{"id":7402,"date":"2017-08-04T00:00:00","date_gmt":"2017-08-04T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/igreja-e-comunidades-quilombolas-no-ma-reflexoes-parcerias-e-defesa-de-territorios\/"},"modified":"2020-03-11T17:09:58","modified_gmt":"2020-03-11T20:09:58","slug":"igreja-e-comunidades-quilombolas-no-ma-reflexoes-parcerias-e-defesa-de-territorios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/igreja-e-comunidades-quilombolas-no-ma-reflexoes-parcerias-e-defesa-de-territorios\/","title":{"rendered":"Igreja e comunidades Quilombolas no MA: reflex\u00f5es, parcerias e defesa de territ\u00f3rios"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Assim como para outras comunidades tradicionais, o territ\u00f3rio para os quilombolas \u00e9 elemento importante para assegurar sua forma de vida, uma vez que est\u00e3o atrelados a ele seus modos de organiza\u00e7\u00e3o social, pol\u00edtica, cultural e religiosa. E \u00e9 nesse sentido que se encontra uma das formas de atua\u00e7\u00e3o da Igreja no Maranh\u00e3o, que, por meio das Pastorais Sociais, busca a legaliza\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios amea\u00e7ados pela minera\u00e7\u00e3o e pelo agroneg\u00f3cio. O bispo de Brejo (MA) e referencial das Pastorais Sociais no regional Nordeste 5 da Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Jos\u00e9 Valdeci Santos Mendes, explica como \u00e9 feita esta articula\u00e7\u00e3o e conta da iniciativa de organiza\u00e7\u00e3o da Pastoral Afro-Brasileira na regi\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diante do desafio de demarca\u00e7\u00e3o e reconhecimento dos territ\u00f3rios das comunidades quilombolas, conforme a Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988, as comunidades quilombolas do Maranh\u00e3o veem avan\u00e7ar sobre suas terras empreendimentos de agroneg\u00f3cio, como culturas de soja e eucalipto. Mas, mesmo assim, h\u00e1 \u201csinais de vida importantes\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dom Valdeci conta que as comunidades tradicionais, n\u00e3o s\u00f3 os quilombolas, t\u00eam se articulado, como na iniciativa \u201cTeia dos Povos\u201d, que re\u00fane quebradeiras de coco, comunidades quilombolas, povos ind\u00edgenas, lavradores e lavradoras para troca de experi\u00eancias e, ao mesmo tempo, \u201cbuscar caminhos, sa\u00eddas de luta, de enfrentamento a essas quest\u00f5es que est\u00e3o a\u00ed, no sentido de buscar os direitos para que de fato permane\u00e7am no seu territ\u00f3rio\u201d.<\/p>\n<figure id=\"attachment_4732\" aria-describedby=\"caption-attachment-4732\" style=\"width: 341px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/cnbb.net.br\/igreja-e-comunidades-quilombolas-no-ma-reflexoes-parcerias-e-defesa-de-territorios\/dom-valdeci-encontroteias\/\" rel=\"attachment wp-att-4732 noopener\" target=\"_blank\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\" wp-image-4732\" src=\"http:\/\/cnbb.net.br\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/Dom-Valdeci-EncontroTeias-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"341\" height=\"227\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-4732\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Diocese de Brejo\/reprodu\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em maio, um encontro no quilombo Alto Bonito, na cidade de Brejo, reuniu cerca de 600 pessoas que fizeram valer a descri\u00e7\u00e3o do nome do grupo em texto publicado no site do Conselho Indigenista Mission\u00e1rio (Cimi): \u201cfios entrecruzados, compartilhando pontos em comum, mas mantendo trajet\u00f3rias aut\u00f4nomas\u201d. Formada oficialmente em 2013, a Teia maranhense tem o intuito de discutir demandas comuns \u00e0s diversas popula\u00e7\u00f5es tradicionais do estado. H\u00e1 outras organiza\u00e7\u00f5es parecidas na Bahia e no Sergipe.