{"id":6784,"date":"2017-04-28T00:00:00","date_gmt":"2017-04-28T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/integra-da-declaracao-comum-assinada-pelo-papa-francisco-e-o-patriarca-tawadros-ii\/"},"modified":"2017-04-28T00:00:00","modified_gmt":"2017-04-28T03:00:00","slug":"integra-da-declaracao-comum-assinada-pelo-papa-francisco-e-o-patriarca-tawadros-ii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/integra-da-declaracao-comum-assinada-pelo-papa-francisco-e-o-patriarca-tawadros-ii\/","title":{"rendered":"\u00cdntegra da declara\u00e7\u00e3o comum assinada pelo Papa Francisco e o Patriarca Tawadros II"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Cairo (RV) &#8211; Segue a \u00edntegra da declara\u00e7\u00e3o comum assinada pelo Papa Francisco e o Patriarca Tawadros II no final do encontro.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\">DECLARA\u00c7\u00c3O COMUM<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #800000;\">DE SUA SANTIDADE FRANCISCO<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #800000;\">E DE SUA SANTIDADE TAWADROS II<\/span><br \/>\n(Cairo: Patriarcado, 28 de abril de 2017)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1. N\u00f3s, Francisco, Bispo de Roma e Papa da Igreja Cat\u00f3lica, e Tawadros II, Papa de Alexandria e Patriarca da S\u00e9 de S\u00e3o Marcos, no Esp\u00edrito Santo damos gra\u00e7as a Deus por nos ter concedido a feliz oportunidade de nos encontrarmos mais uma vez, trocarmos o abra\u00e7o fraterno e juntarmo-nos novamente em ora\u00e7\u00e3o comum. Damos gl\u00f3ria ao Todo-Poderoso pelos la\u00e7os de fraternidade e amizade existentes entre a S\u00e9 de S\u00e3o Pedro e a S\u00e9 de S\u00e3o Marcos. O privil\u00e9gio de estar juntos aqui no Egito \u00e9 um sinal de que a solidez do nosso relacionamento tem aumentado de ano para ano e de que estamos a crescer na proximidade, na f\u00e9 e no amor de Cristo nosso Senhor. Damos gra\u00e7as a Deus pelo amado Egito, \u00abterra natal que vive dentro de n\u00f3s\u00bb, como costumava dizer Sua Santidade Papa Shenouda III, \u00abpovo aben\u00e7oado pelo Senhor\u00bb (cf. Is 19, 25) com a sua antiga civiliza\u00e7\u00e3o dos Fara\u00f3s, a heran\u00e7a grega e romana, a tradi\u00e7\u00e3o copta e a presen\u00e7a isl\u00e2mica. O Egito \u00e9 o lugar onde a Sagrada Fam\u00edlia encontrou ref\u00fagio, \u00e9 terra de m\u00e1rtires e santos.<br \/>\n2. O nosso v\u00ednculo profundo de amizade e fraternidade tem a sua origem na plena comunh\u00e3o que existia entre as nossas Igrejas nos primeiros s\u00e9culos tendo-se expressado de v\u00e1rias maneiras nos primeiros Conc\u00edlios Ecum\u00e9nicos, a come\u00e7ar pelo Conc\u00edlio de Nic\u00e9ia em 325 e a contribui\u00e7\u00e3o de Santo Atan\u00e1sio, corajoso Padre da Igreja que mereceu o t\u00edtulo de \u00abProtetor da F\u00e9\u00bb. A nossa comunh\u00e3o manifestava-se atrav\u00e9s da ora\u00e7\u00e3o e pr\u00e1ticas lit\u00fargicas semelhantes, da venera\u00e7\u00e3o dos mesmos m\u00e1rtires e santos, e no fomento e difus\u00e3o do monaquismo, seguindo o exemplo do grande Santo Ant\u00e3o, conhecido como o pai de todos os monges.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta experi\u00eancia comum de comunh\u00e3o, anterior ao tempo de separa\u00e7\u00e3o, assume um significado especial na nossa busca atual do restabelecimento da plena comunh\u00e3o. A maior parte das rela\u00e7\u00f5es que existiam nos primeiros s\u00e9culos continuaram, apesar das divis\u00f5es, entre a Igreja Cat\u00f3lica e a Igreja Copta Ortodoxa at\u00e9 ao dia de hoje e recentemente foram mesmo revitalizadas. Estas desafiam-nos a intensificar os nossos esfor\u00e7os comuns, perseverando na busca duma unidade vis\u00edvel na diversidade, sob a guia do Esp\u00edrito Santo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3. Recordamos, com gratid\u00e3o, o encontro hist\u00f3rico de h\u00e1 quarenta e quatro anos entre os nossos predecessores Papa Paulo VI e Papa Shenouda III, aquele abra\u00e7o de paz e fraternidade depois de muitos s\u00e9culos em que os nossos v\u00ednculos m\u00fatuos de amor n\u00e3o tiveram possibilidade de se expressar devido \u00e0 dist\u00e2ncia que se criara entre n\u00f3s. A Declara\u00e7\u00e3o Comum, que eles assinaram em 10 de maio de 