{"id":7650,"date":"2017-09-07T00:00:00","date_gmt":"2017-09-07T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/a-igreja-e-os-tempos-atuais\/"},"modified":"2017-09-07T00:00:00","modified_gmt":"2017-09-07T03:00:00","slug":"a-igreja-e-os-tempos-atuais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/a-igreja-e-os-tempos-atuais\/","title":{"rendered":"A igreja e os tempos atuais"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>\u00a0<\/strong><strong>Dom Alberto Taveira Corr\u00eaa<br \/>\n<\/strong>Arcebispo Metropolitano de Bel\u00e9m do Par\u00e1<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA luz dos povos \u00e9 Cristo: por isso, este sagrado Conc\u00edlio, reunido no Esp\u00edrito Santo, deseja ardentemente iluminar com a sua luz, que resplandece no rosto da Igreja, todos os homens, anunciando o Evangelho a toda a criatura (Cf. Mc 16,15). Mas porque a Igreja, em Cristo, \u00e9 como que o sacramento, ou sinal, e o instrumento da \u00edntima uni\u00e3o com Deus e da unidade de todo o g\u00eanero humano, pretende ela, na sequ\u00eancia dos anteriores Conc\u00edlios, p\u00f4r de manifesto com maior insist\u00eancia, aos fi\u00e9is e a todo o mundo, a sua natureza e miss\u00e3o universal. E as condi\u00e7\u00f5es do nosso tempo tornam ainda mais urgentes este dever da Igreja, para que deste modo os homens todos, hoje mais estreitamente ligados uns aos outros, pelos diversos la\u00e7os sociais, t\u00e9cnicos e culturais, alcancem tamb\u00e9m a plena unidade em Cristo\u201d (Conc\u00edlio Vaticano II, Constitui\u00e7\u00e3o Dogm\u00e1tica Lumen Gentium 1). A atualidade das palavras da \u201cLumen Gentium\u201d mostra a lucidez com que os padres conciliares, certamente conduzidos pelo Esp\u00edrito Santo, abriram as portas da consci\u00eancia eclesial, a fim de que, inserida num mundo altamente provocante e desafiador, a Igreja com ele dialogue, seja sinal de Deus e fermente com a for\u00e7a do Evangelho todas as realidades humanas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entretanto, uma quest\u00e3o pode ser colocada com pertin\u00eancia a respeito da face da Igreja a ser apresentada \u00e0 humanidade de hoje. J\u00e1 n\u00e3o vivemos em \u00e9poca de cristandade, quem sabe, sonhada por muitos grupos e pessoas, a pensar numa sociedade totalmente submissa \u00e0s normas do Evangelho, inclusive com o controle das estruturas sociais e pol\u00edticas. O pluralismo reinante \u00e9 provocante \u00e0 nossa qualidade de testemunho, de forma a ouvir a todos, dialogar, compartilhar, estabelecer pontes, descobrir as sementes do Verbo de Deus que o Esp\u00edrito Santo plantou em todas as partes e culturas. N\u00e3o se trata de renunciar \u00e0 nossa profiss\u00e3o de f\u00e9, at\u00e9 porque s\u00f3 pode dialogar verdadeiramente quem tem clareza a respeito de suas convic\u00e7\u00f5es e sabe lutar por elas, sem negar o direito dos outros a um modo diferente para enxergar a realidade. H\u00e1 elementos novos, t\u00e9cnicas de comunica\u00e7\u00e3o surgidas em nosso tempo e que antes eram inimagin\u00e1veis. A \u201caldeia global\u201d de que se falava h\u00e1 alguns anos j\u00e1 se tornou menor ainda, para ser imensa. \u00c9 a nossa casa! E nela h\u00e1 de tudo, sugerindo um processo de discernimento a ser assumido com muita lucidez.