{"id":36219,"date":"2019-12-19T00:00:00","date_gmt":"2019-12-19T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/nao-havia-lugar-para-eles-na-hospedaria\/"},"modified":"2019-12-19T00:00:00","modified_gmt":"2019-12-19T03:00:00","slug":"nao-havia-lugar-para-eles-na-hospedaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/nao-havia-lugar-para-eles-na-hospedaria\/","title":{"rendered":"N\u00e3o havia lugar para eles na hospedaria"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><strong>Dom Jo\u00e3o Justino de Medeiros Silva<\/strong><br \/>\n<strong>Arcebispo de Montes Claros (MG)<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Quando nossos olhos contemplam um pres\u00e9pio e veem uma pequena manjedoura com o menino Jesus ao lado de seus pais, Maria e Jos\u00e9, rodeado de animais se entende que aquele casal teve seu filho naquele lugar, provavelmente uma estrebaria. Mas, pode nos escapar que a raz\u00e3o principal para que isso acontecesse foi a dificuldade de encontrar um lugar mais familiar, um abrigo de uma casa para que Maria, gr\u00e1vida no nono m\u00eas, desse \u00e0 luz seu filho. O evangelista Lucas escreve: \u201cQuando estavam ali, completaram-se os dias de ela dar \u00e0 luz. Ela deu \u00e0 luz o seu filho, o primog\u00eanito, envolveu-o em faixas e deitou-o numa manjedoura, porque n\u00e3o havia lugar para eles na hospedaria\u201d (Lc 2,6-7).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Muito se poderia conjecturar sobre o motivo de Jos\u00e9 n\u00e3o ter encontrado um lugar melhor para o nascimento de Jesus. Todavia, a maravilha do an\u00fancio do natal do Senhor e a beleza dos pres\u00e9pios n\u00e3o nos deveria fazer esquecer que a manjedoura, onde repousa o menino Deus, n\u00e3o deixa de ser uma den\u00fancia de um modo de vida em que a solidariedade parece n\u00e3o contar. Como n\u00e3o se indignar diante do fato de que uma mulher gr\u00e1vida, que est\u00e1 para ter seu filho, n\u00e3o encontre uma casa ou hospedaria de portas abertas? O Filho de Deus, que se fez pobre, entra na hist\u00f3ria com a marca dos rejeitados. N\u00e3o foi o primeiro e, infelizmente, nem o \u00faltimo. Essa cena se repete cotidianamente e de muitos modos. Como n\u00e3o havia lugar para eles na hospedaria, hoje n\u00e3o h\u00e1 lugar para eles nos hospitais, nas creches, nas escolas&#8230; n\u00e3o t\u00eam casa e n\u00e3o h\u00e1 lugar para eles \u00e0 mesa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Somos uma sociedade crist\u00e3 nas apar\u00eancias. Somos capazes de celebrar o Natal em nossas Igrejas e, t\u00e3o logo, ao voltarmos para nossas casas sequer olhar para os pobres que est\u00e3o nas cal\u00e7adas ou nas portas de nossas Igrejas. Nossos cora\u00e7\u00f5es n\u00e3o podem se anestesiar e enfraquecer a sensibilidade humana e social. Ora, diante do pres\u00e9pio devemos nos indignar que faltem outros lugares para as crian\u00e7as. Por exemplo, faltam lugares para as crian\u00e7as nas creches e nas escolas. Paradoxalmente, as portas que podem se abrir para abrigar encontram-se fechadas. J\u00e1 as portas que s\u00e3o para trancar se abrem com facilidade para amontoar os encarcerados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em nossas cidades cresce, assustadoramente, o n\u00famero de pedintes e de pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua. Com fome, sem casa, sem trabalho e sem perspectivas de vida s\u00e3o v\u00edtimas da desigualdade social que os priva de oportunidades. As pol\u00edticas p\u00fablicas fazem diferen\u00e7a, mas ainda s\u00e3o muito fr\u00e1geis. Carecemos de uma cultura da solidariedade humana que mobilize cada cidad\u00e3o em favor da vida digna para todos. Digo solidariedade humana para acentuar o imprescind\u00edvel cuidado com as pessoas, j\u00e1 substitu\u00eddo significativamente pelo cuidado com os animais dom\u00e9sticos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Para a supera\u00e7\u00e3o da mis\u00e9ria, da fome e do abandono dos pobres destacam-se algumas institui\u00e7\u00f5es da sociedade civil e entidades de inspira\u00e7\u00e3o religiosa que oferecem sua contribui\u00e7\u00e3o para amenizar o sofrimento de tantos. Nada deveria nos impedir de cuidar dos mais pobres. Nenhuma restri\u00e7\u00e3o deveria atar nossas m\u00e3os de oferecer \u00e0queles que est\u00e3o sem casa e vagueiam pelas ruas alguma oportunidade de conforto. Jesus, ainda no ventre de Maria, deparou-se com a hospedaria fechada. Mas, ele n\u00e3o hesitou em ensinar com a par\u00e1bola do bom samaritano que o modo de tratar o pr\u00f3ximo ca\u00eddo \u00e9, inclusive, lev\u00e1-lo at\u00e9 uma hospedaria e oferecer cuidados (cf. Lc 10,25-37).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Jo\u00e3o Justino de Medeiros Silva Arcebispo de Montes Claros (MG) &nbsp; Quando nossos olhos contemplam um pres\u00e9pio e veem uma pequena manjedoura com o menino Jesus ao lado de seus pais, Maria e Jos\u00e9, rodeado de animais se entende que aquele casal teve seu filho naquele lugar, provavelmente uma estrebaria. 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