1973, representou um marco no caminho ecum\u00e9nico e serviu como ponto de partida para a institui\u00e7\u00e3o da Comiss\u00e3o de Di\u00e1logo Teol\u00f3gico entre as nossas duas Igrejas, que produziu muito fruto e abriu o caminho para um di\u00e1logo mais amplo entre a Igreja Cat\u00f3lica e toda a fam\u00edlia das Igrejas Ortodoxas Orientais. Naquela Declara\u00e7\u00e3o, as nossas Igrejas reconheceram que, no sulco da tradi\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica, professam \u00abuma s\u00f3 f\u00e9 no Deus Uno e Trino\u00bb e \u00aba divindade do Unig\u00e9nito Filho de Deus (&#8230;) perfeito Deus, quanto \u00e0 sua divindade, e perfeito homem quanto \u00e0 sua humanidade\u00bb. Reconheceu-se tamb\u00e9m que \u00aba vida divina \u00e9-nos dada e alimentada em n\u00f3s pelos sete sacramentos\u00bb e que \u00abveneramos a Virgem Maria, M\u00e3e da verdadeira Luz\u00bb, a \u00abTheot\u00f3kos\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4. Com profunda gratid\u00e3o, recordamos o encontro fraterno que n\u00f3s pr\u00f3prios tivemos em Roma, a 10 de maio de 2013, e a institui\u00e7\u00e3o do dia 10 de maio como jornada anual em que aprofundamos a amizade e a fraternidade entre as nossas Igrejas. Este renovado esp\u00edrito de proximidade permitiu-nos discernir ainda melhor como o v\u00ednculo que nos une foi recebido de nosso \u00fanico Senhor no dia do Batismo. Com efeito, \u00e9 atrav\u00e9s do Batismo que nos tornamos membros do \u00fanico Corpo de Cristo que \u00e9 a Igreja (cf. 1 Cor 12, 13). Esta heran\u00e7a comum \u00e9 a base da peregrina\u00e7\u00e3o que juntos realizamos rumo \u00e0 plena comunh\u00e3o, crescendo no amor e na reconcilia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">5. Conscientes de que ainda h\u00e1 tanto caminho a fazer nesta peregrina\u00e7\u00e3o, recordamos o muito que j\u00e1 foi alcan\u00e7ado. Em particular, lembramos o encontro entre Papa Shenouda III e S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, que veio como peregrino ao Egito durante o Grande Jubileu do ano 2000. Estamos determinados a seguir os seus passos, movidos pelo amor de Cristo Bom Pastor, na convic\u00e7\u00e3o profunda de que, caminhando juntos, crescemos em unidade. Para isso auferimos a for\u00e7a de Deus, fonte perfeita de comunh\u00e3o e de amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">6. Este amor encontra a sua express\u00e3o mais alta na ora\u00e7\u00e3o comum. Quando os crist\u00e3os rezam juntos, chegam a compreender que aquilo que os une \u00e9 muito maior do que aquilo que os divide. O nosso desejo ardente de unidade encontra inspira\u00e7\u00e3o na ora\u00e7\u00e3o de Cristo \u00abpara que todos sejam um s\u00f3\u00bb (Jo 17, 21). Para isso aprofundemos as ra\u00edzes que compartilhamos na \u00fanica f\u00e9 apost\u00f3lica, rezando juntos e procurando tradu\u00e7\u00f5es comuns do Pai Nosso e uma data comum para a celebra\u00e7\u00e3o da P\u00e1scoa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">7. Enquanto caminhamos para o dia aben\u00e7oado em que finalmente nos reuniremos \u00e0 mesma Mesa Eucar\u00edstica, podemos colaborar em muitas \u00e1reas e tornar tang\u00edvel a grande riqueza que j\u00e1 temos em comum. Podemos testemunhar juntos certos valores fundamentais como a sacralidade e dignidade da vida humana, a sacralidade do matrim\u00f3nio e da fam\u00edlia, e o respeito por toda a cria\u00e7\u00e3o, que Deus nos confiou. N\u00e3o obstante a multiplicidade de desafios contempor\u00e2neos, como a seculariza\u00e7\u00e3o e a globaliza\u00e7\u00e3o da indiferen\u00e7a, somos chamados a oferecer uma resposta compartilhada baseada nos valores do Evangelho e nos tesouros das nossas respetivas tradi\u00e7\u00f5es. Nesta linha, somos encorajados a aprofundar o estudo dos Padres Orientais e Latinos e promover um frutuoso interc\u00e2mbio na vida pastoral, especialmente na catequese e num m\u00fatuo enriquecimento espiritual entre comunidades mon\u00e1sticas e religiosas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">8. O testemunho crist\u00e3o que compartilhamos \u00e9 um sinal providencial de reconcilia\u00e7\u00e3o e esperan\u00e7a para a sociedade eg\u00edpcia e suas institui\u00e7\u00f5es, uma semente semeada para frutificar na