{"id":369430,"date":"2021-07-16T12:06:23","date_gmt":"2021-07-16T15:06:23","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=369430"},"modified":"2021-07-16T12:06:23","modified_gmt":"2021-07-16T15:06:23","slug":"papa-francisco-publica-novas-normas-sobre-a-missa-antiga-maior-responsabilidade-ao-bispo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/papa-francisco-publica-novas-normas-sobre-a-missa-antiga-maior-responsabilidade-ao-bispo\/","title":{"rendered":"Papa Francisco publica novas normas sobre a missa antiga, maior responsabilidade ao bispo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">O Papa Francisco, ap\u00f3s consultar os bispos do mundo, decidiu mudar as normas que regem o uso do missal de 1962, que foi liberalizado como &#8220;Rito Romano Extraordin\u00e1rio&#8221; h\u00e1 catorze anos por seu predecessor Bento XVI. O Pont\u00edfice publicou esta sexta-feira (16\/07) o\u00a0<b><a href=\"https:\/\/press.vatican.va\/content\/salastampa\/it\/bollettino\/pubblico\/2021\/07\/16\/0469\/01014.html#it\" target=\"_blank\" rel=\"external noopener\">motu proprio &#8220;Traditionis custodes&#8221;<\/a><\/b>, sobre o uso da liturgia romana anterior a 1970, acompanhando-o com uma carta na qual explica as raz\u00f5es de sua decis\u00e3o. Eis as principais novidades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A responsabilidade de regulamentar a celebra\u00e7\u00e3o segundo o rito pr\u00e9-conciliar volta para o bispo, moderador da vida lit\u00fargica diocesana: &#8220;\u00e9 de sua exclusiva compet\u00eancia autorizar o uso do\u00a0<i>Missale Romanum<\/i>\u00a0de 1962 na diocese, seguindo as orienta\u00e7\u00f5es da S\u00e9 Apost\u00f3lica&#8221;. O bispo deve certificar-se de que os grupos que j\u00e1 celebram com o antigo missal &#8220;n\u00e3o excluam a validade e a legitimidade da reforma lit\u00fargica, os ditames do Conc\u00edlio Vaticano II e o Magist\u00e9rio dos Sumo Pont\u00edfices&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As missas com o rito antigo n\u00e3o ser\u00e3o mais realizadas nas igrejas paroquiais; o bispo determinar\u00e1 a igreja e os dias de celebra\u00e7\u00e3o. As leituras devem ser &#8220;na l\u00edngua vern\u00e1cula&#8221;, utilizando tradu\u00e7\u00f5es aprovadas pelas Confer\u00eancias episcopais. O celebrante deve ser um sacerdote delegado pelo bispo. O bispo tamb\u00e9m \u00e9 respons\u00e1vel por verificar se \u00e9 ou n\u00e3o oportuno manter as celebra\u00e7\u00f5es de acordo com o antigo missal, verificando sua &#8220;utilidade efetiva para o crescimento espiritual&#8221;. De fato, \u00e9 necess\u00e1rio que o sacerdote respons\u00e1vel tenha no cora\u00e7\u00e3o n\u00e3o apenas a digna celebra\u00e7\u00e3o da liturgia, mas tamb\u00e9m o cuidado pastoral e espiritual dos fi\u00e9is. O bispo &#8220;ter\u00e1 o cuidado de n\u00e3o autorizar a constitui\u00e7\u00e3o de novos grupos&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os sacerdotes ordenados ap\u00f3s a publica\u00e7\u00e3o hodierna do Motu pr\u00f3prio, que pretendem utilizar o missal pr\u00e9-conciliar &#8220;devem enviar um pedido formal ao Bispo diocesano que consultar\u00e1 a S\u00e9 Apost\u00f3lica antes de conceder a autoriza\u00e7\u00e3o&#8221;. Enquanto aqueles que j\u00e1 o fazem devem pedir a autoriza\u00e7\u00e3o ao bispo diocesano para continuar usando-o. Os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apost\u00f3lica, &#8220;na \u00e9poca erigidos pela Pontif\u00edcia Comiss\u00e3o Ecclesia Dei&#8221;, estar\u00e3o sob a compet\u00eancia da Congrega\u00e7\u00e3o para os Religiosos. Os Dicast\u00e9rios para Culto, e para os Religiosos supervisionar\u00e3o a observ\u00e2ncia destas novas disposi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na\u00a0<b><a href=\"https:\/\/press.vatican.va\/content\/salastampa\/it\/bollettino\/pubblico\/2021\/07\/16\/0469\/01015.html\" target=\"_blank\" rel=\"external noopener\">carta que acompanha<\/a><\/b>\u00a0o documento, o Papa Francisco explica que as concess\u00f5es estabelecidas por seus predecessores para o uso do antigo missal foram motivadas sobretudo &#8220;pelo desejo de favorecer a recomposi\u00e7\u00e3o do cisma com o movimento liderado pelo bispo Lefebvre&#8221;. O pedido, dirigido aos bispos, de acolher generosamente as &#8220;justas aspira\u00e7\u00f5es&#8221; dos fi\u00e9is que solicitavam o uso daquele missal, &#8220;tinha, portanto, uma