{"id":776436,"date":"2021-08-25T11:41:14","date_gmt":"2021-08-25T14:41:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=776436"},"modified":"2021-08-26T15:17:25","modified_gmt":"2021-08-26T18:17:25","slug":"a-catequese-em-nosso-tempo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/a-catequese-em-nosso-tempo\/","title":{"rendered":"A catequese em nosso tempo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Dom Ant\u00f4nio de Assis Ribeiro<br \/>\nBispo Auxiliar de Bel\u00e9m do Par\u00e1 (PA)<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A CATEQUESE EM NOSSO TEMPO: <strong>a Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica \u201cCatechesi Tradendae\u201d (Parte 2)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O caminho que queremos percorrer refletindo sobre a catequese e suas exig\u00eancias, nos convida a partir da Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica \u201cCatechesi Tradendae\u201d do\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Papa_Jo%C3%A3o_Paulo_II\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Papa Jo\u00e3o Paulo II<\/a>, do ano 1979, sobre a \u201ccatequese do nosso tempo&#8221;. O Conc\u00edlio Ecum\u00eanico Vaticano II, uma vez que definiu processos de renova\u00e7\u00e3o da Igreja em seus m\u00faltiplos aspectos, tamb\u00e9m pediu da atividade catequ\u00e9tica um forte redimensionamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A exorta\u00e7\u00e3o \u00e9 dirigida ao clero (bispos, padres e di\u00e1conos), a todos os fieis da Igreja e \u00e9 \u00a0\u00a0consequ\u00eancia da IV\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/w\/index.php?title=Assembleia_Geral_do_S%C3%ADnodo_dos_Bispos&amp;action=edit&amp;redlink=1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Assembleia Geral do S\u00ednodo dos Bispos<\/a>\u00a0celebrada em\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Roma\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Roma<\/a>, em\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/1977\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">1977<\/a>, que tratou da catequese em nosso tempo. Ao longo da Exorta\u00e7\u00e3o o sumo Pont\u00edfice apresenta algumas convic\u00e7\u00f5es fundamentais que devem nutrir o dinamismo da Catequese na Igreja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Queremos lhe apresentar neste artigo uma breve s\u00edntese desse documento ressaltando algumas ideais ou convic\u00e7\u00f5es mais importantes presentes ao longo dos nove cap\u00edtulos desse maravilhoso documento para que lhe sirva de est\u00edmulo para l\u00ea-lo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A catequese \u00e9 consequ\u00eancia do mandato mission\u00e1rio que Cristo deu aos seus disc\u00edpulos de formar disc\u00edpulo; \u00e9 o \u201cconjunto dos esfor\u00e7os envidados na Igreja para fazer disc\u00edpulos, para ajudar os homens a acreditarem que Jesus \u00e9 o Filho de Deus, a fim de que, mediante a f\u00e9, tenham a vida em Seu nome, para os educar e instruir quanto a esta vida e assim edificar o Corpo de Cristo. A Igreja nunca cessou de consagrar a tudo isto as suas energias\u201d (1).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica sendo dirigida a toda a Igreja, teve como objetivo confirmar a solidez da f\u00e9 e da vida crist\u00e3, estimulando novo vigor a novas iniciativas catequ\u00e9ticas, provocando a criatividade, com a requerida prud\u00eancia, contribuindo para difundir nas comunidades a alegria de levar ao mundo o mist\u00e9rio de Cristo (cf. 4).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A figura de Jesus Cristo \u00e9 o personagem central da catequese. \u201cDeseja-se acentuar, antes de mais nada, que no centro da catequese encontramos essencialmente uma Pessoa: a Pessoa de Jesus de Nazar\u00e9, \u00abFilho \u00fanico do Pai, cheio de gra\u00e7a e de verdade\u00bb (Jo 1,14) que sofreu e morreu por n\u00f3s, e que agora, ressuscitado, vive conosco para sempre. Este mesmo Jesus que \u00e9 \u00abo Caminho, a Verdade e a Vida\u201d (Jo 14,6) e a vida crist\u00e3 consiste em seguir a Cristo\u201d. Portanto, \u201co objeto essencial e primordial da catequese, pois, para empregar uma express\u00e3o que S\u00e3o Paulo gosta de usar e que \u00e9 frequente na teologia contempor\u00e2nea, \u00e9 \u00abo Mist\u00e9rio de Cristo\u00bb. Catequizar \u00e9, de certa maneira, levar algu\u00e9m a perscrutar este Mist\u00e9rio em todas as suas dimens\u00f5es: \u00abexpor \u00e0 luz, diante de todos, qual seja a disposi\u00e7\u00e3o divina, o Mist\u00e9rio\u201d (5).