{"id":7719,"date":"2017-09-14T00:00:00","date_gmt":"2017-09-14T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/artigo-do-cardeal-de-sao-paulo-que-motivacoes-fortes-seriam-capazes-de-dissuadir-alguem-de-cometer-desonestidades\/"},"modified":"2020-03-11T17:09:56","modified_gmt":"2020-03-11T20:09:56","slug":"artigo-do-cardeal-de-sao-paulo-que-motivacoes-fortes-seriam-capazes-de-dissuadir-alguem-de-cometer-desonestidades","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/artigo-do-cardeal-de-sao-paulo-que-motivacoes-fortes-seriam-capazes-de-dissuadir-alguem-de-cometer-desonestidades\/","title":{"rendered":"Artigo do cardeal de S\u00e3o Paulo trata da &#8220;ladroagem&#8221;"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano de S\u00e3o Paulo, assina artigo publicado no jornal \u201cO Estado de S\u00e3o Paulo\u201d no qual trata de tema de grande relev\u00e2ncia para a reflex\u00e3o do momento atual na sociedade brasileira. A come\u00e7ar pelo t\u00edtulo, \u201cLadr\u00e3o tem perd\u00e3o?\u201d, a reflex\u00e3o do cardeal traz elementos de grande significado para o necess\u00e1rio debate p\u00fablico sobre o que est\u00e1 acontecendo no Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em primeiro lugar, ele recorda que a \u201cladroagem\u201d n\u00e3o \u00e9 apenas realidade dos \u00faltimos tempos: \u201c<em>a hist\u00f3ria dos povos registra a ladroagem em todas as \u00e9pocas, da antiguidade \u00e0 p\u00f3s-modernidade. A diferen\u00e7a \u00e9 que a roubalheira vai ficando mais sofisticada e vai do esconder tesouros em caixas de papel\u00e3o e malas de viagem a estourar caixas-fortes com dinamites e aplicar golpes pela internet. H\u00e1 roubo de todo jeito e daria para organizar uma enciclop\u00e9dia da ladroagem!<\/em>\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O cardeal prossegue: \u201c<em>Se \u00e9 verdade que amigos do alheio sempre existiram, isso n\u00e3o torna l\u00edcito e aprovado o roubo, que sempre foi e continua a ser considerado um ato desonesto e injusto, al\u00e9m de marcar de maneira negativa a pessoa que o pratica. \u00c9 feio e vergonhoso ser ladr\u00e3o e ser chamado de ladr\u00e3o n\u00e3o \u00e9 considerado um elogio para ningu\u00e9m&#8230; Talvez, na sociedade dos ladr\u00f5es, furtos e roubos possam ter algum reconhecimento, mas essa seria uma sociedade inomin\u00e1vel e sem reconhecimento merit\u00f3rio\u201d.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em seguida, dom Scherer apresenta uma s\u00e9rie de perguntas: \u201c<em>Por que n\u00e3o abolir de uma vez a lei que pro\u00edbe roubar, considerando que essa pr\u00e1tica se tornou t\u00e3o comum e difundida? Que aconteceria se o furto e o roubo deixassem de ser crimes? Tenho a certeza de que uma \u2018sociedade de ladr\u00f5es\u2019 inventaria bem depressa seus c\u00f3digos \u00e9ticos e morais para disciplinar tudo&#8230; E seriam, com grande probabilidade, bastante r\u00edgidos! \u00c9 estranho: por qual motivo os c\u00f3digos morais n\u00e3o funcionam bem numa sociedade que pretende estribar-se sobre os valores da justi\u00e7a, do respeito, da honestidade e da dignidade?\u201d.<\/em> E continua na argumenta\u00e7\u00e3o: \u201c<em>Talvez haja algum problema no compartilhamento da convic\u00e7\u00e3o de que roubar n\u00e3o \u00e9 direito. Falta dizer e ensinar novamente, com todas as letras e em todos os momentos, que n\u00e3o \u00e9 permitido roubar, que isso \u00e9 desonesto, injusto e feio, coisa de mau car\u00e1ter? Antes de chamar a pol\u00edcia para prender o ladr\u00e3o, seria preciso que a sociedade se pusesse de acordo para dizer que o roubo \u00e9 um crime e que o crime n\u00e3o compensa, nem para o ladr\u00e3o grande nem para o pequeno<\/em>\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dom Scherer lembra que diante da roubalheira deslavada que se apresenta nesse momento da hist\u00f3ria do Brasil, muitas pessoas podem tender a encontrar solu\u00e7\u00f5es de fechamento fazendo muros altos em torno das casas, ou instalando cercas eletrificadas e c\u00e2meras de vigil\u00e2ncia sofisticadas. E segue perguntando: \u201c<em>Seriam a solu\u00e7\u00e3o suficiente para prevenir roubos e assaltos, planejados com intelig\u00eancia criminosa? Basta fazer den\u00fancias, mandar a pol\u00edcia atr\u00e1s e torcer para que o ladr\u00e3o n\u00e3o consiga escapar e fique um bom tempo na cadeia? O que ser\u00e1 capaz de dissuadir do caminho da desonestidade<\/em>?\u201d. O cardeal colabora na busca de respostas a essas perguntas lembrando que \u201c<em>o ladr\u00e3o entende que, c\u00e1lculos feitos, vale a pena arriscar e roubar<\/em>\u201d. E pior ainda, na l\u00f3gica do ladr\u00e3o, \u201c<em>o crime compensa e, infelizmente, a pr\u00e1tica mostra que isso pode ser verdadeiro. Ent\u00e3o, seria preciso abalar essa sua certeza, e os motivos para ser honesto devem ser mais fortes que a tenta\u00e7\u00e3o de roubar. Esses motivos s\u00f3 podem ser passados pela educa\u00e7\u00e3o para os valores construtivos no conv\u00edvio social e pela dissuas\u00e3o, em vista das consequ\u00eancias indesej\u00e1veis do crime<\/em>\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A reflex\u00e3o do cardeal chega a um ponto central: \u201c<em>Que motiva\u00e7\u00f5es fortes seriam capazes de dissuadir algu\u00e9m de cometer desonestidades?