{"id":789417,"date":"2021-09-02T15:31:33","date_gmt":"2021-09-02T18:31:33","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=789417"},"modified":"2021-09-02T15:31:56","modified_gmt":"2021-09-02T18:31:56","slug":"questao-de-civilizacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/questao-de-civilizacao\/","title":{"rendered":"Quest\u00e3o de Civiliza\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Dom Jacinto Bergmann<\/strong><br \/>\n<strong>Arcebispo de Pelotas (RS)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Partamos de um fato: \u201cUma estudante perguntou uma vez \u00e0 antrop\u00f3loga Margaret Mead qual considerava o primeiro sinal de civiliza\u00e7\u00e3o em uma cultura. A estudante esperava que a antrop\u00f3loga falasse de anz\u00f3is, bacias de barro ou de pedras para amolar, mas n\u00e3o. Mead disse que o primeiro sinal de civiliza\u00e7\u00e3o numa cultura \u00e9 a prova de uma pessoa com um f\u00eamur quebrado e curado. Mead explicou que no resto do reino animal, se voc\u00ea quebrar a perna, voc\u00ea morre. Voc\u00ea n\u00e3o pode fugir do perigo, ir para o rio beber \u00e1gua ou ca\u00e7ar para se alimentar. Voc\u00ea se torna carne fresca para predadores. Nenhum animal sobrevive a uma perna quebrada o tempo suficiente para que o osso cure. Um f\u00eamur quebrado que se curou \u00e9 a prova de que algu\u00e9m tirou tempo pra ficar com o que caiu, curou a les\u00e3o, colocou a pessoa em seguran\u00e7a e cuidou dela at\u00e9 que ela se recupere. \u201cAjudar algu\u00e9m a passar pela dificuldade \u00e9 o ponto de partida da civiliza\u00e7\u00e3o\u201d, explicou Mead.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Podemos e devemos afirmar, apoiados tamb\u00e9m na grande antrop\u00f3loga Mead: A civiliza\u00e7\u00e3o \u00e9 resultado de amor-caridade; a civiliza\u00e7\u00e3o \u00e9 resultado de cuidado-ajuda. Amor-caridade e cuidado-ajuda caminham juntos. Est\u00e1 claro que amor \u00e9 cuidado: cuida-se de quem se ama; n\u00e3o se cuida de quem n\u00e3o se ama. Por isso, Deus \u00e9 amor-cuidado por excel\u00eancia: ningu\u00e9m ama e cuida mais que Ele. Est\u00e1 claro tamb\u00e9m que caridade \u00e9 ajuda: ajuda-se \u00e0queles que est\u00e3o nas nossas \u201centranhas\u201d (express\u00e3o b\u00edblica para caracterizar a caridade materna em extremo). Por isso Deus \u00e9 caridade-ajuda por excel\u00eancia: ningu\u00e9m \u00e9 mais caridoso e mais ajuda que Ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aqui vem \u00e0 lembran\u00e7a o Hino ao Amor-Caridade do \u201cap\u00f3stolo das gentes\u201d deixado escrito \u00e0 comunidade crist\u00e3 de Corinto. Encontra-se na 1\u00aa Carta aos Cor\u00edntios, cap\u00edtulo 13. Esse Hino torna-se t\u00e3o atual, especial e necessariamente, neste tempo de pandemia A civiliza\u00e7\u00e3o teve que reaprender o amor-caridade e o cuidado-ajuda. A civiliza\u00e7\u00e3o teve que olhar novamente para Deus como Amor-Caridade e como Cuidado-Ajuda por excel\u00eancia. Significa, sem exagero nenhum, uma quest\u00e3o de sobreviv\u00eancia da civiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ouso parafrasear esse Hino ao Amor-Caridade, ligando o bin\u00f4mio \u201camor-caridade\u201d ao bin\u00f4mio \u201ccuidado-ajuda\u201d:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cSe eu falar a l\u00edngua dos homens, e a dos anjos, mas n\u00e3o tiver amor-caridade e cuidado-ajuda &#8211; amor que cuida e caridade que ajuda, eu serei como bronze que soa ou um c\u00edmbalo que retine\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cSe eu tiver o dom da profecia, se eu tiver todos os mist\u00e9rios e toda a ci\u00eancia; se tiver toda a f\u00e9, a ponto de remover montanhas, se n\u00e3o tiver amor-caridade e cuidado-ajuda &#8211; amor que cuida e caridade que ajuda, eu n\u00e3o sou nada\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cSe eu gastar todos os meus bens no sustento dos pobres e at\u00e9 entregar meu corpo para me gloriar, mas n\u00e3o tiver amor-caridade e cuidado-ajuda &#8211; amor que cuida e caridade que ajuda, de nada me aproveitar\u00e1\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO amor-caridade e o cuidado-ajuda &#8211; o amor que cuida e a caridade que ajuda, s\u00e3o magn\u00e2nimos, s\u00e3o benfazejos\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO amor-caridade e o cuidado-ajuda &#8211; o amor que cuida e a caridade que ajuda, n\u00e3o s\u00e3o invejosos, n\u00e3o s\u00e3o presun\u00e7osos, nem arrogantes; n\u00e3o fazem nada de vergonhoso, n\u00e3o s\u00e3o interesseiros, n\u00e3o se encolerizam, n\u00e3o levam em conta o mal sofrido; n\u00e3o se alegram com a injusti\u00e7a, mas se regozijam com a verdade\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO amor-caridade e o cuidado-ajuda \u2013 o amor que cuida e a caridade que ajuda, tudo sofrem, tudo creem, tudo esperam, tudo suportam\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO amor-caridade com seu cuidado-ajuda jamais acabar\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso tudo, amor-caridade e cuidado-ajuda: \u00e9 uma quest\u00e3o de civiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Jacinto Bergmann Arcebispo de Pelotas (RS) Partamos de um fato: \u201cUma estudante perguntou uma vez \u00e0 antrop\u00f3loga Margaret Mead qual considerava o primeiro sinal de civiliza\u00e7\u00e3o em uma cultura. 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