{"id":6712,"date":"2017-04-24T00:00:00","date_gmt":"2017-04-24T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/outra-vez-ideologia-de-genero\/"},"modified":"2017-04-24T00:00:00","modified_gmt":"2017-04-24T03:00:00","slug":"outra-vez-ideologia-de-genero","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/outra-vez-ideologia-de-genero\/","title":{"rendered":"Outra vez ideologia de g\u00eanero"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-weight: 400;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-169\" src=\"https:\/\/www.cnbb.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/dom_gil_antonio_moreira-204x300.jpg\" alt=\"\" width=\"204\" height=\"300\" \/>Dom Gil Ant\u00f4nio Moreira &#8211; Arcebispo de Juiz de Fora (MG)<\/span><\/p>\n<p>Sei que h\u00e1 opini\u00f5es divergentes. A quest\u00e3o \u201cg\u00eanero\u201d \u00e9 uma das pol\u00eamicas mais debatidas na atualidade. O que dever\u00e1 prevalecer? As correntes do modismo, os interesses particularizados de minorias, ou o bom senso da raz\u00e3o? O que se est\u00e1 propondo (ou impondo) \u00e9 uma revolu\u00e7\u00e3o dos conceitos e dos costumes. As revolu\u00e7\u00f5es podem ser boas ou m\u00e1s, mudar para melhor ou para pior. Elas s\u00e3o geralmente resultado de uma ideia que, de alguma forma, pegou. Por\u00e9m, tamb\u00e9m nem sempre o que pegou \u00e9 bom. A ideias nazistas e fascistas pegaram, \u00e0 \u00e9poca, mas n\u00e3o eram boas e geraram guerra mundial. As consequ\u00eancias v\u00e3o demonstrar onde est\u00e1 a verdade. Mas, pela experi\u00eancia da hist\u00f3ria, podemos evitar desastres desnecess\u00e1rios.<\/p>\n<p>O crit\u00e9rio para decis\u00f5es nas horas acaloradas n\u00e3o pode ser outro sen\u00e3o o respeito \u00e0 ordem natural das coisas, \u00e0 dignidade das pessoas e \u00e0 legitimidade do m\u00e9todo. No caso da agenda de g\u00eanero, parece-me haver v\u00e1rios enganos que poder\u00e3o causar danos irrepar\u00e1veis. Em primeiro lugar, afirmar que ningu\u00e9m nasce homem ou mulher e que ser uma coisa ou outra reduz-se a pap\u00e9is atribu\u00eddos pela sociedade, \u00e9 evidente e clamoroso equ\u00edvoco, uma vez que desconsidera, como se n\u00e3o tivesse nenhuma relev\u00e2ncia, o dado biol\u00f3gico, que \u00e9 constitutivo do ser humano e o faz concretizar a ess\u00eancia humana como homem ou como mulher.<\/p>\n<p>H\u00e1 muitas coisas que s\u00e3o resultado da constru\u00e7\u00e3o social, o que equivale a dizer que h\u00e1 muitas injusti\u00e7as sociais que devem ser superadas pela reconstru\u00e7\u00e3o de pap\u00e9is sociais atribu\u00eddos pela sociedade. Mas isso, de modo algum, autoriza-nos a desconsiderar o dado natural e sua relev\u00e2ncia moral. Por natureza, os seres vivos s\u00e3o criados machos e f\u00eameas, e isso n\u00e3o \u00e9 apenas um acaso, mas a ordem natural que possibilita a procria\u00e7\u00e3o e a harmonia entre os seres vivos. A natureza j\u00e1 nos d\u00e1 certas determina\u00e7\u00f5es, e isto n\u00e3o pode ser simplesmente desprezado ou encarado como uma agress\u00e3o da mesma. H\u00e1 coisas que devem ser recebidas como um dom e n\u00e3o como imposi\u00e7\u00e3o. Seria uma deforma\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica ver em tudo opress\u00e3o. Voc\u00ea, se nasceu no Brasil, nasceu brasileiro, se nasceu no Jap\u00e3o, ser\u00e1 sempre japon\u00eas. Ainda que voc\u00ea, por op\u00e7\u00e3o, se naturalize em outro pa\u00eds, a sua origem nunca poder\u00e1 ser negada. H\u00e1, portanto um dado original que lhe determina a exist\u00eancia.