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A imagem do templo, quem sabe, a do mosteiro ou do convento, ou o lugar recolhido no qual n\u00e3o somos \u201cincomodados\u201d, ou a Igreja comprometida com os poderes do mundo, ou apenas com uma estrutura clerical, tudo isso entra em crise, se n\u00e3o nos abrimos para as perspectivas prof\u00e9ticas do Conc\u00edlio Vaticano II, hoje atualizadas, com o magist\u00e9rio dos pont\u00edfices que magn\u00edfica e providencialmente t\u00eam conduzido a Igreja. Ouvimos o Papa Francisco falar de Igreja em sa\u00edda, cultura do encontro, miseric\u00f3rdia, de Deus que n\u00e3o se cansa de perdoar! Somos chamados a ir ao encontro das chagas existentes nas fam\u00edlias e na sociedade, mantendo-nos fi\u00e9is aos princ\u00edpios do Evangelho e \u00e0 doutrina moral da Igreja, mas debru\u00e7ando-nos com compreens\u00e3o e bondade sobre a vida concreta das pessoas, para ajudar o mundo a se elevar \u00e0 dignidade por ele mesmo impensada, pois nascida do amor infinito da Sant\u00edssima Trindade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nosso Senhor, no bel\u00edssimo discurso a respeito da vida em Comunidade (Mt 18, 1-35), indica perfis de grande atualidade para a presen\u00e7a da Igreja em nosso tempo, chamada a ser sal, luz e fermento dos valores do Reino de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A face da Igreja a ser apresentada ser\u00e1 sempre a da miseric\u00f3rdia e do perd\u00e3o. O Senhor apresenta at\u00e9 um roteiro para a corre\u00e7\u00e3o da pessoa que erra, e infelizmente, nem sempre somos fi\u00e9is a estes passos. Primeiro a corre\u00e7\u00e3o em particular, a s\u00f3s. Depois, a ajuda de duas ou tr\u00eas testemunhas, em seguida a Igreja, Comunidade de f\u00e9. S\u00f3 ent\u00e3o se pode dizer que a pessoa fica fora do relacionamento eclesial e, digamos com clareza, porque ela mesma se recusou, n\u00e3o lhe faltando todas as oportunidades. H\u00e1 muitas pessoas sedentas de serem tratadas com tanta delicadeza e paci\u00eancia!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A terra e o C\u00e9u est\u00e3o unidos! Impressionante a condescend\u00eancia divina, quando Jesus une o discernimento, o perd\u00e3o ou sua recusa, nada menos do que a seres humanos, como s\u00e3o os ap\u00f3stolos e seus sucessores. De um lado, a grandeza e o risco do pr\u00f3prio Cristo! De outro, a responsabilidade dos ministros do Perd\u00e3o e das Comunidades chamadas a testemunhar a reconcilia\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E o Evangelho nos conduz a uma presen\u00e7a de Jesus realmente revolucion\u00e1ria. Ele est\u00e1 presente verdadeiramente entre aqueles que se re\u00fanem em seu nome. N\u00e3o tanto dois ou mais santos, ou justos, ou melhores do que os outros. A t\u00f4nica est\u00e1 no \u201cacordo\u201d, decidir-se a estar unidos em seu nome, o que significa amar-se mutuamente, prontos a dar a vida uns pelos outros! Afinal de contas, em outro lugar o Senhor afirmou que \u201cnisto conhecer\u00e3o todos que sois os meus disc\u00edpulos: se vos amardes uns aos outros\u201d (Jo 13,35).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Podem as pessoas levantar perguntas sobre a doutrina, outras vezes n\u00e3o aceitar\u00e3o nossos ritos lit\u00fargicos, far\u00e3o mil perguntas sobre a prega\u00e7\u00e3o que lhes \u00e9 oferecida, ficar\u00e3o escandalizadas com a forma com que os bens da Igreja forem administrados ou com os erros e pecados dos crist\u00e3os. Entretanto, a for\u00e7a do amor rec\u00edproco, com a presen\u00e7a de Jesus em nosso meio, que depois se desdobra na ora\u00e7\u00e3o que vem como fruto deste consenso da caridade, esta \u00e9, sem d\u00favida, uma face brilhante e resplandecente da Igreja a ser oferecida em nosso tempo. Ela ser\u00e1 a porta para a compreens\u00e3o de todas as outras realidades. De fato, Ele est\u00e1 no meio de n\u00f3s!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0Dom Alberto Taveira Corr\u00eaa Arcebispo Metropolitano de Bel\u00e9m do Par\u00e1 \u201cA luz dos povos \u00e9 Cristo: por isso, este sagrado Conc\u00edlio, reunido no Esp\u00edrito Santo, deseja ardentemente iluminar com a sua luz, que resplandece no rosto da Igreja, todos os homens, anunciando o Evangelho a toda a criatura (Cf. Mc 16,15). 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