<\/em>\u201d. Para continuar ajudando na reflex\u00e3o, dom Scherer recorre tr\u00eas passagens dos Evangelhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira passagem: a hist\u00f3ria de Zaqueu: \u201c<em>Zaqueu era funcion\u00e1rio p\u00fablico e recolhia impostos para os romanos, que estavam dominando a Palestina daqueles tempos. Zaqueu era odiado pelos seus compatriotas e nem podia frequentar a sinagoga, sendo considerado um pecador p\u00fablico. Um belo dia, Jesus passou pela sua cidade e o encontrou pela rua. O pr\u00f3prio Jesus chamou Zaqueu e disse que ia hospedar-se em sua casa. Zaqueu sentiu-se valorizado, alegrou-se e recebeu Jesus com festa. O fato foi motivo de esc\u00e2ndalo para muitos, que n\u00e3o podiam entender como o Mestre havia escolhido entrar na casa de um pecador, sentando-se \u00e0 mesa em companhia de pecadores! Mas o corrupto Zaqueu foi logo fazendo sua autodela\u00e7\u00e3o: \u201cDarei a metade dos meus bens aos pobres e, se prejudiquei algu\u00e9m, vou devolver quatro vezes mais\u201d (cf. Lucas 19,8). Sua vida mudou porque algu\u00e9m tocou na sua consci\u00eancia. Nem precisou de processos demorados em v\u00e1rias inst\u00e2ncias, cheios de jogos de cena. Zaqueu parou de roubar e reparou a justi\u00e7a lesada. Bom exemplo a ser seguido!\u201d.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo exemplo trata-se de Judas Iscariotes: \u201c<em>Outro ladr\u00e3o viveu pertinho de Jesus. Judas havia sido escolhido para ser um dos ap\u00f3stolos. Era muito avarento, fingido e sem-vergonha. Judas \u00e9 o ladr\u00e3o da consci\u00eancia calejada, que n\u00e3o se d\u00e1 conta de sua mesquinhez. Ladr\u00e3o perigoso, inserido no sistema e na m\u00e1quina p\u00fablica, com cara de benfeitor populista, que n\u00e3o perde a chance de passar a m\u00e3o no patrim\u00f4nio p\u00fablico. Judas cuidava do caixa-comum do grupo de Jesus com os ap\u00f3stolos e roubava o que se depunha na bolsa (cf. Jo\u00e3o, 12,4-8). Sua gan\u00e2ncia n\u00e3o encontrou mais limites e ele acabou negociando com os inimigos de Jesus a trai\u00e7\u00e3o do Mestre, na calada da noite, por umas tantas moedas de prata (cf. Mateus, 26,14-16). O infeliz, quando se viu desprezado pelos comparsas e abandonado \u00e0 solid\u00e3o da pr\u00f3pria consci\u00eancia, entrou em desespero e se enforcou. P\u00e9ssimo exemplo, a n\u00e3o ser imitado por ningu\u00e9m, nem pela sua vida nem pelo seu fim deplor\u00e1vel!\u201d.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E o \u00faltimo exemplo dos Evangelhos dado pelo cardeal para ajudar na conclus\u00e3o da reflex\u00e3o proposta pelo artigo se refere ao ladr\u00e3o que foi sacrificado ao lado de Jesus, no Calv\u00e1rio: \u201c<em>O terceiro ladr\u00e3o pode representar uma esperan\u00e7a para os viciados e incorrig\u00edveis amigos do alheio. \u00c9 conhecido como \u2018o bom ladr\u00e3o\u2019, n\u00e3o por sua esperteza na roubalheira, mas porque teve uma ideia sensata no extremo da vida. Condenado \u00e0 morte por suas a\u00e7\u00f5es, ele reconheceu que suas fa\u00e7anhas de nada lhe valeram, arrependeu-se e pediu miseric\u00f3rdia a Deus. Jesus viu que sua confiss\u00e3o era sincera e lhe prometeu o para\u00edso naquela mesma hora (cf. Lucas 23,39-43). Sempre \u00e9 tempo de arrependimento e n\u00e3o \u00e9 preciso esperar at\u00e9 o fim da vida. Quanto mais cedo, melhor. Deus pode conceder a vida tamb\u00e9m ao ladr\u00e3o arrependido. Sinceramente arrependido e bem confessado! A penit\u00eancia fica por conta do Estado&#8230;<\/em>\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/cnbb.net.br\/ladrao-tem-perdao\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">O artigo est\u00e1 publicado tamb\u00e9m aqui no Portal Oficial da CNBB<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;&#8230; a sociedade se pusesse de acordo para dizer que o roubo \u00e9 um crime e que o crime n\u00e3o compensa, nem para o ladr\u00e3o grande nem para o pequeno\u201d<\/p>\n","protected":false},"author":83,"featured_media":7720,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[863],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/7719"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/83"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=7719"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/7719\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media\/7720"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=7719"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=7719"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=7719"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}