{"id":35937,"date":"2019-11-22T00:00:00","date_gmt":"2019-11-22T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cristo-rei-4\/"},"modified":"2019-11-22T00:00:00","modified_gmt":"2019-11-22T03:00:00","slug":"cristo-rei-4","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cristo-rei-4\/","title":{"rendered":"Cristo Rei"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><strong>Dom Rodolfo Weber<\/strong><br \/>\n<strong><span class=\"qu\" role=\"gridcell\"><span class=\"gD\" data-hovercard-id=\"imprensa@arquidiocesedepassofundo.com.br\" data-hovercard-owner-id=\"148\">Arcebispo de Passo Fundo<\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Com a celebra\u00e7\u00e3o da solenidade de Cristo Rei a liturgia cat\u00f3lica encerra o ano lit\u00fargico. Numa \u00e9poca em que prezamos elei\u00e7\u00f5es regulares para escolher os governantes, chamar a Cristo de Rei, talvez n\u00e3o seja a linguagem mais adequada. Mas a descri\u00e7\u00e3o de rei, apresentada em Lucas 23,35-43, texto lido este ano, questiona profundamente os modelos corrompidos de governar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O letreiro, no alto da cruz, indicava quem era o condenado: \u201cEste \u00e9 o Rei dos Judeus\u201d. Os chefes zombavam de Jesus dizendo: \u201cA outros salvou. Salve-se a si mesmo\u201d. Ao zombarem do condenado reconhecem a sua principal obra: \u201csalvar os outros\u201d e \u201cn\u00e3o salvar-se a si mesmo\u201d. Todos os governantes s\u00e3o eleitos para \u201csalvar os outros\u201d, para realizar e promover o bem comum e todos os direitos constitucionais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Todos os problemas de governantes surgem quando pensam e agem em \u201csalvar-se a si mesmo\u201d, isto \u00e9, os interesses pessoais ou da sua corpora\u00e7\u00e3o v\u00e3o se tornando prioridade. Permanece o discurso de \u201csalvar os outros\u201d para conseguir o apoio ou os votos e para se perpetuar no poder. N\u00e3o podemos esquecer que temos muitos legalmente eleitos, que est\u00e3o no poder, a mais tempo que muitos reis que n\u00e3o foram eleitos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Os que zombam do crucificado, pedindo que des\u00e7a da cruz, est\u00e3o se desculpando e declarando-se inocentes. Afirmando que ele \u00e9 o culpado e eles n\u00e3o t\u00eam nada a ver com isto. De fato, Jesus foi condenado como consequ\u00eancia direta dos seus ensinamentos e atitudes. A cruz revela que Jesus assumiu todas as consequ\u00eancias da sua miss\u00e3o. Jesus como modelo de rei questiona as in\u00fameras desculpas que s\u00e3o dadas por quem governa. Em geral as pessoas n\u00e3o conseguem distinguir o entre o que \u00e9 desculpa mentirosa e da verdade, isto daquilo que n\u00e3o foi poss\u00edvel realizar por limita\u00e7\u00e3o de or\u00e7amento ou outras raz\u00f5es leg\u00edtimas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Cristo Rei est\u00e1 crucificado entre duas pessoas que o evangelista Lucas descreve como malfeitores. Est\u00e1 entre as pessoas com quem esteve durante em toda a sua trajet\u00f3ria, isto \u00e9 junto aos pecadores. V\u00e1rias vezes foi questionado por andar com gente desta fama e respondeu que estava com eles, pois eram necessitados de salva\u00e7\u00e3o e de cuidado. A sua miss\u00e3o n\u00e3o era condenar, mas era propor um caminho de mudan\u00e7a de vida. Al\u00e9m de propor, tamb\u00e9m precisa oportunizar o tempo e as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para ocorrer a mudan\u00e7a vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Al\u00e9m de estar entre pecadores, mesmo quando crucificado, tamb\u00e9m concedeu o perd\u00e3o como tantas vezes havia feito. A presen\u00e7a de Cristo provocou um dos malfeitores a rever a sua vida. Ele reconhece \u201cpara n\u00f3s, \u00e9 justo, porque estamos recebendo o que merecemos; mas ele n\u00e3o fez nada de mal. E acrescentou: Jesus lembra-te de mim, quando entrares no teu reinado. Jesus lhe respondeu: \u201cEm verdade eu te digo: ainda hoje estar\u00e1s comigo no Para\u00edso\u201d. N\u00e3o h\u00e1 necessidade de nenhuma cl\u00e1usula entre o malfeitor e Jesus al\u00e9m daquela do arrependimento e do perd\u00e3o concedido. As duas mortes se cruzam na salva\u00e7\u00e3o do novo e perfeito reino, \u201cestar\u00e1s comigo no Para\u00edso\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Nesta atitude de Cristo vislumbra-se outra tarefa fundamental de um governante que \u00e9 a de agregar os cidad\u00e3os. Devido ao seu poder e influ\u00eancia ele tem condi\u00e7\u00f5es, por palavras e atitudes, criar um ambiente beligerante. Cristo poderia ter aproveitado a oportunidade para estimular seus seguidores a terem atitudes de vingan\u00e7a e de viol\u00eancia, mas concedeu o perd\u00e3o ao malfeitor arrependido e aos outros disse \u201cperdoa-lhes porque n\u00e3o sabem o que fazem\u201d. Tamb\u00e9m \u00e9 tarefa fundamental dos governantes a promo\u00e7\u00e3o da paz e da amizade social.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Rodolfo Weber Arcebispo de Passo Fundo Com a celebra\u00e7\u00e3o da solenidade de Cristo Rei a liturgia cat\u00f3lica encerra o ano lit\u00fargico. Numa \u00e9poca em que prezamos elei\u00e7\u00f5es regulares para escolher os governantes, chamar a Cristo de Rei, talvez n\u00e3o seja a linguagem mais adequada. 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