raz\u00e3o eclesial de recomposi\u00e7\u00e3o da unidade da Igreja&#8221;. Essa faculdade, observa Francisco, &#8220;\u00e9 interpretada por muitos dentro da Igreja como a possibilidade de usar livremente o Missal Romano promulgado por S\u00e3o Pio V, determinando um uso paralelo ao Missal Romano promulgado por S\u00e3o Paulo VI&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Papa lembra que a decis\u00e3o de Bento XVI com o motu proprio &#8220;Summorum Pontificum&#8221; (2007) foi apoiada pela &#8220;convic\u00e7\u00e3o de que tal medida n\u00e3o colocaria em d\u00favida uma das decis\u00f5es essenciais do Conc\u00edlio Vaticano II, atingindo de tal modo sua autoridade&#8221;. H\u00e1 14 anos o Papa Ratzinger declarou infundado o temor de divis\u00f5es nas comunidades paroquiais, porque, escreveu, &#8220;as duas formas de uso do Rito Romano poderiam enriquecer-se mutuamente&#8221;. Mas a sondagem recentemente promovida pela Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9 entre os bispos trouxe respostas que revelam, escreve Francisco, &#8220;uma situa\u00e7\u00e3o que me aflige e me preocupa, confirmando-me na necessidade de intervir&#8221;, vez que o desejo de unidade foi &#8220;gravemente desatendido&#8221;, e as concess\u00f5es oferecidas com magnanimidade foram usadas &#8220;para aumentar as dist\u00e2ncias, endurecer as diferen\u00e7as, construir contraposi\u00e7\u00f5es que ferem a Igreja e dificultam seu caminho, expondo-a ao risco de divis\u00f5es&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Papa diz ficar triste com os abusos nas celebra\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas &#8220;de um lado e do outro&#8221;, mas tamb\u00e9m diz contristar-se por um &#8220;uso instrumental do Missale Romanum de 1962, cada vez mais caracterizado por uma crescente rejei\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 da reforma lit\u00fargica, mas do Conc\u00edlio Vaticano II, com a afirma\u00e7\u00e3o infundada e insustent\u00e1vel de que ele traiu a Tradi\u00e7\u00e3o e a &#8216;verdadeira Igreja'&#8221;. Duvidar do Conc\u00edlio, explica Francisco, &#8220;significa duvidar das pr\u00f3prias inten\u00e7\u00f5es dos Padres, que exerceram solenemente seu poder colegial cum Petro et sub Petro no Conc\u00edlio ecum\u00eanico, e, em \u00faltima an\u00e1lise, duvidar do pr\u00f3prio Esp\u00edrito Santo que guia a Igreja&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por fim, Francisco acrescenta uma raz\u00e3o final para sua decis\u00e3o de mudar as concess\u00f5es do passado: &#8220;\u00e9 cada vez mais evidente nas palavras e atitudes de muitos que existe uma rela\u00e7\u00e3o estreita entre a escolha das celebra\u00e7\u00f5es de acordo com os livros lit\u00fargicos anteriores ao Conc\u00edlio Vaticano II e a rejei\u00e7\u00e3o \u00e0 Igreja e suas institui\u00e7\u00f5es em nome do que eles julgam ser a &#8216;verdadeira Igreja&#8217;. Este \u00e9 um comportamento que contradiz a comunh\u00e3o, alimentando aquele impulso \u00e0 divis\u00e3o&#8230; contra o qual o Ap\u00f3stolo Paulo reagiu com firmeza. \u00c9 para defender a unidade do Corpo de Cristo que sou obrigado a revogar a faculdade concedida por meus Predecessores&#8221;.<\/p>\n<pre><em><strong>Com informa\u00e7\u00f5es do Vatican News<\/strong><\/em><\/pre>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Pont\u00edfice publica um motu pr\u00f3prio para redefinir as modalidades de uso do missal pr\u00e9-conciliar: as decis\u00f5es voltam \u00e0 disponibilidade dos pastores das dioceses. Os grupos ligados \u00e0 antiga liturgia n\u00e3o devem excluir a legitimidade da reforma lit\u00fargica, os ditames do Conc\u00edlio Vaticano II e o Magist\u00e9rio dos Papas<\/p>\n","protected":false},"author":83,"featured_media":369433,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[50,784],"tags":[3791,1199],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/369430"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/83"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=369430"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/369430\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media\/369433"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=369430"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=369430"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=369430"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}