cidad\u00e3, inviabilizando, inclusive, a renova\u00e7\u00e3o dos nomes no exerc\u00edcio da representatividade e a rapidez na solu\u00e7\u00e3o dos muitos problemas sociais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Vale avan\u00e7ar no horizonte deste ditado popular &#8211; \u201cpresun\u00e7\u00e3o e \u00e1gua benta, cada um pode ter o quanto quiser\u201d- para se reconhecer patologias que levam a atrasos civilizat\u00f3rios, com a incapacidade para se enxergar novos rumos e nomes, novas pr\u00e1ticas e respostas para as demandas da sociedade. Quem precisa sair de cena n\u00e3o sai, por n\u00e3o reconhecer que \u00e9 necess\u00e1rio fechar um ciclo para a abertura de um novo. Alimentar a presun\u00e7\u00e3o \u00e9 permanecer no par\u00e2metro da mediocridade, escondida por muitas roupagens que apenas enganam para n\u00e3o ter que mudar o que precisa sofrer r\u00e1pidas e urgentes interven\u00e7\u00f5es. Tudo se justifica pela deliberada falta de consci\u00eancia clarividente e de autocr\u00edtica, porque \u201cpresun\u00e7\u00e3o e \u00e1gua benta, cada um pode ter o quanto quiser\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Walmor Oliveira de Azevedo Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte Presidente da Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) &nbsp; Os ditados populares s\u00e3o sabedorias inscritas na vida do povo, fonte incontest\u00e1vel de refer\u00eancias e t\u00eam a for\u00e7a pedag\u00f3gica necess\u00e1ria para importantes corre\u00e7\u00f5es.\u00a0 Por isso mesmo, \u00e9 oportuno lembrar, aqui, um ditado popular recitado, em &hellip;<\/p>\n<p class=\"read-more\"> <a class=\"\" href=\"https:\/\/www.cnbb.org.br\/presuncao-e-agua-benta\/\"> <span class=\"screen-reader-text\">Presun\u00e7\u00e3o e \u00e1gua benta<\/span> Leia mais &raquo;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[758],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/35935"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=35935"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/35935\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=35935"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=35935"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=35935"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}