{"id":7328,"date":"2017-07-21T00:00:00","date_gmt":"2017-07-21T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/moralizacao-a-urgencia\/"},"modified":"2017-07-21T00:00:00","modified_gmt":"2017-07-21T03:00:00","slug":"moralizacao-a-urgencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/moralizacao-a-urgencia\/","title":{"rendered":"Moraliza\u00e7\u00e3o: a urg\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Dom Walmor Oliveira de Azevedo<br \/>\nArcebispo de Belo Horizonte<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O desafio de reverter o grave quadro de crises que afetam a sociedade brasileira requer o indispens\u00e1vel e urgente investimento na assimila\u00e7\u00e3o da norma moral, prioridade para confeccionar um tecido cultural capaz de sustentar processos que promovam o respeito, a verdade e o bem de todos. Situa\u00e7\u00f5es absurdas confirmam que a vida pautada pela moral \u00e9 ainda uma meta distante, o que exige mudan\u00e7as. Um exemplo \u00e9 a conduta, n\u00e3o rara, de indiv\u00edduos que participam de protestos contra a corrup\u00e7\u00e3o em grande escala ou em inst\u00e2ncias superiores do poder e, ao mesmo tempo, usam a energia el\u00e9trica ou a \u00e1gua a partir de mecanismos irregulares. N\u00e3o se incomodam em assumir pr\u00e1ticas lesivas ao bem comum e \u00e0 dignidade dos outros. Essas e tantas outras situa\u00e7\u00f5es revelam que n\u00e3o s\u00e3o suficientes apenas interven\u00e7\u00f5es corretivas &#8211; por meio de reformas legais, administrativas e sist\u00eamicas &#8211; para construir um futuro promissor, pois a falta de moralidade corr\u00f3i o comportamento individual. O desafio \u00e9 justamente investir para que a norma moral torne-se, para cada pessoa, for\u00e7a de sustenta\u00e7\u00e3o dos prop\u00f3sitos e das pr\u00e1ticas. Disso podem resultar processos renovadores, nos mais diferentes \u00e2mbitos, orientados pelo respeito inegoci\u00e1vel ao bem comum.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todos precisam assumir o mesmo compromisso: tornar-se refer\u00eancia da moralidade. Assim se corrige um ponto muito fr\u00e1gil no contexto cultural da sociedade brasileira. H\u00e1 uma comprometedora perda do sentido de respeito, de limite, de considera\u00e7\u00e3o do direito das outras pessoas. Percebe-se, ainda, crescente desleixo pelo cumprimento dos pr\u00f3prios deveres. As consequ\u00eancias s\u00e3o not\u00f3rias: comprometimentos substitu\u00eddos pelas irresponsabilidades, descasos e indiferen\u00e7as. \u00c9 preciso reconhecer que a viv\u00eancia da cidadania s\u00f3 pode ganhar novos horizontes quando s\u00e3o assimiladas normas morais. De outra forma, ser\u00e3o crescentes as perdas que impactam a sociedade, enjaulando-a nos atrasos de toda ordem, que s\u00e3o produzidos, exatamente, pela imoralidade presente nos atos e nas escolhas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A norma moral n\u00e3o pode ser considerada simplesmente como rigidez a ser sempre contestada, em nome da procura por liberdade. Essa busca n\u00e3o pode precipitar cada indiv\u00edduo na vala da anomia &#8211; acreditar que tem o direito de n\u00e3o respeitar normas, configurando uma permissividade que acirra as crises e as injusti\u00e7as. Assumir a necessidade de uma norma moral \u00e9 imprescind\u00edvel e, para isso, oportunidade de ouro \u00e9 reconhecer a import\u00e2ncia dos valores crist\u00e3os, que convocam as pessoas a fazerem o bem e a evitarem o mal. Nesse sentido, ensina a Constitui\u00e7\u00e3o Pastoral <em>Gaudium et Spes<\/em> \u2013 sobre a Igreja no mundo atual, fruto\u00a0 do Conc\u00edlio Vaticano II: &#8220;No mais profundo de sua consci\u00eancia, o homem descobre a exist\u00eancia de uma lei que ele n\u00e3o dita para si mesmo, mas uma lei a que deve obedecer e cuja voz ecoa, quando necess\u00e1rio, nos ouvidos do cora\u00e7\u00e3o, advertindo-o de que deve amar e praticar o bem e de que deve evitar o mal&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deus \u00e9 quem inscreve essa inst\u00e2ncia moral que atravessa a consci\u00eancia humana. Por isso, indiscut\u00edvel \u00e9 priorizar a espiritualidade como experi\u00eancia