{"id":7731,"date":"2017-09-15T00:00:00","date_gmt":"2017-09-15T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/o-negrinho-do-pastoreio\/"},"modified":"2017-09-15T00:00:00","modified_gmt":"2017-09-15T03:00:00","slug":"o-negrinho-do-pastoreio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/o-negrinho-do-pastoreio\/","title":{"rendered":"O Negrinho do Pastoreio"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Dom Rodolfo Lu\u00eds Weber<\/strong><br \/>\n<strong> Arcebispo de Passo Fundo (RS)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na sequ\u00eancia da Semana da P\u00e1tria, o Rio Grande do Sul se mobiliza para a Semana Farroupilha. As palavras tradi\u00e7\u00e3o, tradicionalistas, tradicionalismo ganham maior destaque nestes dias. Uma grande festa que acontece nos mais diferentes pontos do estado, mas que se estende a muitos outros lugares al\u00e9m das fronteiras ga\u00fachas. H\u00e1 manifesta\u00e7\u00f5es de orgulho at\u00e9 an\u00e1lises muito cr\u00edticas dos acontecimentos passados. Comemora\u00e7\u00f5es que mexem com todos os habitantes deste estado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 um tempo de cultivar a tradi\u00e7\u00e3o. A tradi\u00e7\u00e3o \u00e9 um meio de conserva\u00e7\u00e3o de ideais, de valorizar experi\u00eancias passadas de um povo, de transmitir valores culturais e espirituais para a gera\u00e7\u00e3o presente. Isto \u00e9 visibilizado nas mais diferentes manifesta\u00e7\u00f5es folcl\u00f3ricas e culturais. A poesia, a m\u00fasica, os contos e as lendas contextualizados no meio f\u00edsico e sociol\u00f3gico rio-grandense resgatam estes tempos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma bela lenda que merece ser refletida \u00e9 a do \u201cNegrinho do Pastoreio\u201d. Retomo parte dela, mas que merece ser lida integralmente. Diz a lenda que um rico estancieiro era extremamente mau. S\u00f3 olhava para tr\u00eas viventes: o filho, o cavalo baio e para um pequeno escravo, sem nome, chamado Negrinho. \u201cA este n\u00e3o deram padrinhos nem nome; por isso o Negrinho se dizia afilhado da Virgem, Senhora Nossa, que \u00e9 a madrinha de quem n\u00e3o a tem.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dia os vizinhos apostaram uma corrida de cavalo. O Negrinho montou o baio do estanceiro, mas perdeu. Por causa disso o estancieiro deu-lhe uma surra de relho e o colocou em castigo por trinta dias cuidando da tropilha de trinta tordilhos negros. J\u00e1 sem for\u00e7as e morto de fome o Negrinho cai no sono e a tropilha foge.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Novamente leva outra surra de relho e o estancieiro manda procurar a tropilha. \u201cRengueando, chorando e gemendo, O Negrinho pensou na sua madrinha Nossa Senhora e foi ao orat\u00f3rio da casa, tomou o coto de vela aceso em frente da imagem e saiu para o campo. &#8230; por onde o Negrinho ia passando, a vela benta ia pingando cera no ch\u00e3: e de cada pingo nascia uma nova luz, e j\u00e1 eram tantas que clareavam tudo\u201d.\u00a0 Recolheu a tropilha. E se riu. Adormeceu. Enquanto isso, o filho do estancieiro enxotou os cavalos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Veio a terceira surra de relho e as suas carnes ficaram recortadas e o sangue correndo pelo seu corpo. \u201cO Negrinho chamou pela Virgem sua madrinha e Senhora Nossa, deu um suspiro triste, que chorou no ar como uma m\u00fasica, e pareceu que morreu&#8230;\u201d O estancieiro para n\u00e3o fazer uma cova atirou o corpo do Negrinho num grande formigueiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por tr\u00eas noites, o estancieiro foi atormentado pelo mesmo sonho. N\u00e3o conseguiu recuperar a tropilha e ent\u00e3o resolveu voltar ao formigueiro. \u201cQual n\u00e3o foi o seu grande espanto, quando chegando perto, viu na boca do formigueiro o Negrinho de p\u00e9, com a pele lisa, perfeita, sacudindo de si as formigas que o cobriam ainda!&#8230; O Negrinho, de p\u00e9, e ali ao lado, o cavalo baio e ali junto, a tropilha dos trinta tordilhos&#8230; e fazendo-lhe frente, de guarda ao mesquinho, o estancieiro viu a madrinha dos que n\u00e3o a t\u00eam, viu a Virgem, Nossa Senhora, t\u00e3o serena, pousada na terra, mas mostrando que estava no c\u00e9u&#8230; Quando tal viu, o senhor caiu de joelhos diante do escravo\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma bela lenda contextualizada na tradi\u00e7\u00e3o rio-grandense e que faz refletir.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Rodolfo Lu\u00eds Weber Arcebispo de Passo Fundo (RS) Na sequ\u00eancia da Semana da P\u00e1tria, o Rio Grande do Sul se mobiliza para a Semana Farroupilha. 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