{"id":7405,"date":"2017-08-03T00:00:00","date_gmt":"2017-08-03T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/missao-haiti-3\/"},"modified":"2017-08-03T00:00:00","modified_gmt":"2017-08-03T03:00:00","slug":"missao-haiti-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/missao-haiti-3\/","title":{"rendered":"Miss\u00e3o Haiti (3)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Dom Gil Ant\u00f4nio Moreira<\/strong><br \/>\n<strong>Arcebispo de Juiz de Fora<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cortou-me o cora\u00e7\u00e3o! Certo dia, uma crian\u00e7a de 10 anos se aproximou com os olhos tristes, voz muito baixa, e segredou-me em l\u00edngua crioula: \u201ceu queria ir \u00e0 escola\u201d. Perguntei-lhe: \u201cvoc\u00ea nunca esteve em uma escola?\u201d A resposta negativa daquele pequeno afrodescendente tinha fundamento. Para ir \u00e0 escola da rede p\u00fablica no Haiti, os pais t\u00eam que gastar ao menos para uniforme e material escolar que n\u00e3o s\u00e3o baratos. A maioria das crian\u00e7as fica sem instru\u00e7\u00e3o formal e pode continuar analfabeta por toda a vida. O \u00edndice de analfabetismo naquele Pa\u00eds \u00e9 alto. Embora dados oficias d\u00e3o a cifra de cerca de 40%, o que j\u00e1 seria muito, sabe-se que o n\u00famero \u00e9 bem maior. Em algumas regi\u00f5es, as pessoas que n\u00e3o sabem ler nem escrever somam al\u00e9m da metade da popula\u00e7\u00e3o. Das crian\u00e7as que entram para a escola, somente 30% chegam ao fim do curso prim\u00e1rio. \u00c9 comum ver grupos de jovens com maioria sem nenhuma escolaridade. Salvam a situa\u00e7\u00e3o as obras da Igreja que, pelo trabalho mission\u00e1rio de padres ou freiras, recolhem o maior n\u00famero de crian\u00e7as que podem, mas n\u00e3o conseguem atingir a todas.\u00a0As escolas p\u00fablicas n\u00e3o chegam a 10%, sendo 90% mantidas pelas miss\u00f5es Cat\u00f3licas e algumas protestantes das Igrejas hist\u00f3ricas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na tarde do dia 20 de julho, encontramos a Miss\u00e3o da CRB (Confer\u00eancia dos Religiosos do Brasil), onde vivem seis Religiosas, uma de cada Congrega\u00e7\u00e3o, que ali est\u00e3o para ensinar trabalhos manuais, educa\u00e7\u00e3o art\u00edstica, com efeitos ben\u00e9ficos para a alfabetiza\u00e7\u00e3o, educa\u00e7\u00e3o e cultura, e oferecer medicina alternativa, al\u00e9m da forma\u00e7\u00e3o catequ\u00e9tica para crian\u00e7as e adultos. Fomos recebidos com graciosa apresenta\u00e7\u00e3o de cantos e dan\u00e7as das crian\u00e7as da Inf\u00e2ncia Mission\u00e1ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Duas outras visitas marcaram nosso itiner\u00e1rio pelo Haiti. Na manh\u00e3 de sexta-feira, dia 21, estivemos, em grupo, na Nunciatura Apost\u00f3lica, onde encontramos Dom Martin Eug\u00e8ne Nugent, atual representante do Papa no Pa\u00eds, um irland\u00eas am\u00e1vel e acolhedor. Deu-nos oportunidade de conhecer alguns aspectos da Igreja nas duas \u00fanicas Prov\u00edncias Eclesi\u00e1sticas, com as dez dioceses do territ\u00f3rio haitiano. Rezamos juntos na capela da casa e dele recebemos palavras de incentivo para nosso projeto mission\u00e1rio. O interesse por visitar a Representa\u00e7\u00e3o Pontif\u00edcia teve como prop\u00f3sito selar nossa uni\u00e3o espiritual com o Papa Francisco, que tem incentivado \u00e0s dioceses e arquidioceses a se tornarem, cada vez mais, \u201cIgreja em sa\u00edda\u201d e a olharem, sem medo, para as periferias. Recordemos que, no momento da elei\u00e7\u00e3o de Bergoglio para a sede de Pedro, foi um Cardeal brasileiro, o franciscano Dom Cl\u00e1udio Hummes, que lhe disse ao ouvido que n\u00e3o se esquecesse dos pobres, raz\u00e3o pela qual o eleito decidiu escolher para si o nome do\u00a0<em>Poverello<\/em>\u00a0de Assis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A \u00faltima visita deu-se s\u00e1bado de manh\u00e3, quando fomos \u00e0 base militar brasileira em miss\u00e3o de paz no Haiti. Ficamos cheios de admira\u00e7\u00e3o e bons sentimentos patri\u00f3ticos, pelo que vimos. Fomos muito bem recebidos pelo Comandante da Brabat 26, Coronel Lage, o subcomandante, Coronel Pontes, e o Coronel Vasconcelos, G10. Acompanhou-nos muito atenciosamente o Capel\u00e3o Militar, 1\u00ba Tenente do Ex\u00e9rcito, Padre Rodrigo C\u00e9sar Ferreira, jovem presb\u00edtero que leva com brio os seus deveres militares e com exemplar fidelidade sua vida sacerdotal a servi\u00e7o dos soldados. Ficamos admirados de observar que os nossos militares brasileiros, das tr\u00eas for\u00e7as, ali n\u00e3o apenas garantem a paz, mas fazem um excelente trabalho social de ajuda \u00e0 popula\u00e7\u00e3o carente, com v\u00e1rias a\u00e7\u00f5es humanit\u00e1rias, constru\u00e7\u00f5es e doa\u00e7\u00f5es, inclusive auxiliando as miss\u00f5es religiosas atrav\u00e9s de projetos sociais apresentados pelas comunidades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na viagem de retorno ao Brasil, depois das fortes experi\u00eancias mission\u00e1rias no Haiti, uma cena nos impressionou j\u00e1 no Panam\u00e1. Ap\u00f3s a Missa que celebramos domingo na linda capela do aeroporto daquela cidade, uma senhora venezuelana nos veio procurar, com vis\u00edvel ang\u00fastia no rosto, e nos fez um pedido clamoroso: \u201crezem pelo povo venezuelano que est\u00e1 numa situa\u00e7\u00e3o de terr\u00edvel opress\u00e3o de um governo ditador e violento, causando fome e desespero na popula\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A nossa miss\u00e3o continua. Todos podemos fazer algo pelo pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Gil Ant\u00f4nio Moreira Arcebispo de Juiz de Fora \u00a0 Cortou-me o cora\u00e7\u00e3o! Certo dia, uma crian\u00e7a de 10 anos se aproximou com os olhos tristes, voz muito baixa, e segredou-me em l\u00edngua crioula: \u201ceu queria ir \u00e0 escola\u201d. 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