{"id":36920,"date":"2020-02-27T00:00:00","date_gmt":"2020-02-27T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/dom-raymundo-damasceno-fala-sobre-a-importancia-da-fraternidade-de-vida-dom-e-compromisso-em-visita-ao-arautos\/"},"modified":"2020-10-23T14:40:18","modified_gmt":"2020-10-23T17:40:18","slug":"dom-raymundo-damasceno-fala-sobre-a-importancia-da-fraternidade-de-vida-dom-e-compromisso-em-visita-ao-arautos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/dom-raymundo-damasceno-fala-sobre-a-importancia-da-fraternidade-de-vida-dom-e-compromisso-em-visita-ao-arautos\/","title":{"rendered":"Em visita aos Arautos, cardeal Damasceno fala sobre a CF 2020: &#8220;Fraternidade e Vida: Dom e Compromisso\u201d"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Irm\u00e3os e Irm\u00e3s em Nosso Senhor Jesus Cristo, Salve Maria!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ao iniciarmos o tempo privilegiado da Quaresma, proponho-lhes que, juntos, nos coloquemos em sintonia com a esperan\u00e7a desde sempre vivida pelo Povo de Deus: &#8220;Atravessar o mar a p\u00e9 enxuto e iniciar um caminho rumo \u00e0 Terra Prometida&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A Campanha da Fraternidade de 2020 e tamb\u00e9m o Ano Lit\u00fargico que estamos percorrendo levam-nos a uma sintonia particular com a pr\u00e1tica da compaix\u00e3o, virtude caracterizada como um dos mais sublimes gestos da vida crist\u00e3. &#8220;Viu e sentiu compaix\u00e3o&#8221; (Lc 10, 33 &#8211; 34).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A reflex\u00e3o que pretendo desenvolver ser\u00e1 dividida em tr\u00eas momentos:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">1 &#8211; Lucas, o Evangelista da Compaix\u00e3o;<br \/>\n2 &#8211; A Fraternidade: Dom e Compromisso;<br \/>\n3 &#8211; A ternura, pr\u00e1tica da abstin\u00eancia quaresmal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Esses tr\u00eas momentos de nossa reflex\u00e3o nos ajudar\u00e3o, por certo, a vivenciar com maior intensidade os 40 dias que iremos passar no deserto quaresmal. Lembremo-nos de que o caminho \u00e9 longo e \u00e1rduo, mas que, durante o tempo em que estivermos no deserto, o Senhor, tal e qual fez com o povo de Israel, nos cobrir\u00e1 com uma nuvem suave de manh\u00e3, para que o forte sol n\u00e3o nos queime, e, \u00e0 noite, com uma doce luz, para que n\u00e3o nos percamos no meio do caminho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">1 &#8211; Lucas o Evangelista da Compaix\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Examinando-se o evangelho de Lucas em a toda a extens\u00e3o de seus vinte e quatro cap\u00edtulos, percebemos que cada um deles nos apresenta o drama humano de um evangelizador que, em diferentes situa\u00e7\u00f5es, chega a se frustrar ou at\u00e9 mesmo a fracassar. O pr\u00f3prio Cardeal Martini, em sua obra O evangelizador em Lucas, descreve de forma bastante acurada os passos dados por Jesus durante todo o Seu caminho. Todo o evangelho de Lucas nos mostra o constante caminhar de Jesus na compaix\u00e3o: Jerusal\u00e9m &#8211; Ema\u00fas &#8211; Jerusal\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No evangelho de Lucas, os disc\u00edpulos percebem desde o primeiro momento que o Senhor \u00e9 compassivo e misericordioso. Poder-se-ia afirmar que o Salmo 103 expressa todo o sentido teol\u00f3gico que o povo judeu confere aos gestos de Miseric\u00f3rdia e que o pr\u00f3prio Jesus encarna: Ele cura todas as nossas enfermidades, redime nossa vida, coroa-nos de amor e compaix\u00e3o, faz justi\u00e7a a todos os oprimidos&#8230; O amor do Senhor existe desde sempre e para sempre existir\u00e1 (Sl 103,3.6.9-10.17). Alguns exegetas