<\/p>\n<p>No campo da sexualidade, se ao caminhar da vida algo de diferente apareceu na dimens\u00e3o psicol\u00f3gica ou em op\u00e7\u00f5es pessoais, trata-se de caso especial e deve ser visto, respeitosamente, como tal. As pessoas n\u00e3o t\u00eam culpa de terem esta ou aquela tend\u00eancia. Mas \u00e9 preciso tratar as coisas com objetividade. Se voc\u00ea, por exemplo, se sente japon\u00eas num corpo brasileiro, todos o respeitar\u00e3o, mas seria um contrassenso exigir que a todos nas\u00e7am sem nacionalidade ou naturalidade definida, e tentar criar legisla\u00e7\u00e3o que proibisse todas as pessoas de se reconhecerem como tais, dando-lhes o pseudodireito, antinatural, de esperar ter a idade da raz\u00e3o para saber se quer ser brasileiro, japon\u00eas, ou ter qualquer outra naturalidade.<\/p>\n<p>Se, em linha de princ\u00edpio, se deve o respeito \u00e0s op\u00e7\u00f5es, \u00e9 necess\u00e1rio observar que a liberdade de optar tem limites e consequ\u00eancias. Mesmo as op\u00e7\u00f5es por algo que julgo bom devem ser averiguadas. \u00c9 preciso saber se v\u00e3o causar danos a algu\u00e9m, ao grupo humano de que fazemos parte e at\u00e9 \u00e0 humanidade inteira. Por exemplo, a op\u00e7\u00e3o pelo desmatamento pode ser julgada por algu\u00e9m como algo bom, pois poder\u00e1 gerar lucros e para estes autores da desflorestiza\u00e7\u00e3o o lucro \u00e9 tentador. Mas, sabemos que tal ato causa um grande preju\u00edzo ao meio ambiente e gera situa\u00e7\u00f5es de morte para pessoas humanas e outros seres vivos.<\/p>\n<p>Os m\u00e9todos para fazer prevalecer ideias devem ser leg\u00edtimos e respeitosos. N\u00e3o me parece que isto esteja acontecendo com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 ideologia de g\u00eanero. A instrumentaliza\u00e7\u00e3o da m\u00eddia com casu\u00edsmos dram\u00e1ticos, com exemplos particularizados, a forma de impor tal agenda nos planos de municipais de educa\u00e7\u00e3o, de juventude, da mulher e outros, al\u00e9m do uso de material did\u00e1tico, verdadeira literatura pornogr\u00e1fica j\u00e1 distribu\u00edda nos \u00faltimos anos sem nenhum consenso da sociedade, n\u00e3o tem nada de democr\u00e1tico.<\/p>\n<p>O direito das fam\u00edlias de educar seus filhos conforme suas consci\u00eancias e suas cren\u00e7as \u00e9 totalmente desprezado, n\u00e3o lhe reconhecendo nenhum direito de falar, de argumentar ou de optar por algo que lhe seja valor inalien\u00e1vel. Em geral, quando as vozes que defendem a fam\u00edlia se levantam, s\u00e3o pejorativamente criticadas com termos como conservadorismo, homofobia, atitude contra os direitos das mulheres e outros.<\/p>\n<p>Aos crist\u00e3os, sejam cat\u00f3licos ou evang\u00e9licos, constituidores da grande maioria do povo brasileiro, eu ofereceria a Palavra do Senhor que nos chamam a lutar com destemor: \u201c<em>No mundo tereis prova\u00e7\u00f5es. Mas tende coragem! Eu venci o mundo<\/em>\u201d (Jo 16, 33). J\u00e1 enfrentamos coisas piores na hist\u00f3ria, mas sempre venceu o bom senso e a ordem estabelecida por Deus. No esp\u00edrito da Quaresma que prepara a P\u00e1scoa, lutemos com as aramas da paz e da justi\u00e7a, do respeito, da coragem e do amor, certos de que a vit\u00f3ria ser\u00e1 da vida, pois Cristo venceu o pecado e a morte, ressuscitou e est\u00e1 vivo para sempre.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Gil Ant\u00f4nio Moreira &#8211; Arcebispo de Juiz de Fora (MG) Sei que h\u00e1 opini\u00f5es divergentes. A quest\u00e3o \u201cg\u00eanero\u201d \u00e9 uma das pol\u00eamicas mais debatidas na atualidade. O que dever\u00e1 prevalecer? As correntes do modismo, os interesses particularizados de minorias, ou o bom senso da raz\u00e3o? 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