{"id":7649,"date":"2017-09-04T00:00:00","date_gmt":"2017-09-04T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/a-igreja-e-as-questoes-sociais\/"},"modified":"2017-09-04T00:00:00","modified_gmt":"2017-09-04T03:00:00","slug":"a-igreja-e-as-questoes-sociais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/a-igreja-e-as-questoes-sociais\/","title":{"rendered":"A Igreja e as quest\u00f5es sociais"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Dom Jaime Spengler<\/strong><br \/>\n<strong>Arcebispo de Porto Alegre<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As quest\u00f5es sociais sempre interpelaram os pastores da Igreja. \u00c9 longa a tradi\u00e7\u00e3o da Igreja em tratar de problemas sociais de acordo com sua pr\u00f3pria f\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diferentes realidades e tipos de sociedade foram destinat\u00e1rias da mensagem da Igreja que anunciou o Evangelho entre os tumultos dos eventos sociais. Mas foi a quest\u00e3o oper\u00e1ria do s\u00e9culo XIX que estimulou a solicitude pastoral da igreja para enfrentar as coisas novas que surgiram ent\u00e3o. A explora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, a organiza\u00e7\u00e3o industrial do trabalho, a matriz capitalista e a for\u00e7a das ideologias socialista e comunista fizeram eco e suscitaram reflex\u00e3o e pronunciamento oficial da Igreja atrav\u00e9s da Enc\u00edclica <em>Rerum Novarum<\/em> do Papa Le\u00e3o XIII. Os seguidores de Cristo n\u00e3o podiam calar diante dos clamores da realidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A moral crist\u00e3 desenvolveu reflex\u00f5es sobre o uso comum dos bens, da dignidade da pessoa humana e da participa\u00e7\u00e3o dos crist\u00e3os na sociedade. Essa tem\u00e1tica, portanto, \u00e9 antiga e sempre nova, pois expressa o cont\u00ednuo apelo do Evangelho de Cristo para que os crist\u00e3os anunciem e vivam construindo a civiliza\u00e7\u00e3o do amor, denunciando e desmascarando as miopias e injusti\u00e7as que a hist\u00f3ria tem apresentado ao longo dos tempos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 ineg\u00e1vel que na trajet\u00f3ria do cristianismo h\u00e1 um fio condutor que percorre todas as etapas. Trata-se do elemento mais profundo da identidade crist\u00e3: que Deus age em favor dos seres humanos para salv\u00e1-los. Ele se revela em Jesus Cristo e expressa a identidade mais profunda da pessoa: o ser humano n\u00e3o \u00e9 somente liberdade, mas \u00e9 livre para produzir fraternidade e igualdade. Toda pr\u00e1xis crist\u00e3, orientada pelo Evangelho \u00e9 uma pr\u00e1tica do amor. O mundo do trabalho, a busca da paz e o avan\u00e7o de novas tecnologias remetem ao solidarismo que repousa numa express\u00e3o muito corrente na Doutrina Social da Igreja:\u00a0 a civiliza\u00e7\u00e3o do amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vivemos num tempo fascinante. As novas tecnologias, o progresso cient\u00edfico, o avan\u00e7o da rob\u00f3tica e da inform\u00e1tica permitem-nos contemplar comodidades e experi\u00eancias inimagin\u00e1veis num passado recente. A emerg\u00eancia da subjetividade, a preocupa\u00e7\u00e3o com a ecologia, o crescimento do voluntariado, o empenho pela toler\u00e2ncia e respeito pelo diferente despertam uma nova consci\u00eancia de perten\u00e7a ao planeta e da integra\u00e7\u00e3o de tudo em todos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paradoxalmente descortina-se tamb\u00e9m um quadro de enormes problemas. Os \u00edndices de pobreza e mis\u00e9ria continuam a desafiar qualquer consci\u00eancia tranquila de nossa sociedade. O consumismo e o utilitarismo nas rela\u00e7\u00f5es sociais deterioram as possibilidades de fraternidade porque geram exclus\u00e3o e reduzem o ser humano ao valor de mercado. O terrorismo e as guerras amea\u00e7am um futuro de paz para as civiliza\u00e7\u00f5es. Manipula\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas, contamina\u00e7\u00e3o das \u00e1guas e do solo, desertifica\u00e7\u00e3o de \u00e1reas imensas desafiam qualquer projeto de uma sociedade e de um planeta sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acrescente-se nesse elenco o desenvolvimento do sentimento de vazio que ocasiona a depress\u00e3o o mal da moda. Vivemos sob a queda das ideologias, o fragmento dos sonhos e a perda do sentido.\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Apesar das tentativas de prescindir da religi\u00e3o e do sagrado, do secularismo e do indiferentismo religioso que emergem com for\u00e7a na atualidade, o crist\u00e3o sabe que sua identidade depende da sua rela\u00e7\u00e3o com tudo o que o circunda. Para n\u00e3o perder sua ess\u00eancia, a f\u00e9 crist\u00e3 precisa ocupar-se da hist\u00f3ria, porque nela se realiza a abertura do ser humano para a transcend\u00eancia. Nesse encontro entre o vis\u00edvel e o invis\u00edvel, o humano encontra o sentido, a cura e a salva\u00e7\u00e3o de toda sua exist\u00eancia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Jaime Spengler Arcebispo de Porto Alegre &nbsp; As quest\u00f5es sociais sempre interpelaram os pastores da Igreja. \u00c9 longa a tradi\u00e7\u00e3o da Igreja em tratar de problemas sociais de acordo com sua pr\u00f3pria f\u00e9. 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