{"id":36825,"date":"2020-02-18T00:00:00","date_gmt":"2020-02-18T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/a-exortacao-apostolica-fala-da-integracao-social\/"},"modified":"2020-02-18T00:00:00","modified_gmt":"2020-02-18T03:00:00","slug":"a-exortacao-apostolica-fala-da-integracao-social","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/a-exortacao-apostolica-fala-da-integracao-social\/","title":{"rendered":"A exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica fala da integra\u00e7\u00e3o social"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><strong>Dom Vital Corbellini<\/strong><br \/>\n<strong>Bispo de Marab\u00e1 (PA)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Na exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica, fala o Papa Francisco de uma integra\u00e7\u00e3o de todos os habitantes da Amaz\u00f4nia para assim consolidar o bem viver, que \u00e9 a vida dada em primeiro lugar diante dos interesses econ\u00f4micos e pol\u00edticos que desfrutam na Amaz\u00f4nia. Deus criou este jardim t\u00e3o bonito que merece a nossa aten\u00e7\u00e3o e louvor. Ora a floresta n\u00e3o poder\u00e1 ser destru\u00edda, mas preservada pelos povos que nela vivem e pelo bem na casa comum. Desta forma imp\u00f5e-se um grito prof\u00e9tico e um \u00e1rduo trabalho em favor dos mais pobres e de todos os que vivem na floresta. Nesta realidade uma abordagem ecol\u00f3gica torna-se uma abordagem social no sentido de que o clamor da terra \u00e9 tamb\u00e9m o clamor dos pobres. N\u00e3o poder\u00e1 haver um reducionismo no sentido de quem se preocupa s\u00f3 com o bioma da Amaz\u00f4nia, mas ignore os povos amaz\u00f4nicos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O Papa Francisco tem presentes que h\u00e1 um clamor que brada aos c\u00e9us pelos cortes de madeiras, a ind\u00fastria mineraria nas quais expulsam e v\u00e3o encurralando os povos ind\u00edgenas, ribeirinhos e outras fam\u00edlias priorizando o interesse econ\u00f4mico sobre a vida humana desses povos. A quest\u00e3o \u00e9 que as madeireiras t\u00eam os seus parlamentares e a Amaz\u00f4nia n\u00e3o tem ningu\u00e9m quem a defenda de modo que os p\u00e1ssaros n\u00e3o tem onde ir, as castanheiras, as plantas est\u00e3o sendo derrubadas e a vida n\u00e3o \u00e9 mais a mesma sem a floresta. O Papa Francisco coloca isso porque v\u00ea que os ind\u00edgenas est\u00e3o saindo de suas florestas que as vezes s\u00e3o derrubadas, para a periferia das cidades, existindo um movimento migrat\u00f3rio nas cidades de ind\u00edgenas. Este \u00e9 uma realidade est\u00e1 se tornando bem t\u00edpica em nossa regi\u00e3o, pela exist\u00eancia de muitos povos ind\u00edgenas nas periferias das cidades. Al\u00e9m da desigualdade social em que vivem muitos ind\u00edgenas, nas periferias das cidades muitas vezes ocorrem a hostilidade para com essas pessoas, a explora\u00e7\u00e3o sexual e o tr\u00e1fico de pessoas, males denunciados de uma forma bastante ampla pelo Papa e pelas nossas conferencias episcopais. O clamor social da Amaz\u00f4nia brota das florestas, mas tamb\u00e9m do interior de suas cidades, nas quais deveremos trabalhar e fomentar a integra\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O S\u00ednodo falou muito dos desmandos que os povos ind\u00edgenas est\u00e3o sofrendo por causa do avan\u00e7o das madeireiras, dos criadores de gado e outros fatores sociais, econ\u00f4micos e pol\u00edticos. Na sua exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica, o Papa teve presente um dos gritos do s\u00ednodo neste sentido de que os territ\u00f3rios dos ind\u00edgenas est\u00e3o sendo explorados, as suas \u00e1guas est\u00e3o sendo contaminadas, os seus rios polu\u00eddos, sabendo que os povos ind\u00edgenas cuidam da floresta para os seus filhos, dispondo da carne, da pesca, rem\u00e9dios vegetais e \u00e1rvores frut\u00edferas para eles e para muitas pessoas. Os seus territ\u00f3rios n\u00e3o podem ser roubados, porque h\u00e1 lugar para todas as pessoas e Deus deu a terra e a floresta para todos, n\u00e3o somente para alguns usufru\u00edrem. Se no passado havia uma falsa m\u00edstica amaz\u00f4nica de que o territ\u00f3rio era um enorme vazio a ser preenchido, como uma riqueza em estado bruto que deveria se aprimorar, uma vastid\u00e3o selvagem a ser domada, essas vis\u00f5es favoreceram a invas\u00e3o das pessoas n\u00e3o reconhecendo os direitos dos povos nativos, ind\u00edgenas ou simplesmente foram ignorados. O fato \u00e9 que a terra onde esses povos habitam, pertence a eles de modo que os povos ind\u00edgenas n\u00e3o podem aparecer como povos intrusos. A realidade \u00e9 que muitos desses povos tiveram os seus ambientes naturais destru\u00eddos, n\u00e3o tendo mais o alimento para sobreviver, o estilo de vida e uma cultura que lhes d\u00ea a identidade tendo como conseq\u00fc\u00eancia as correntes migrat\u00f3rias para as periferias das cidades. O Papa Francisco segue neste sentido S\u00e3o Paulo VI que dizia que os povos pobres ficam cada vez mais pobres e os ricos tornam-se cada vez mais ricos (PP, 285). Como Igreja devemos acompanhar essas viola\u00e7\u00f5es de muitos dos povos ind\u00edgenas e outros povos para que n\u00e3o haja a expuls\u00e3o de suas terras, territ\u00f3rios, florestas, rios, mas haja a integra\u00e7\u00e3o social de todos os povos, vida sobre a morte, como o Senhor Deus deu esta terra para todos. Assim a integra\u00e7\u00e3o da Igreja \u00e9 fundamental para que o evangelho de Cristo Jesus atinja a todas as pessoas em vista da convers\u00e3o pastoral e ecol\u00f3gica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Vital Corbellini Bispo de Marab\u00e1 (PA) Na exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica, fala o Papa Francisco de uma integra\u00e7\u00e3o de todos os habitantes da Amaz\u00f4nia para assim consolidar o bem viver, que \u00e9 a vida dada em primeiro lugar diante dos interesses econ\u00f4micos e pol\u00edticos que desfrutam na Amaz\u00f4nia. 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