afirmam que, no salmo 103, vemos refletidos em antecipa\u00e7\u00e3o tra\u00e7os do evangelho de Lucas. De fato, o amor do Senhor por todos n\u00f3s existe desde sempre e para sempre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Quaresma \u00e9 um tempo prop\u00edcio para refletirmos sobre esse amor. Tamb\u00e9m o \u00e9 o Ano Lit\u00fargico que estamos vivendo. A Campanha da Fraternidade deste ano, que tem por tema &#8220;Fraternidade e Vida: Dom e Compromisso&#8221;, baseia-se precisamente nesta experi\u00eancia da compaix\u00e3o: &#8220;Viu, sentiu compaix\u00e3o e cuidou dele&#8221; (Lc 10, 33-34). A compaix\u00e3o como gesto sempre acompanha a vida da f\u00e9 e, exatamente por essa raz\u00e3o, nos compromete com o nosso irm\u00e3o a quem vemos. A compaix\u00e3o permeia cada um dos cap\u00edtulos do Evangelho de Lucas, e o fato de que o cap\u00edtulo 10 nos seja proposto ao longo desta Quaresma nos ajuda a vislumbrar a necessidade que temos de passar pela experi\u00eancia da compaix\u00e3o! Somos, assim, convidados a sermos compassivos e a sentirmos a compaix\u00e3o dos outros para conosco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Hoje estamos excessivamente habituados com a efic\u00e1cia, com os resultados e com tudo o que tenha a ver com a perfei\u00e7\u00e3o e a qualidade do produto. Ver e sentir tornou-se algo quase inusitado em nossa sociedade, at\u00e9 mesmo em nossas pr\u00f3prias comunidades. O ver exige um grau profundo e exigente de &#8220;compaix\u00e3o&#8221;. (Cf. Bento XVI, Homilia na Quarta-feira de Cinzas &#8211; 1\u00ba de mar\u00e7o de 2006).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">&#8220;O amor, como Jesus nos est\u00e1 sempre mostrando no Evangelho, deve transformar-se em gestos concretos para com o pr\u00f3ximo, especialmente para com os pobres e os necessitados, subordinando-se sempre o valor das &#8220;boas obras&#8221; \u00e0 sinceridade da rela\u00e7\u00e3o com o &#8220;Pai que est\u00e1 nos c\u00e9us&#8221;, que &#8220;v\u00ea o oculto&#8221; e que &#8220;recompensar\u00e1&#8221; todos os que fazem o bem de maneira humilde e abnegada (cf. Mt 6,1.4.6.18). A concretiza\u00e7\u00e3o do amor constitui um dos elementos fundamentais da vida dos crist\u00e3os, que s\u00e3o encorajados por Jesus a serem luz do mundo, para que os homens, vendo as suas &#8220;boas obras&#8221;, glorifiquem a Deus (cf. Mt 5,16). Como nunca, esta recomenda\u00e7\u00e3o, no in\u00edcio da Quaresma, chega at\u00e9 n\u00f3s de maneira muito oportuna, porque compreendemos cada vez mais que &#8220;para a Igreja, a caridade n\u00e3o \u00e9 uma esp\u00e9cie de atividade de assist\u00eancia social&#8230; mas pertence \u00e0 sua natureza, \u00e9 express\u00e3o irrenunci\u00e1vel da sua pr\u00f3pria ess\u00eancia&#8221; (Deus caritas est, 25, a). O amor verdadeiro manifesta-se em gestos que n\u00e3o excluem ningu\u00e9m, a exemplo do bom Samaritano que, com grande abertura de alma, ajudou um desconhecido em dificuldade, encontrado &#8220;por acaso&#8221; \u00e0 beira da estrada (cf. Lc 10,31)&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Uma das estradas mais seguras, se n\u00e3o a melhor de todas, no caminho penitencial \u00e9 a proposta da compaix\u00e3o. Nela, encontramos o tempo para viver nossa espiritualidade, nossa experi\u00eancia de esmola e sobretudo a pr\u00e1tica das obras de Miseric\u00f3rdia durante estes quarenta dias que, num certo sentido, nos levam at\u00e9 o deserto para, ali, revermos nossa vida interior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">2 &#8211; A Fraternidade: Dom e Compromisso<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Podemos optar, mesmo no tempo do jejum e da abstin\u00eancia, por