{"id":773029,"date":"2021-08-24T11:22:23","date_gmt":"2021-08-24T14:22:23","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=773029"},"modified":"2021-08-24T12:57:44","modified_gmt":"2021-08-24T15:57:44","slug":"cristao-faz-de-novo-novo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cristao-faz-de-novo-novo\/","title":{"rendered":"Crist\u00e3o, faz de novo, novo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Dom Jo\u00e3o Mamede<\/strong><br \/>\n<strong>Bispo de Umuarama (PR)<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(Especial aos meus Irm\u00e3os Bispos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dia visitei Auschwitz, o campo de concentra\u00e7\u00e3o onde morreu, entre tantos, S\u00e3o Maximiliano Kolbe, Frade Franciscano Conventual, fundador da Mil\u00edcia da Imaculada, movimento cujo lema \u00e9 \u201cconquistar o mundo todo a Cristo por Maria\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na ocasi\u00e3o, era quase ver\u00e3o, com mais tr\u00eas frades, percorr\u00edamos a Pol\u00f4nia numa viagem muito alegre, inclusive porque v\u00edamos os campos onde h\u00e1 pouco havia sido colhido o trigo, cheios de rolos da palha que se usa para o gado, no inverno. Contava-se muitos chistes e circunst\u00e2ncias engra\u00e7adas da vida de frade. Ao meio-dia chegamos a Auschwitz e l\u00e1 permanecemos por duas horas. Aquela tarde ningu\u00e9m mais riu, e quase nem conseguiu falar, tamanho foi o tranco que produziu em n\u00f3s aqueles espa\u00e7os e edifica\u00e7\u00f5es medonhas, onde perderam vida quase seis milh\u00f5es de seres humanos. A pergunta silenciosa era: como aquilo foi poss\u00edvel? E uma conclus\u00e3o: S\u00e3o Maximiliano \u00e9 que jogava a \u00faltima cartada. A definitiva. N\u00f3s, geralmente estamos \u00a0rasos, tareando nos primeiros passos. Talvez o tempo de pandemia tenha nos aproximado um pouco\u00a0 daquele contexto dram\u00e1tico. Durante a segunda Guerra Mundial e hoje, cada um ter que dar sentido \u00e0 pr\u00f3pria vida mesmo e sem saber onde e como tudo vai acabar, sem ver horizontes, sem poder terceirizar a quest\u00e3o. Kolbe respondeu em primeira pessoa com um gesto de solidariedade ao dar a vida por um pai de fam\u00edlia naquelas circunst\u00e2ncias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 naquele entonces tive not\u00edcia de que foi juntado numa colet\u00e2nea tudo o que S\u00e3o Maximiliano Kolbe escreveu: artigos de jornal, confer\u00eancias, estudos, cartas respondidas. Um grande material, uma preciosidade para conhecer a vida desse m\u00e1rtir. \u00a0Agora, com alegria, a Mil\u00edcia da Imaculada, em coedi\u00e7\u00e3o com a Paulus, lan\u00e7ou o volume de mais de 2200 p\u00e1ginas em nossa l\u00edngua de tudo o que foi poss\u00edvel reunir dos escritos de S\u00e3o Maximiliano Kolbe. Estou seguro que ser\u00e1 fonte de inspira\u00e7\u00e3o, de forma\u00e7\u00e3o e de alimento para a Espiritualidade Crist\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A m\u00f3 de aperitivo, resumo uma das cartas: Frei Maximiliano criou o maior jornal da Pol\u00f4nia de ent\u00e3o. Nele, inclusive, respondia cartas de assinantes. Certa vez algu\u00e9m lhe escreve: \u201cA vida crist\u00e3 \u00e9 tanta coisa: rezar, ler a b\u00edblia, dar esmola, ir \u00e0 missa, catequizar os filhos &#8230; eu me perco no meio de tudo isso. H\u00e1 algo que possa ser dito o essencial?\u201d E o frei responde: \u201cSim. H\u00e1. E o essencial \u00e9 viver o ordin\u00e1rio extraordinariamente!\u201d. Falei dessa carta muit\u00edssimas vezes em homilias. Ordin\u00e1rio \u00e9 o que a gente tem que fazer todo dia. A dona de casa, por exemplo, tem que cozinhar, lavar lou\u00e7a, varrer. O motorista de caminh\u00e3o tem que limpar o para-brisa, verificar os pneus&#8230;etc. Agora, extraordinariamente. Com alguma pitada de brilho especial. Ao fazer ontem o ordin\u00e1rio, descobriu um miligrama de modo de faz\u00ea-lo melhor e aplica isso hoje. Quem varre a casa hoje do mesm\u00edssimo modo que varreu ontem, est\u00e1 ficando m\u00e1quina, virando rob\u00f4. Rob\u00f4 \u00e9 que faz de novo o mesmo. Por exemplo, a m\u00e1quina de fazer copos de pl\u00e1stico: aperta-se o bot\u00e3o e ela lan\u00e7a mais 50, do mesmo jeitinho dos anteriores. Rob\u00f4 faz de novo o velho, o mesmo. Crist\u00e3o faz de novo, o novo! Falei isso a um confrade japon\u00eas idoso e ele me comentou: \u201cO que faz a gente capaz disso, \u2018de fazer de novo, novo\u2019, e a Eucaristia\u201d. Am\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Jo\u00e3o Mamede Bispo de Umuarama (PR) &nbsp; (Especial aos meus Irm\u00e3os Bispos) Um dia visitei Auschwitz, o campo de concentra\u00e7\u00e3o onde morreu, entre tantos, S\u00e3o Maximiliano Kolbe, Frade Franciscano Conventual, fundador da Mil\u00edcia da Imaculada, movimento cujo lema \u00e9 \u201cconquistar o mundo todo a Cristo por Maria\u201d. 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