justi\u00e7a e na paz. Uma vez que acreditamos que todos os seres humanos s\u00e3o criados \u00e0 imagem de Deus, esforcemo-nos por promover a tranquilidade e a conc\u00f3rdia atrav\u00e9s duma coexist\u00eancia pac\u00edfica entre crist\u00e3os e mu\u00e7ulmanos, testemunhando assim que Deus deseja a unidade e a harmonia de toda a fam\u00edlia humana e a igual dignidade de cada ser humano. Temos a peito a prosperidade e o futuro do Egito. Todos os membros da sociedade t\u00eam o direito e o dever de participar plenamente na vida do pa\u00eds, gozando de plena e igual cidadania e colaborando para construir a sua na\u00e7\u00e3o. A liberdade religiosa, que engloba a liberdade de consci\u00eancia e est\u00e1 enraizada na dignidade da pessoa, \u00e9 a pedra angular de todas as outras liberdades. \u00c9 um direito sagrado e inalien\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">9. Intensifiquemos a nossa ora\u00e7\u00e3o incessante por todos os crist\u00e3os no Egito e em todo o mundo, especialmente no M\u00e9dio Oriente. Alguns acontecimentos tr\u00e1gicos e o sangue derramado pelos nossos fi\u00e9is, perseguidos e mortos unicamente pelo motivo de ser crist\u00e3os, recordam-nos ainda mais que o ecumenismo dos m\u00e1rtires nos une e encoraja no caminho da paz e da reconcilia\u00e7\u00e3o. Pois, como escreve S\u00e3o Paulo, \u00abse um membro sofre, com ele sofrem todos os membros\u00bb (1 Cor 12, 26).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">10. O mist\u00e9rio de Jesus, que morreu e ressuscitou por amor, situa-se no cora\u00e7\u00e3o do nosso caminho para a plena unidade. Mais uma vez, os m\u00e1rtires s\u00e3o os nossos guias. Na Igreja primitiva, o sangue dos m\u00e1rtires foi semente de novos crist\u00e3os; assim tamb\u00e9m, em nossos dias, o sangue de tantos m\u00e1rtires seja semente de unidade entre todos os disc\u00edpulos de Cristo, sinal e instrumento de comunh\u00e3o e de paz para o mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">11. Obedientes \u00e0 a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo, que santifica a Igreja, a sustenta ao longo dos s\u00e9culos e conduz \u00e0quela unidade plena pela qual Cristo rezou, hoje n\u00f3s, Papa Francisco e Papa Tawadros II, para alegrar o cora\u00e7\u00e3o do Senhor Jesus bem como os cora\u00e7\u00f5es dos nossos filhos e filhas na f\u00e9, declaramos mutuamente que, com uma s\u00f3 mente e cora\u00e7\u00e3o, procuraremos sinceramente n\u00e3o repetir o Batismo administrado numa das nossas Igrejas a algu\u00e9m que deseje juntar-se \u00e0 outra. Isto confessamos em obedi\u00eancia \u00e0s Sagradas Escrituras e \u00e0 f\u00e9 expressa nos tr\u00eas Conc\u00edlios Ecum\u00e9nicos reunidos em Niceia, Constantinopla e \u00c9feso.<br \/>\nPedimos a Deus nosso Pai que nos guie, nos tempos e modos que o Esp\u00edrito Santo dispuser, para a unidade plena no Corpo m\u00edstico de Cristo.<br \/>\n12. Concluindo, deixemo-nos guiar pelos ensinamentos e o exemplo do ap\u00f3stolo Paulo, que escreve: \u00ab[Esfor\u00e7ai-vos] por manter a unidade do Esp\u00edrito, mediante o v\u00ednculo da paz. H\u00e1 um s\u00f3 corpo e um s\u00f3 Esp\u00edrito, assim como a vossa voca\u00e7\u00e3o vos chamou a uma s\u00f3 esperan\u00e7a; um s\u00f3 Senhor, uma s\u00f3 f\u00e9, um s\u00f3 batismo; um s\u00f3 Deus e Pai de todos, que reina sobre todos, age por todos e permanece em todos\u00bb (Ef 4, 3-6).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">R\u00e1dio Vaticano<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Trecho: &#8220;declaramos que procuraremos n\u00e3o repetir o Batismo administrado numa das nossas Igrejas<\/p>\n","protected":false},"author":83,"featured_media":6785,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[784],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/6784"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/83"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=6784"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/6784\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media\/6785"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=6784"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=6784"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=6784"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}