cotidiana na forma\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia. Um investimento que convence a respeito da centralidade da pr\u00e1tica do bem. A experi\u00eancia espiritual \u00e9 um rem\u00e9dio indispens\u00e1vel no enfrentamento da delinqu\u00eancia, nas suas mais diferentes configura\u00e7\u00f5es, que entorta os rumos da sociedade e oficializa din\u00e2micas perversas, por fazer ruir o verdadeiro sentido da vida. Uma sociedade delinquente deixa assorear, progressivamente, as suas fontes culturais e n\u00e3o consegue trilhar um caminho que leve a avan\u00e7os, pois n\u00e3o h\u00e1 garantia da qualificada participa\u00e7\u00e3o cidad\u00e3 e da prote\u00e7\u00e3o \u00e0 vida. Por isso, os cen\u00e1rios de uma sociedade imoral ou desmoralizada s\u00e3o de grande confus\u00e3o e de incompet\u00eancia. O caos se expande justamente porque, mesmo reconhecendo que h\u00e1 muitas situa\u00e7\u00f5es a serem corrigidas, n\u00e3o se sabe por onde come\u00e7ar, como aplicar a justi\u00e7a e de que modo \u00e9 poss\u00edvel abrir os caminhos para os reparos necess\u00e1rios. Diante de tanta confus\u00e3o, prevalece o pessimismo, que se manifesta em uma cren\u00e7a muito comum: ningu\u00e9m presta, nada presta e n\u00e3o h\u00e1 sa\u00eddas para as crises que se multiplicam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os segmentos diversos da sociedade, para al\u00e9m de discursos, precisam articular posicionamentos alicer\u00e7ados na moralidade. Esse movimento na dire\u00e7\u00e3o do que \u00e9 norteado pela moral tem for\u00e7a para garantir seriedade e justi\u00e7a nos diferentes processos, o compromisso com a verdade e o bem de todos. A grande mudan\u00e7a necess\u00e1ria em todo o contexto social exige uma reformula\u00e7\u00e3o interior de cada pessoa. Esse exerc\u00edcio requer enfrentar a avalanche de conex\u00f5es deficit\u00e1rias, que desconsideram a import\u00e2ncia dos valores e princ\u00edpios &#8211; norteadores do gosto pelo que \u00e9 honesto e transparente. Um inadi\u00e1vel desafio para a sociedade brasileira \u00e9, pois, investir na moraliza\u00e7\u00e3o, mas sem o moralismo &#8211; mecanismo que apenas cria uma imagem p\u00fablica ilus\u00f3ria, diferente do que efetivamente se faz, fala e realiza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O desafio \u00e9 grande porque exige mais \u00e9tica, tanto das autoridades pol\u00edticas quanto dos demais cidad\u00e3os, nas suas diferentes tarefas cotidianas. Demanda comportamento \u00e9tico na esfera p\u00fablica e no \u00e2mbito da privacidade. Os sistemas educativos e governamentais, as pr\u00e1ticas religiosas, todas as inst\u00e2ncias capazes de interferir na modelagem, promo\u00e7\u00e3o e assimila\u00e7\u00e3o de valores precisam de aten\u00e7\u00e3o e reconhecimento, para que se alcance a meta comum de configurar novo tecido cultural. Efetiva-se, assim, um processo, a partir da sinergia de diferentes inst\u00e2ncias, capaz de garantir a moraliza\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria \u00e0 sociedade brasileira, conduzindo-a rumo a novos caminhos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Walmor Oliveira de Azevedo Arcebispo de Belo Horizonte &nbsp; O desafio de reverter o grave quadro de crises que afetam a sociedade brasileira requer o indispens\u00e1vel e urgente investimento na assimila\u00e7\u00e3o da norma moral, prioridade para confeccionar um tecido cultural capaz de sustentar processos que promovam o respeito, a verdade e o bem de &hellip;<\/p>\n<p class=\"read-more\"> <a class=\"\" href=\"https:\/\/www.cnbb.org.br\/moralizacao-a-urgencia\/\"> <span class=\"screen-reader-text\">Moraliza\u00e7\u00e3o: a urg\u00eancia<\/span> Leia mais &raquo;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[758],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/7328"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=7328"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/7328\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=7328"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=7328"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=7328"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}