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A catequese \u00e9 cristoc\u00eantrica. \u201cA preocupa\u00e7\u00e3o constante de todo o catequista, seja qual for o n\u00edvel das suas responsabilidades na Igreja, deve ser a de fazer passar, atrav\u00e9s do seu ensino e do seu modo de comportar-se, a doutrina e a vida de Jesus Cristo\u201d. Todos os catequistas deveriam poder aplicar a si pr\u00f3prios a misteriosa palavra de Jesus: \u00abA minha doutrina n\u00e3o \u00e9 minha, mas d&#8217;Aquele que me enviou\u00bb (Jo 7,16). Cristo \u00e9 o \u00fanico Mestre que nos ensina sempre, com seus sil\u00eancios, milagres, gestos, palavras, ora\u00e7\u00e3o, atitudes para com os pobres e sofredores (cf. 8).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A catequese est\u00e1 intimamente ligada a toda a vida e hist\u00f3ria da Igreja. O crescimento da Igreja depende da Catequese (cf. 13). Por isso foi sempre considerada \u201cdever sagrado e um direito imprescrit\u00edvel\u201d. O sacramento do batismo exige a forma\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria que permita ao batizado viver uma verdadeira vida crist\u00e3. Trata-se de um direito dos fieis (cf. 14) e, por isso, \u00e9 uma tarefa priorit\u00e1ria que est\u00e1 em profunda conex\u00e3o com a atividade mission\u00e1ria da Igreja (cf.15.18). Essa responsabilidade envolve muitos sujeitos: bispos, sacerdotes, di\u00e1conos, religiosos, pais, leigos catequistas, professores, comunicadores&#8230; (cf.16.62-66).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para que haja renova\u00e7\u00e3o da catequese \u00e9 preciso certo alargamento do seu pr\u00f3prio conceito, uso de novos m\u00e9todos, linguagem adaptada e t\u00e9cnica dos novos meios para a transmiss\u00e3o da mensagem crist\u00e3. Evite-se a improvisa\u00e7\u00e3o, a repeti\u00e7\u00e3o rotineira que leva \u00e0 estagna\u00e7\u00e3o, \u00e0 letargia, \u00e0 paralisia. Tudo isso gera a confus\u00e3o, desvios de toda esp\u00e9cie, ruptura (cf.17).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A catequese segue o primeiro an\u00fancio mission\u00e1rio, o Ker\u00edgma (cf. 18-20,25). A catequese, sendo experi\u00eancia de aprofundamento das raz\u00f5es da nossa f\u00e9, tem algumas caracter\u00edsticas espec\u00edficas: deve ser sistem\u00e1tica; programada (n\u00e3o improvisada), completa (inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3 integral), aberta a todas as outras componentes da vida crist\u00e3, aderente \u00e0 vida, educativa (cf.21-22); estimula o engajamento na vida comunit\u00e1ria, no testemunho social, no dinamismo mission\u00e1rio (cf.24).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A fonte da catequese \u00e9 a Palavra de Deus, assimilada e transmitida atrav\u00e9s da Tradi\u00e7\u00e3o. \u201cFalar da Tradi\u00e7\u00e3o e da Escritura como fonte da catequese \u00e9 j\u00e1 acentuar que esta tem de ser impregnada e embebida de pensamento, esp\u00edrito e atitudes b\u00edblicas e evang\u00e9licas, mediante um contacto ass\u00edduo com os pr\u00f3prios textos sagrados\u201d (27). A catequese aprofunda o sentido do credo da Igreja. O \u00abcredo do povo de Deus\u00bb traz os elementos essenciais da f\u00e9 cat\u00f3lica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 tr\u00eas elementos fundamentais que n\u00e3o devem ser negligenciados: o conte\u00fado essencial da Catequese que \u00e9 o mist\u00e9rio de Jesus Cristo: \u00abAquele que v\u00f3s adorais sem conhecer, eu vo-lo anuncio\u00bb (At 17,23), deve ser salvaguardada a integridade desse conte\u00fado; o segundo aspecto \u00e9 o servir-se de m\u00e9todos pedag\u00f3gicos adaptados, linguagem adequada aos contextos e o terceiro \u00e9 o cuidado com a dimens\u00e3o ecum\u00eanica da catequese estimulando os fi\u00e9is a crescerem no senso de fraternidade, unidade, respeito pela diversidade (cf. 30-33).