uma vida descomprometida e c\u00f4moda, mas isto, simplesmente, tornaria o nosso tempo inf\u00e9rtil e sem sentido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A Quaresma nos coloca a todos, sem exce\u00e7\u00e3o, diante do irm\u00e3o, daquele que, de diversas formas, nos fala na hora em que sofre. N\u00e3o posso deixar de lado o irm\u00e3o que me interpela e me interroga com a sua presen\u00e7a. A fraternidade nos compromete em todas as dimens\u00f5es da nossa vida crist\u00e3. J\u00e1 o advertia o Ap\u00f3stolo Tiago na sua Carta: &#8220;Com efeito aquele que ouve a Palavra e n\u00e3o a pratica, assemelha-se ao homem que, observando seu rosto no espelho, se limita a observar-se e vai-se embora, esquecendo-se logo da sua apar\u00eancia&#8221; (Tg 1,24).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Muitos pensam que o tempo de Quaresma \u00e9 um tempo exclusivamente para fazer autorreflex\u00f5es e nada mais; um tempo de atitudes fechadas, circunflexas. Vemos tantas pessoas que vivem o tempo de quaresma distante da pr\u00e1tica da fraternidade, sem se comprometerem!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Na Quaresma, a esmola \u00e9 compromisso, a ora\u00e7\u00e3o \u00e9 compromisso e o jejum tamb\u00e9m \u00e9 compromisso. Tudo nesse tempo nos fala daquela proposta que o Senhor nos faz de recompensar as boas obras que s\u00e3o feitas em segredo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em suas visitas aos diferentes pa\u00edses, nas suas catequeses e nas suas homilias, o Papa Francisco tem sempre insistido nesta dupla realidade que forma uma unidade: Fraternidade e Compromisso. S\u00f3 quem \u00e9 irm\u00e3o pode se comprometer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">H\u00e1 uma bel\u00edssima catequese do Papa Francisco sobre a irmandade (18 de fevereiro de 2015) \u00e0 qual podemos recorrer para aprofundar esta nossa reflex\u00e3o sobre a fraternidade. O Sumo Pont\u00edfice, j\u00e1 no in\u00edcio da Catequese, nos brinda com estas palavras: &#8220;A liga\u00e7\u00e3o fraterna tem um lugar especial na hist\u00f3ria do povo de Deus, que recebe a sua revela\u00e7\u00e3o no vivo da experi\u00eancia humana. O salmista canta a beleza da liga\u00e7\u00e3o fraterna: \u2018Eis como \u00e9 belo e como \u00e9 doce que os irm\u00e3os vivam juntos!&#8217; (Sl 132,1). E isto \u00e9 verdade, a fraternidade \u00e9 bonita! Jesus Cristo levou \u00e0 sua plenitude tamb\u00e9m esta experi\u00eancia humana de ser irm\u00e3os e irm\u00e3s, assumindo-a no amor trinit\u00e1rio e potencializando-a de forma que v\u00e1 bem al\u00e9m das liga\u00e7\u00f5es de parentesco e possa superar todo muro de estranheza&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Na viv\u00eancia da fraternidade h\u00e1, contudo, muitos desafios. A pr\u00f3pria Escritura nos oferece p\u00e1ginas encantadoras de fraternidade ao lado de narra\u00e7\u00f5es dram\u00e1ticas de inveja e divis\u00e3o fraterna. A tr\u00e1gica hist\u00f3ria de Caim e Abel nos diz que o bem, entre irm\u00e3os, n\u00e3o raramente, em vez de alegrar pode levar \u00e0 tristeza; em vez de suscitar gratid\u00e3o, pode provocar ci\u00fame, inveja, rivalidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Como conclus\u00e3o de nossa reflex\u00e3o &#8211; A Fraternidade: Dom e Compromisso &#8211; podemos afirmar que o meu irm\u00e3o sempre me interpela, ou, melhor ainda, meu irm\u00e3o sempre me leva a me comprometer. Vivamos, pois, intensamente essa proposta de compromisso e conseguiremos enxergar aqueles que est\u00e3o ao nosso lado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">3 &#8211; A ternura, pr\u00e1tica da abstin\u00eancia quaresmal<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Sempre \u00e9 bom lembrar o significado do termo latino abstinentia como a\u00e7\u00e3o de se abster dos apetites. O pr\u00f3prio Ep\u00edteto j\u00e1 falava em se abster e suportar. A abstin\u00eancia proposta por Jesus nasce de uma atitude interior que supera o mero apetite. Um cora\u00e7\u00e3o arrependido desde suas entranhas j\u00e1 \u00e9 um cora\u00e7\u00e3o penitente e agrad\u00e1vel ao Senhor. A ternura n\u00e3o se confunde com o sentimentalismo de quem pensa que o Senhor gosta de &#8220;obras de caridade&#8221; feitas com a \u00fanica motiva\u00e7\u00e3o de fazer algo por fazer. N\u00e3o, a ternura como virtude nasce do convencimento claro e sincero de quem reconhece que fazer o bem \u00e9 algo exigente e que, antes de mais nada, quem sofre e padece precisa, ao mesmo tempo, de um gesto suficientemente doce, e de um gesto, por assim dizer, &#8220;viril&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Na Via Sacra, temos dois grandes personagens dotados de ternura. Ver\u00f4nica, que enxugou o rosto ensanguentado de Jesus passando no meio dos pr\u00f3prios algozes que a\u00e7oitavam Jesus, e Sim\u00e3o de Cirene, que, sem medir as consequ\u00eancias do seu ato, ajudou Jesus a carregar a cruz. Os dois personagens citados levam-nos imediatamente a descobrir os gestos de compaix\u00e3o que podemos ter para com aqueles que nos rodeiam. Aqui est\u00e1 a bela oportunidade deste ano lit\u00fargico. Tr\u00eas verbos nos motivam a viver a ternura como experi\u00eancia de uma forma constante de pratic\u00e1-la: ver, sentir compaix\u00e3o e cuidar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em tempos t\u00e3o dif\u00edceis como os nossos, viver a ternura \u00e9 muito mais do que uma forma de socializa\u00e7\u00e3o ou de counseling (aconselhamento) para obter bons resultados nas vendas das grandes empresas. Ser doce \u00e9 viver como viveu a nossa Santa Dulce dos Pobres, com caridade e ternura, com um sorriso nada convencional, muito menos promocional. Nosso sorriso deve nascer da necessidade que o mundo tem de ternura. Vivamos, pois, a gra\u00e7a da ternura como uma constante realidade da pr\u00e1tica da compaix\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Vale a pena recordar o que, na Bula do Papa Francisco, por ocasi\u00e3o do Ano Extraordin\u00e1rio da Miseric\u00f3rdia, ele lembrou mais de uma vez, referindo-se a S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II e \u00e0 sua Enc\u00edclica Dives in Mericordia: &#8220;A miseric\u00f3rdia caiu em desuso&#8221;. O homem contempor\u00e2neo esqueceu que a miseric\u00f3rdia pode ser praticada e decidiu-se, ou melhor, optou pela agressividade e pela vingan\u00e7a. Diante dessa realidade, tornou-se urgente, segundo o Papa Francisco, inspirar e motivar os crist\u00e3os a praticar a miseric\u00f3rdia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Torna-se, ent\u00e3o, urgente fazer com que a compaix\u00e3o e a miseric\u00f3rdia caminhem lado a lado, como urgente \u00e9 fazer com que os gestos de ternura sejam cada vez mais reconhecidos por todos n\u00f3s. Por essa raz\u00e3o, um passo concreto que devemos dar \u00e9 sair do nosso individualismo e narcisismo constantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Neste momento de nossa reflex\u00e3o, podemos nos perguntar: &#8220;O que fazer quando eu, por causa de meus eventuais individualismo e narcisismo, vier a correr o risco de perder-me em meu pr\u00f3prio ser?&#8221; Temos de estar muito atentos a essa quest\u00e3o porque muitas vezes pensamos ter tudo ou tudo possuir e que, por isso, nunca nos iremos ver \u00e0s margens de uma estrada perigosa, onde poderemos ser assaltados ou colocados em situa\u00e7\u00f5es limites.