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na busca pela garantia do preceito constitucional, 14 comunidades j\u00e1 foram certificadas. A certifica\u00e7\u00e3o \u00e9 parte do processo que leva \u00e0 titula\u00e7\u00e3o das terras onde est\u00e1 localizada a comunidade autodeclarada remanescente quilombola. De acordo com a Funda\u00e7\u00e3o Cultural Palmares, entidade vinculada ao Minist\u00e9rio da Cultura, mais de 2.600 comunidades espalhadas pelo territ\u00f3rio nacional j\u00e1 foram certificadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #993300;\"><strong>Pastoral Afro-Brasileira<\/strong><\/span><br \/>\nOutro ponto b\u00e1sico da atua\u00e7\u00e3o eclesial junto aos quilombolas, de acordo com dom Valdeci, \u00e9 a promo\u00e7\u00e3o do encontro \u201ccomo Igreja\u201d para refletir a caminhada e para celebrar. No regional, acontece a mobiliza\u00e7\u00e3o em torno da cria\u00e7\u00e3o de grupos da Pastoral Afro-Brasileira, iniciativa que visa ajudar a reflex\u00e3o sobre os direitos dessas comunidades tradicionais. \u201cEstamos nos organizando tamb\u00e9m por munic\u00edpios que tem comunidades quilombolas: estamos fazendo encontros e estimulando para import\u00e2ncia da perman\u00eancia na terra\u201d, explica o bispo, que indica que h\u00e1 uma coordena\u00e7\u00e3o provis\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse sentido de atua\u00e7\u00e3o, h\u00e1 ainda a parceria com organiza\u00e7\u00f5es como o Centro de Cultura Negra (CCN) e o Movimento Quilombola do Maranh\u00e3o (Moquibom), entidades que atuam na mobiliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-social dos negros para conquista de seu espa\u00e7o de cidadania e sua consci\u00eancia pol\u00edtica. \u201c\u00c9 o di\u00e1logo que estamos tentando construir sempre mais e trazer essa pauta que \u00e9 muito importante das comunidades tradicionais e quilombolas\u201d, explica dom Jos\u00e9 Valdeci. O bispo considera importante que, \u201ccada vez mais, como Igreja, nos colocarmos nessa disponibilidade de servi\u00e7o, de assessorar, criar espa\u00e7os para que de fato esses povos possam dialogar, partilhar e fortalecer a luta\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #993300;\"><strong>Estudo da CNBB<\/strong><\/span><br \/>\nPublicado em 2013, o texto de Estudos da CNBB de n\u00famero 105 &#8211; \u201cA Igreja e as Comunidades Quilombolas\u201d tem considera\u00e7\u00f5es importantes para a compreens\u00e3o da identidade e realidade dessas comunidades, al\u00e9m de pistas para atua\u00e7\u00e3o eclesial nesta realidade. \u201cOs quilombos ainda t\u00eam papel importante nos destinos e na constru\u00e7\u00e3o da identidade cultural da na\u00e7\u00e3o\u201d, encontra-se no texto, que tamb\u00e9m considera o territ\u00f3rio quilombola como realidade que det\u00e9m dimens\u00f5es culturais, ambientais e econ\u00f4micas, indispon\u00edvel para destina\u00e7\u00e3o especulativa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m das iniciativas apontadas por dom Jos\u00e9 Valdeci que tem sido aplicadas no Maranh\u00e3o, \u00e9 poss\u00edvel no trabalho da Igreja como pistas pastorais, suscitar o protagonismo eclesial dos quilombolas, promover a evangeliza\u00e7\u00e3o inculturada dialogante com a cultura quilombola, ter metodologia de catequese condizente com a cultura destes povos, al\u00e9m de iniciativas na perspectiva de inibir toda a forma de preconceito e discrimina\u00e7\u00e3o. O texto est\u00e1 dispon\u00edvel na editora <a href=\"https:\/\/www.edicoescnbb.com.br\/estudos-105-a-igreja-e-as-comunidades-quilombolas.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Edi\u00e7\u00f5es CNBB<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Jos\u00e9 Valdeci fala de desafios e \u201csinais de vida\u201d na realidade quilombola no estado, al\u00e9m da recente instala\u00e7\u00e3o da Pastoral Afro-Brasileira<\/p>\n","protected":false},"author":83,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[863],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/7402"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/83"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=7402"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/7402\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=7402"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=7402"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=7402"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}