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A catequese \u00e9 para todos: crian\u00e7as, adolescentes, jovens, adultos, deficientes, etc. A din\u00e2mica e os meios did\u00e1ticos a serem usados na catequese deve variar de acordo com a situa\u00e7\u00e3o existencial de cada grupo de sujeitos (cf.35-45). Os meios que podem ser usados na catequese s\u00e3o os mais variados poss\u00edveis de acordo com a situa\u00e7\u00e3o desde os encontros interpessoais at\u00e9 o uso de meios mais sofisticados (cf. 46-47), mas tamb\u00e9m a homilia, livros catequ\u00e9ticos e catecismos (cf. 48-50). A catequese deve ser encarnada na realidade (inculturada) para isso os catequistas devem conhecer a cultura dos catequizandos (cf. 53-54).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Num mundo profundamente marcado pela incerteza, d\u00favidas, descren\u00e7a, indiferentismo, ideologias, etc. a catequese \u00e9 chamada a promover a alegria da F\u00e9, firmando a identidade crist\u00e3; para isso \u00e9 necess\u00e1rio usar uma linguagem adaptada ao servi\u00e7o do Credo (cf. 56-60). Muitos podem ser os lugares de promo\u00e7\u00e3o da catequese: na par\u00f3quia, fam\u00edlia, escola, nas associa\u00e7\u00f5es e nos movimento e nos Institutos de forma\u00e7\u00e3o (cf. 67-71).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O formador dos cora\u00e7\u00f5es e promotor do crescimento espiritual dos catequizandos n\u00e3o \u00e9 o catequista, mas \u00e9 o Esp\u00edrito Santo, o Mestre interior. Recordemos as palavras de Cristo: \u00abEle ensinar-vos-\u00e1 todas as coisas e vos recordar\u00e1 tudo o que eu vos disse\u00bb (Jo 14,26). E acrescenta: \u00abQuando vier o Esp\u00edrito da Verdade, ele guiar-vos-\u00e1 por toda a verdade&#8230;, e anunciar-vos-\u00e1 as coisas vindouras\u00bb (Jo 16,13). \u201cA catequese, que \u00e9 crescimento na f\u00e9 e amadurecimento da vida crist\u00e3 em ordem \u00e0 sua plenitude \u00e9, por consequ\u00eancia, obra do Esp\u00edrito Santo, obra que s\u00f3 Ele pode suscitar e manter na Igreja\u201d (72).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Maria \u201cfoi a primeira dos seus disc\u00edpulos: primeira quanto ao tempo, porque j\u00e1 quando se d\u00e1 o encontro no Templo Ela recebe do seu Filho adolescente li\u00e7\u00f5es que conserva no seu cora\u00e7\u00e3o; e a primeira, sobretudo, em grau de profundidade porque ningu\u00e9m foi assim \u00abensinado por Deus\u00bb (73). Maria foi, \u00abM\u00e3e e disc\u00edpula ao mesmo tempo\u00bb, dizia Santo Agostinho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>PARA REFLEX\u00c3O PESSOAL: <\/strong><\/p>\n<p>O que significa \u201ccatequese cristoc\u00eantrica\u201d?<\/p>\n<p>Quais desafios do mundo atual dificultam a catequese?<\/p>\n<p>Quais s\u00e3o as consequ\u00eancias da catequese inculturada?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Ant\u00f4nio de Assis Ribeiro Bispo Auxiliar de Bel\u00e9m do Par\u00e1 (PA) &nbsp; A CATEQUESE EM NOSSO TEMPO: a Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica \u201cCatechesi Tradendae\u201d (Parte 2) O caminho que queremos percorrer refletindo sobre a catequese e suas exig\u00eancias, nos convida a partir da Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica \u201cCatechesi Tradendae\u201d do\u00a0Papa Jo\u00e3o Paulo II, do ano 1979, sobre a &hellip;<\/p>\n<p class=\"read-more\"> <a class=\"\" href=\"https:\/\/www.cnbb.org.br\/a-catequese-em-nosso-tempo\/\"> <span class=\"screen-reader-text\">A catequese em nosso tempo<\/span> Leia mais &raquo;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":79,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[758,1837],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/776436"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/79"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=776436"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/776436\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=776436"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=776436"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=776436"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}