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O individualismo fecha qualquer pessoa no seu pr\u00f3prio mundo tornando-a incapaz de olhar em dire\u00e7\u00e3o do outro. Para superar o individualismo, o Papa Francisco instituiu o Ano da Miseric\u00f3rdia com a inten\u00e7\u00e3o de promover uma esp\u00e9cie de encontro mundial de uns com os outros e de todos com a miseric\u00f3rdia do Pai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Com o Ano da Miseric\u00f3rdia, o Papa Francisco fez-nos a proposta de irmos ao encontro dos feridos, daqueles que, por alguma raz\u00e3o, se distanciaram do rosto de Deus e precisam se sentir de novo amados por Ele. A Igreja, insiste o Papa, tem a miss\u00e3o de acolher. &#8220;Estreitemos ainda mais nossas m\u00e3os para chegar perto de quem est\u00e1 precisando&#8221;. Superar o individualismo tornar-se-\u00e1 uma exig\u00eancia constante do nosso ser crist\u00e3o, que almejamos viver sempre em comunidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Do exposto, conclui-se que \u00e9 de vital import\u00e2ncia a pr\u00e1tica da ternura porque ela nos direciona imediatamente ao outro. Isso \u00e9 o que podemos ver na par\u00e1bola do Samaritano. O crist\u00e3o n\u00e3o pode fazer de conta a vida toda que n\u00e3o enxerga os outros. Essa atitude \u00e9 pr\u00f3pria do sacerdote e do levita, que, talvez, conhecessem melhor do que ningu\u00e9m a necessidade de colocar \u00f3leo e vinho nas feridas, mas preferiram &#8220;mudar&#8221; o caminho fazendo de conta que n\u00e3o tinham visto algu\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Estamos nos aproximando do final de nossa reflex\u00e3o. Este \u00e9 o momento de elegermos uma a\u00e7\u00e3o a ser colocada em pr\u00e1tica neste tempo quaresmal. Proponho vivermos este tempo em companhia da M\u00e3e da Divina Ternura, aquela que cura todas as feridas. Ela soube caminhar de Bel\u00e9m at\u00e9 o Egito e retornar a Nazar\u00e9 sem m\u00e1goa alguma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Maria sabe muito bem que seus filhos e filhas precisamos de sua ternura maternal, de sua bondade, de sua companhia e de seus gestos concretos que promovem aproxima\u00e7\u00e3o entre as pessoas a fim de sermos cada vez humanos e misericordiosos, compassivos e generosos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Desejo-lhes uma Quaresma sustentada no amor da Ternura Divina do Nosso Pai Criador, do Filho Redentor e do Espirito, que, com seu b\u00e1lsamo, retira todas as asperezas e durezas do nosso cora\u00e7\u00e3o. Deus aben\u00e7oe a todos,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Caieiras- SP, fevereiro de 2020.<br \/>\nDom Raymundo Cardeal Damasceno Assis<br \/>\nArcebispo Em\u00e9rito de Aparecida (SP)<br \/>\nComiss\u00e1rio para os Arautos do Evangelho<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O bispo em\u00e9rito de Aparecida e Comiss\u00e1rio para os Arautos do Evangelho refletiu sobre a Quaresma e sobre a pr\u00e1tica da compaix\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":83,"featured_media":36921,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[759,760],"tags":[2026],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/36920"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/83"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=36920"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/36920\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media\/36921"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=36920"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=36920"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=36920"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}